
O anúncio feito pela Otan de que iniciará nos próximos dias uma ofensiva contra os insurgentes do Taleban na cidade de Marja, na província de Helmand (região sul do país), provocou um êxodo por parte da população local por temer um possível confronto armado.
Há várias semanas, helicópteros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) despejaram folhetos sobre a região pedindo para que os moradores deixassem a área. Funcionários do governo local disseram que cerca de 35 mil moradores de Marja, a maior cidade do sul do país ainda sob o controle do Taleban, estariam deixando a cidade e se deslocando para outras partes da província.
“Nós deixamos a cidade porque muitos aviões sobrevoaram a região e há importantes movimentos de tropas”, disse Shir Jan, um morador de Marja, à agência AFP.
A operação militar — batizada de Mushtarak, que significa ‘juntos’ em pashtun, o idioma local,– é considerada uma das maiores desde o início da guerra no Afeganistão em 2001.
A ofensiva em Helmand será a primeira grande ação militar no país desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o envio de mais 30 mil soldados americanos ao Afeganistão.
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“Encontrei-me pela primeira vez com Clarice Lispector, certa tarde de sábado, em 1955 talvez, numa reunião de amigos na casa da artista plástica Zélia Salgado, em Ipanema. Cinco anos antes, ainda em São Luís do Maranhão, havia lido o seu romance O lustre, que me deixara bastante impressionado, por sua estranheza e densidade poética. Mais tarde ouvira referências a seu livro de estreia, Perto do coração selvagem, que ainda não lera. Ao vê-la, levei um choque: os seus olhos amendoados e verdes, as maçãs do rosto salientes, ela parecia uma loba – uma loba fascinante. Não tenho qualquer lembrança do que conversamos naquela ocasião, porém quase nada devo ter eu falado, a não ser talvez algumas palavras de elogio a sua literatura. Ela era afável e simples mas de pouco falar. Saí dali meio atordoado, com aquela imagem de loba na cabeça. Imaginei que, se voltasse a vê-la, iria me apaixonar por ela. Mas isto não aconteceu. Ela era casada com um diplomata e não morava no Brasil. Eu estava recém-casado e inteiramente entregue a meu impasse poético.

Por Miguel Sanches Neto


“Boa Sr, última falante de uma língua tribal de mais de 65 mil anos, morreu de causas naturais aos 85 anos. Boa era a última nativa das Ilhas Andamão a falar fluentemente Aka-Bo, uma das 10 línguas grandes andamanesas. As tradições – e o idoma – dos Bo eram exemplos vivos de uma das mais antigas culturas encontradas na Terra. Com a morte do Aka-Bo, nove dessas línguas já estão extintas e restam apenas 52 grandes andamaneses. Boa era a mais velha. Agora, apenas o idioma Aka-Jeru tem falantes, e pelo menos metade sabe na verdade uma variação crioula da língua”.


