“E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”

12 de agosto de 2010 às 10:01 - 16 Comentários
Por fernando monteiro

O poema, em sua diagramação original, em arquivo PDF, pode ser lido no link abaixo.
AQUI

Fernando Monteiro

“E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”

Insepulta jaz a pergunta acima

e bem acima do motivo

supostamente íntimo

visto no verso de um dos últimos poemas de Roberto Piva.

A inquirição, franca, fende a fina porcelana de cera dos ouvidos.

Sabemos da penúria,

porém não queremos saber dela.

Plantamos a flor carnívora,

mas desviamos a vista

quando o jardim do pecado

castiga com isso:

indiferença, acídia, tédio mortal

no peito de avestruzes

(os do estômago forte

para literatura feita

com lixo).

Lixo, lixo, lixo:

afirmou três vezes, o Roberto

Pedro da não-negação pívia,

no vôo de Gavião livre

acima da poesia brasileira

do avestruzismo afundando

no tapete vermelho

dos prêmios paulistas

que nunca foram para as mãos

paulistanas desse ímpio gentil,

suave no convívio

porém feroz na recusa

de comércio literário

& negócios do filth.

Tardia lição de um pária,

a pergunta posta no lixo

basta como indagação direta,

resta como interrogação pura

de dentro para fora da sua vida:

para que ser poeta em época

de bosta blindando tímpanos?

Ainda incomoda muita gente,

porque perguntar é claro que ofende

(e elefantes chateiam muito menos,

naquele refrão de cantilena),

a penúria a pesar mais, muito mais, do que setenta e dois mil paquidermes do circo embutido no círculo de dúvidas levantadas pela palavra indicando (múltipla escolha, agora):

A) “Um idoso precisando de grana,

com choro e sem vê-la?”

B) “O solitário sem recursos,

num prédio degradado da Sampa

que faz a delícia dos cineastas

de olho de vidro?”

C) “Aluguéis em atraso, dívidas,

a necessidade de tratar os dentes

de ilustre entre os inadimplentes?”…

D) “Etc etc.”

[OBSERVAÇÃO: Dessa forma, é doce morrer no mar

da pergunta debitada ao desalento, remetida ao gosto pelo autoflagelo,

o fingidor a fingir que a penúria seria só a do poeta,

o mais marginal dentre os vates menos ilustres da nossa lira,

pois Piva não teve sorte na vida, nenhum amigo na Folha

e foi curto minuto no noticiário noturno apenas quando morreu

en passant para a TV voltada para a montanha do Lixo.]

“E para que ser poeta em tempos de penúria?”

é um dedo que nos acusa, trêmulo,

e não devido ao Parkinson do poeta.

O fato é que ultrapassa do tecido biográfico,

dos dados de cartório, geografia e outros

[PIVA, ROBERTO – São Paulo, 1937/2010]

e progride em acusação, do patamar da pobreza

para um geral “mal estar na cultura”,

uma doença suspensa sobre as cabeças

acima das quais paira a cinza

da pergunta do bardo por anos e anos

tentando, na ignorância da penúria,

“ressuscitar a arte morta da poesia;

errado desde o início,

não rigorosamente,

mas vendo que havia nascido

num país meio selvagem,

fora de época”.

Isso é fragmento de Pound,

ou um centavo da sua franqueza

dedicada ao mesmo objeto

do falso desdém

de Marianne Moore:

Eu, também, não gosto dela.

Lendo-a, no entanto, com um

perfeito desdém por ela,

descobre-se na poesia

um lugar, afinal, para as coisas

autênticas.

“Delicada situação financeira” etc.,

referiram alguns necrológios em lamento

impresso de delicadeza uníssona,

eu reconheço, para com a memória de Piva.

Com certeza, delicada era a espessura

de nuvem

do seu sistema (?) de vida

refletida no espelho d’água

de uma foto fazendo tremer,

na imagem do poeta sessentão,

a marca dos anos finais

de sol negro no seu endereço

de solidão no centro populoso

da maior cidade da América Latina:

Aqui morou um menino de fazenda

transformado em poeta urbano

de capa do terceiro caderno

que o mendigo depois usa

com finalidades higiênicas.

Nas páginas de jornais,

quando acontecia de se lembrarem dele,

Roberto sabia encenar para a estagiária

enviada da redação (a propósito de qualquer besteira),

o lirismo transverso de uma espécie de anjo

decadente a fazer aquelas perguntas tortas

pelo mau uso do cachimbo fora das bocas

da moda em Liberdade, Vila Olímpia

e Moema.

Não era, entretanto, um amador em espetáculo

performático (y otras frescuras),

e o caso da pergunta que ele deixou perfilada

num verso até simples,

adverte o tempo de aposentar poetas,

abre o verbo,

diz claramente:

em épocas de penúria deprimindo o espírito,

a poesia se torna absurda,

sem sentido, dispensável, inútil,

deslocada e carente de público

inclusive para ouvir o tilintar

do dinheiro, realmente,

num poema de Ritsos:

Tarde sombria como um bolso vazio.
No fundo do bolso um buraco doce, penugento.

Por lá passas um dedo em segredo,
tocas a própria coxa como se tocasses
outro corpo, maior, estranho, profundo
– o corpo da noite ou da tua morte.

Por esse buraco caem as moedas todas,
mesmo as de ouro, cunhadas com a efígie
esplêndida e jovem do Príncipe dos Lírios
.

A pergunta de Piva – essa fissura –

revela meramente o que ela revela,

pois o cão do derradeiro livro

não produziria um ganido,

ao latir para tímpanos blindados

pela incultura.

É claro que faltavam conforto, vinhos

e rosas,

sendo parcas as rendas do herdeiro

de antigas terras sumidas

com roseirais na bruma.

E poucos os meios (mais do que os fins)

para os longos fins de semana,

o garoto da banca de revistas,

a importada edição dos inéditos

de Pier Paolo Pasolini.

Tudo tão verdadeiro quanto distante

da essência de outras penúrias

entre esquinas de garoas

e galerias de arte em vernissages

cujo rumor de cálices noturnos

chega aos guardadores de carros

como a música do paraíso

de inalcançáveis perdizes.

Para que ser poeta em tempos assim?

Quando Piva faleceu (e faz pouco tempo),

todos evitaram cuidadosamente

a simplicidade desconcertante

da interrogação relativa

aos Tempos de Penúria

Intelectual,

Moral,

Social,

Sexual,

Musical,

Teatral,

Poetal,

Caricatural…

virando uma exposição no MASP,

um patrocínio da Lei Rouanet,

uma loucura domesticada,

uma homenagem ao terraço Itália,

uma retrospectiva de metrô dedicada ao Bardi

e esquecida dos Flávios da família patrícia

da Casa do Caralho pichado

no monumento àquela revolução

Constitucionalista (com “C” grande)

que é um caso de São Paulo,

como Jânio Quadros,

os Mutantes,

os irmãos Campos

e Hebe Camargo.

Tudo isso está saindo assim

para dizer que Piva começou

quando as edições de Massao

(por favor, não deixem morrer o Editor, sem que ele ouça o “Ohno!” sendo chamado entre os nomes fundamentais da fé clara na poesia, numa época de treva),

os livros despontando da Oscar Freire

entre aguardente e rara consolação

de um Piva no meio dos pífios

entre poetas lançados assim mesmo

(o samurai não usava a katana,

mas longos cabelos de Mifune

e o olho de receber uma Hilda Hilst

com todas as honras).

Hilda! Era instigante encontrar pessoas estranhas

nos bares, moças de botinas, atores que não dormiam,

atrizes que fumavam demais,

gente saudável do modo mais incorretamente político

possível entre invernos e repressões,

notícias vagas de espiões

e manifestos da classe unida

para terminar em separação,

“Diretas Já!”

e outros gritos que vulgarizam poemas

ditos longos (e pré-ditos), elegantes,

essas porras de novo,

e Piva e a prova de que nada muda

– quando no fundo se deseja

a mudança de Lampedusa,

de Salina para Salina.

Fui mal, nessa tentativa de síntese.

Sou ruim, quando se trata de ver de longe

e de perto ao mesmo tempo.

Finjam que não leram,

E recomecemos dos escândalos paulistanos

que sempre terminam bem absorvidos

pela capital grande demais para se assustar

com uma arenga de artista.

Roberto Piva, apesar disso,

bem que tentou,

enquanto seus amigos agora respiram,

afinal saudosos, aliviadamente,

na neblina.

Ele aceitou pisar ao contrário

na sarjeta cuspida pelos mendigos,

entre seringas e camisinhas usadas

por trás de fumaças das pamonhas

cozidas para os nordestinos

da São João dos antigos cinemas

pornôs reforçados por sexo ao vivo.

Era o puro desespero que Piva via

no palco e na platéia de mãos sujas

de esperma e gosmenta casca de milho

no chão das salas vinte e quatro horas

sem limpeza,

até vir uma mulher com o uniforme de serviço

a fim de suportar a imundície removida com pá,

porém sem a luva de uso “uma por vez”

de recomendação da Saúde Púbica.

Roberto Piva estava pobre e triste,

porém a pergunta que ele deixou

feita para a Indiferença,

dirigida ao Tédio,

destinada à Morte (e fim),

não dizia respeito somente à conta bancária

de movimento certamente ridículo

para o critério dos cheques especiais regulados

pela central de algum banco centralíssimo

na Paulista ou no antigo Viaduto do Chá

sem meias xícaras de medidas

contra o comércio de artigos de plástico

dos miseráveis que comoviam o poeta,

uma vez que as lágrimas de Roberto

raramente eram para si mesmo,

a cara amassada no espelho

implacável da queda dos cabelos

também nos travesseiros

ligeiramente azedos

da longa noite sozinho,

sem beleza

Tenho uma história para contar, ainda.

De certo modo, é uma história sobre Piva e eu,

que nunca nos conhecemos em São Paulo

ou no Recife ou em outro lugar qualquer

deste país de bienais e flips, flops e flups.

Acontece que alguém de um “Círculo de Leitores OF”

(assim mesmo) resolveu me convidar para ler

fragmentos de Vi uma foto de Anna Akhmátova

e eu perguntei se pagavam,

e a moça do outro lado da linha

[num mau poema, isso quer dizer telefone]

respondeu que “ofereciam passagem e hospedagem”,

mas cachê não.

Pagamentos eram para a sala,

para “o rapaz do som”, “a companhia de eletricidade”,

a “gráfica dos cartazes” e tudo o mais,

menos para o poeta convidado para recitar poemas

ou que raio fosse (digo eu).

Irritado, eu emendei: “Dizer poesia”.

Ela disse: “Pois é. Não há dinheiro para isso.”

Eu disse: “Eu já entendi. Mas você devia ter dito DIZER POESIA,

em vez de recitar poemas.”

Ela disse: “Hein?”

Eu desisti.

Mas voltei a perguntar: “E o que é OF? É inglês?”

Ela disse: “Não! É Orides Fontela. Circulo de Leituras Orides Fontela”…

Então, eu aceitei ir “recitar poemas”,

isto é, aceitei viajar sem ganhar um centavo,

com um propósito “nobre”, “cultural” (essas merdas)

embora a própria Orides houvesse escrito belamente:

Viajar
mas não
para

viajar
mas sem
onde

sem rota sem ciclo sem círculo
sem finalidade possível.

Como eu poderia cobrar alguns trocados

de um Círculo de Leitores tocando

a memória tristíssima da poeta mais pobre do mundo?

Orides Fontela foi despejada,

ficou sem lugar para morar

e teve que se alojar de qualquer jeito

na Casa do Estudante,

na mesma Avenida São João que você conhecia tão bem,

meu poeta (alguma vez chegou a ver Orides

recolhendo algum bichano transido de frio

entre uma delicatessen e um hotel para lúmpens?)…

Esse convite foi na semana em que você morreu, Piva,

eu estava comovido e a lembrança da pobre Orides

veio destroçar ainda mais a minha resolução de cobrar

pra viajar com rota e para um Círculo liso,

com a finalidade de ler partes do Anna Akhmátova

ou qualquer outra excrescência de tempos de penúria

(para que ler poesia?), de maneira que eu propus:

“Eu aceito, mas vou para falar sobre o Roberto Piva”.

Ela: “Quem?”

Eu: “Piva, o poeta que acaba de morrer.”

Ela: “Era seu amigo?”

Eu: “Não”.

Ela: “E por que o senhor quer falar sobre ele?”

Eu: “Porque um dos seus últimos versos não me sai da cabeça”.

Ela: “É tão bonito assim?”

Eu: “Versos não precisam ser bonitos. Versos precisam ser verdadeiros.”

Ela: “Diga ele”.

Eu: “Diga-o”.

Ela: “Eu não sei qual verso é esse que não sai da cabeça do senhor.”

Eu: “Eu sei.”

Ela: “Então, diga”.

Eu: “E para que ser poeta em tempos de penúria?”

É claro que eu terminei indo lá,

no Centro de Leituras Orides Fontela,

e falei sobre Orides e sobre Roberto,

ambos pobres e doentes e grandes poetas

que São Paulo ignorou de diferentes maneiras,

autorizando o Brasil a ignorá-los também.

Porque, realmente, não há nenhuma razão

para se ser poeta em tempos de penúria

feita da não-percepção do muito que depende

de um “carrinho de bebê vermelho ao sol”

ou qualquer outra banalidade aparente

voltando num sonho leve como avencas

na sombra do perdido paraíso da infância

de vagalumes presos.

Eles estavam já apagados, Piva,

Na palma envelhecida de Parkinson e saliva,

Cansaço e mais “os anos sem emoção” (…)

São Paulo desaparecera por detrás da juventude

da geração de Robertos confiados

(de modos diversos) na aventura da vida

a trair pelo menos os Pivas (e as Orides).

Não há mais poemas nos muros de eleições sem inspiração.

Não há mais inspiração para seja o que for que ainda não tenha sido traído

ao menos por distração (concedido seja o beneplácito da dúvida sobre a determinação de algumas traições).

“E para que ser poeta em tempos de penúria?”

Você perguntou tão francamente

que ninguém poderia prestar muita atenção,

meu poeta pronto para morrer desse lamento,

além da doença e da orfandade de si,

Orfeu perguntando “para quê”?…

E todos fazendo como se a pergunta

não fosse com ninguém,

além do próprio poeta Piva.

[NOTA: O poema já estava terminado – exatamente no dia 3 de agosto, um mês após a morte de Roberto Piva -- quando me deparei com a seguinte notícia, conservada na internet: 13 de junho de 2010... O editor Massao Ohno, de 74 anos, morreu anteontem à noite na Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, onde estava internado havia uma semana etc. Apesar disso, decidi manter o verso referente ao Massao – verso que ainda o toma por vivo – íntegro no seu engano, uma vez que a notícia sobre a morte do Editor, despercebida, é mais um exemplo dos “tempos de penúria” de que fala o verso do Piva. FERNANDO MONTEIRO]

16 Comentários

  1. Jarbas Martins
    12 de agosto de 2010

    teu indignado poema, meu caríssimo fernando, é uma prova da perenidade da poesia e da sua força; capaz de sobreviver, pela sua verdade, às catástrofes como a da Auschwitz, e a tragédias individuais como a do poeta Roberto Piva. li o poema em sua formatação original, e o admirei muito pelas soluções encontradas,
    unindo à visualidade o teu verso melodioso e ácido.com um abraço de admiração e estima.

  2. Fernando Monteiro
    12 de agosto de 2010

    Obrigado, Poeta.
    Apesar do desalento — presente desde a pergunta do Piva, que ensejou o nosso poema –, eu também acredito na sobrevivência do verso (sob todas as formas etc), por sobre todos os desumanismos…

  3. Marcos Silva
    12 de agosto de 2010

    Fernando:

    Para comover. Vc, Piva e Orides comovem.

    Marcos Silva

  4. Fernando Monteiro
    12 de agosto de 2010

    Grato, Marcos. O poema tem sorte de encontrar leitores como você.

  5. Fernando Monteiro
    12 de agosto de 2010

    PS: Tenho recebido inúmeras mensagens de amigos e admiradores do editor Massao Ohno.
    Destaco que foi ele — coincidentemente — quem revelou Roberto Piva, na famosa “Antologia dos Novíssimos” da São Paulo de início dos anos 1960…

  6. Ednar Andrade
    12 de agosto de 2010

    “Versos não precisam ser bonitos. Versos precisam ser verdadeiros.” (Fernando Monteiro).

    Numa pontualidade britânica do SP foi postado o teu poema e eu sentei-me diante do computador e o li e reli e diante de tanta emoção mal conseguia respirar.

    Concordo com a frase acima, onde dizes que poemas têm que ser verdadeiros e, como tão bem disseste poeta, neste: “…país de bienais e flips, flops e flups”. (Fernando Monteiro) tenho lido que o lirismo causa enjoo, poemas amorosos são melosos e isso é triste e eu lamento. É preciso que haja memória e não flips, flops e flups que enaltecem aqueles que são figurinhas carimbadas e abonados da mídia. Eu, no entanto, voto em todo sentimento verdadeiro, dando total liberdade de ser como se é realmente.

    E eu, que não me incomodo com flips, flops e flups, te parabenizo e digo que:

    Fazer poesia é como vomitar, abrir o coração e deixar tudo sair. (Ednar Andrade).

  7. Edjane Linhares
    12 de agosto de 2010

    E para quer ser poeta em tempos de penúria?

    Para escrever o que precisa ser escrito. O você faz divinamente.

  8. 12 de agosto de 2010

    De uma entrevista com Roberto Piva:

    FW – Num dos últimos poemas do Paranóia, você diz: “eu quero a destruição de tudo o que é frágil”…

    RP – Mas sabemos que não é nada frágil aquilo cuja destruição eu desejo. A poesia é que é frágil, é uma forma de abrir brechas na realidade; como o Baudelaire, o Artaud, o Gottfried Benn e o Georg Trakl abriram. Mas não impediram Auschwitz. O poeta não existe para impedir essas coisas. O poeta existe para impedir que as pessoas parem de sonhar.

    Fernando

    Sua poesia é necessária. É preciso colocar “ordem” nesse assim chamado posmodernismo onde tudo é pragmatismo- para que serve? quem é? quanto vale? com quem anda?
    Muito bem colocado Piva ao lado de Orides e do Massao, e de Hilda e ao seu lado e ao nosso lado: o lado dos que continuam acreditando na poesia.
    Comovente seu poema. Evoé!

    Elizabeth

  9. 12 de agosto de 2010

    Seu poema é uma atitude literária que rompe o tipo de ligações pessoais comuns e vigentes entre artistas nos dias que seguem. Rompe e ao mesmo tempo as restaura num padrão maior de humanidade já infelizmente esquecido.

  10. 12 de agosto de 2010

    Fernando, por favor mande seu email, que o poeta Celso de Alencar, amigo do Piva, gostou muito e quer entrar em contato com você. Ele disse o seguinte:
    ” Esse poema precisa ser publicado isoladamente. Trata-se de uma feliz criação. Para se criar um grande poema, não precisamos ter convivido com aquilo ou com aquele que nos motivou. Precisamos da palavra e da compreensão da poesia. A emoção e a competência foram cúmplices do Fernando nessa invenção.”

    Um abraço
    Elizabeth

  11. Fernando Monteiro
    12 de agosto de 2010

    Agradeço a Ednar, Edjane e ao Lacet.
    Agradeço também a você, ELIZABETH, pelo apoio do VIVABABEL ao “lançamento” virtual deste poema fraternalmente acolhido por Tácito Costa aqui no SP.
    Fui grande amigo de Massao Ohno (o “samurai”, inclusive, editou o nosso ECOMÉTRICA, em 1983), e sempre admirei Piva, a sua poesia e a sua rebeldia “imortalmente jovem”, como diria Dylan Thomas.
    A São Paulo na qual Roberto surgiu e viveu a primeira metade da sua vida (talvez um pouco mais do que isso) desapareceu, agora, com ele e com o Massao, editor zen de empreitadas quixotescas entretanto levadas a bom termo nas noites friorentas da bela (SIM, BELA!) “Sampa”…
    Participei de algumas delas, e nunca vou esquecê-las.
    O poema — que você alinha tão bem, Elizabeth, contra os inúmeros “para que serve? quem é? quanto vale? com quem anda?”… –, apesar da ira etc, funciona (eu creio) também como um gesto de ternura final para com todos que, como Piva, Orides e Massao, seguiram resistindo até o amargo fim…
    [ Meu e-mail é: fernandomonteiro@superig.com.br ]

  12. Fernando Monteiro
    12 de agosto de 2010

    Agradeço à Ednar, à Edjane e ao Lacet.
    Agradeço também a você, ELIZABETH, pelo apoio do VIVABABEL ao “lançamento” virtual deste poema fraternalmente acolhido por Tácito Costa aqui no SP.
    Fui grande amigo de Massao Ohno (o “samurai”, inclusive, editou o nosso ECOMÉTRICA, em 1983), e sempre admirei Piva, a sua poesia e a sua rebeldia “imortalmente jovem”, como diria Dylan Thomas.
    A São Paulo na qual Roberto surgiu e viveu a primeira metade da sua vida (talvez um pouco mais do que isso) desapareceu, agora, com ele e com o Massao, editor zen de empreitadas quixotescas entretanto levadas a bom termo nas noites friorentas da bela (SIM, BELA!) “Sampa”…
    Participei de algumas delas, e nunca vou esquecê-las.
    O poema — que você alinha tão bem, Elizabeth, contra os inúmeros “para que serve? quem é? quanto vale? com quem anda?”… –, apesar da ira etc, funciona (eu creio) também como um gesto de ternura final para com todos que, como Piva, Orides e Massao, seguiram resistindo até o amargo fim…
    [ Meu e-mail é: fernandomonteiro@superig.com.br ]

  13. Alex de Souza
    13 de agosto de 2010

    e nesses tempos de penúria, gasto mais R$ 1 na lan house, que insiste em me mandar embora, para chegar às últimas linhas de seu poema, Fernando, e que poema. para que, Fernando, você pergunta. eu não sei, mas me emociono.

  14. 13 de agosto de 2010

    Fernando, São Paulo não é mais bela como foi, quando Massao Ohno editava os Novissimos.
    Mas os poetas resisitirão, sempre, tentando “impedir que as pessoas parem de sonhar.” Abraço

  15. François Silvestre
    14 de agosto de 2010

    Um poema belo, como a pedra. Duro, como a flor. Doído e doido como Piva. Apenas um poema, quase do tamanho da dor.

  16. 22 de agosto de 2010

    Caros,
    Estou emocionada. Parece que todos ao escreverem sobre o Roberto rasgam antes o coração e expõem as palavras em carne viva . Quando o Piva encantou-se disse para Carpegiane o quanto tinha gostado do texto que ele escreveu na sua coluna. Um texto forte e de denúncia. Digo agora para Fernando: Esse texto grita para todos os poetas marginais( no melhor uso dessa palavra) e alerta os iludidos e deslumbrados. Será que podemos ser gente em tempos de penúria?
    Um abraço fraterno
    cida pedrosa

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    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

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    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”