“Espelho quebrado”: romance ou outro gênero?

5 de julho de 2010 às 18:16 - 12 Comentários
Por Nelson Patriota

A especificidade do romance não se resume a uma questão numérica. Assim, não basta que um autor escreva um texto ficcional de 200 laudas para transformá-lo automaticamente num romance. Um romance comporta aprofundamento dos seus caracteres centrais, quer em termos psicológicos, quer em suas contradições, vacilações, apostas existenciais etc. Comporta ainda sucessão temporal, idas e vindas, mudanças, digressões, experiências e aprendizados, acertos e fracassos. Histórias de vida, enfim. Mas histórias singulares, portanto únicas, embora guardem semelhanças com outras. Romance é, portanto, complexidade, interação, busca e conflitos. A leitura do livro Espelho Quebrado, de Lima Neto (edição do autor, 2010, 200 páginas) suscita esta questão: estamos realmente diante de uma narrativa de ficção, ou de um experimento literário diverso, o que quer que isso signifique?

Há um evidente propósito narrativo na tessitura de Espelho Quebrado, por si só uma metáfora que ambiciona resumir, na relação estabelecida entre essas duas palavras, o significado central do livro. E logo surgem obstáculos que o texto propõe ao seu leitor. Por exemplo, é possível contar a história de um adolescente abstraindo por completo a figura do seu pai, ignorando o papel central que um pai sempre exerce sobre a vida de um filho? Casos pontuais de pais falecidos – como o do livro –, não costumam anular, antes recrudescem os questionamentos pessoais dos filhos, relegados à condição de filhos sem pai, filhos em oposição ao pai, mas não de filhos sem referencial paterno.

Não é o caso, porém, do protagonismo de Gabriel (nome adequadamente angelical, como mostrará a narrativa), jovem de classe média que atravessa as agruras da primeira adolescência sem qualquer conflito interior, dificuldade de ordem material, crise de ordem metafísica ou dúvida psicológica sobre suas origens biológicas, seu lugar no mundo. No máximo, permite-se momentos de melancolia por razões às vezes explicitadas, outras vezes não. Afora uma paixão juvenil não correspondida, nada acontece de excepcional na vida do melancólico Gabriel. Mas, adolescente, não resistirá aos encantos de Renata, jovem de classe média, como ele, a essa altura um bem-sucedido executivo de uma firma próspera. Predestinado a obter placidamente tudo o que lhe agradar, Gabriel não enfrenta qualquer dificuldade na conquista da sua “cara metade”; pelo contrário, ela parece corresponder plenamente ao seu desejo. Embora à sua descrição escape qualquer elemento erótico, porque o mundo de Gabriel parece ser assim…

Sucede que Renata logo apresenta uma grave enfermidade cardíaca e só um transplante poderia salvá-la. Ora, Gabriel, o anjo, ouvira de um médico que “doar órgão é um ato de amor”. Resolve então de si para consigo que doará seu coração a Renata como prova a mais inconteste de seu amor. Como executar esse plano? Gabriel se ausenta da narrativa e logo surge um coração doado anonimamente para a enferma, salvando-lhe a vida.

Como esse estratagema foi executado? O cândido Gabriel teria cometido suicídio? Sua mãe, sogra, seus amigos não ventilam essa hipótese. Trata-se, então, de uma “licença poética” que precisa ser aceita pelo leitor, agora cúmplice de um jogo que deve ser visto apenas sob sua roupagem “romântica”: aquela que conta de uma autoimolação romântica.

Por trás de toda a trama, remanescem questões candentes não resolvidas: o egoísmo do protagonista, o sacrifício de toda uma vida de sua mãe que, embora empresária bem sucedida, não resolve a sua vida, vivendo sempre à sombra do filho único, depois de ter perdido o marido e o primogênito. Gabriel não receia dar esse golpe fatal em sua mãe, roubando-lhe, por meio de seu suicídio bem século XIX, o único filho que lhe resta, que é ele próprio? Relatos assim ficam mais bem colocados em formas narrativas sucintas, como ocorre naquele conto do hondurenho Augusto Monterroso, esgotado num único parágrafo: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”. Nada mais precisa ser acrescentado, porque a partir cada leitor circunstanciará os elementos narrativos ausentes. Um romance os descreveria.

Afora essas questões intrínsecas à estrutura romancesca, “Espelho quebrado” apresenta problemas não menos graves no que tange às questões de linguagem, como tautologias, formas verbais esdrúxulas, preciosismos, incorreções ortográficas etc. Essa dupla convergência de problemas torna o seu texto um verdadeiro antirromance, quer do ponto de vista narrativa, quer da linguagem.

12 Comentários

  1. Andreza
    8 de julho de 2010

    Acho ridículo os intelectuais dessa cidade quando decidem críticar algo. Primeiro pela agressividade que utilizam as palavras, segundo, por sempre aproveitarem a oportunidade de se auto promoverem mostrando que é mais inteligente ou melhor. A forma como foi escrita essa crítica me pareceu que o Sr. Nelson Patriota quis tranparecer sua inteligencia e seu conhecimento as custas de um jovem escritor regional que busca seu espaço em meio a tanta gente que ignora o fato de que ,por nossa sorte, o Rio grande do norte ainda possui jovens interessados em literátura, logo em um país onde livros como “O Doce Veneno do Escorpião” de Bruna Surfistinha vende milhões de exemplares, sem falar em outros títulos tão decadentes, mas não, é mais fácil críticar de forma tão ofensiva alguém que ainda tem muito o que aprender e evoluir, antes o romance Espelho Quebrado com seus “erros”, do que nomes como o do Nelson Patriota que não tem humildade o suficiente para incentivar e dividir tanto conhecimento que ele demonstrar ter, mas que, devido a seu ego, igual o de muitos profissionais daqui do estado, preferem atrair a atenção para o seu próprio nariz.

  2. 8 de julho de 2010

    Andreza, suas observações não batem com a realidade. Conheço Nelson há 30 anos, é meu amigo. Ele jamais usaria um jovem escritor para demonstrar sua inteligência, como você afirma. Até mesmo porque não precisa, trata-se de um escritor e jornalista reconhecido nos meios literários e culturais do país. Infelizmente, não estamos acostumados à crítica em Natal.

  3. Tamara Costa
    9 de julho de 2010

    Permita-me entender a crítica!

    O Sr Nelson Patriota pretende reescrever o romance a seu gosto?!
    Confesso não acreditar que ele escreveu “tal crítica”.
    Primeiro quero deixar bem claro que não sou partidaria do romance ou do Sr Nelson Patriota.
    Começo falando pela literatura nogenta desse estado. Lançamentos aos quais os presentes costumam ir pra marcarem presença e depois jogarem seus livros nas estantes.
    Fico me perguntando se isso realmente é uma crítica, pois visto que este estado está em declínio em termos literários. Bem longe de sair dos blogs, das camaradagens, dos cafés das livrarias e da imprensa tendenciosa.
    Provocaria o jovem autor estar vendendo ao contrário do Sr jornalista e escritor Nelson Patriota que só vende livro nos lançamentos????
    Será que a literarura norte-riograndense pretende ser lida por todos ou pelos que assumem propriedades de críticos?!
    Estaria também o Sr Nelson Patriota não acostumado com críticas???
    Pergunto à Tácito colocar a amizade de 30 anos como resposta para a crítica recebida ao senhor Nelson? Isso me deixa a crer que esse Blog é tendencioso, pois infelizmente o argumento usado pelo senhor é amizade.
    Desculpe, pensei que estivessemos falando em literatura.
    Me pergunto aonde está a literatura potiguar?? Só nas mãos de Nei Leandro? Porque a literatura local não espande?? Não seria a hora do Sr Nelson Patriota dar sua contribuição de grande obra literária ao estado??
    Eu não acredito que seriamos felizardos. E não acredito que venha do clã dos magestosos escritores de grande nome.
    Acredito sim em talentos como Charles Phelan e sim de Lima Neto pra uma literatura escrita para o leitor e não para meia dúzia de amigos.

  4. Lucia Maria Miranda
    9 de julho de 2010

    …… Conheci Lima Neto através do site skoob.com que aborda, entre os seus usuários, tudo o que é possível saber-se em se tratando de livros. Tenho o livro Espelho Quebrado, que ainda estou lendo, de qualquer forma, pelo que já conheço do Lima, mesmo por e-mails e sabendo a quanto anda determinadas carroças nesse país, salve salve vamos ser patriotas porque a Copa chegou, endosso o comentário da leitora Andreza, embora eu realmente não saiba quem é o sr. Nelson Patriota e nem estou, assim, muito interessada em saber, todavia, isso, de sabê-lo ou não, para mim não importa, porque pelo que vejo em outro comentário nessa coluna, é fato inconteste de que ele tem cabedal o bastante para criticar o que quiser, aceitar, concordar, vetar ou divergir. O que vem ao caso, para mim, conforme a leitora supracitada disse, é que antes de ficarmos jogando pedras à três por dois nos telhados vizinhos, possamos olhar um pouco para as nossas próprias costas e os nossos próprios telhados quando esses eram de enchimento, ou adobe, ou ripas, porque ao meu ver, na grande maioria que grassa nessa terra varonil, de encantos mil, são poucos que já nascem estruturados em palácios e/ou mansões, e desse modo, começam a trilhar as suas vidas, a maioria, nas suas casas modestas e até pobrinhas, para depois granjearem os casarões. Isto é, em português mais claro, se ninguém nasceu gênio, tipo Hemingway, deve começar seus passos de modo mais vacilante, mais carente de estruturas suficientes que lhe tornem campeão de best seller, devagar e sempre, paulatinamente cada vez melhor até chegarem ao topo, o que, com toda certeza, uma hora, chegarão e aos Hemingways da vida, por obra, graça e sorte, não devem apenas ficarem polindo seus espelhos pessoais quando também, quem sabe, começaram com reflexos em fundos de latão ou qualquer coisa que refletisse brilho, advindo de alguma outra luz.

  5. 9 de julho de 2010

    Tamara, quis dizer que conheço Nelson há muitos anos e por isso posso dizer que ele é uma pessoa honesta, gente boa, em quem confio plenamente, jamais iria criticar com objetivos mesquinhos. Além disso, é um dos inlectuais mais preparados do RN. Acho que tem credenciais para escrever sobre literatura. Não precisa-se fazer tempestade em copo d’água, foi só uma crítica.

  6. Lúcio
    9 de julho de 2010

    Se Nelson considerou o livro de tão má qualidade, por que se deu a tanto trabalho de escrever tamanha crítica?

    Por que não dispender seus honoráveis esforços em ações mais construtivas?

    Fazer-se de professor de literatura para os jovens escritores natalenses, algum curso de escrita literária, já que temos então um nobre conhecedor. Estes cursos já se ploriferam pelo sudeste. São momentos de exercício e discussão da prática da literatura. Por que não exercê-lo aqui?

    Não desmerecendo o conhecimento que ele tem, apenas considerando que fins mais práticos e úteis poderiam dar maior contribuição à sociedade do que a crítica feita.

    Boa tarde a todos.

  7. Andreia Braz
    9 de julho de 2010

    As críticas relacionadas ao artigo de Nelson Patriota, que aborda de forma técnica e, de modo algum, está voltada para âmbito pessoal, deveriam ser fundamentadas também na leitura do livro do senhor Lima Neto, “Espelho Quebrado”, cujas fragilidades estruturais (e linguísticas) foram brilhantemente discutidas no referido texto. O que fica bastante claro nos comentários acima é uma discussão pobre e absolutamente infundada, visto que a maioria dos comentadores sequer leu a obra sobre a qual se discute, além de deixarem calro, sem o menor cosntrangimento, que não conhecem o trabalho de Nelson Patriota, jornalista, escritor, tradutor e crítico literário que tem deixado orgulhosos os que amam a literatura norte-rio-grandense, tendo em vista o trabalho intelectual que desenvolve há mais de três décadas, tendo, portanto, argumentos suficientes para discorrer sobre qualquer assunto do gênero. A exemplo disso, temos a obra que reúne as crônicas do jornalista Edgar Barbosa, recém publicada pela Editora da UFRN, organizada por Nelson Patriota, que recebeu merecida homenagem no último dia 10 de junho, dia do lançamento, no Instituto Histórico e Geográfico do RN.

  8. 9 de julho de 2010

    Nelson Patriota é um dos maiores intelectuais de nosso Estado não só da atualidade, mas dos últimos anos. Jornalista, crítico literário, escritor, contista, biógrafo, entre tantas outras “ocupações” no meio literário credenciam-no com um dos intelectuais mais completos do RN, estando, portanto, credenciado para discutir, escrever resenhas, sinopses, críticas, elogios, tecer comentários, não só em qualquer obra literária, como também em qualquer assunto. Por essas e outras tantas qualidades, sinto-me honrada em tê-lo como o revisor de meu primeiro livro, “Uma História em Cinco Vozes”, lançado no ano passado.
    Como escritor em início de carreira, sei que tenho um longo caminho pela frente. Tenho muito que aprender, que evoluir, que melhorar, por isso sou um escritor que aceita tão bem as críticas que recebo, não só de intelectuais, amigos, outros escritores, inimigos, apaixonados por literatura e leitores de final de semana. Toda opinião, toda crítica, é bem-vinda e pode-se tirar, sempre, algo de proveitoso daquelas palavras, e com essa crítica, escrita por Nelson Patriota, sendo ele um profundo conhecedor que é, não seria diferente. Posso afirmar até que, por ter vindo dele, devo prestar muita atenção a cada uma das palavras, a cada uma das opiniões.
    Eu li essa crítica primeiramente na Tribuna do último domingo, e só cheguei a vê-la nesse site ontem.
    Li, reli, li novamente, analisei, pesei, voltei atrás, fiz outra leitura, enfim, fiz um verdadeiro estudo sobre o meu livro e sobre a crítica em questão, e posso afirmar que não concordo com alguns dos pontos da crítica de Nelson Patriota, mas ele, como leitor e como crítico, tem todo o direito de tê-las e de expressá-las.
    Costumo dizer que cada livro é um livro e que cada leitor é um leitor, por isso os livros geram, tantas vezes, opiniões diferentes entre os leitores. E talvez, também por isso, a leitura e posterior crítica de Nelson Patriota esteja sendo lida e interpretada de maneiras tão distintas. Uns leram a crítica e concordaram (eu, inclusive, em alguns pontos), enquanto outros (a maioria, diga-se de passagem) não só não concordaram como se puseram a criticar o próprio crítico, o que não deveria estar sendo feito aqui, de forma tão ofensiva, publicamente.

    reitero, aqui, a minha opinião quanto a crítica: aceitei muito bem e aprendi muito com ela, embora não concorde com alguns pontos, mas isso é minha opinião, como escritor e também como leitor.

    e chega de “polêmica”. vamos falar do livro em si?

    Ass.: Lima Neto, autor do livro “Espelho Quebrado”.

  9. 9 de julho de 2010

    escrever críticas literárias é uma tarefa complicada e extremamente delicada. devemos, ao escrever textos dessa natureza, expressar uma opinião, sim, mas, ao mesmo tempo, tentar ser o mais imparcial possível. e conseguir balancear isso, a opinião e a imparcialidade, é onde está a questão primordial.
    o leitor deve ver a crítica e se sentir a vontade para ler ou não o livro em questão.

    ao ler a crítica de Nelson, pela enésima vez desde ontem, tenho que reiterar a “severidade crítica” em determinadas passagens. concordei, sim, com determinadas passagens e aceitei bem as críticas (o que cheguei até a conversar com Nelson num e-mail), no entanto, para um alguém que não leu o livro e nem saiba do que se trata, ao ler o texto em questão ficará com uma visão tendenciosa e errada do livro.
    como autor, e também como leitor (se é que se pode ser leitor de seu próprio livro) discordo de muitos pontos explicitados na crítica. por exemplo, a questão da figura paterna, que no livro é ausente, não só a figura em si, mas até a ideia de pai. no livro eu pretendi dar ênfase a relação de mãe e filho. o mundo da mãe é centrado no filho único, como não poderia deixar de ser, e do filho, na mãe, a quem tanto ama e admira. o livro, na minha opinião, possui uma carga emocional, boa exploração psicológica dos personagens e fatos, enfim, é um agradável livro. não é um clássico da literatura, e está longe de sê-lo, mas para os que procuram um bom livro, com uma pitada de drama e não de todo “felizes para sempre”, afinal de contas, o livro é sobre a vida e as dores e decepções que sofremos, e não um conto de fadas.

    agora eu queria saber a opinião sincera dos leitores do livro, saber se são ou não de acordo com a “crítica”, com o que foi colocado, enfim, uma opinião de leitor para com o livro.

  10. 9 de julho de 2010

    Lima, para facilitar a vida dos leitores, uma vez que o post que originou o debate ficou lá embaixo, e também porque sua intervenção aponta para outros caminhos, postei seus 2 coments também na pág. principal.

  11. 11 de julho de 2010

    Não chamaria de crítica o texto de Nelson Patriota, mas uma análise minuciosa da estrutura interna do livro. Fico constrangida por um assunto dessa importância vir a público, uma vez que é uma questão que diz respeito tão somente ao escritor e, se este, solicitar a opinião do analista. Isto é um assunto de bastidores e que serve para amadurecer, enriquecer o escritor que confiou seus originais a um outro escritor já recnhecido no mundo das letras. Lembro de ter lido uma carta desse nível de Mário de Andrade a Câmara Cascudo. Ele não é nada complacente com o futuro do grande folclorista. No entanto, ninguém tomou conhecimento pela mídia das fragilidades literárias e linquisticas de Cascudo. Se ele melhorou com os “conselhos” de Mário de Andrade isso ficou apenas com ele. A carta, já sem o peso que a originou, uma vez que Cascudo, com o passar do tempo, se tornou maior do que ela, vem a público por meio de livro e passa a ser importante como fato histórico e não como diminuição de seu poder criativo.

    Ana Barros

  12. Ricardo Neto
    11 de julho de 2010

    entre todos os comentários que foram colocados, alguns até bastante exaltados, para essa “crítica” de Nelson Patriota, o mais sensato de todos foi, sem dúvida, o de Ana Barros. suas colocações foram muito bem feitas, desprovidas de qualquer sentimento e não entrou no debate de “criticar o crítico”, como foi feito, erradamente, em comentários anteriores.

    eu li o livro “Espelho Quebrado”, do escritor Lima Neto, e inclusive tive a oportunidade de conhecê-lo, e, embora concorde com muitos dos pontos da crítica, ou análise, feita por Nelson Patriota, discordo de outros.
    o livro possui falhas, sim, mas talvez as críticas feitas por Nelson não seja de todo justas.
    as falhas que detectei, não como crítico, mas sim como um mero leitor, não interferiram em absolutamente nada, na minha opinião, na estrutura do livro. gostei bastante da história, do ritmo da leitura, dos personagens, da forma como o escritor os explorou até sob o ponto de vista psicológico.
    algo que foi criticado por Nelson, mas que notei ser uma característica do autor (notei mesmo isso ao ler outros textos dele, como os de seu livro anterior, “Uma História em Cinco Vozes”, e dos textos que ele publica em seu blog – lugardaspalavras.blogspot.com), me agradou bastante, como leitor, que é o preciosismo, que fica muito bom em seus textos, na forma como ele o explora.
    a figura paterna, também citada por Nelson, na minha opinião, na história, se faz desnecessária, com a história centrada em mãe e filho, filho e mãe, como o próprio autor colocou no seu comentário.

    enfim, o livro eu gostei bastante e o recomendo.

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POESIA

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    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
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    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

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