“História da Cidade do Natal”

28 de julho de 2010 às 15:24 - 1 Comentário
Por João da Mata

Relançamento da Sexagenária “História da Cidade do Natal”, de Luís da Câmara Cascudo.
SBPC 62ª

Relançamento da “História da Cidade do Natal”, de Luís da Câmara Cascudo. Terminada a II guerra mundial, Natal havia se preparado para a guerra e serviu de trampolim da vitória para os aliados. Muitos Americanos na cidade. A cidade se modernizava e muitos natalenses aprenderam a falar inglês. “Parnamirim Field” foi um lugar estratégico e decisivo na vitória do aliados. O Presidente americano Roosevelt, juntamente com Getúlio Vargas, estiveram em visita à cidade do Natal. Artistas famosos americanos vieram fazer shows para os militares. A importância estratégica de Natal foi ressaltada pelo general americano Charles Gerhardt (1895- 1976), que disse: “Natal teve mais importância na vitória desta guerra do que qualquer outro lugar” (História da Cidade do Natal, pg 424).

A primeira edição do livro – com belas fotos da cidade de Natal – foi uma edição da Prefeitura da Cidade do Natal, e uma iniciativa do prefeito Dr. Sílvio Piza Pedroza, a quem o livro é dedicado. O livro contém grande parte dos assuntos já tratados por Cascudo em outras obras, e outros temas que o escritor desenvolveria mais detalhadamente em obras subseqüentes. O livro é parte do índice de sua bibliografia sentimental.
Foi grande a bibliografia consultada por Cascudo para escrever essa história, muitas vezes trágica e lacunosa: extermínio dos índios, enforcamentos, escravidão, miséria, falta de saúde e educação, etc. Até o século XVIII a cidade praticamente não existia. As poucas informações conhecidas e registradas são a dos viajantes e exploradores. No alvorecer da cidade de Natal, o período holandês é o melhor documentado. Essa ampla bibliografia existente do período nassoviano é consultada por Cascudo que escreve detalhadamente sobre o assunto na história de Natal, do RN, e em outros títulos específicos. O Henry Koster – “o exato Koster” para Cascudo – é a principal fonte de informações etnográficas e históricas do início do séc. XIX. Do Koster H., Cascudo traduziu e comentou o importante livro “Viagem ao Nordeste do Brasil” (1816). Cascudo também perguntou muito através das “cartas perguntadeiras”, e utilizou todas as informações que lhe chegou às suas mãos e ouvidos até o dia de finalizar a sua História da Cidade de Natal. Uma história incompleta, mas imprescindível.
É comum um determinado assunto está contido em várias obras e, num mesmo livro, em capítulos diferentes. Os assuntos estão muito correlacionados e, Cascudo, é um historiador apaixonado pela história da qual quer ser protagonista. Uma história de culto à personalidade e à tradição.
Algumas festas religiosas descritas por Cascudo; Serração da Velha, Dia de São Bartolomeu, já não são mais praticadas. Entre as festas populares, a do “Outeiro”, era um das mais festejadas. Tinha ares literários de festa floral, de jogos de inteligência.
No século XIX, um baile qualquer podia ser interrompido quando aparecia o temível busca-pé, uma espécie de foguete solto. Era o terror da moçada, informava o prof. Panqueca, um dos grandes informantes de Cascudo.
Foram os jesuítas que ensinaram o Brasil menino. Cidade quase sem nenhuma escola até início do séc. XIX. O Atheneu Norte-Riograndense, que formaria a elite da cidade, foi fundado em 03 de fevereiro de 1834, por Basílio Quaresma Torreão. Cascudo ensinou nesse colégio e, em 1961, publicou um livro sobre esse importante educandário da cidade do Natal. Natal provou gelo pela primeira vez no baile oficial de 1868, em um sobradão situado na rua Ulisses Caldas, e que servia de casa do Governo.
Onde morava o Governo? Responde Cascudo: A primeira casa do Governo do Rio Grande do Norte foi o forte dos Reis Magos. Jerônimo d´Albuquerque, mameluco de português e índia tabajara, foi o primeiro capitão-mor. Não confundir com o Jerônimo d´Albuquerque portugues – o Adão pernambucano – que teve 24 filhos. O capitão-mor Jerônimo d´Albuquerque, nasceu da união entre Jerônimo (pai) e a índia Tabira, foi um dos fundadores da cidade de Natal e lutou contra os franceses na restauração do Maranhão.
André de Albuquerque Maranhão foi chefe da revolução pernambucana de 1817. Grande proprietário rural, cavaleiro da casa real e senhor de Cunhaú. Foi o 3º e 6º dos governadores da capitania da Paraíba, a qual Natal era subordinada. André foi assassinado em casa com um golpe de espada. O assassino foi, provavelmente, o tenente português de milícias Antonio José Leite do Pinho (acta diurna 1940).
O teatro Carlos Gomes foi inaugurado em 24 de março de 1904, e a nossa primeira grande atriz foi Maria Epifânia (1838-1918); “velhinha seca, ágil, falando sempre evocando, com quem Cascudo conversou (pg. 216). Há cem anos atrás, o maior acontecimento teatral na cidade foi a encenação de uma peça com costumes locais de Segundo Wanderley; “Natal em Camisas”. Essa peça era protagonizada por Apolônia Pinto (1854-1937), a primeira dama do Teatro Maranhense e uma das grandes atrizes brasileira. Cascudo não faz esse destaque que considero importante.
O capítulo do livro que mais gosto é o que tem o título: “Musa, canta os poetas e escritores…” São esses os temas que tocam mais fundo ao coração seresteiro do Cascudo musicólogo, grande escritor e um historiador que privilegia o imaginário e a tradição. As velhas figuras, a etnografia, os primeiros jornais e cinemas, o fato histórico e político, estão entrelaçados e fazem parte da cidadela cascudiana. No mesmo ano de 1947, Cascudo publica um dos seus livros mais importantes: Geografia dos Mitos Brasileiros.
Na história também há muito de ficção e recortes que denunciam o sujeito histórico-político, em um espaço e tempo. “Façam de conta que não esqueci nome, fato, sucesso, caso merecedor de realce. Aqui findo, versinho maroto de Lourival Açucena, cantado em 1861: Inda disse muito/ quanto não devia!/ Ó musa indiscreta!/ Tanto eu não queria!…” ; finaliza Cascudo.

1 Comentário

  1. 10 de junho de 2011

    esse site eh muiitooo + ou -

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    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

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    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
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    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”