O TEOREMA DA FEIRA, do poeta Lívio Oliveira, faz uma homenagem ao poeta e historiador Laélio Ferreira de Melo, em seus 70 anos.
A violência no Irã
30 de junho de 2009 às 8:08 | ComentarCaro Tácito, o vídeo que circulou (continua circulando) o mundo mostrando a morte da jovem Iraniana Neda mostrava duas pessoas ao lado dela tentando socorrê-la depois de levar um tiro no coração. Um dos homens era um médico, amigo do escritor Paulo Coelho. O escritor agora liberou a correspondência entre ele e o medico pouco depois do ocorrido. Segue os trechos da correspondência.
Médico amigo de Paulo Coelho consegue fugir do Irã após socorrer Neda
Domingo 21 23h11m
Querido Arash,
Eu preciso saber onde você está, se as coisas que estou vendo/lendo são verdadeiras. Então, eu posso tomar uma posição – dependendo do seu informe, é claro.
Amor
Paulo
Segunda 22 2h05m
Querido Paulo,
Eu estou agora em Teerã. O vídeo do assassinato de Neda foi gravado por meu amigo, e você pode me reconhecer no vídeo. Eu era o médico que tentou salvá-la e falhou. Ela morreu em meus braços. Estou escrevendo com lágrimas nos meus olhos. Por favor, não mencione meu nome. Eu vou te contactar com mais detalhes em breve
Amor
Arash
Segunda 22 17:46
Querido Arash
Até agora, nenhuma notícia de você. Depois que publiquei o vídeo no meu blog, parece que ele se espalhou pelo mundo, incluindo posts no New York Times, Guardian, National Review, etc.
Portanto, minha preocupação agora é com você. Você PRECISA responder este mail, dizendo que está tudo bem e o nome da pessoa com quem passamos juntos a véspera do Ano Novo em 2001, apenas para ter certeza que é realmente você que está respondendo ao e-mail. Eu não comprei essa pessoa da CNN respondendo o seu celular.
Se você não fizer isso, posso vazar o seu nome para a imprensa, para te proteger – visibilidade é a única proteção neste ponto. Eu sei disso porque eu sou ex-prisioneiro da consciência. Se eu fizer isso, a não ser que você me instrua ao contrário, vou parar de te pressionar por agora. Minha maior preocupação é com você e sua família.
Love
Paulo
P.S. – há vários amigos confiáveis em cópia oculta aqui
Terça, Junho 23, 2009 1h35m
Querido Paulo
Está tudo bem por agora. Não estou ficando em casa. Não sei nada sobre a CNN. O nome do amigo era Frederick
Amor
Arash
Terça, Junho 23, 2009 1h37m
Querido Paulo,
Tentando sair do país amanhã de manhã. Se eu não chegar em Londres ás duas da tarde, alguma coisa aconteceu comigo. Até lá, espere.
Minha esposa e filho estão em (editado). O telefone deles (editado) O email dela (editado)
Por favor, espere até amanhã. Se alguma coisa acontecer comigo, por favor, tome conta de (nome da esposa) e (nome do filho), ele estão lá, sozinhos, e não tem mais ninguém no mundo. Muito amor, foi uma honra ter você como amigoArash
Quarta, 24 de junho, 2009 13h55m
Arash aterrissou em Londres
A volta do diploma…
29 de junho de 2009 às 21:43 | ComentarCongresso prepara volta do diploma para jornalista
Três propostas de emenda constitucional e um projeto de lei devem ser apresentados nos próximos dias para tentar retomar a exigência de formação específica para o exercício da profissão, derrubada pelo STF.
Renata Camargo
do Congresso em Foco
O Congresso prepara três propostas de emenda à Constituição (PEC) e um projeto de lei para tentar retomar a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Apesar das declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, de que a decisão da Corte sobre a derrubada do diploma é “irreversível”, um grupo de parlamentares se movimenta para restabelecer a obrigatoriedade de formação específica para a área.
As três propostas de emenda constitucional … [+]
O bolo da publicidade
29 de junho de 2009 às 18:16 | ComentarAgora, os novos critérios de regionalização e investimento publicitário do governo para pequenos veículos, democratizando as verbas publicitárias, virou tema do editorial do jornal O Globo de 24/06/2009 com o título pouco sutil de “Para cooptar”, que argumenta em benefício de poucos e de olho na divisão do bolo publicitário entre novos e diversos veículos, que passaram de 499 beneficiados em 2003 para 5.297 veículos em 2008. Descentralização das verbas e democratização que para o editorial do Jornal O Globo é “projeto autoritário de subjugação da sociedade”. Esse é um trecho do artigo “quem é contra”, de Ivana Bentes, na Carta Capital sobre a resistência dos grandes grupos econômicos de comunicação em dividir o bolo publicitário da verba oficial do Governo Federal. http://www.cartacapital.com.br/
Letras e listas
29 de junho de 2009 às 17:36 | Comentar“Acredito que haja pelo menos dez grandes livros para você ir direto ao que de melhor se fez nas letras brasileiras. São eles Brás Cubas e Dom Casmurro, de Machado, Grande Sertão: Veredas, de Rosa, Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, O Ateneu, de Raul Pompéia, Os Sertões, de Euclides da Cunha, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque, São Bernardo, de Graciliano Ramos, e os melhores poemas de Drummond e Cabral. Depois leia os outros de Machado, Rosa e Graciliano. E só então siga adiante.” DANIEL PIZA
A história se repete
29 de junho de 2009 às 15:41 | Comentar“Foi um golpe latino-americano clássico, daqueles dos quais já tínhamos nos esquecido. Na madrugada de ontem, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya Rosales, foi sequestrado a ponta de fuzis, arrancado de casa por dezenas de militares, colocado num avião e levado à Costa Rica.”
Golpe em Honduras
29 de junho de 2009 às 15:31 | Comentar“Vivendo sucessivas conjunturas de instabilidade, o processo político hondurenho sempre foi fortemente marcado pela ininterrupta sucessão de golpes de Estado, a maioria patrocinada pelos interesses conjuntos da oligarquia nativa e das empresas bananeiras estadunidenses. A fragilidade institucional decorre, como em outros países do continente, da incapacidade política e cultural das classes dominantes em identificar e universalizar valores próprios que representem uma forma de vontade geral aceita por todos os segmentos sociais. Somando a isso sua conhecida subalternidade externa, a otimização de seus ganhos está na raiz da impossibilidade de se tornarem grandes fiadores de uma democracia estável e real.” GILSON CARONI FILHO
Olhando a criança Michael Jackson
29 de junho de 2009 às 15:26 | Comentar“O evento da morte de Michael Jackson pode servir de gancho para que as pessoas façam uma reflexão mais profunda sobre a relação pais-filhos e sobre as relações adultos-criança de maneira geral. Que as pessoas entendam de que os adultos – epitomizados por pai e mãe – devem antes de tudo PROTEGER as crianças. E protegê-las não diz respeito apenas ao aspecto material, mas fundamentalmente ao aspecto afetivo, psicológico e moral.”
Você daria toda essa grana? parte 2
29 de junho de 2009 às 15:17 | ComentarSeguindo a linha do post do dia 17 de junho “Você daria toda essa grana?”, segue o link da matéria sobre o leilão de uma carta de Bukowski à amiga e poetisa Ann Menebroke.
“Meus auto-mandamentos”
29 de junho de 2009 às 15:15 | ComentarA poeta Civone Medeiros enviou por e-mail e eu postei em PROSA o texto “Meus auto-mandamentos”, do professor da UFRN e escritor Marcelo Bolshaw.
Seleção de filmes
29 de junho de 2009 às 11:58 | ComentarDE CEFAS CARVALHO,
por e-mail
Caro Tácito,
Com base na brincadeira registrada na reportagem abaixo (Folha de São Paulo com personalidades nacionais) quero fazer uma “versão natalense” para isso. Quais são os dez filmes que você levaria para uma ilha deserta? As respostas irão para minha coluna no Potiguar Notícias e para o blog Noticiando com a possibilidade de virar livro no fim do ano.
Entre as pessoas que já entraram na brincadeira e mandaram seus filmes estão Nei Leandro de Castro, Livio Oliveira, Yuno Silva, Iara Carvalho, Tereza Ratts, Carlos Fialho, Buca Dantas, Carlos Tourinho, Henrique Fontes, Isaque Galvão, entre outros.
Espero que embarque na brincadeira e me mande por e-mail sua relação de filmes.
Abraço.
Golpe em Honduras
29 de junho de 2009 às 11:46 | ComentarE sobre o golpe em Honduras? Ninguém vai falar? Então deixe Caetano falar:
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos…
Entrevistas e resenha
29 de junho de 2009 às 9:35 | ComentarO Prosa online de O Globo está fazendo boas entrevistas com escritores que participam da Flip. Grégorie Bouillier e Edna O’Brien são os dois últimos entrevistados. O blog traz também uma resenha de Marcelo Mirisola sobre “Leite Derramado”, de Chico Buarque.
“Cafeína Mon Amour”
29 de junho de 2009 às 8:58 | ComentarPostei em PROSA o texto “Cafeína Mon Amour”, de Caroline Dantas, que mantém o blog Dentes da Frente.
Pontos nos “is”
29 de junho de 2009 às 8:48 | ComentarNão li ainda “O Culto do Amador”. Ainda antes do debate na Siciliano, Nelson já havia conversado comigo sobre o livro. No debate, mais informações sobre a obra. Por temperamento e um certo ceticismo, que grudou em mim com o tempo, sempre evito os extremos. É nos extremos onde, geralmente, se posicionam os “donos da verdade”. Que, parece-me, é onde está hoje Keen. Embora não tenha acabado o livro, Daniel já fez críticas muito lúcidas e pertinentes. Esse choque de idéias, de visões e de opiniões é fundamental para desmistificar certas obras e posicionamentos e colocar os pontos nos “is”.
Comecei a ler O culto do amador, de Andrew Keen. Confesso que decidi ler depois de instigado pelos comentários de Nelson Patriota, de Alex Medeiros e de Tácito Costa.
Prometo que farei uma resenha mais detalhada ao fim do livro, mas pelo menos duas coisas já me deixam preocupado. A primeira é que Keen fala de uma posição autoritária. Explico o que quero dizer: ele fala com base na sua própria autoridade, de crítico e ex-adepto de um ciberculto doentio. Não sou um utopista da rede. Não suporto ler algumas coisas escritas por gente como Pierre Levy, mas longe de mim me expressar contra o que esses camaradas defendem sem um levantamento bibliográfico e teórico convincente.
E esse é o segundo problema de Keen, por enquanto. Ele sofre de uma superficialidade teórica que é de doer. Fundada em um bem definido lugar social e ideológico de onde fala o autor. Ele não conhece ou não entendeu os estudos sobre jornalismo e comunicação mais contemporâneos.
Por exemplo, Keen diz:
Os blogs tornaram-se tão vertiginosamente infinitos que solaparam nosso senso do que é verdadeiro e do que é falso, do que é real e do que é imaginário. Hoje em dia, as crianças não sabem distinguir entre notícias críveis escritas por jornalistas profissionais objetivos e o que lêem em joeshmoe.blogspot.com.
Keen desconsidera todo avanço nos estudos de comunicação e jornalismo da segunda metade do século XX e início dos anos 2000. Só para simplificar, os estudos do jornalismo tendem a reafirmar algo que falei até jocosamente no debate da Siciliano: quem entende de verdade dos fatos é gastroenterologista e não jornalista. O jornalismo é uma arte de contar estórias, já diz Nelson Traquina. Como eu gosto de falar, é ficção baseada em fatos reais. Então é superficial e inverídica a afirmação de Keen.
Na sua crítica à democracia virtual ele entende que o mundo necessita dos editores profissionais. Ele esquece que esses editores não servem à verdade, mas atendem a critérios de noticiabilidade que são carregados de uma cultura organizacional e da ideologia deles mesmos e dos veículos onde atuam. É como pedir a um editor da TV Ponta Negra que deixe passar uma notícia com pesadas críticas contra a prefeita Micarla de Sousa. Além disso, por outro lado, as mídias sociais garantem o acesso a vozes alternativas. Isso me faz pensar no Blog da Petrobras, criado depois que a empresa se viu obrigada a pagar espaço em veículos convencionais para que sua voz fosse ouvida, uma vez que os jornais estavam se recusando a publicar suas posições ou, quando publicavam, editavam de tal maneira que não era mais possível reconhecer a voz da empresa. Para ser ouvida, a empresa criou o Blog.
É bom ter um radical falando desse lado da arena. É bom porque nos levará a um equilíbrio possível. Mas Keen deve ser lido com cuidado, porque além de sua fala de autoridade e da superficialidade teórica, ele fala de um muito bem definido lugar social e ideológico. Afinal, só essa ideologia para acreditar que existe alguma coisa na sociedade, conhecido como guardiões da cultura, personalizados em jornalistas, cineastas, etc..
Thompson, na obra A mídia e a modernidade, fala com muito mais profundidade e reflexão que Keen demonstra nessas primeiras páginas de nosso encontro. E Thompson dizia nos anos 80, antes da Internet, portanto, que a emergência de qualquer mídia promove uma completa reorganização da cultura e de todos os bens simbólicos da sociedade. Foi assim quando surgiu o códex, a imprensa, o rádio, a tevê. É assim agora. E é inevitável. O problema é olhar com um olhar superior essas mudanças e achar que elas significam perda. Nunca significaram e não acho que nesse caso significarão.
Prometo um texto mais completo quando eu terminar de ler o livro.
Saramago escreve sobre Ernesto Sabato
28 de junho de 2009 às 22:42 | Comentar“Querido Ernesto, é entre o temor e o tremor que decorrem as nossas vidas, e a tua não podia ser excepção. Mas talvez não se encontre nos dias de hoje uma situação tão dramática como a tua, a de alguém que, sendo tão humano, se nega a absolver a sua própria espécie, alguém que a si próprio não perdoará nunca a sua condição de homem. Nem todos te agradecerão a violência. Eu peço-te que não a desarmes. Cem anos, quase. Estou certo de que ao século que acabou se virá a chamar também o século de Sabato, como o de Kafka ou o de Proust.”
Texto completo AQUI
Cristovão Tezza/Entrevista
28 de junho de 2009 às 22:23 | ComentarEm O filho eterno há uma passagem em que o personagem autocritica um de seus poemas. Como a experiência acadêmica e mesmo de crítico interferem em sua obra?
Não sei, fico na torcida para que minha vida acadêmica, o tipo de olhar racionalizante e explicativo,analítico, do discurso acadêmico, não tenha invadido muito minha ficção. São linguagens substancialmente distintas. No caso daquela análise do poema num momento do livro, trata-se de uma cena de ficção no sentido estrito. Não é uma análise literária que o personagem faz, mas uma crítica de sua própria vida e de seu sistema de valores. O poema só pega uma carona ali, por assim dizer.
Leia a entrevista com Cristovão Tezza AQUI.
Um novo teatrão em Natal
28 de junho de 2009 às 20:19 | ComentarAmigos:
Na reportagem da TN sobre nossos problemas de patrimônio cultural, é apontada a necessidade de um novo teatro para desafogar o Alberto Maranhão. Boa idéia! Que tal em Igapó ou Emaús, áreas muito carentes desses equipamentos? O circuito Ribeira/Petrópoliis/Tirol parece razoavelmente bem aparelhado. Mesmo o Alecrim possui algo. Está na hora de atender a novos públicos e a novas demandas, não é?
Certamente, Igapó e Emaús não são os únicos bairros que precisam disso e de muito mais. Poderiam até construir mais de um teatro, não é mesmo? Sugiro que seja(m) bem completo(s) com fosso para orquestra, visando a apresentações plenas de balé e ópera. E excelentes salas para ensaios (as do AM são legais mas poderiam ser maiores).
Abraços:
Riscos para o patrimônio
28 de junho de 2009 às 19:30 | ComentarCaros amigos:
Li a matéria da Tribuna do Norte sobre graves problemas enfrentados pelo patrimônio cultural de nosso estado. Se procurarmos mais, encontraremos exemplos igualmente graves. O Instituto Histórico e Geográfico, do qual sou membro, possui um acervo documental precioso e fundamental para a pesquisa sobre nosso estado, utilizado por nomes contemporâneos tão importantes quanto Pedro Puntoni (USP e CEBRAP). Carece, todavia, de muito mais recursos pois requer manutenção permanente (combate a pragas que atacam papel, restauro) e finda dependendo do dinheiro até de alguns sócios mais prósperos e abnegados. Esses sócios merecem nossa gratidão mas a obrigação de sustento de um órgão tão importante é pública!
A Biblioteca Câmara Cascudo também me preocupa muito. Por um lado, ela desfruta de excelente localização e leva o nome do escritor mais importante do RN. Por outro, além das deficiências inadmissíveis em termos de instalações que a reportagem indica (ausência de energia elétrica! socorro!), considero o acervo disponível modesto em relação à importância que a biblioteca possui. Sou favorável à doação de bibliotecas privadas às instituições públicas, desde que garantida a preservação e o acesso aos materiais doados. Intelectuais de nosso estado que possuem excelentes acervos pessoais – alguns são verdadeiros bibliófilos, não é, João da Mata? – poderiam encabeçar uma campanha de doação de suas preciosidades para aquela biblioteca, estipulando condições de preservação e difusão, é claro.
Abraços:


