Caros amigos:
Li o texto de Elio Gaspari sobre o que ele chama “bolsa ditadura”. Elio denuncia uma indústria ao redor das indenizações pagas a vítimas de abusos ditatoriais. Entendo que essa atitude deixa de denunciar o principal: houve uma ditadura abusiva. Infelizmente, para quem não usufruiu das benesses ditatoriais, seus desmandos custam caro, sim. O estado, se não é mais ditadorial (graças a Deus e a nós!), tem que assumir o custo daqueles desmandos. Quanto ao tema de indústria ao redor das indenizações, lembro que vivemos numa sociedade capitalista onde tudo é mercado – John Lennon entendeu isso em relação à contracultura dos anos 60 e compôs o belo e melancólico “The dream is over”. Se for para não gerar mercado, aconselho a começar a discutir outro socialismo – aquele antigo SOREX não valeu e deu no que vemos hoje na China e noutros lugares.
Abraços:
É difícil ser homem também
28 de junho de 2009 às 19:27 | ComentarCaros amigos:
O texto de Frei Betto sobres a dificuldade de ser mulher é muito bom. Ele não comenta, todavia, que valores similares também se tornaram aplicáveis aos machos. Afinal, as revistas de homens pelados e os atores ou modelos de propaganda com pelos e músculos à mostra estão aí, bem visíveis. Junto com os anúncios de silicone para seios e nádegas femininos, figuram também propagandas de cirurgias para aumento de pênis ou incremento da potência para o pênis já disponível.
Homens morrem mais cedo que mulheres na sociedade brasleira e têm maior incidência de doenças como infarto.
Não pretendo vitimizar meu sexo. Convido todos a debaterem relações entre gêneros ao invés de fantasiarmos um mundo de mulheres sempre vítimas e machos sempre carrascos. A possibilidade de melhoria do mundo deve ser para todos, mahos e fêmeas.
Abraços:
Quarenta e poucos malacos…
28 de junho de 2009 às 19:26 | ComentarCaros,
Já que ninguém até aqui se dignou a atirar a primeira pedra, lá vai a minha: o que leva uma prefeita eleita mas dona de uma administração lamuriante a, de uma hora para outra, lançar mão de quarenta e poucos malacos e decidir por uma invasão às terras lusitanas?
Antes que alguém responda: tempo livre. Nobre, gloriosa, blogada aos quatro ventos – e nunca desancada a contento -, a prefeita de Natal tem muito tempo livre e uma administração pífia que coaduna sua percepção dos problemas da cidade.
O silêncio parece ter sido quebrado agora com essa jornada d’além mar. A prefeita e seus quarenta malacos definitivamente deveriam receber seu quinhão em esculacho para que deixassem a cara de pau de lado.
Pronto. Tasquei minha pedra. Que venham outras…
O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria
28 de junho de 2009 às 12:55 | Comentar“Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva.” ELIO GASPARI
Texto completo em PROSA.
“Hotel de Trânsito”
28 de junho de 2009 às 10:50 | ComentarO jornalista Cassiano Arruda lança na próxima quarta-feira, na Siciliano do Midway, “Hotel de Trânsito”, que aborda a sua prisão pela ditadura militar e outros fatos importantes ocorridos em Natal há 40 anos. A edição é da Flor de Sal.
Leia AQUI entrevista do jornalista sobre a obra.
Patrimônio cultural em risco
28 de junho de 2009 às 10:36 | ComentarReportagem especial da Tribuna de Norte deste domingo mostra a precária situação em que se encontram museus, o Teatro Alberto Maranhão a a biblioteca pública Câmara Cascudo.
Lei Azeredo
28 de junho de 2009 às 10:29 | Comentar“A bandeira que o movimento do software livre ostenta, a qual me filio, é histórica, fundamentada, digna, nobre, e acima de interesses políticos, e este não deveria se mesclar ou emprestar sua força em prestígio de outros movimentos de pouca lucidez, como o chamado “AI 5 digital”, sob pena de descaracterizar-se.” JOSÉ ANTONIO MILAGRE
Difícil arte de ser mulher
28 de junho de 2009 às 10:09 | ComentarFREI BETTO
“Na sociedade capitalista, onde o lucro impera acima de todos os valores, o padrão machista de cultura associa erotismo e mercadoria. A isca é a imagem estereotipada da mulher.
Sua autoestima é deslocada para o sentir-se desejada; seu corpo é modelado segundo padrões consumistas de beleza; seus atributos físicos se tornam onipresentes.
Onde há oferta de produtos – TV, Internet, outdoor, revista, jornal, folheto, cartaz afixado em veículos – o que se vê é uma profusão de seios, nádegas, lábios, coxas, etc. A mulher é castrada em sua inteligência, em seus talentos e valores subjetivos e, agora, dilacerada pelas conveniências do mercado. É sutilmente esfolada na ânsia de atingir a perfeição.
Para evitar ser execrada, deve controlar o peso à custa de sacrifícios, mudar o vestuário frequentemente, submeter-se à cirurgia plástica por mera questão de vaidade.
Toda mulher sabe: melhor que ser atraente, é ser amada. Mas o amor é um valor anticapitalista. Supõe solidariedade e não competitividade; partilha e não acúmulo; doação e não possessão.
E o machismo impregnado nessa cultura voltada ao consumismo teme a alteridade feminina. Melhor fomentar a mulher-objeto (de consumo).
Se o atrativo é o que se vê, por que o espanto ao saber que a média atual de durabilidade conjugal no Brasil é de sete anos?
Como exigir que homens se interessem por mulheres que carecem de atributos físicos ou quando estes são vencidos pela idade?
Pena que ainda não inventaram botox para a alma. E nem cirurgia plástica para a subjetividade do ser humano.”
Sempre Zila
28 de junho de 2009 às 10:02 | ComentarCaros amigos:
Escrevi para o blog de Lívio dando parabens a ele e a William pela descoberta e subsequente divulgação de inéditos de Zila Mamede. Mesmo que sejam poemas de uma fase de formação como Moacy Cirne destacou, tal fase, numa escritora tão importante quanto Zila, é de interesse para seus leitores.
Abraços:
O futebol está no mundo…
28 de junho de 2009 às 10:01 | ComentarTácito!
Agradeço a você pela divulgação do lançamento do nosso A Cabeça do Futebol, posto na rua sexta-feira passada na Siciliano do Midway. Foi bacana ver lá os amigos e os amantes do futebol e da literatura, compartilhando da alegria daquele momento. Os meus agradecimentos são os de Samarone Lima e Gustavo de Castro, que organizaram o livro comigo, e de Elianne Diz de Abreu, psicanalista que esteve na livraria também autografando os volumes e conversando com os leitores.
Um grande abraço!
Ismail Kadaré/Entrevista
27 de junho de 2009 às 20:48 | ComentarFolha – O sr. costuma dizer que sua formação literária caminha entre Macbeth e Dom Quixote. Como define essa mistura?
Ismail Kadaré – Trata-se sempre de caminhar entre o trágico e o grotesco. É um bom coquetel. A literatura precisa dos dois. Na vida é a mesma coisa, ainda que nem tudo que está na vida precise estar na literatura. A literatura é mais importante do que a vida.
A entrevista completa AQUI
Wagner Moura e o diploma
27 de junho de 2009 às 20:44 | ComentarO jornalista e ator Wagner Moura deu a entrevista a Caros Amigos antes da decisão do STF. Wagner, para quem não sabe, é jornalista por formação. Trabalhou, inclusive, com um amigo meu de Salvador que era seu cinegrafista nos dias de telejornalismo.
O que ele diz pode ser posto ao lado do que disse Gilmar Sempre Livre Mendes Dantas no julgamento sobre o diploma:
Quando eu resolvi fazer vestibular, não tinha certeza se queria teatro. E eu era muito encantado com a profissão de jornalista, gostava muito de escrever, e tinha uma coisa romântica. Repórter investigativo, que resolve, ajuda a população, descobre falcatruas, tem uma coisa social nisso. Cheguei a trabalhar em jornal na época, e os caras me davam umas pautas que tinha preguiça de fazer, cobrir buracos. Trabalhei um tempo em jornalismo, tive assessoria de imprensa… E a faculdade foi muito legal pra minha vida como ator, aprendi muita coisa. E também ter lido os caras da Teoria da Comunicação: Marcuse, Benjamin, Adorno, os caras da Escola de Frankfurt, só que quando eu pensava naquilo aplicava diretamente à indústria cultural, ao meu trabalho como ator, à minha vida como artista.
Na sequência ele diz que não dá entrevista à Veja, por considerá-la uma revista de direita: Eu me lembro claramente de uma capa da revista Veja que me indignou profundamente, sobre o desarmamento, que dizia assim: “Dez motivos para você votar ‘Não’”. E ele continua falando do comentário da Veja, elogiando Tropa de Elite pelos motivos errados.
O resto da entrevista você lê aqui: http://carosamigos.terra.com.br
Publiquei esse texto também no http://deolhonodiscurso.wordpress.com
Richard Dawkins/Entrevista
27 de junho de 2009 às 13:48 | ComentarAlguns críticos também dizem que o Novo Ateísmo, como é chamado esse movimento, é uma religião. Uma religião sem um Deus formal, mas, ainda assim, uma religião, repleta de ícones.
Nós não acreditamos em Deus, assim como há gente que não acredita em fadas. Há uma série de coisas em que não acreditamos. Não precisamos criar uma religião para coisas nas quais não acreditamos. Eu também não acredito em Apolo, Thor, ou qualquer outro deus. Acredito na ciência, na racionalidade, numa visão de mundo que manifestamente funcione, que possa ser provada cientificamente.
Da entrevista do biólogo Richard Dawkins ao Globo. Leia AQUI
Desdobramentos do Blog da Petrobras
27 de junho de 2009 às 13:41 | ComentarDE LUÍS NASSIF:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/
“Alguns desdobramentos inevitáveis do Blog da Petrobras – que, aliás, ocorreriam mesmo sem o Blog:
1. Os jornais terão que reaprender a fazer jornalismo, sob pena de terem suas matérias permanentemente questionadas por um circuito cada vez mais amplo de Blogs e sites.
2. Rompe-se o corporativismo e o fechamento da Petrobras. A partir do Blog, não poderá mais haver pergunta sem resposta. E essa tendência se espraiará por outras empresas e organizações.
3. A imprensa não poderá mais recorrer impunemente a dossiês, quebras de sigilo fiscal e outras práticas do submundo político e policial. A iniciativa da Petrobras de cobrar judicialmente explicações sobre a quebra de sigilo fiscal de seus diretores rompe definitivamente com o medo que paralisava empresas e pessoas alvos dessas operações. Os jornais serão cada vez mais questionados sobre a origem de suas informações. Como contrapartida à maior transparência das empresas, terão que ser cada vez mais transparentes. A questão do sigilo de fonte terá que ser revista para aquilo que se aplica mesmo: informações relevantes para o país.
4. Acaba definitivamente o monopólio do jornalista na intermediação da notícia. Hoje em dia tem-se a hipocrisia de assessorias de imprensa cada vez maiores, enviando releases que são publicados como se fosse apuração do veículo. Daqui para frente, cada vez mais empresas, associações, ONGs etc serão geradoras de notícia, que terão tanta (ou maior) credibilidade quanto as notícias jornalísticas. Essa nova modalidade exigirá de todos esses grupos a capacidade de gerar notícias tecnicamente bem feitas – o que abrirá um novo mercado de trabalho para os jornalistas.”
Internet sob ataque
27 de junho de 2009 às 13:15 | Comentar“É um ataque violento e combinado. Nele, estão envolvidos três agentes fundamentais: a) empresas dominantes em setores onde o capital está se tornando rapidamente obsoleto (como a indústria fonográfica e cinematográfica). Seu poder econômico está minguando, mas conservam enorme capacidade de articulação política e em especial de lobbyng. b) os segmentos dos Estados mais ligados à repressão, controle social e vigilância. São eles que procuram associar troca de arquivos digitais com “terrorismo”. Fato emblemático: a Convenção de Budapeste, onde se armou a ofensiva desencadeada agora contra a liberdade na rede, foi firmada dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, num momento político marcado pelo medo. O Brasil não está entre os cerca de 40 países signatários; c) a velha mídia, que ideologicamente não consegue conceber relações sociais pós-capitalistas, e cujos interesses oligopolítisticos são diretamente afetados pela emergência da blogosfera.”
Texto completo AQUI
Rock’n'roll e Beatles
27 de junho de 2009 às 13:07 | ComentarComo o rock’n'roll foi destruído pelos Beatles?
É uma ideia que não deve ser tomada literalmente porque o rock ainda está por aí. Até os Beatles aparecerem, a performance ao vivo era a principal parte da música. Os Beatles foram as primeiras grandes estrelas a simplesmente parar de se apresentar ao vivo e se tornaram músicos de estúdio. Isso causou duas grandes mudanças. Desde então, quando pensamos em música popular, pensamos em gravações. Quando os Beatles começaram, e falávamos de sua chegada aos Estados Unidos, pensávamos na famosa apresentação no Ed Sullivan Show e não num disco. Eles foram o último grupo musical importante a comprovar esse truísmo. Depois deles, a principal associação da música popular é com as gravações. Em segundo lugar, o contexto racial. Quando os Beatles chegaram aqui, a música americana estava no momento de maior integração racial de sua história. A música americana, como a brasileira, tinha comportado esse processo de interação entre a tradição africana e a europeia. No começo dos anos 60, pela primeira vez, havia uma interação mais igualitária entre as duas tradições. O pessoal da Motown, Ottis Redding, James Brown, eles eram programados em shows ao vivo e de TV e o público estava mais misto. De repente, acontece a invasão britânica. E a invasão simplesmente dividiu as plateias americanas entre os fãs do rock, que se tornou todo branco, e os fãs do soul, disco e hip hop, que viraram gêneros predominantemente negros.
Do historiador Elijah Wald, em entrevista ao Estadão.
Leia AQUI
Zila Mamede
27 de junho de 2009 às 12:43 | Comentar“O historiador curraisnovense, leitor de O TEOREMA DA FEIRA, Willian Pinheiro, envia um dos poemas – por ele descobertos, em pesquisa na imprensa – de Zila Mamede, grande poeta paraibana-potiguar.” LIVIO OLIVEIRA
A cada trabalho que eu passo para meus alunos, encontro, no mínimo, três plágios. Em uma das turmas que ensino, tenho um casal de alunos que a cada trabalho se superou, copiando artigos científicos de diversos congressos. Alguns, estavam disponíveis, inclusive, apenas em PDF.
Para completar, uma aluna me passou um e-mail reclamando que eu encomendei uma resenha de um livro como uma das formas de avaliação. Ela me disse que era adepta do ensino através do quadro branco. Ela tem uns 20 anos. E dificuldades para entender a relevância da leitura, compreensão e discussão de bons textos escritos. E não entendeu que educação é, fundamentalmente, interação. Para fechar com chave de ouro, vale dizer que ela é uma de minhas melhores alunas.
Mia Couto/Entrevista
26 de junho de 2009 às 21:50 | ComentarG1 – Moçambique e África são temas presentes em suas obras. Você acha que é preciso expandir a realidade africana para o mundo?
Couto – Os que pensam, na verdade, não pensam. Para os que pensam a África, a ideia já está formada. Acham que já sabem. Que seja por uma romantização de esquerda ou direita. A África que existe na cabeça da maioria das pessoas é folclorizada, idealizada. É uma África que não existe. E os próprios africanos assumiram essa imagem. Acredita-se que a África é assim não por questões históricas, mas por uma espécie de genética do continente.
Leia a entrevista completa do escritor Mia Couto AQUI.
Os 10 melhores ‘ménage à trois’ da literatura
26 de junho de 2009 às 21:36 | Comentar“O escritor Ewan Morrison aceitou o desafio do jornal inglês ‘The Guardian’ e definiu o top ten dos ‘encontros a três’ da literatura.
Morrison é autor de alguns livros onde a sexualidade ocupa um tema central. A sua última obra, ‘Ménage’, relata a história de três personagens que experimentam o amor a três na Londres dos anos 1990.
Créditos mais do que suficientes para conceder a Morrison o privilégio de definir os 10 melhores ‘ménage à trois’ da literatura.”
Os vencedores:
1. ‘O Jardim do Éden’, de Ernest Hemingway
2. ‘Jules e Jim’, de Henri Pierre Roche
3. ‘Politics’, de Adam Thirlwell
4. ‘Uma Casa no Fim do Mundo’, de Michael Cunningham
5. ‘Three in Love: Ménages à Trois from Ancient to Modern Times’, de Barbara Foster, Michael Foster e Letha Hadady
6. ‘Off the Road: Twenty Years with Cassady, Kerouac and Ginsberg’, de Carolyn Cassady
7. ‘O Amante do Vulcão’, de Susan Sontag
8. ‘Henry and June’, de Anais Nin
9. ‘Design for Living’, de Noel Coward
10. ‘O livro do Génesis’






