Teu argumento agora desceu a ladeira.
Se “essa gente” – como Tácito, me incluo também – não consegue reconhecer em Zelaya o DNA de sua “sanha golpista” (eu mesmo não consigo percebê-la, talvez por ser burro e fã de cuecões como o “titular do Mercado de Balcão Maior” do JH insinuou), o que dizer dos que ainda hoje não reconhecem que, neste país varonil ma no troppo, uma ditadura foi atravessada goela abaixo da maioria e nos mesmos moldes do que hoje se desenrola em Honduras.
João Goulart, pra quem tem memória curta, pretendia modificar nossa Constituição, foi derrubado, exilado, morto e o país… bem todos com boa memória e que tiveram um pouco de curiosidade nos bancos das suas escolas sabem o resultado.
Diferente do que você possa imaginar, Laurence, minha geração cresceu ouvindo que URSS e EUA eram, na boa, farinha do mesmo saco – com suas diferenças ideológicas, porém deturpadas por uma sede por estabelecer a prevalência hegemônica de seus discursos neste “mundinho de Meu Deus”. Minha geração, diferente da sua (presumo), cresceu aprendendo que, via de regra, com diferentes matizes, a democracia é sobretudo a escolha pela liberdade.
No fim, nem Marx, nem Ford, fico com Gramsci que tantos leram e poucos ainda se dão ao trabalho de retornar às suas lições. Não vejo a reprodução de um mundo antigo e medieval, mas vejo que, independente do credo, orientação política ou preferência de cor, à esquerda ou à direita, literalmente todos foram unânimes em condenar um assalto às liberdades constitucionais de um País.
Eu também condeno por entender que a cartilha desta história já foi carimbada na nossa memória coletiva. Se na sua ainda não bateu tal impressão, bem… ninguém é perfeito, não!?!?
