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2 de julho de 2009

Putz, Laurence…

Por Alexandre Honório

Teu argumento agora desceu a ladeira.

Se “essa gente” – como Tácito, me incluo também – não consegue reconhecer em Zelaya o DNA de sua “sanha golpista” (eu mesmo não consigo percebê-la, talvez por ser burro e fã de cuecões como o “titular do Mercado de Balcão Maior” do JH insinuou), o que dizer dos que ainda hoje não  reconhecem que, neste país varonil ma no troppo, uma ditadura foi atravessada goela abaixo da maioria e nos mesmos moldes do que hoje se desenrola em Honduras.

João Goulart, pra quem tem memória curta, pretendia modificar nossa Constituição, foi derrubado, exilado, morto e o país… bem todos com boa memória e que tiveram um pouco de curiosidade nos bancos das suas escolas sabem o resultado.

Diferente do que você possa imaginar, Laurence, minha geração cresceu ouvindo que URSS e EUA eram, na boa, farinha do mesmo saco – com suas diferenças ideológicas, porém deturpadas por uma sede por estabelecer a prevalência hegemônica de seus discursos neste “mundinho de Meu Deus”. Minha geração, diferente da sua (presumo), cresceu aprendendo que, via de regra, com diferentes matizes, a democracia é sobretudo a escolha pela liberdade.

No fim, nem Marx, nem Ford, fico com Gramsci que tantos leram e poucos ainda se dão ao trabalho de retornar às suas lições. Não vejo a reprodução de um mundo antigo e medieval, mas vejo que, independente do credo, orientação política ou preferência de cor, à esquerda ou à direita, literalmente todos foram unânimes em condenar um assalto às liberdades constitucionais de um País.

Eu também condeno por entender que a cartilha desta história já foi carimbada na nossa memória coletiva. Se na sua ainda não bateu tal impressão, bem… ninguém é perfeito, não!?!?

2 de julho de 2009

Ainda sobre democracia e que tais

Por Laurence Bittencourt

Caro Tácito eu não precisaria dizer isso, e o digo sem nenhum problema: sob nenhuma hipótese eu coloquei ou pensei em você entre os defensores do que quer que seja, sei muito bem de suas posições, e eu o sei um verdadeiro democrata. Mas não abro mão de pensar o que penso e dizer o que disse. É um ponto de vista, como de vários outros que pensam diferente de mim. É o debate. Não acho que eu seja o primeiro a dizer que o que o Zelaya estava (está) propondo seja um golpe. É um golpe. O próprio Alex Medeiros citado por aqui também disse. Claro que ele fala por ele, mas ele colocou isso de público. Nenhum problema. E o fato da ONU, OEA, EUA sob Obama pensar diferente não me obriga, dentro de um espírito democrático, de acompanhá-los. Ou será que me obriga? Se sim, então isso não é democracia. Quanto as “viúvas de Marx” não abro mão do que eu disse (mas uma vez repito, não te coloco entre esses). Acho com toda sinceridade, que sem democracia não há solução e quase diria, salvação. Mas veja o exemplo da Alemanha Oriental: construiu um muro para não só impedir as pessoas de saírem (caso não construíssem só ficariam os membros do Partido) e de verem o desastre que era aquilo. Tanto, que ruiu, e o povo, as pessoas destruíram o muro de Berlim. A democracia falou mais alta e sempre fala. Era isso amigo Tácito.

2 de julho de 2009

Democracia, democracia

Por Marcos Silva

Laurence:

Gosto de ler seus textos. Discordo da filiação democracia/capitalismo que vc estabeleceu. A democracia moderna tem fortes raízes em lutas por direitos populares. Na Revolução Inglesa, os niveladores foram derrotados mas outras lutas desses setores sociais se manifestaram secularmente através de associações e conquistas de direitos civis (crescente direito ao voto, p. ex.). Na Revolução Francesa, a participação popular urbana e camponesa foi de fundamental importância mas os toques finais do poder burguês dali emanado se voltaram muito mais para a garantia da propriedade, embora a propriedade camponesa (não propriamente capitalista, não propriamente exploradora de mais valia) tenha se consolidado fortemente na França do século XIX.

Certamente, o Capitalismo, embora oprimindo a maioria da população, potencializou a produção de bens materiais que podem vir a ser desfrutados por mais gente. Nesse sentido, ele contém potencialidades.

Penso que é incontornável reconhecer a condição de clássico do pensamento que Marx adquiriu com suas análises do Capitalismo. Suas reflexões sobre lutas sociais e prática política do século XIX também são de grande relevo. Se seus prognósticos políticos não se realizaram, isso apenas confirma o que ele mesmo criticava nos outros: fazer projetos não garante sua realização. E os graves erros dos países ditos “socialistas” não são de sua responsabilidade – o coitado já estava bem morto em 1917, não é?

O anti-comunismo, hoje, me parece um quixotismo destituído da beleza de Cervantes: menos que combater moinhos de vento. O embevecimento com o Capitalismo, por sua vez, é opção pela cegueira. E a democracia é o tesouro pelo qual podemos lutar mas sem qualquer porto seguro: vc leva a sério democratas que torturam presos de guerra?

Digo tudo isso com afeto e admiração. E contente por estarmos discutindo questões tão significativas neste blog.

Abraços:

2 de julho de 2009

Contra golpes e ditadores

Por Tácito Costa

Laurence,
Senti-me incluído nesse seu “essa gente”, embora nunca tenha defendido a URSS e nem Cuba e nunca me considerei “viúva de Marx”, cuja teoria não conheço em profundidade. Senti-me incluído porque considero, junto com a ONU, OEA, EUA, Cuba, Argentina… além de analistas das mais variadas matizes políticas, que ocorreu um golpe militar em Honduras. Expressei isso aqui. Todas os artigos que li da crise naquele país apontam para isso. Nas análises que li não consta que o presidente de Honduras seja um golpista. Você é o primeiro a afirmar isso (pelo menos que eu tenha conhecimento). Defendo a Democracia e acho que é possível domar e humanizar o Capitalismo. O continente americano sabe de cor como começam e terminam crises institucionais em que as Forças Armadas intervieram. Por isso, qualquer precedente nesse campo deve ser duramente repudiado. Sem subterfúgios. Claramente. Acho um equívoco que intelectuais, sejam de esquerda ou de direita, defendam, usando sofismas ou procurando confundir, ditaduras sob qualquer ideologia.

2 de julho de 2009

Sobre democracia e democratas

Por Laurence Bittencourt

Essa gente sabe que o ex-presidente de Honduras era (é) um golpista, a questão é que eles não admitem isso, de público. Ora essa gente não defendia que a URSS era uma democracia? Esses democratas querem o poder ad eternum. Diferente dos judeus eles não querem a terra prometida eles querem o mundo prometido. São as viúvas de Marx. No fundo, podem acreditar, é ódio à democracia e em especial ao capitalismo. Aliás a democracia é o braço político do capitalismo. Daí o ódio a um e ao outro. Usar Fernando Henrique como exemplo, nesse particular, é seguir um mau exemplo. Aliás, a esquerda sempre seguiu o mau exemplo: reproduzindo o mundo antigo e medieval. Aliás quem cunhou o termo América Latrina foi o ícone do comunismo chamado Che Guevara.

2 de julho de 2009

De democracia e não democracia

Por Laurence Bittencourt

Estava claro, Daniel, que o que você estava propondo, desde o inicio, não era democracia. Mas não é assim que eu penso. Eu prefiro a democracia.

2 de julho de 2009

Anistia divulga relatório sobre Gaza

Por Tácito Costa

“A Anistia Internacional divulgou nesta quinta-feira, em Londres, Inglaterra,o seu relatório sobre a ofensiva militar de 22 dias (27 de dezembro de 2008 a 17 de janeiro de 2009) de Israel contra a Faixa de Gaza.”

AQUI

2 de julho de 2009

Mais democracia

Por Daniel

Democracia é respeito às leis, as regras do jogo, e respeito aos contratos.

Você pode ter pensado em dizer algo referindo-se a leis de forma mais específica, mas o disse de forma genérica.

De todo modo, continuo achando essa uma visão profundamente limitada de democracia.

Democracia é isso?  Tudo bem, é – no formato que o Ocidente consagrou.  O Ocidente liberal, digo.  Mas esse Ocidente liberal não se preocupa, em geral, na democratização do acesso a direitos básicos, principalmente os sociais e coletivos, a uma população em geral.

No Ocidente liberal, o poder da lei é o poder do dinheiro.  O império da lei é o império dos homens (e mulheres) de bens.  Se democracia for limitada à lei, contratos, regras do jogo, eu não quero democracia.  Quero algo mais que isso.

E para quem pensa que o que falei acima só acontece em países atrasados como o nosso, precisa rever seus conceitos.  Os EUA são também exemplo nítido disso – basta ver quantos ricos e brancos e quantos negros e pobres aguardam a execução no corredor da morte.  Basta ver, também, que os EUA não têm um sistema universal de saúde pública (como, mal ou bem, temos no Brasil), nem mesmo uma rede de ensino pública de boa qualidade – sobretudo de ensino superior.

Estou lendo algumas reflexões de Foucault sobre o sistema penitenciário francês (nos anos 70).  E o GIP, grupo que ele liderou na França percebia as mesmas mazelas que vemos em nossa sociedade contemporânea.  Na forma como o império da lei é entendido, principalmente.

Por isso, não posso me satisfazer com uma definição de democracia que seja apenas limitada ao respeito a regras e leis.

P.S.: Se é um problema mudar a regra do jogo para permitir a reeleição, ao lado dos contemporâneos governantes latino-americanos que fizeram isso temos que incluir Fernando Henrique Cardoso e sua compra da reeleição, e Sarney que conseguiu prolongar em um ano seu mandato como presidente.

2 de julho de 2009

Gay Talese

Por Tácito Costa

SOBRE GAY TALESE, QUE PARTICIPA DA FEIRA LITERÁRIA DE PARATI – FLIP:

“Perseverança, aliás, ele cita como a característica fundamental para se fazer bom jornalismo. “Bater em portas”, para ele, seria a essência da profissão:

- Bata na porta e diga que você não é ladrão, gângster ou coisa que o valha – diz, afirmando ser este o motivo de seus sempre elegantes terno e gravata, que acabam contribuindo para uma “boa apresentação”.

Outro ingrediente que comporia esta receita de contar boas histórias é deixar o Google de lado, indo até onde está a história, com determinação e curiosidade. É assim, resumiu na última e também extensa resposta, que ele consegue escrever reportagens que permanecem interessantes décadas
depois de escritas.”

A melhor cobertura da Flip é a do Prosa Online de O Globo.

Acompanhe AQUI

2 de julho de 2009

Impeachment

Por Tácito Costa

“Até o oráculo conservador americano, o “Wall Street Journal”, observou em editorial que os adversários de Zelaya pisaram na bola quando deram o golpe e o despacharam para o exílio. A rota constitucional adequada era um processo de impeachment.”

AQUI

2 de julho de 2009

A lei e a democracia

Por Laurence Bittencourt

Daniel, os “Dez mandamentos também são lei”, mas não civil. A escravidão também já foi lei, mas não era uma democracia. Quando falei desrespeito às leis, sobre o AI-5 estava me referindo ao desrespeito dos militares brasileiros a nossa vá lá, democracia do momento. Difícil entender? Se o Zelaya alterar a Constituição também irá propor uma lei, mas está apenas desrespeitando a Constituição e democracia não é isso.

2 de julho de 2009

Gilmar Mendes

Por Tácito Costa

DE LUIS NASSIF:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/

Gilmar tem que ser processado

“O sistema jurídico do país está suficientemente maduro e civilizado para que não haja intocáveis? O Brasil pode se perfilar ao lado das maiores democracias do mundo e se considerar um país em que a Justiça não seleciona os alvos de processos?

Então não tem como poupar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, do crime de denunciação caluniosa, no caso dos falsos grampos, trama da qual participou acusando a ABIN.

Sem provas sequer de que o crime havia sido cometido, sem nenhuma evidência sobre a autoria dos grampos, Gilmar acusou expressamente funcionários públicos de autoria, comprometeu investigações contra acusados de crimes maiores. Agora, que não se apurou um indício sequer da exstência do grampo, pergunto: a Justiça vai fingir que nada ocorreu?

O fato de ser presidente do STF agrava o provável crime cometido. Não poderá alegar ignorância sobre pressupostos jurídicos básicos, como a presunção da inocência, o ônus da prova para quem acusa.

Gilmar atropelou princípios básicos de direito. A Justiça brasileira vai aturar imperadores intocáveis? Seus colegas de Supremo vão permitir essa mancha na história da instituição? Ou chegou a hora de mostrar que a Justiça brasileira é suficientemente madura, inclusive para cortar na própria carne.”

Leia mais sobre esse caso AQUI

2 de julho de 2009

100 horas de golpe em Honduras

Por Tácito Costa

“Já são bem mais de 100 horas de golpe em Honduras. Nenhum país do planeta reconhece o governo golpista. Ele foi condenado por OEA, Alba, ONU, SICA, Grupo do Rio e até pela Associação dos Ombudsmen das Américas. O presidente deposto falou em Assembleia da ONU e recebeu apoio e reconhecimento unânimes. Cuba e EUA condenam juntos o golpe. O golpista, presidente de facto, Micheletti, chega ao cúmulo de arrolar em seu favor o “apoio de Israel e Taiwan”, e não há internauta no planeta que encontre confirmação disso em fontes independentes nos dois países.”

AQUI

2 de julho de 2009

“Jean Charles”

Por Tácito Costa

Assisti ontem à noite “Jean Charles”, em cartaz no Moviecom e Cinemark, baseado na história do brasileiro homônimo assassinado pela polícia de Londres, após ser “confundido” com um terrorista. A direção e roteiro são de Henrique Goldman. No papel principal Selton Mello. O filme mostra, sobretudo, como é a vida dos brasileiros (deve ser a mesma coisa ou pior com outros estrangeiros) que partem para o Primeiro Mundo em busca de juntar uma grana e depois retornar. Eu gostei do filme. No link abaixo, dois críticos opinam, um gostou e o outro detestou. Veja e tire suas próprias conclusões, de preferência só leia os críticos depois para não ficar influenciado.

AQUI

2 de julho de 2009

Laurence

Por Daniel

Discordo de você: o AI-5 era lei. Suspendia as demais e os direitos civis e individuais, mas era lei.

2 de julho de 2009

Para João da Mata

Por Laurence Bittencourt

Caro João da Mata, acho qualquer tipo de linguagem uma forma de linguagem. Não tenho problemas com o uso de termos que nem ao menos são ofensivos. E acrescento: nem também com os ofensivos. E é preciso aceitar os outros como ele são, dentro do que se chama de civilização: Humano, demasiado humano.

Já quanto ao respeito é outra historia. Mas tem aquilo que talvez você não concorde: não se pode ter respeito por quem não se dá ao respeito.

2 de julho de 2009

De respeito e desrespeito

Por Laurence Bittencourt

Daniel o AI-5 foi um desrespeito às Leis. Mas tem uma coisa que concordo com você, nesse particular “Democracia é bem mais do que as nossas opiniões dizem que é”.

2 de julho de 2009

“Remanso da Piracema”

Por Tácito Costa

remanso

Em um dos seus últimos textos publicados no “Caderno de Saramago” (AQUI), o escritor se penitencia por ter se metido, no início da carreira, a fazer crítica literária: “Há uns quarenta anos, por espaço de alguns meses, exerci de crítico literário na “Seara Nova”, actividade para a qual obviamente não tinha nascido, mas que a benévola generosidade de dois amigos considerou poder estar ao meu alcance. Foram eles o Augusto Costa Dias, que teve a ideia, e Rogério Fernandes, então director da (a todos os títulos) saudosa Revista. No geral, suponho não ter cometido injustiças graves, salvo o pouco cuidado com que opinei sobre “O Delfim” de José Cardoso Pires. Muitas vezes, depois, me perguntei onde teria estado a minha cabeça naquele dia. Diz-se que um tropeção pode acontecer a qualquer, mas aquilo não foi um tropeção, foi (perdoe-se a vulgaridade da palavra) um estampanço”).

Eu também não nasci para tão sério e perigoso ofício, embora tenha inventado, por pouco tempo, é verdade, a comentar livros quando comecei no jornalismo cultural. Tirei o corpo fora antes de levar umas tapas prometidas por um poeta a quem faltaram humor e humildade para relevar as besteiras juvenis que eu escrevi.

Agora, só comento livros dos amigos e isso mesmo quando eles fazem questão, como foi o caso de François Silvestre, que lançou recentemente “O Remanso da Piracema”. Como o texto ficou mais longo do que eu planejava postei em PROSA.

2 de julho de 2009

Pô, Daniel…

Por Alexandre Honório

Ler as páginas do Jornal de Hoje e o “mercado de balcão” do fulano eu até posso aceitar, mas acessar o blog do famigerado é realmente de lascar…

Nos meus três anos de Diário de Natal, se existia uma persona non grata naquela redação esta era o dono do “balcão” em questão.

O rapaz entende tanto de democracia quanto eu entendo sobre a natureza dos neutrinos…

2 de julho de 2009

Revisitando Tom Zé

Por Marcos Silva

Caros amigos:

Um clássico de Tom Zé (incluído no disco coletivo “Tropicália ou Panis et circensis”) é a canção “Parque industrial”. Nos versos finais, encontramos:

“E tem jornal popular que
Nunca se espreme
Porque pode derramar.
É um banco de sangue encadernado (…)”.

A Imprensa, via de regra, merece respeito. Certa linguagem que alguns de seus profissionais usam, todavia, faz pensar que Tom Zé, ótimo músico e letrista, não foi plenamente feliz na escolha da matéria orgânica aludida.

Abraços:

2 de julho de 2009

Alex e os burros

Por Daniel

Por dever de ofício, continuo minha sina de ler Alex Medeiros.  No seu blog, ele falou da gente de uma maneira muito cordial:

Nas ondas de Honduras

A ONU não resolveu nada.
A fala de Barack Obama não fez efeito.
O uivo de Luiz Inácio não provocou porra nenhuma.
A ameaça bélica do sargento Hugo Chávez, necas.

Mas Honduras conhecerá dias melhores.
Graças aos relinchos de alguns hóspedes do
jornalista Tácito Costa em seu blog.

Os cuecões retroativos exigem a volta do
Mané Zelaya.

Agora o papo é diferente.

2 de julho de 2009

Democracia

Por Daniel

Democracia é bem mais que respeito e cumprimento de leis. Aliás, em alguns contextos, é justamente o contrário. Respeitar o AI-5 é democrático? Respeitar a suspensão de direitos civis e individuais em Honduras?

Democracia é bem mais do que as nossas opiniões dizem que é.

2 de julho de 2009

Ainda Keen

Por Daniel

Continuo meu esforço por ler O culto do amador.

Vou dispor mais três opiniões sobre o livro:

1) Keen critica o conhecimento não-especializado, não-científico, publicizado na Internet (especialmente nos blogs).  No entanto, constrói suas reflexões firmado justamente … em conhecimento não-especializado, em opiniões subjetivas, em conhecimento de senso comum;

2) Se Keen conhecesse, um pouco que fosse, Bakhtin e Foucault – além dos teóricos mais relevantes do jornalismo – falaria menos bobagens;

3) Em um determinado momento, ele diz:

Quando um artigo se apresenta sob a bandeira de um jornal respeitado, sabemos que foi examinado por uma equipe de editores tarimbados e com anos de aprendizado, confiado a um repórter qualificado, pesquisado, verificado, editado, revisto e apoiado por uma organização de notícias fidedigna que dá testemunho de sua vericidade e precisão.

Automaticamente, lembrei-me de duas histórias.  Uma está quente ainda agora e diz respeito à ficha forjada de Dilma Rousseff que a Folha de São Paulo publicou algum tempo atrás (você pode ler um pouco sobre essa história aqui, por exemplo).  E a Folha não é um veículo que se adequa à descrição de Keen?  E que fidedignidade tem?

Se você achar que o problema é brasileiro, relembro uma história de um dos maiores jornais impressos do mundo, o The New York Times.  Lembram de Jayson Blair, aquele repórter do NYT que foi descoberto fraudando matérias no veículo?  Para quem não se lembram, leia aqui.

2 de julho de 2009

Literatura e Internet

Por Tácito Costa

Leia AQUI o ensaio de Dênis de Moraes “Literatura y comunicación virtual: cuestiones y desafíos de las palabras en red”.

2 de julho de 2009

O que é a América Latrina

Por Laurence Bittencourt

Caro Tácito vou citar três exemplos do que é a América Latrina. O ex-prefeito Carlos Eduardo apenas seguindo “vontade” própria, dele, está dizendo que não vai a convocação da Câmara Municipal depor na CEI dos medicamentos. Respeito à lei? Nenhuma. Ele é a lei, é isso que rege as “oligarquias” e segue a sua única vontade. Alguém pode dizer: mas ele vai. Se for, vai depois de dizer que não ia várias vezes. Isso é o quê? Bem parecido com o caso agora de Sarney, de Renan em um passado recente, etc. Entendam.

Exemplo 2: o PT que sempre se anunciou “democrático” enquanto Partido, para discutir todas as candidaturas internas majoritárias, simplesmente “aceitou” a retirada do colete ou da manga por indicação única do presidente Lula a candidata Dilma. Democracia interna? Ou legitimação de caciquismo? Muda isso?

Exemplo 3: mudar a Constituição por uma vontade própria apenas para concorrer sob a alegação de plebiscito (apenas por vontade própria, repito) é democracia? Nos Estados Unidos não se pode desobedecer uma convocação judicial. Outra: nenhuma escolha partidária é retirada da manga de um caciquismo. Vai para disputa. E violação da Constituição nem pensar. Os Estados Unidos não servem? Mas por que não? Democracia é respeito às leis, as regras do jogo, e respeito aos contratos.

Na América Latrina o contrário as essas três questões é a norma. A norma. Ok, até aceito a idéia de Marcos Silva de que democracia é um processo, que se aprende fazendo. Mas esse fazer não significa alterar as regras apenas por vontade própria, quando bem se entende e quer. Isso é autoritarismo, que também é a nossa marca e norma, da América Latrina.

Somos imaturos em democracia? Somos. Mas isso não nos exime de responsabilidade em sermos de fato uma democracia. Pelo menos para quem pensa diferente.