Por dever de ofício, continuo minha sina de ler Alex Medeiros. No seu blog, ele falou da gente de uma maneira muito cordial:
Nas ondas de Honduras
A ONU não resolveu nada.
A fala de Barack Obama não fez efeito.
O uivo de Luiz Inácio não provocou porra nenhuma.
A ameaça bélica do sargento Hugo Chávez, necas.
Mas Honduras conhecerá dias melhores.
Graças aos relinchos de alguns hóspedes do
jornalista Tácito Costa em seu blog.
Os cuecões retroativos exigem a volta do
Mané Zelaya.
Agora o papo é diferente.
Democracia
2 de julho de 2009 às 14:32 | ComentarDemocracia é bem mais que respeito e cumprimento de leis. Aliás, em alguns contextos, é justamente o contrário. Respeitar o AI-5 é democrático? Respeitar a suspensão de direitos civis e individuais em Honduras?
Democracia é bem mais do que as nossas opiniões dizem que é.
Ainda Keen
2 de julho de 2009 às 14:29 | ComentarContinuo meu esforço por ler O culto do amador.
Vou dispor mais três opiniões sobre o livro:
1) Keen critica o conhecimento não-especializado, não-científico, publicizado na Internet (especialmente nos blogs). No entanto, constrói suas reflexões firmado justamente … em conhecimento não-especializado, em opiniões subjetivas, em conhecimento de senso comum;
2) Se Keen conhecesse, um pouco que fosse, Bakhtin e Foucault – além dos teóricos mais relevantes do jornalismo – falaria menos bobagens;
3) Em um determinado momento, ele diz:
Quando um artigo se apresenta sob a bandeira de um jornal respeitado, sabemos que foi examinado por uma equipe de editores tarimbados e com anos de aprendizado, confiado a um repórter qualificado, pesquisado, verificado, editado, revisto e apoiado por uma organização de notícias fidedigna que dá testemunho de sua vericidade e precisão.
Automaticamente, lembrei-me de duas histórias. Uma está quente ainda agora e diz respeito à ficha forjada de Dilma Rousseff que a Folha de São Paulo publicou algum tempo atrás (você pode ler um pouco sobre essa história aqui, por exemplo). E a Folha não é um veículo que se adequa à descrição de Keen? E que fidedignidade tem?
Se você achar que o problema é brasileiro, relembro uma história de um dos maiores jornais impressos do mundo, o The New York Times. Lembram de Jayson Blair, aquele repórter do NYT que foi descoberto fraudando matérias no veículo? Para quem não se lembram, leia aqui.
Literatura e Internet
2 de julho de 2009 às 13:12 | ComentarLeia AQUI o ensaio de Dênis de Moraes “Literatura y comunicación virtual: cuestiones y desafíos de las palabras en red”.
O que é a América Latrina
2 de julho de 2009 às 13:03 | ComentarCaro Tácito vou citar três exemplos do que é a América Latrina. O ex-prefeito Carlos Eduardo apenas seguindo “vontade” própria, dele, está dizendo que não vai a convocação da Câmara Municipal depor na CEI dos medicamentos. Respeito à lei? Nenhuma. Ele é a lei, é isso que rege as “oligarquias” e segue a sua única vontade. Alguém pode dizer: mas ele vai. Se for, vai depois de dizer que não ia várias vezes. Isso é o quê? Bem parecido com o caso agora de Sarney, de Renan em um passado recente, etc. Entendam.
Exemplo 2: o PT que sempre se anunciou “democrático” enquanto Partido, para discutir todas as candidaturas internas majoritárias, simplesmente “aceitou” a retirada do colete ou da manga por indicação única do presidente Lula a candidata Dilma. Democracia interna? Ou legitimação de caciquismo? Muda isso?
Exemplo 3: mudar a Constituição por uma vontade própria apenas para concorrer sob a alegação de plebiscito (apenas por vontade própria, repito) é democracia? Nos Estados Unidos não se pode desobedecer uma convocação judicial. Outra: nenhuma escolha partidária é retirada da manga de um caciquismo. Vai para disputa. E violação da Constituição nem pensar. Os Estados Unidos não servem? Mas por que não? Democracia é respeito às leis, as regras do jogo, e respeito aos contratos.
Na América Latrina o contrário as essas três questões é a norma. A norma. Ok, até aceito a idéia de Marcos Silva de que democracia é um processo, que se aprende fazendo. Mas esse fazer não significa alterar as regras apenas por vontade própria, quando bem se entende e quer. Isso é autoritarismo, que também é a nossa marca e norma, da América Latrina.
Somos imaturos em democracia? Somos. Mas isso não nos exime de responsabilidade em sermos de fato uma democracia. Pelo menos para quem pensa diferente.
Rubem Braga
2 de julho de 2009 às 12:02 | ComentarRubem Braga é um dos nossos melhores cronistas, vou ser redundante, o melhor da sua geração. Li quase todas suas crônicas publicadas. Comprei recentemente sua biografia “Um cigano fazendeiro do ar” e estou me deliciando. Drummond o tinha na maior estima e respeito. Vejamos o que ele escreve sobre o velho Braga.
Leia o texto de Drummond em PROSA.
“As Férias do Sr. Hulot”
2 de julho de 2009 às 11:50 | ComentarNesta sexta-feira, 03, o Cineclube Natal em parceria com o Nalva Melo Salão Café inicia o mês dedicado às comédias, intitulado “Rir é o melhor remédio”, com o excelente “As Férias do Sr. Hulot”, de Jacques Tati. Sessão às 20 horas. Entrada R$ 2,00. O Nalva Café fica na Ribeira.
Programa de Incentivo à Cultura
2 de julho de 2009 às 9:13 | ComentarDE ALEX DE SOUZA, EM SUA COLUNA BAZAR
http://www.nominuto.com/blog/bazar/
Alegria de pobre dura pouco.
A classe artística pressionou e a Fundação Capitania das Artes alterou o regulamento do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (porque a moda na nova administração é mudar o nome de tudo), permitindo que seja verificada apenas a situação fiscal das empresas patrocinadoras de projetos.
Antes a lei pedia que tanto a empresa quanto os sócios estivessem regularizados junto à tributação municipal para poder participar da Lei Djalma Maranhão. Caso algum sócio estivesse com IPTU atrasado, por exemplo, estava fora.
A medida era apontada pela maioria dos produtores como o principal empecilho na hora de fechar o patrocínio.
Mas, pessoas ligadas à Secretaria de Planejamento, cuja nova nomenclatura não tive ainda a chance de decorar, não gostaram nem um pouco da iniciativa e já se movimentam para derrubá-la.
Taí uma boa chance para César Revoredo mostrar que manda em alguma coisa.
PEC do diploma
2 de julho de 2009 às 9:09 | ComentarA proposta de emenda à Constituição (PEC), que prevê a exigência de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista, foi apresentada no início da noite de ontem (1º) à Mesa Diretora do Senado pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB- SE).
A proposta foi assinada por 50 dos 81 senadores. Na PEC, Valadares propõe acrescentar o Artigo 220-A à Constituição. “O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei”.
A PEC será agora encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde será analisada a sua constitucionalidade e o seu mérito. Se aprovada, seguirá para a votação em dois turnos no plenário do Senado. Aprovada pelo Senado, a PEC segue para a discussão e apreciação da Câmara.
Um Nobel para Al Capp?
2 de julho de 2009 às 8:52 | ComentarCaros amigos:
As relações dos quadrinhos com literaturas passam pelo solo em comum de poesia e narração. Assim como alguns cineastas chegam num nível narrativo e poético excepcional (Eisenstein, Renoir, Vigo, Chaplin, Bergman, Visconti, Antonioni), quadrinhistas podem se situar num patamar paralelo (Al Capp, Eisnner, Hall Foster, nosso Ziraldo do primeiro “Pererê”). Como se sabe, o romancista norte-americano John Steinbeck, detentor do prêmio Nobel em Literatura, indicou o nome de Al Capp – autor de “Ferdinando” e da “Família Buscapé” – para a mesma premiação. Nesse sentido, Ziraldo na Academia Brasileira de Letras seria muito mais adequado que Sarney e Maciel.
Abraços:
Quadrinhos & Literatura
2 de julho de 2009 às 8:52 | ComentarEstética e/ou semioticamente, levando em consideração suas especificidades criadoras, não é possível – sequer remotamente – afirmar que os quadrinhos são literatura. Nem mesmo paraliteratura, como, nos anos 70, chegaram a formular, de forma equivocada, alguns teóricos franceses da comunicação de massa. São linguagens diferentes, que usam processos criativos de igual modo diferenciados. Há inclusive, algumas obras-primas dos quadrinhos que dispensam a palavra: é o caso, por exemplo, de ‘Lanterna mágicca’, de Crepax, e de ‘Arzach’, de Moebius, ou das tiras verticalizadas do francês Barbe. Ou mesmo, como simples diversão, das HQs do Pinduca, nos anos 30. Enfim, trata-se de uma grande bobagem insistir neste ponto. Seria o mesmo que afirmar que manga e mangaba são a mesmas coisa. Quanto às quadrinizações de obras literárias, outra é a discussão, outro é o patamar de reflexão.
Um abraço em todos.

