Em algumas de suas histórias, o caráter e as relações entre os personagens são muito calorosos e sensuais. Sobre sensualidade na literatura: você acha que a nacionalidade e a cultura de um autor se refletem em sua obra? Você se vê como uma escritora de literatura sensual?
É difícil imaginar que a cultura e a origem de um autor não se reflitam em sua obra. Até na literatura fantástica isso fica claro. A ideia de ficção científica de Stanislav Lem, por exemplo, não poderia vir de um católico devoto e crente do século 19. Da mesma forma como o autor do Dom Casmurro não poderia ser um comunista russo, um judeu polonês ou um cientista natural da nossa década. Não só o estilo literário, também o espaço de criação é marcado pela cultura.
Leia no link abaixo a entrevista completa da escritora alemã Julia Franck.
Natal, um templo do futebol?
30 de julho de 2009 às 17:45 | Comentar“As diversas reuniões de executivos da Lusoarenas com governadores e dirigentes esportivos seguiram o mesmo script das conversas em Natal. Entre sonhos e projetos, quase uma dezena de novos e modernos estádios em solo brasileiro. E tudo não passou de conversa mesmo, nada além do que palavras e idéias no papel, numa sequência de contatos e apresentação de projetos que já dura quase uma década. Flamengo, Vasco, Grêmio, Corinthians, Botafogo, Sport, todos com suas “arenas”. ALEX MEDEIROS
Tributo a Simonal
30 de julho de 2009 às 17:43 | Comentar“O documentário “Simonal, ninguém sabe o duro que eu dei”, de Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer, lançado em maio deste ano, ajudou a sacudir a poeira da carreira do cantor. Prova disso é que no próximo dia 11 de agosto, no Rio de Janeiro, Simonal ganhará um tributo, batizado de “Baile do Simonal”, com direção musical de seus filhos Max de Castro e Wilson Simoninha. O show será gravado para ser lançado em CD e DVD ainda este ano pela gravadora EMI.
A lista de convidados inclui nomes como Maria Rita, Caetano Veloso, Paralamas do Sucesso, Marcelo D2, Lulu Santos, Roberto Frejat, Rogério Flausino, Alexandres Pires, Exaltasamba, Sandra de Sá, Samuel Rosa, Diogo Nogueira, Seu Jorge, Fernanda Abreu, Orquestra Imperial, além dos dois filhos do cantor.
Max de Castro, responsável pelos arranjos da apresentação, faz mistério sobre o repertório completo da apresentação, mas adianta alguns números: os Paralamas cantarão “Mustang cor de sangue”, D2 vai de “Nem vem que não tem”, Mart’nália deve cantar o hit “Mamãe passou açúcar em mim” e Samuel Rosa ficará com “Carango”. (ÉPOCA)
Invenção e Memória
30 de julho de 2009 às 14:12 | Comentar“Sentei-me num banco dando para a avenida, poderia ver o jipe que devia passar para recolher as meninas. Quando chegasse em casa, ia encontrar minha mãe disfarçando o pânico e o vinco entre as sobrancelhas, não aborrecer a filha heróica: Você demorou tanto, por quê? Deu no rádio que o blecaute correu em ordem, mas a gente nunca sabe, em tempo de guerra a mentira é terra… O lanche servido, mais mandioca. Eu teria que dizer alguma coisa que a deixasse calma e de repente me vi repetindo o que disse meu pai sobre a loucura do tio Garibaldi: Vai passar, mãe. Tudo isso vai passar.”
Este conto está no livro Invenção e Memória – 2000 (LÍGIA FAGUNDES TELES)
Votar ou não votar, eis a questão??
30 de julho de 2009 às 14:06 | ComentarTácito, Marcão e a moçada em geral,
Como não sou estudioso da arte especulativa chamada ciência política, encaro os dilemas e questões da política do nosso mundinho meio com o fígado, meio com o coração, e, é claro, baseado também no pouco que a vida me permitiu apreender até agora sobre nós, humanos. No mais das vezes me interesso mais pelo que a poesia e literatura têm a dizer sobre humanidade do que os compêndios teóricos. Idiossincrasia minha.
Meu ideal pessoal talvez seja uma cruza do “saber só de experiências feito” do Velho do Restelo, do seu realismo pessimista de herdeiro do Eclesiastes, mais a sua antítese: o espírito desbravador do navegador que in-forma Mensagem (pra mim o clímax de F. Pessoa), e que aparece na última estrofe de “Horizonte”:
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte –
Os beijos merecidos da Verdade.
Como isso é mais sóbrio do que a crença na fantasia rousseauniana do bom selvagem (i.e. todos nós), ou em qualquer outra escatologia social igualitarista (não estou dizendo que é o caso de vocês dois), me falta animação para acreditar na capacidade do pensamento crítico de mudar significativamente, pelo menos no horizonte da minha vida de homem de meia idade, a maneira como se faz política entre nós. O contraste entre o pensamento crítico das grandes figuras que você citou, Marcão, e as práticas políticas vigentes no mundo hoje parece confirmar essa descolamento temporal radical, ou estou errado?
É certo que ainda não se definiu claramente o potencial da nova “ágora cibernética”, a capacidade de televisão+internet pra apressar eventos e mudanças, pra recompor, quem sabe, algo do espírito fundador da Polis grega, agora numa escala muito maior. Pode ser que esse se torne um fator novo determinante na criação de novas modalidades de organização e ação política. Porque é óbvio que o sistema representativo clássico sob o qual ainda vivemos está falido; aqui e em todo canto, por sinal. E a “massa” tá inquieta, e com razão.
François já deixou aqui bem claro o sentido do voto nulo na eleição local, pelo menos pra senador. (Aliás, se alguém procura reflexões pertinentes sobre nossos impasses políticos, aconselho a leitura d’As alças de agave, do mesmo François.) Mas cada lugar é cada lugar neste vasto e complicado país. O que se justifica aqui pode não se justificar noutro estado, noutra cidade. Isso cabe ao cidadão pensante decidir.
Agora, embora nunca tenha votado nulo antes, discordo dessa história de que o voto nulo entre nós seja apenas uma forma de abdicação de responsabilidade, de limpeza de consciência. Atenção: o voto nulo tem sido uma constante, crescente e eloqüente opção nas eleições brasileiras dos últimos anos. O que impede sua real avaliação é a farsa legal da contagem dos “votos válidos” pra definir o percentual de votação dos candidatos.
Outra coisa, primeira proposta na discussão de formas alternativas de organização política: fim do voto obrigatório, essa excrescência de país politicamente atrasado. Desconfio que o voto obrigatório seja um dos grandes aliados da corrupção e do atraso pelo Brasil afora. Entendo que o voto optativo, com limites de votação mínimos preestabelecidos em lei (sob pena de anulação das eleições), obrigaria, por um lado, os partidos e candidatos a conquistarem eleitores pelas suas propostas, e, por outro, abriria a possibilidade de novos agentes políticos se organizarem e competirem em melhores condições com as máquinas partidárias tradicionais, agora desprovidas da ‘curralização’ automática de cidadãos menos informados, mais suscetíveis à manipulação.
Fora isso, seria a restituição de um direito inalienável do cidadão, que é o de mandar a política e as eleições às favas, se assim ele preferir, sem pagar multa nem pedir licença ou vênia a ninguém.
Marxistas e voto
30 de julho de 2009 às 10:35 | ComentarPrezado François:
Certamente, o voto não é colocado no centro do debate de Marx e Engels (nem dos marxistas posteriores) sobre a política. Mas é bom lembrar que o texto “Crítica ao Programa de Gotha” comenta positivamente a criação de um partido socialista na Alemanha, com as devidas ressalvas. Criado este (Engels ainda era vivo), a presença dos trabalhadores pobres na eleição foi defendida pela maioria dos socialistas alemães e por seus colegas de outros países europeus. Com certeza, em Marx e Engels, o voto nada resolvia por si mesmo, estava articulado a outras frentes de atuação contra o Capitalismo.
Reler Marx, Engels e os marxistas hoje, depois da desunião soviética, é pensar a partir deles, não necessariamente de forma igual a eles. O pessoal que pretendeu ser porta-voz de Marx e Enges andou pisando feio na bola, com raras exceções. Melhor tratá-los (M & E) como mestres mas não como sujeitos que pensam em nosso lugar. Até porque não deu pra eles adivinharem em que frias nos meteríamos nestes dois novos séculos.
Abraços:
Bandidos e mocinhos
30 de julho de 2009 às 10:22 | Comentar“Eu gostaria de passar todo o tempo aqui reafirmando o quanto é bom o último filme de Johnny Depp. De como Marion Cotillard está bonita e encantadora com aqueles olhos de ressaca como uma Capitu gringa, meio francesa, meio americana, meio índia.” MARIO IVO
Contar os mortos, disseminar o pânico
30 de julho de 2009 às 10:05 | Comentar“A cobertura da chamada gripe suína (o nome correto é Influenza A H1N1) se tornou uma verdadeira aberração, provoca pânico na população e certamente vai se mostrar exagerada em menos de dois ou três meses, quando os números da tal “terrível pandemia” começarem a murchar. Como a mídia não tem autocrítica, porém, logo surgirá outro assunto para a irresponsabilidade dos responsáveis pelas manchetes e escaladas dos telejornais.” LUIZ ANTONIO MAGALHÃES
Marxismo e voto
30 de julho de 2009 às 9:56 | ComentarMeu caro Tácito.
Concordo que o voto nulo possa não ser a melhor opção. Pode ser. Mas argumentar a favor do voto com autores marxistas é uma piada. Se há algo que conheço relativamente bem é o marxismo. Que continua merecendo minha admiração. Não mais a militância. Não há, no marxismo, nenhuma defesa do voto. De nenhuma espécie. válido ou nulo. A questão é: Há voto válido, no Brasil atual? E o que é voto válido? Para mim, voto válido é aquele configurado entre alternativas boas ou ruins, dentre os candidatos ou os partidos. Mostre-me uma alternativa boa para a escolha de um senador do Rio Grande do Norte. Se você ou o outro articulista me apresentar esse nome, eu mudo de opinião. Porque, como disse Sthendal, a minha opinião não é o meu tirano. Voto nulo.
Vale quanto pesa (no bolso)
30 de julho de 2009 às 9:50 | ComentarAmigos:
A idéia do vale-cultura tem vantagens e desvantagens:
1) É bom assumir a cultura como bem de primeira necessidade, junto com arroz, feijão, futebol e camisinha (camiseta e grife tb).
2) O nível de renda no país é péssimo, o vale ajuda a comprar uma ou outra coisa cultural (livro, ingresso pra espetáculo, dvd).
3) O vale complementa salário. Não seria necessário discutir salário como garantia de consumo? A pergunta se aplica ao bolsa-família (não é direito adquirido, qualquer outro governante pode retirar, cria dependência em relação a um líder ou um partido). Salários decentes podem ser substituídos por direito à propriedade que gere renda (reforma agrária já!).
4) O valor é MUITO BAIXO! Melhor que nada mas quase nada! Queremos mais cultura! Pelo direito aos shows de Mônica Salmaso e às apresentações das Sinfônicas da vida, por mais caros qu sejam os ingressos! Pobre também pode vir a gostar de ópera e balé! Ou gostar de Fernando Pessoa e Jorge Luís Borges!
5) Além de salários melhores, merecemos políticas culturais públicas melhores – bibliotecas decentes, museus que valham a pena, espetáculos subsidiados, universidades públicas para todos que as desejam etc.
6) Pelo livre consumo cultural: quem quiser usar seu vale para comprar cds de Amado Batista ou livros de Paulo Coelho, que use! Forró pé-de-serra, Carnatal e bossa-nova para todos que os almejarem! Tragédia grega e teatro Nô também!
Abraços:
Vale-Cultura em debate
30 de julho de 2009 às 9:16 | ComentarA criação do Vale-Cultura pelo Governo Federal provocou um debate interessante em alguns blogs. Os dois textos abaixo dão uma mostra disso.
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“O Vale-Cultura, tal como está sendo proposto, despido de qualquer “dirigismo”, representa um avanço? Possivelmente, sim, mas um avanço com a marca contraditória da “Era Lula”, substancial se comparado às administrações anteriores, mas feito de medidas paliativas e que não alteram a estrutura do mercado de bens culturais.” MAURÍCIO CALEIRO
aqui
“Ampliar o leque, dando mais possibilidades de escolha para a sociedade é uma coisa. Guiar o consumo cultural para preservar uma imagem que uma elite intelectual dos grandes centros tem de como deveria ser a cultura brasileira é outra.”. LEONARDO SAKAMOTO
aqui






