Marcos Silva:
Agora, creia que eu fiquei deslumbrado com o fato de você deslumbrar-se com o meu “deslumbramento” (ou, ainda, alumbramento – conforme certamente preferiria o meu conterrâneo dentuço, poeta Manuel Bandeira).
Vender não é culpa
30 de janeiro de 2010 às 17:56 | ComentarBertolino:
Tom Jobim falava que os brasileiros não suportavam o sucesso aheio. Não padeço desse mal: Paulo tem mais é que ganhar MUITO dinheiro porque produz mercadorias muito lucrativas. Os maus atores e as más atrizes de novelas devem ganhar salários ALTÍSSIMOS porque dão base para mercadorias muito rentáveis. Isso não significa que escritor que vende muito escreva bem nem que ator e atriz que faz muito sucesso de público represente bem. Não compro os livros de quem escreve mal, não assisto a novelas nem a peças e filmes com maus atores e más atrizes. Mas apóio que a remuneração deles corresponda minimamente à reprodução ampliada de capital que eles geram.
Não tenho culpa nenhuma em relação a dinheiro. Ele garante o consumo de produtos bons (roupas bonitas, casas confortáveis com piscina e ar condicionado – aquecimento nos lugares frios -, comidas nutritivas e gostosas, viagens a lugares onde existem museus fabulosos, zelo adequado com a saúde). Sou favorável a redistribuição da renda porque visitar o Louvre, o Prado, o British Museum e o Stmihsonian são direitos humanos básicos.
Optando pela magia
30 de janeiro de 2010 às 12:44 | Comentar
Prezado Mário Bertolino:
Blanche DuBois, personagem de “Um bonde chamado Desejo”, preferia a magia à realidade e acabou internada num hospício. Correndo o mesmo risco que ela, argumento que alguns brasileiros lêem: eu, você e outros mais.
O Brasil tem uma péssima história do livro: proibição colonial, raridade imperial e até republicana, menospreza de luxo – clássicos indicados em vestibulares para não serem lidos, exceto em resumos de resumos. Quando Monteiro Lobato começou com sua editora, descobriu, apavorado, a inexistência de livrarias em nosso país e propôs vender os livros em quaisquer pontos disponíveis – farmácias, mercearias, etc. Hoje em dia, isso mudou (temos grandes livrarias) mas as livrarias físicas existentes são mais vitrines de best-sellers. Restm ainda as virtuais, ao menos confortáveis – entregam em casa. Mas conviver com livros, livreiros e compradores de livros foi um grande prazer em minha juventude, confesso.
Recordo que livro é caro e salário é muito baixo entre nós – bombástico aumento do mínimo para R$ 510! Apesar disso, conseguimos gerar Cruz e Souza, Lima Barreto, Murilo Mendes, Carlos Drummond, Graciliano, Clarice… E juro que conheci pessoas que choraram e gozaram LENDO esse povo.
Abraços esperançosos:
A fila do Paulo
30 de janeiro de 2010 às 12:31 | Comentar
Caro Laurence:
O problema de Paulo (e sua fila) é a qualidade do produto – Salinger é melhor. Sim, é bom que escritores vivam do que escrevem. Será melhor quando bons escritores viverem do que escreverem – temos alguns casos nacionais escandalosos, como Cruz e Souza, Lima Barreto, Clarice Lispector, Orides Fontela e tantos mais.
Meu comentário foi sobre prioridades nos critérios. Em relação a Salinger, eu priorizo destacar o patamar literário que ele alcançou – em meu entendimento, bom. Se for para dar uma força no volume de vendas, a discussão será outra, tanto nos EEUU quanto entre nós. Suponho que J. G. de Araújo Jorge, Cassandra Rios e José Mauro Vasconcelos, noutras décadas viveram do que vendiam sem que isso os transformasse em bons escritores, não é?
Abraços afetuosos:
Obrigado, Fernando
30 de janeiro de 2010 às 12:28 | Comentar
Fernando:
Seu deslumbramento me deixa muito feliz. Quando lembrei esse truísmo (cada escritor é um escritor), eu não pensei em pessoas generosas como vc, que se deixam deslumbrar. Pensei em alguns críticos que escolhem um ideal-tipo de escritor e cobram dos outros serem como ele – o que, evidentemente, não é seu caso.
Sim, cada escritor é um escritor. Procurar a poética de Bandeira em Drummond, por exemplo, seria um contrasenso – experiências diferentes, projetos diferentes etc.
Abraços:
Respostas às dúvidas de Tânia
30 de janeiro de 2010 às 12:25 | ComentarPor Sergio Vilar
Oi, Tânia. Em 1999 eu tinha 21 anos. A pílula foi tomada logo após a relação. E realmente o uso desse contraceptivo gera muita controvérsia. Acho até que essa discussão deveria ser levada para esse campo – muito mais polêmico, em minha opinião. Antes de tudo, reafirmo minha posição contrária aos preceitos religiosos. Minha “defesa da vida”, digamos assim, é princípio meu. Então, de nada vale a opinião da igreja a respeito. Nem a de Odair José, embora o caso dele seja outro (rs). E Tânia, o feto só começa a ser formado, salvo engano, na segunda ou terceira semana de gravidez. Não vejo aí a ideia de aborto pelo uso da pílula, portanto. E viva a contradição e os radicalistas. Foram eles, com a ajuda de umas guerrinhas, quem mudaram o mundo.
Abraço
Que país é esse?
30 de janeiro de 2010 às 12:24 | ComentarPor Mario Bertolino
No Brasil quem vende muito é criticado, quem já se viu?! Num país que apenas um punhado de 4 ou 5 em seus quinhentos anos de existência conseguem viver de literatura, ainda sâo criticados. Tem gente por aqui “escritor” que sofre dia e noite pelo sucesso dos Paulos da literatura.
André Gide
30 de janeiro de 2010 às 9:49 | Comentar
“O relançamento do clássico ‘Os moedeiros falsos’, de André Gide, vem preencher um vazio de quase duas décadas de ausência dos livros do ganhador do Prêmio Nobel de 1947 entre nós”.
“Cada escritor…”
30 de janeiro de 2010 às 9:44 | Comentar“Cada escritor é um escritor”.
Fiquei deslumbrado com essa descoberta do Marcos Silva, neste sábado, dia 30 de janeiro de 2010.
Uma outra coisa
30 de janeiro de 2010 às 9:44 | ComentarCaro Marcos, você tenta relativizar as cosias onde eu busco outro caminho. Mas leia a sua conclusão: se você mesmo disse que “não devemos recriminar ninguém pelo fato de vender muito”, qual o problema de entrar na fila do Paulo? Nesse caso, onde estaria o relativismo? Ou seria uma outra coisa? Sabe quantos escritores no Brasil vivem desse oficio?
Aceitando a realidade
30 de janeiro de 2010 às 9:43 | Comentar
Por Mario Bertolino
O brasileiro não lerl. O povo quer sol, fazer nada. É por isso que não se vive de literatura. Natal por exemplo, aqui não há leitores mas sim compradores de livro. Quando alguém lança um livro desses só os amigos, as vezes coagidos, compram. E para nunca ler. Indago: por qual razão tanta gente se entende por escritor mesmo não tendo qualquer qualidade? Deve ser um charme se dizer “escritor”, sem realmente ser um. Qual será o encanto, a magia? Tem quem procure desesperadamente a autopromoção. Seria menos ruim dizer: escrevi um livro que se autopromover como escritor. Talvez também seja a razão Do brasileiro encarar com mais seriedade escritores de fora e até mesmo as editoras.
Arte: Chirico
Comissão Pastoral da Terra e a Espetaculaziação
30 de janeiro de 2010 às 9:24 | Comentar“Diante disto a Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra, se pergunta: Onde estão o presidente do STF, Gilmar Mendes, e os demais ministros do Supremo e os políticos tão ciosos da preservação da dignidade humana? Por acaso se ouviu da parte deles a condenação do abuso da ação policial na prisão dos trabalhadores? Não terá sido uma exposição “excessiva e degradante” à que foram submetidos e que fere o princípio da dignidade da pessoa humana?”
Entrevista com Paulo César de Souza
30 de janeiro de 2010 às 9:08 | ComentarO tradutor e historiador baiano Paulo César de Souza começa a publicar pela Companhia das Letras uma nova e ambiciosa versão das obras completas de Freud, em 20 volumes, um projeto que começou a desenvolver nos anos 80.
Salinger: vender é bom mas…
30 de janeiro de 2010 às 9:03 | Comentar
Laurence:
O enorme sucesso de Salinger impressiona e nos obriga a pensar que ele foi mesmo ao encontro de profundos anseios de leitores. Eram anseios que estavam na pauta do dia (dos anos e das décadas pois o livro é muito lido até hoje): juventude, rebeldia, indagação sobre o futuro de sucesso que uma classe social e um país pareciam reservar automaticamente para quem se comportasse bem.
O livro dele é bom mas não priorizo o sucesso para avaliá-lo assim. E tem ecritor que demorou décadas ou mais para ser lido amplamente (exemplo óbvio: Rimbaud; no Brasi, gente ótima como Orides Fontela ainda é pouco lida!) porque, embora escrevessem muitíssimo bem – até muito mais que Salinger -, apresentavam uma literatura mais problematizadora do mundo, de difícil leitura por diferentes motivos: temas, linguagem etc.
Cada escritor é um escritor, não devemos recriminar ninguém pelo fato de vender muito – nem de vender pouco. Mas o fascínio pelas vendas pode nos colocar na fila dos compradores de Paulo, o que, evidentemente, não é seu caso.
Abraços:
Cofre cheio de dúvidas
30 de janeiro de 2010 às 8:56 | Comentar“A morte de J.D. Salinger marcou o fim de uma das vidas mais misteriosas da literatura e deixa ainda mais dúvidas sobre a pergunta que não quer calar: Teria o autor de “O Apanhador no Campo de Centeio” guardado manuscritos inéditos em um cofre em New Hampshire? Seriam obras-primas, curiosidades ou simples rascunhos?”
Para refletir
30 de janeiro de 2010 às 8:10 | ComentarCom o lançamento de “O apanhador no campo de centeio” em 1951, Salinger vendeu 15 milhões de cópias. Hoje já ultrapassam os 40 milhões. Por ano, mesmo recluso, e sem sair de casa, o livro vende uma média de 250 mil cópias ano. Não precisou de nenhum organismo estatal para bancá-lo. Enquanto isso…
Poesia mentira: o céu de Manoel
30 de janeiro de 2010 às 8:10 | Comentar
Caros amigos:
O filme “Só 10% é mentira”, de Pedro Cezar, apresenta simpaticamente o poeta Manoel de Barros – temas, amigos, estudiosos de sua obra (que ele diz não ter fortuna crítica). A qualidade da poesia e a inteligência do escritor são grandes trunfos do filme, que padece de excesso de exatidão no gênero. Mas prevalece o hino à linguagem da beleza como finalidade em si e a alguns de seus protagonistas: poetas, artistas, crianças, gente fora do lugar. Vale a pena.
Abraços:
Homenagem ao ex-malandro Chico
30 de janeiro de 2010 às 8:07 | ComentarPor Evaldo Gomes
Parabéns Carmen, pela suavidade e leveza das palavras, gostei muito seu artigo… se tiver oportunidade escreva mais sobre, Pablo Neruda, Mercedes Sousa, Milanes, Rui Guerra, Goncalves Dias, Oswaldo Montenegro, Belchior… kkk e outros a seu critério, vc ganhou um bom leitor… abraço.
Evaldo Gomes – rep. fotografico e aluno publicidade.
Disputar sabendo que não terá um vencedor
30 de janeiro de 2010 às 8:05 | ComentarPor Evaldo Gomes
Não entendo como duas pessoas inteligentes e criativas entram numa disputa onde nem os leitores sairão vencedores… tanta besteira e palavras jogadas fora, amigos tem muita coisa acontecendo em Natal, com elegância, criatividade, jogo de cintura e humildade de pedir desculpas, todos sairâo com arranhôes, porem com um pouco mais de conhecimento de vida e um bom contexto do que seja viver numa sociedade, respeitando as individualidades… abraço a todos.
Salinger é retratado como egoísta e cruel
30 de janeiro de 2010 às 8:02 | ComentarPor Tales Costa
“Um egoísta sem sensibilidade, um machista que fez suas mulheres sofrerem e as abandonou, um tipo capaz de converter sua família em uma seita, um iluminado predestinado a fazer de sua vida uma grande obra. Estas revelações de Margaret A. Salinger, filha mais velha de J.D. Salinger, compõem a biografia “Dream Catcher” (2001) –sem edição em português–. As informações foram divulgadas pelo jornal espanhol “El País”.






