Jeff Franks
da Reuters, em Havana (Via FSP)
As relações entre Cuba e Estados Unidos estão em seu pior momento desde que Barack Obama assumiu o poder em Washington, e devem piorar ainda mais se os dois países não tomarem medidas para acabar com suas cinco décadas de hostilidade, segundo especialistas.
Indústria cinematográfica processa internautas
31 de março de 2010 às 22:05 | Comentar“O compartilhamento de arquivos online – chamado pela indústria de pirataria – recebeu dois duros golpes, que revelam as diferentes estratégias adotadas pelo grandes estúdios e por produtores independentes. Enquanto as empresas maiores têm buscado atacar os sites de BitTorrent , como o Pirate Bay e o Mininova , os independentes optaram por buscar reparação com o internauta comum”.
O esplendor racionalista
31 de março de 2010 às 21:21 | 1 Comentário
Por Orlando Margarido
Carta Capital
Em coletânea de ensaios, Giulio Carlo Argan evidencia a arte como um meio para a crítica
Se a Giulio Carlo Argan não interessava tanto a arte quanto a crítica a respeito dela, é legítimo que alguns condicionem uma visão artística não a escritos quaisquer, mas aos do pensador italiano, corroborando assim o ponto de vista. O contexto parece ser exemplar no caso de Bruno Contardi, discípulo dedicado ao mestre, cujo empenho pode ser medido, entre outras iniciativas, pela organização de uma volumosa coletânea com ensaios do historiador pela Companhia das Letras. Publicada em 1983, A Arte Moderna na Europa – De Hogarth a Picasso (808 págs., R$ 89) conjuga 40 textos elaborados a partir dos anos 40 até a data-limite do lançamento, arco temporal que propicia estreita ligação a outros trabalhos de Argan. Porque, se há independência na produção enfeixada no livro, no que concerne ao destino primeiro de publicações especializadas ou no ensino na sala de aula da universidade, é possível constatar, contudo, o vínculo dos estudos ao pensamento maior e às características fundamentais da herança intelectual arganiana.
Esmeralda valiosa
31 de março de 2010 às 20:51 | ComentarDe Sérgio Vilar, em seu blog Diário do Tempo
“Notícia bacana. Soube agora há pouco que o livro Esmeralda: Crime no Santuário do Lima, do escritor François Silvestre, esgotou e é o mais vendido na Livraria Siciliano. O tempos de culto à superficialidade dos códigos da vinci, da busca insana pelos livros de auto-ajuda ou de lançamentos literários aos montes e tão pomposos, a notícia soa como alento. A procura pelo livro de François provoca questionamentos. Primeiro, se vale a pena entregar 30 ou 40% da venda do livro à livraria, na noite de lançamento. Se é preciso a festança literária para alavancar a venda do livro ou criar mídia espontânea. E se há realmente prestígio à literatura potiguar e não fingimento intelectual tão notório nos lançamentos literários”.
Paixão
31 de março de 2010 às 20:18 | 1 ComentárioPor Jarbas Martins
Nina Rizzi, te amo. A partir de hoje não usarei o teu doce nome em vão. Poucos me verão no bulício das livrarias e dos sebos, participando de reuniões, encontros e lançamentos de livros, coisas para mim, a partir de agora, sem nenhuma finalidade. Me recolherei a minhas atividades cotidianas, aproveitando ao máximo o tempo para pensar em tua imagem de anjo terrível. Escreverei 74 sonetos, à maneira de Dante Alighieri, dedicados a você. Já tenho o título para a minha via-crúcis de sonetos: NINA NIN. Escolhi os locais para te cultuar e escrever meus sonetos: o solo sagrado de Angicos e o bairro de Moema, em minha Paulicéia Desvairada. Farei breves incursões pelo interior paulistano, Ribeirão Preto, Campinas e arredores onde teus alados e divinos pés pisaram.
Beijos, a-mor, do teu bardo angicano,
Chomsky e o golpe de 1964 no Brasil
31 de março de 2010 às 18:12 | Comentar
“Ao receber o prêmio Erich Fromm 2010, no último dia 23 de março, em Stuttgart, na Alemanha, Noam Chomsky procedeu à leitura de seu discurso “The evil scourge of terrorism”: Reality, construction, remedy” (O perverso flagelo do terrorismo: Realidade, construção e remédio).
Em vigorosa explanação, ele detalha o mecanismo do terrorismo atual, a partir e após o governo Reagan, vasculhando também nos governos Eisenhower e Kennedy.
Os golpes, invasões, as mazelas da CIA e inteligência militar usadas contra Cuba, Nicarágua, El Salvador, Líbia, Irã, Afeganistão,Teologia da Libertação, Argentina, Chile, Brasil, são expostos como partes da estratégia e campanha dos governos norte americanos de deter a conscientização dos povos para a libertação do seu domínio. Campanha esta que teria terminado somente alguns dias depois da queda do muro de Berlim, em 1989, com o assassinato de jesuítas em El Salvador”.
Ford impressiona. Antonioni emociona
31 de março de 2010 às 17:47 | 2 Comentários
Concordo com Marcos sobre a imagem vinculada ao post de Monteiro. É um poema. O plano emoldura a cena do personagem e, enchendo os nossos olhos, projeta-nos no infinito desertificado do homem e da vida no Oeste americano. Do homem e da vida de qualquer parte do mundo. Até de nosso Sertão nordestino esturricado.
Por falar nessa cena, digo que é de emocionar o comentário de Caetano Veloso (no documentário “Coração Vagabundo”) acerca de uma cena de um dos grandes filmes de Michelangelo Antonioni: “Profissão: Repórter”. Uma cena em que a câmera ultrapassa grades (ninguém sabe como se fez aquilo. Você sabe, Monteiro?) e chega ao ambiente externo. Há, talvez, alguma semelhança com a cena de Ford.
E o que segue no documentário sobre Caetano Veloso é mais emocionante, ainda: o grande Antonioni (já nos seus derradeiros dias) assistindo e ouvindo, silente e compenetrado (a imagem estava num lap top que lhe levaram), uma interpretação de Caetano, tendo como fundo a própria cena de “Profissão: Repórter”.
Foi Caetano Veloso quem escreveu essa canção abaixo (que se chama, simplesmente, “Michelangelo Antonioni”):
Visione del silenzio
Angolo vuoto
Pagina senza parole
Una lettera scritta
Sopra un viso
Di pietra e vapore
Amore
Inutile finestra
“Vi uma foto de Anna…” disputa Portugal Telecom
31 de março de 2010 às 16:45 | ComentarA oitava edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura divulgou a lista de livros inscritos em seu site. A premiação contempla livros escritos em língua portuguesa com primeira edição no Brasil publicada entre 1.º de janeiro e 31 de dezembro de 2009, com primeira edição no exterior entre 1.º de janeiro de 2006 e 31 de dezembro de 2009, desde que tenham sido editados no Brasil em 2009. O prêmio conta com as seguintes categorias: romance, conto, crônica, poesia, dramaturgia e autobiografia.
Entre os inscritos estão “Vi uma foto de Anna Akhmatova”, de Fernando Monteiro (leia o livro em nossa ESTANTE), “O cangaço na poesia brasileira”, de Carlos Newton Jr., “A Cidade Ilhada”, de Milton Hatoum, “Antes de Nascer o Mundo”, de Mia Couto, “A minha alma é irmã de Deus”, de Raimundo Carrero e “Caim”, de José Saramago. A poeta potiguar Jania Souza também concorre, com o livro “Fórum íntimo”.
O júri tem até o dia 26 de abril para votar e indicar 50 candidatos na disputa. No dia 31 de agosto serão escolhidos dez finalistas. Os vencedores serão anunciados em 8 de novembro. O primeiro colocado receberá R$ 100 mil.
John Ford extrapola
31 de março de 2010 às 15:46 | ComentarAmigos e amigas:
O plano de “Rastros de ódio” reproduzido hoje no SP é uma imagem mais que especial: o escuro que se projeta para a sala onde assistimos ao filme, a claridade que expõe o filme. Depois disso, Ford poderia aposentar porque já tinha chegado ao máximo do máximo.
Abraços a todos e todas:
1964 – O Golpe Civil
31 de março de 2010 às 15:24 | Comentar
“Para quem tinha dúvidas, vou reproduzir aqui alguns trechos da edição de 10 de abril de 1964 da revista O Cruzeiro, agora digitalizada (a jóia me foi repassada por Clovis Heberle, por e-mail). É simples: o golpe de 1964 foi civil. Foi comandado por civis, assumido publicamente pelos civis, justificado em tudo, repressão, prisões, perseguições, cassações, pelos civis. Os militares entraram como braço armado do golpe que eles, civis, promoveram”.
Repórter é agredido por militantes do PSB
31 de março de 2010 às 15:07 | ComentarNossa irrestrita solidariedade ao repórter Fábio Farias, do Novo Jornal e da revista Catorze, agredido com socos e verbalmente por militantes do PSB, quando realizava o seu trabalho ontem à noite. Vamos aguardar as providências da justiça. Acredito qua o Sindicato dos Jornalistas deverá se manfestar sobre o lamentável episódio. Os dirigentes do PSB também devem ser cobrados. A campanha nem começou direito e já temos ocorrências desse tipo, imagine quando a coisa começar pra valer. No link abaixo, o repórter conta como tudo aconteceu.
Língua, conhecimento e crítica
31 de março de 2010 às 14:44 | ComentarPor Luís Carlos Lopes (*)
Com exceção das elites mais cultas e politizadas, os jovens que já ‘estudaram’ em escolas fortemente atingidas pela força dos meios de comunicação do tempo presente tendem a pensar o mundo com muitas imagens e poucas letras, pior ainda, com pouquíssimas idéias.
A Vós néscios …
31 de março de 2010 às 14:37 | ComentarPor Jota Eme
A vós néscios que de cu e arte não entende nada
Pedro tirou do cu o Rosário Fez da arte um comício Inda quer ganhar dinheiro Com tamanho estrupício
Seu cu virou santuário Culpou a Deus e o Nu Não escapou jesuíta Que fez do índio tabu
Na cidade só se fala No forebus do Rapaz Em Berlim vai morar E faz tudo pela paz
O terço tem seu mistérios Gozosos e luminosas Do botão saindo contas rosários-rubras e rosas
Doloroso deve ser Fazer do cu tanta arte e do forebus missão Quero dar meu parecer
Se é arte eu não sei quem faz do cu santuário de onde sai tanta merda não entende é um otário
PS sobre Scorcese
31 de março de 2010 às 11:32 | ComentarAlém do que, POR FAVOR, algum americano da CIA (ou do FBI) talhado no grosso etc, dê um jeito de impedir MS de escalar Leonardo di Caprio, mais uma vez, para o próximo “Scorcese”…
Ninguém aguenta mais o jovem ator com cara de boneco de baquelite (se é que alguém ainda sabe o que é isso).
Onde estiveram John Ford, Howard Hawks…
31 de março de 2010 às 11:31 | 2 Comentários
Cena de “Rastros de Ódio”, de John Ford
Bem, minha gente, na minha modesta opinião, esse rapaz, o Martin Scorcese, é um falso “grande” cineasta.
Toda a sua suposta Obra Magna (?) é caudatária dos mestres (americanos e estrangeiros) que ele admira – eu reconheço – com devoto e franciscano fervor, até porque eles lhe servem na hora de realizar as suas próprias películas interessantes, boas (“Touro Indomável” – visivelmente inspirado na obra-prima “Punhos de Campeão”, de Robert Wise), animadas de certo frenesi (“Os Bons Companheiros”) ou de quase alguma originalidade (“Taxi Driver”) – com o que acabo de citar os três filmes de MS que eu admiro.
O resto, não.
E esse novo, “A Ilha do Medo”, é um dos “Scorceses” (mas, ele é um AUTOR, para se falar em “Scorceses”??) mais fracos e desinspirados dos últimos anos, com a sua carga de psicologismo barato bem arrumada (também reconheço) atrás de uma narrativa eficiente e bom clima, conforme é de praxe nos trabalhos desse diretor que não pode aspirar à grande estatura alguma, LÁ onde estiveram John Ford, Howard Hawks, Orson Welles, George Stevens, Anthony Mann, John Huston, Samuel Fuller, Nicholas Ray, William Wyler, John Cassavetes, Delmer Daves e outros (para citar só cineastas americanos – que “ninguém é perfeito” – de nascimento & batismo sob a bandeira de estrelas manchadas de sangue)…
Ainda sobre Ilha do Medo
31 de março de 2010 às 9:45 | Comentar
Tácito,
mesmo concordando com a crítica do Sotero, não achei Ilha do Medo um filme tão estelar assim. Sim, é uma grande homenagem a Hitchcock e ao cinema de suspense em geral, mas assim como todo “tributo” é previsível. Na metade do filme um espectador atento mata o “segredo” da historia. E, posso estar enganado, mas penso que um bom twist nos momentos finais do roteiro é essencial para sustentar um bom filme de suspense (assim como são a ambientação do filme, os “sustos” no meio do caminho, bons personagens, etc, vocês sabem o resto). Sobre o final, concordo com a sua amiga. Isso fica evidente na fala final do personagem, na qual ele faz referência a “morrer como um homem bom” ou algo assim e no plano final do filme: o farol onde se realizam as tais lobotomias. Logo, é de se supor que o detetive, tendo consciencia de que nunca ficaria livre dos seus traumas, prefere acabar com tudo de vez, ainda que isso implique tomar o caminho mais extremo.
Apesar de não ter gostado tanto do filme, Ilha do Medo ainda se sobressai como um dos melhores Scorceses da safra recente, bem a frente de filmes fracos como Gangues de NY ou O Aviador, mas ainda atrás de Os Infiltrados.
Sobre 1964 e o dia da mentira
31 de março de 2010 às 9:41 | ComentarAmigos e amigas:
Recebi texto de Caio Navarro Toledo (um dos principais estudiosos da ditadura de 1964 e de seus desdobramentos), que repasso:
xxxxx
Uma infausta data: 46 ANOS DEPOIS
Caio Navarro de Toledo
(Àquele/as que partiram sem poder dizer adeus)
Há 46 anos – na data em que o imaginário popular consagra como o “dia da mentira” – era rompida a legalidade democrática instituída no país com a Constituição de 1946. Nestes dias, apenas os falcões da ultradireita brasileira talvez se atreverão a lembrar ou comemorar publicamente o 1º. de abril de 1964; civis e militares que o fizerem, em bizarros cenários, serão uma inexpressiva minoria. Hoje, a quase totalidade das entidades que conspirou, apoiou e promoveu a derrubada do governo democrático de João Goulart (1961-1964), não festejará o golpe civil-militar de 1964. A este respeito, tome-se o exemplo dos grandes meios de comunicação; nesta semana, ao contrário do que fizeram durante quase duas décadas, deixarão eles de publicar editoriais e artigos que exaltarão as “realizações” do regime militar. (*) A explicação é uma só: no Brasil contemporâneo, todos se afirmam “amigos” ou amantes da democracia…
Diante da recorrente questão “Golpe” ou “Revolução”, deveríamos lembrar as palavras de um ativo protagonista do movimento de abril. Em celebrado depoimento (1981), Ernesto Geisel declarou: “o que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções se fazem por uma ideia, em favor de uma doutrina”. Para o vitorioso de 1964, o movimento se fez “contra Goulart”, “contra a corrupção”, “contra a baderna e a anarquia que destruíam o país”.
As palavras do militar golpista – pertinentes, pois rejeitam a noção de “Revolução” para caracterizar o 1º. de abril de 1964 –, no entanto, podem ser objeto de uma outra leitura. Neste sentido, é possível – a partir de uma outra perspectiva teórica – ressignificar todos os “contras” presentes no depoimento do ex-ditador. Mais correto é então afirmar que 1964 representou: (a) um golpe contra a incipiente democracia política brasileira; (b) um movimento contra as reformas sociais e políticas e (c) uma ação repressiva contra a politização dos trabalhadores e o promissor debate de idéias que, de norte a sul, ocorria do país.
Em síntese, no pré-1964, as classes dominantes e seus aparelhos ideológicos e repressivos – diante das iniciativas e reivindicações dos trabalhadores no campo e na cidade e de setores das camadas médias – apenas vislumbravam “crise de autoridade”, “subversão da lei e da ordem”, “quebra da disciplina e hierarquia” dentro das Forças Armadas e a “comunização” do país que, no limite, implicariam a “dissolução da pátria e da família” e o “fim propriedade privada”. Embora, por vezes, expressas numa retórica “radical” – reformas na “lei ou na marra”, “forca aos gorilas!” etc. –, as demandas por reformas sociais e as consignas políticas da época visavam, fundamentalmente, o alargamento da democracia política e a realização de mudanças no capitalismo brasileiro.
Contra algumas formulações “revisionistas” – presentes no atual debate político e ideológico (inclusive nos campos da literatura política e historiografia progressistas) – que insinuam “tendências golpistas” por parte do governo Goulart, deve-se enfatizar que quem planejou, articulou e desencadeou o golpe contra a democracia política foi a alta hierarquia das Forças Armadas, incentivada e respaldada pelo empresariado (industrial, rural, financeiro e investidores estrangeiros) bem como por setores das classe médias brasileiras (as chamadas “vivandeiras de quartel”). Sabe-se que desde 1961 – bem antes da chamada “agitação” ou “subversão” das esquerdas” –, alguns desses setores começaram a se organizar para inviabilizar o governo Goulart; a mobilização pelas reformas sociais e políticas – apoiada pelo executivo – incentivou a conspiração e amadureceu a decisão dos golpistas de decretar o fim do regime democrático de 1946.
Destruindo as organizações políticas e reprimindo os movimentos sociais de esquerda e progressistas, o golpe foi saudado pelas associações representativas do conjunto das classes dominantes, pela alta cúpula da Igreja católica, pelos grandes meios de comunicação etc. como uma autêntica “Revolução redentora”. Por sua vez, a administração norte-americana de Lyndon Johnson (1963-1969) – que deixou de concretizar o apoio material aos golpistas, como está comprovado documentalmente –, congratulou-se com os militares e civis brasileiros pela rapidez e eficácia da “ação revolucionária”. Para alívio do Pentágono, da CIA, da Embaixada norte-americana etc, uma grandiosa e “nova Cuba” ao sul do Equador tinha sido evitada!
Embora tivesse uma simpática acolhida junto aos trabalhadores, às classes médias baixas e aos meios sindicais, o governo João Goulart ruiu como um “castelo de areia”. Dois de seus principais pilares de apoio – como apregoavam os setores nacionalistas – mostraram ser autênticas “peças de ficção”. De um lado, o propalado “dispositivo militar” que seria comandado pelos chamados “generais do povo”; de outro, o chamado “quarto poder” que estaria representado pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). A rigor, ambos assistiram – sem qualquer reação significativa ou eficaz – a queda inglória de um governo a quem juravam fidelidade; inclusive, diziam os mais “radicais”, com o preço da própria vida.
Desorganizadas e fragmentadas, as entidades progressistas e de esquerda – muitas delas subordinadas ou tuteladas pelo governo Goulart – não ofereceram qualquer resistência à ação dos militares. Sabe-se que, às vésperas de abril, algumas lideranças de esquerda afirmavam que os golpistas, caso atrevessem quebrar a ordem constitucional, teriam as “cabeças cortadas”. Mostraram os duros fatos que se tratava de uma cortante metáfora. Com a ação dos “vitoriosos de abril”, a retórica, no entanto, tornou-se uma aguda e cruel realidade para muitos homens e mulheres durante os longos e sombrios 20 anos da ditadura militar.
46 anos depois, nada há, pois, a comemorar. O golpe de 1964 foi um infausto acontecimento pois teve conseqüências perversas e nefastas no processo de desenvolvimento econômico, político e cultural do Brasil – que ainda se refletem nos tempos presentes. Decorridos 46 anos do golpe, o conjunto da sociedade brasileira repudia a data, mas os progressistas e socialistas não podem se satisfazer com a derrota sofrida pelos golpistas no plano ideológico. Se os valores da democracia atualmente são diuturnamente exaltado no debate político e cultural, os progressistas e os socialistas não podem se calar diante do fato de que o regime democrático vigente nos pós-1985 ainda não fez plena justiça às vítimas da ditadura militar e ainda todos aguardamos que a verdade sobre os fatos ocorridos entre 1964 e 1985 seja plenamente conhecida. Sendo o “direito à justiça” e o “direito à verdade” condições e dimensões relevantes de um regime democrático, não se pode senão concluir que a democracia política no Brasil contemporâneo não é ainda uma realidade sólida e consistente.
(*) Após a combativa e intensa campanha que sofreu dos setores democráticos e progressistas, por ter utilizado, em editorial no ano anterior, a noção de “ditabranda”, acredito que a Folha de S. Paulo não mais ousará praticar o estelionato semântico que visou atenuar os efeitos da ditadura militar pós-1964.
xxxxx
Abraços a todos e todas:
Sobre as vozes do espanto
30 de março de 2010 às 19:01 | ComentarPor Muniz Sodré
Observatório da Imprensa
A propósito do amplo espaço concedido pela mídia ao julgamento dos Nardoni em São Paulo, vale a pena chamar a atenção para um aspecto particular da cobertura: a ausência de escuta das vozes favoráveis ao casal de acusados. É claro que a defesa dos réus fará valer todos os recursos jurídicos nesse sentido, além daqueles de que já lançou mão para procrastinar o julgamento. Mas não se trata aqui do fato legal, e sim, do jornalístico.
O Iraque, triturado entre EUA e Irã
30 de março de 2010 às 18:42 | ComentarPor Pepe Escobar, no Asia Times Online
Publicado no Vi o Mundo
Mais de sete anos depois de os EUA terem invadido o Iraque para levar “democracia” ao país, os neoconservadores que inspiraram o projeto podem pelo menos experimentar o prazer perverso de assistir à vitória do sectarismo, nas eleições de março, no Iraque, ao mesmo tempo em que assistem a duas derrotas: do ex-primeiro-ministro e aliado da CIA Iyad Allawi, e do atual primeiro-ministro e aliado do Irã Nuri al-Maliki.
Masoquismo hoje
30 de março de 2010 às 18:15 | ComentarPor Marcia Tiburi
Revista Cult
O livro Sacher-Masoch, de Gilles Deleuze, faz pensar no esquecimento de um grande escritor e nos clichês da nossa cultura
A expressão “sadomasoquismo” é uma das tantas que migram do ambiente especializado das ciências humanas ou sociais para o senso comum cotidiano. Composta de dois conceitos opostos, no campo das ciências mentais e psicológicas a construção do termo sadismo-masoquismo nasce com Freud, mas depende das primeiras formulações de Krafft-Ebing e Havelock Ellis que ainda separavam os termos sadismo e masoquismo, ainda que tenham percebido ser possível relacioná-los. Ao referir-se ao sadismo e ao masoquismo, Freud é praticamente dialético: o sádico é um masoquista, o masoquista é um sádico. Ainda que prevaleça um ou outro dos caracteres na expressão pessoal de cada indivíduo, são estruturas mais do que complementares. São íntimas.







