
Por Zé Geraldo Couto
FSP
Não é de hoje que suspiramos de inveja do cinema argentino. Há quase dez anos o crítico Jean-Claude Bernardet já dizia: os argentinos estão nos dando um banho em matéria de cinema.
Itaú lança editais culturais
3 de março de 2010 às 22:09 | Comentar“Dialogar, dialogar, dialogar. O programa Rumos Itaú Cultural 2010 reforça a necessidade de manter uma rede de intercâmbios artísticos no país, com a articulação de grupos de diferentes regiões brasileiras. Durante a coletiva de imprensa para divulgação dos editais de Música, Literatura, Pesquisa Acadêmica e Teatro (este último, inédito), a expressão “dialogar” marcou a fala dos quatro representantes de cada edital”.
Os melhores cartazes do cinema, por Martin Scorsese
3 de março de 2010 às 19:04 | Comentar
A revista “GQ” deste mês publicou um artigo do cineasta Martin Scorsese sobre a importância dos cartazes dos filmes. Para o diretor de “Taxi driver” e “A ilha do medo”, “os cartazes são o DNA de sua era”: “Você olha para eles e, ou você se lembra de como era viver naquela época, ou imagina como ela deve ter sido”.
No texto, extraído do livro “Starstruck: Vintage Movie Posters from Classic Hollywood”, Scorsese cita dez de seus cartazes favoritos.
Disco inédito de Hendrix pode ser ouvido na internet
3 de março de 2010 às 18:38 | Comentar
“Valleys of Neptune”, disco inédito de Jimi Hendrix que deve ser lançado nos EUA na próxima terça-feira (9), já pode ser ouvido em streaming on-line no site I Heart Radio. O álbum traz gravações de estúdio que datam de 1969, o ano anterior à morte de Hendrix, aos 27 anos de idade, em Londres.
“Meu irmão Jimi se sentia em casa no estúdio”, disse Janie Hendrix, diretora da empresa familiar Experience Hendrix LCC, criada para proteger um legado avaliado em dezenas de milhões de dólares, à Reuters em janeiro deste ano.
“Valleys of Neptune” terá várias canções que já são conhecidas dos fãs mais inveterados do guitarrista graças a gravações pirateadas, mas também haverá mais de 60 minutos de música de Hendrix até agora inédita.
O disco inclui covers dos clássicos “Bleeding heart”, de Elmore James, e “Sunshine of your love”, do Cream, além de versões de composições originais de Hendrix como “Ships passing through the night” e “Lullaby for the summer”. (G1)
O fim da ditadura
3 de março de 2010 às 18:07 | ComentarFrancisco de Oliveira (*)
Estadão
Debacle do Democratas, herdeiro da Arena, encerra de fato o regime que formalmente acabara em 85
O desmoronamento do Democratas com os escândalos do Arrudagate e do quase já consolidado desmascaramento do Kassabgate assinala, felizmente, o ponto final da ditadura civil-militar que formalmente durou até 1985. Como se sabe, o Democratas se originou no bipartidismo imposto pela ditadura, quando Castelo Branco extinguiu os partidos pré-64 e enfiou todos na Arena e no MDB. Na reforma partidária de 1978, o MDB transformou-se em PMDB e a Arena em PFL. Sucessivas operações plásticas o fizeram chegar à atual denominação, que nem sequer guarda o nome de “partido”. A diferença entre o sucesso da transformação, no caso do MDB, e o fiasco da Arena é que o segundo não passava de um fantoche da ditadura, enquanto o MDB respondia aos anseios e à vontade política da maior parte da cidadania para sair da “camisa de força” ditatorial. Já em 1980, o PMDB transformado abria a porta para que sua ala esquerda criasse o PT e sua ala social-democrata evoluísse para o PSDB. Partidos menores também puderam ajustar-se ao novo sistema político-partidário.
Vozes que não se deixam morrer
3 de março de 2010 às 17:45 | ComentarFrancisco Foot Hardman (*)
Estadão
Nos antigos porões da repressão argentina, hoje espaços de memória, desaparecidos insistem em voltar
Quando pensamos na história de Francisco Madariaga Quintela, bebê sequestrado por militares argentinos durante a ditadura naquele país, o 101º identificado entre os prováveis 500 ainda por serem, graças ao trabalho das Avós da Praça de Maio; Francisco, que acabou de conhecer seu pai 32 anos depois de ter nascido (a mãe foi morta logo após o parto, como em geral ocorria com as prisioneiras grávidas no centro clandestino de detenção e extermínio do Campo de Mayo, controlado pelo Exército), persiste a dúvida: o que é mais fácil de esquecer, um rosto ou um nome?
El corazón convulso de Pablo Neruda
3 de março de 2010 às 17:28 | Comentar“Era volcánico en los versos y en los amores. Tras la muerte de Vicente Huidobro, se acabó la rabia. Serenado ya el ánimo, fue atravesando cuerpos de mujer y recibiendo honores con gorra de marino y blazer azul con botones de ancla”.
A inglesa e o espírito do mal
3 de março de 2010 às 17:19 | Comentar
Por Antonio Gonçalves Filho
Estadão
Hilary Mantel, premiada com o Man Booker Prize, fala de Além da Escuridão, livro sobre uma médium
Vencedora do Man Booker Prize 2009, o prestigiado prêmio literário inglês que já destacou autores como Ian McEwan e J. M. Coetzee, a escritora inglesa Hilary Mantel é conhecida no Brasil por um volumoso romance histórico sobre a Revolução Francesa, A Sombra da Guilhotina, lançado pela Record no ano passado. Ela está de volta este ano não com o livro que ganhou o Booker Prize, Wolf Hall, mas com um outro romance para o qual teve de aprender tarô e que a obrigou a buscar no próprio passado a memória de uma terrível experiência de infância quando, aos 7 anos, viu o demônio no jardim de sua casa.
Sobre esse incidente e seu livro, Além da Escuridão (Bertrand Brasil, 420 páginas, R$ 45), Hilary Mantel falou ao Estado, por telefone, de sua casa em Londres. O livro, uma obra-prima de humor negro, conta o ajuste de contas de uma clarividente de meia-idade com seu passado. Alison e sua assistente Colette fazem da mediunidade um show de espiritualidade em pequenas cidades do interior da Inglaterra, sempre seguidas de perto pelo espírito de um canalha chamado Morris.
O baixo espírito tem algo da enigmática figura que Hilary Mantel viu na infância – com a desvantagem de não aparecer sozinho, mas vir acompanhado de uma legião de almas perdidas dispostas a cruzar o caminho da infeliz Alison justamente quando esta faz o balanço de sua vida. Este é o nono romance da autora, que precedeu o lançamento do premiado Wolf Hall em 2009.
O Bode do Sampaio
3 de março de 2010 às 15:16 | ComentarMeus Caros,
Tive a grande alegria de conhecer o Sérgio Sampaio. Gosto muito dos seus discos e tenho todos desde os primeiros compactos. No projeto da Patuléia Filmes gostaria de cantar o Velho Bode, uma composição arrebatadora que canto sempre em noites de lua só para ouvir os cães ganirem.
Velho Bode / Sérgio Sampaio
Bode…
Eu não quero esse bode
Esse bode é igual
Aquele Carnaval
Que eu passei sem você
Vê se pode…
Sustentar esse acorde
Acordar pra saber
Pra me reconhecer
No minuto final
Você foi um sucesso
Na minha vida
O meu lado do avesso
O começo da minha vertigem
A origem do meu velho nó
Você é um fracasso
Do meu lado esquerdo do peito
Uma corda de nylon de aço
Que arrebenta quando eu faço nó
Machezas de escritor
3 de março de 2010 às 14:50 | Comentar
Por Marcelo Coelho
FSP
Autores famosos, como Hemingway, puseram em prática a tese do quanto menos, melhor
ENTÃO VOCÊ quer escrever um livro? Ficção, provavelmente? Não é ruim procurar conselhos de quem tem experiência no assunto.
O jornal inglês “The Guardian” resolveu pedir a vários escritores uma lista com dez recomendações básicas para quem quiser se aventurar na profissão. Digite “guardian ten rules” no Google e autores como Elmore Leonard, P.D. James, Roddy Doyle, Zadie Smith e Colm Tóibin estarão respondendo à enquete.
Esse gênero de aconselhamento não é novo. Existem pessoas que sempre releem as “Cartas a um Jovem Poeta”, de Rainer Maria Rilke (foto), à procura de alguma coisa que tenha passado despercebida na leitura anterior. Mas o livro de Rilke ajuda mais quem quer conhecer Rilke do que quem pretende ser poeta.
Um poema de Zohra Saed
3 de março de 2010 às 14:25 | ComentarUm poema de Zohra Saed
(excerto de “Drop by drop we make a river: a collection of Afghan writings from 1978-2001”)
Um sonho espiralando dentro de uma fita-cassete desbotada…
Eu sou a escrava da Lua, sem ela sou nada.
1974, Cabul
Ele cantava para meninas de rostos roliços e luminosos desfalecendo.
Meninos carregam rádios portáteis para gravar cada concerto.
Então, para impressionar as meninas de olhos compridos e negros,
eles tocam suas fitas nos parques por perto.
Meus pais podem ter se conhecido assim.
A voz de Ahmad Azhir embrulhando dois corpos jovens com uma fita,
enquanto ao fundo minha mãe é repreendida pela mãe dela.
Mas isto é só um capricho dentro de uma canção…
A mãe também pode ter sido um cisne.
Olhos tão negros drenam a manhã de sua luz.
Ele primeiro sentia a beleza dela na medula dos ossos dele.
O pai nos conta isto enquanto ela se deixa levar para fora da sala
e o volume da saia faz com que redemoinhos de ar rocem nossa pele.
Ele muda o nome dela para o de uma flor com um rosto incandescente
e veias finas do verde mais pálido. Uma flor como a Lua.
O casamento da mãe e do pai foi arranjado pelas anciãs.
Mas houve um tempo antes disto: quando era uma menininha
com fitas brilhantes tremulando na ponta das tranças,
ela escalou muros para entregar cartas de amor às meninas
por quem ele tinha uma queda.
Anos mais tarde, eles estavam comprometidos e recitando poemas de amor
numa cidade que flutuava no perfume das laranjeiras.
O encontro de escritores que a funcarte não fará
3 de março de 2010 às 11:06 | ComentarPor Flávia Assaf
não sei se vcs já têm, mas vejam só que texto engraçado sobre o encontro de escritores que a funcarte não fará: http://www.patriciojr.com.br/cronica-dene-desencontro-natalense-de-escritores/
Por Madame Cabaret
www.madamecabaret.blogspot.com
A indústria do rabisco confecciona a arte.
Já estou acostumada a ver cabeças reclinadas sobre o balcão do cabaret.
Uns culpam o vinho, outros a solidão. Há vários motivos que levam um homem às doses que afugentam a sobriedade e os inspiram a um discurso incompreensível, de idéias tortas.
Os Diários de Brennand
3 de março de 2010 às 9:58 | ComentarHá alguns anos atrás, estive, juntamente com minha mulher e meus filhos, no Ateliê de Francisco Brennand, na querida e (desculpem-me os pernambucanos) alquebrada cidade do Recife. Naquela viagem, havíamos nos proposto conhecer, também, o castelo do primo, Ricardo. E assim fizemos. Se me recordo bem, os dois lugares ficam no mesmo bairro ou em bairros próximos. A visita que fizemos ao castelo medieval incrustado na velha Recife de muitas histórias me deleitou. Não pela edificação, que considerei um pouco extravagante (não necessariamente kitsch, porém extravagante e, de certa forma, artificial) e fora de nossa realidade contemporânea, lembrando um parque temático feito para atrair turistas e curiosos. Deliciei-me mais pela enorme e rica área verde, pelos objetos (adorei a coleção de armas brancas e armaduras) e pela enorme biblioteca, que não pude ver por dentro (estava em reforma), mas que ficou pululando em minha imaginação.
Entrevista com Milton Hatoum
3 de março de 2010 às 9:57 | Comentar
“A literatura não dá respostas, ela expõe questões, problematiza, faz perguntas a partir de conflitos, de situações que envolvem tragédias e dramas humanos, mas o faz de maneira oblíqua, mediada”.
O poder global
3 de março de 2010 às 9:43 | Comentar“Mudanças no poder global, potenciais ou em andamento, são um tema pulsante entre articuladores políticos e observadores. Uma questão é se (ou quando) a China poderia destronar os Estados Unidos como protagonista global dominante, talvez juntamente com a Índia”. Noam Chomsky
A leitura das pesquisas, por Marcos Coimbra
3 de março de 2010 às 9:34 | Comentar“Com dois meses de atraso, o Datafolha confirma os cenários antecipados pelas pesquisas Vox Populi e Sensus de janeiro. Com isso demonstra que os dois institutos assumiram o papel relevante que o próprio Datafolha tinha nos anos 80, quando era o único contraponto às pesquisas do IBOPE”.
O menino Robinho
3 de março de 2010 às 8:13 | ComentarEstadium lotado
O menino dança
Num verde-azulejo.
Espaço-mínimo para tanto
Feitiço por sobre a pelota
Que magnetizada
Fica Parada.
Robinho bicicleteia
Uma, duas, três vezes.
O adversário fica paralisado
E mais um drible com as pernas
Trançadas que assina um poema
Com o encanto da eternidade
Daquilo que um outro jogador
De canetas-tortas.
Mostrou para o mundo.
Num baile mágico.
O menino brinca
Escapa
Foge por uma fresta
Margeando um traçado branco
E de calcanhar
Dá um mais um passe
Que termina no fundo da rede
A Brennand o que é… do Brennnand
3 de março de 2010 às 8:12 | ComentarCaro Fernando,
Escrevo e dou fé que os Brennand são geniais. Só um país como nosso para tamanha disparidade e injustiça. Conheço relativamente bem o trabalho deles e tenho. Não tenho cerimônia de dizer: orgulho de tamanhos engenhos e arte. E aqui… , Pensem! Parede-meia com a gente. Maravilhosos.
E os babacas vão para a Disney e não conhecem os artistas brasileiros. E os babacas pensam que só no sul é que se faz arte. Artista nordestino não tem valor de mercado lá no sul-maravilha. Só alguns poucos que migraram para além do equador.
Que venham logo essas memórias que espero bem sacanas e suculentas para encher as ventas e veias. Estamos num momento da história cultural de valorização das biografias. O Brennand tem muito o que dizer e ensinar.
Está feito a minha assinatura de leitor das memórias. Mas também quero em papel para levar para o banheiro e guardar na biblioteca.

