2018: O Ano em que Não Vai Ter Copa

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Em 2014, a frase mais dita, escrita, ouvida e lida antes da Copa do Mundo realizada no Brasil era “Não vai ter Copa”, em protesto aos atrasos e suspeitas de superfaturamento nas obras que envolviam as exigências da Fifa e poder público em todas as esferas. No entanto, o “Não vai ter Copa” não vingou e o clima comum às vésperas de copas anteriores contagiou também àquela realizada aqui.

Por pouco mais de trinta dias, o torcedor comum e os torcedores politizados se uniram aos torcedores sazonais para vibrar com o time da CBF durante os jogos, até o fatídico, histórico e vexatório 7 a 1, nas semifinais contra a Alemanha. Do jogo contra a Holanda, em disputa pelo terceiro lugar, ninguém se lembra. A derrota de então tomava proporções ínfimas diante da vergonha passada no Mineirão dias antes.

Agora, há pouco mais de vinte dias da Copa de 2018, na longínqua e singular Rússia, ninguém tem falado na hashtag “Não vai ter copa”. Entretanto, o clima grita em nossa cara brasileira a todo instante, em letras garrafais: NÃO VAI TER COPA.

Escândalos políticos (inclusive na própria CBF), insegurança, ameaças subliminares de intervenção militar, mandos e desmandos da justiça nacional, descaso, a inevitável associação entre a camisa da CBF e os protestos políticos que se diziam apartidários, mas que eram orquestrados por “forças obscuras”, um presidente não-eleito, a crise econômica que afeta a classe média, os pobres e os mais pobres ainda, o caos em que nos metemos neste último ano, enfim, são muitas as razões que nos permitem dizer: “Não vai ter Copa”.

Não há ruas pintadas, as camisas da CBF rarearam, os comércios varejistas não estão transbordando em verde e amarelo, as propagandas de TV com astros do time da CBF se restringem a praticamente dois personagens: Neymar, que é amado por muitos e odiado por muitos mais, e o messiânico – essa mistura de Zaratustra com Odorico Paraguaçu – Tite, alçado à categoria de rei da autoajuda por parte da imprensa e da publicidade nacional.

É possível que, com o passar dos dias, com um possível bom desempenho dos comandados de Tite, com a provocação de emoções de que só o esporte é capaz, os torcedores brasileiros voltem a se unir, o time dos “anti”, que tanto cresceu nos últimos tempos, se una aos sazonais e todos passem a entoar os gritos de “Brasil, Brasil” e a cantar o hino nacional com a mão no peito ao fim da Copa, afinal o futebol é capaz de grandes mobilizações e nós brasileiros adoramos ganhar, acima de qualquer coisa.

Mas, por enquanto, neste ano não vai ter Copa.

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