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5 escritores potiguares para se ler sem se apaixonar

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Instigado pela escritora Regina Azevedo, que escreveu post no blog O Chaplin sobre “10 autores potiguares pra ler e se apaixonar”, resolvi colocar os meus. Apenas cinco. E sugiro apenas que os leiam sem se apaixonar. Paixões são levianas, efêmeras, embora de um perigo gostoso de se viver. E já lembro, a partir do comentário de José de Castro, no post de Regina, uma questão: toda lista deixa brechas. São apenas preferências atuais deste blogueiro, e movido pela memória do momento. E mais: deixei poetas e mortos de fora, ou aumentaria muito o leque. Então, vamos lá:

Daniel Liberalino
É, para mim, a grande revelação da literatura potiguar. A ilustração acima é dele. O livro ‘Corpúsculo num plano’ mostra um niilismo abundante, uma narrativa escrota, com tons humorísticos sarcásticos a partir de cenas comuns do cotidiano, mas a partir de uma visão perturbada da vida. Ou pelo menos desprovida de hipocrisias. Estilo único. Não encontro nada parecido nem entre os beats e escritores “malditos”. Penso ser o que temos de melhor no momento, modernamente falando.

Vicente Serejo
É um dos dois dinossauros desta lista. Sou fã (não apaixonado, ressalte-se!). Escrever crônicas diárias é tarefa hercúlea. Mesmo as de tom político, que beiram o Artigo, carregam a leveza da crônica, além do lirismo característico de Serejo. Quando fala da Redinha ou das angústias da alma, relembra o estilo de Navarro. Penso que devemos reverência ao seu legado e persistência neste ofício diário de produção de textos jogados em um mero papel de jornal.

Sanderson Negreiros
Muito mais reconhecido pela sua poesia irrepreensível, as crônicas e ensaios de Sanderson são igualmente fantásticos, o que o torna um dos mais geniais escritores potiguares, em minha opinião. E dominado pela poesia maior, a leitura de suas crônicas são deleites poéticos proseados, às vezes filosofais, às vezes descritivos e tão banais quanto a crônica deve ser. O livro ‘Na Direção do Relâmpago’ traz tudo isso, reunindo ainda o apuro jornalístico de Sanderson.

Márcio Nazianzeno
Aqui peço uma licença geográfica. É que Márcio é paraibano, mas anos atrás foi polemizado por um artigo publicado na Playboy sobre a mulher potiguar. E publicou ainda livro pela Jovens Escribas. É um paraiguar, pois. E este livro, ‘O homem de firme destino’ é um primor. Literatura burlesca, de humor fino, sarcástico, e uma narrativa non sense fantástica. Basta dizer que este homem de firme destino marcha sem parar e transa com tudo o que encontra, em situações surreais.

Luiza de Souza
Vou na carona de Regina e também cito Luiza. Já foram dois jovens escritores, na minha opinião, com personalidade consolidada, e dois da velha guarda, indiscutíveis. Luzia, pra mim, é uma aposta. Seu ‘Contos rabiscados para corações maltrapilhos’ me mostra isso: uma escrita com potencial. É um conto-quadrinho curto, muito bem ilustrado. Linguagem moderna e sem rodeios. Pena que, entre os projetos futuros da moça, não estão livros de contos e romances.

Ficaram fora Nei Leandro e François Silvestre pelo já reconhecimento. Fialho também é muito paparicado. Preciso é ler mais gente nova; mais contistas e romancistas, sobretudo. O Gustavo Diógenes, presente na lista de Regina, é uma de minhas curiosidades. Outra é o livro ainda no prelo e já intitulado Madame Xanadu, de Aureliano Medeiros – também da nova safra de escritores potiguares. É isso. Mais um post sobre literatura e sem acesso.

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Comentários

5 comments

  1. José de Castro 20 fevereiro, 2015 at 13:25

    Essas listas sempre instigam os egos… E os que dizem: por que não fulano? Por que nao beltrano? E novas listas vão se formando em paralelo. Crônica é um gênero interessante, no qual temos os dois expoentes aqui citados. Nos contos, destacaria o Nelson Patriota e o Manoel Onofre Jr. No romance, o inquieto Rubem G Nunes, a estreante Léia Carmona. E o promissor talento Guilherme Henrique Cavalcante Como sempre, felizmente, tem mais escritores para ficar de fora desse balaio. Por favor, tenham calma. Não se exaltem. A boa literatura, independente da crítica, permanece. Vai depender mais do seu leque de fieis leitores. Salve Sergio Vilar.

  2. Sergio Vilar 20 fevereiro, 2015 at 10:43

    Mais uns nomes bons. Rubem G Nunes, Léia Carmona e Guilherme Cavalcante são novos, pra mim. Vou atrás! Valeu, Zé de Castro!

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