No Ar Coquetel Molotov e o ótimo momento da música brasileira

Anderson Foca
MaisMúsica

Aconteceu nesse final de semana mais uma edição do No Ar Coquetel Molotov na movimentada e cultural capital pernambucana. Idas a Recife são sempre proveitosas e dessas vez não foi diferente. Fui palestrante numa mesa sobre cultura um dia antes do festival e fui como público no dia seguinte (o Dosol fez toda a parte de documentação de áudio e vídeo do evento, mas fiquei na suplência desse trabalho).

De cara impressiona o lugar em que o festival é realizado: um enorme espaço verde, muito próximo do centro de Recife (30 minutos se o caótico trânsito da cidade deixar) e que parece ter nascido para receber eventos de música. Uma área enorme, dois espaços para palcos externos muito bons e um outro galpão também muito grande em que cabia mais um stage de nível internacional. Não é síndrome de “macunaíma” e nem precisamos disso, mas a verdade é que o Coquetel Molotov, como experiência para música, se mostrou o festival mais “gringo” em termos de música independente que temos no país. Não é pouca coisa.

No palco o que se viu foi uma pequena mostra do que a música brasileira é capaz de produzir e o Coquetel Molotov sabe programar artistas como poucos festivais no país. Um já antológico show da Céu (SP) para ficar na memória, o Ventre, Jaloo, Boogarins e Barro trazendo um novo sopro para música pop nacional e afins. Também teve a volta aos palcos de uma das minhas bandas de rock preferidas, o AMP. E olha que eu não consegui ficar para ver a Karol Conka e o BaianaSystem já na alta madrugada. Teve música boa sobrando no CM.

Estruturalmente o festival teve seus problemas, até pela novidade na proposta de fazer a ação numa área mais afastada da cidade. Com ingressos esgotados, o acesso a banheiros, comida e bares foram bastante ativos, causando filas e reclamação de parte da audiência, o que até me surpreendeu. Cheguei cedo, comprei minhas fichas no começo da atividade, mas todos os bares recebiam dinheiro sem ficha para as bebidas e na hora de mais público também usei os foodtrucks com tempo bem aceitável de atendimento (bem menor que numa lanchonete normal por exemplo).

Para comer nos lugares mais hypados realmente a fila estava grande, mas como minha intenção era ver shows resolvi comer o que desse menos trabalho; são escolhas. Como a área de shows era relativamente longe da entrada (uns 20 minutos de caminhada) o festival também ofereceu translado pro público na entrada e saída, mas claro, na hora da saída em que parte considerável do publico acessou o translado ao mesmo tempo a espera foi longa e irritou parte da galera.

Com algum ajuste e aproveitando mais a luz do dia, o futuro do Coquetel Motolov é muito promissor até para servir de exemplo para outras atividades Brasil afora. Essa minha primeira vez no festival foi excelente, já na espera da edição de 2017. Recife e toda a crew do festival estão de parabéns! Foi demais!

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Anderson Foca

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