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Um país se constrói com homens e livros

eduardo-gosson

A Literatura produzida em terras potiguares é uma criança com 200 anos de idade: desde Lourival Açucena nosso primeiro vate até os nossos dias. Apesar de termos uma vasta produção literária, as edições são modestas. Oscilam entre 300 e 500 exemplares, o que representam 0,03 pontos percentuais da população do estado. Quando há lançamentos a média de vendagem fica em torno de 70 livros. Quando o autor é bem relacionado poderá alcançar os trezentos exemplares.

Já se tornou lugar-comum dizer que o brasileiro não lê pelos mais diversos motivos: 1.ensino fundamental de péssima qualidade; 2. Elevado custo industrial do livro; e 3. A questão da distribuição. Por termos uma dimensão continental tem sido um desafio ainda não superado.

Por esses motivos, a União Brasileira de Escritores – UBE-RN escolheu como tema central deste VII EPE: “Os jovens e a leitura: realidade e perspectivas” e, ainda, por entender que o hábito da leitura deve começar cedo, encaminhou minuta de projeto de lei ao Poder Legislativo (nas esferas municipal e estadual) instituindo o dia 8 de setembro como o Dia do Livro Infanto-Juvenil em homenagem a escritora Nati Cortez que foi pioneira ao escrever para crianças e adolescentes.

Contudo, não podemos esquecer das pessoas e instituições que contribuíram e contribuem para divulgar e valorizar os nossos escritores. São eles (as) por ordem alfabética:

01. Pessoas: Antonio Francisco, Aluízio Mathias, Bartolomeu Correia de Melo, Clauder Arcanjo, Celeste Borges, Conceição Flores, Constância Duarte, Diva Cunha, Davi Leite, Diógenes da Cunha Lima, Erileide Rocha, Eduardo Antonio Gosson, Flauzineide Moura Machado, Homero Homem, Manoel Onofre Junior, Nati Cortez, José de Castro, Juliano Sousa, Salizete Soares Freire, Tarcísio Gurgel, Thiago Gonzaga dos Santos, Vingt-un Rosado, Kacianni Ferreira, Zélia Santiago e Zelma Furtado.

02. Instituições: Secretaria de Educação e Cultura do RN- Seec, através do projeto PROLER executado pela CODESE, Instituto de Desenvolvimento da Educação – IDE e União Brasileira de Escritores-UBE-RN.

A grande novidade nas novas mídias é o e-book. Entretanto, coloco a seguinte questão: será que aguentaremos ler um livro de grande densidade nessa nova mídia? Para mim nada mais prazeroso do que ler numa rede ou numa cadeira de balanço sentindo o toque do papel e da tinta, abraçando o livro como fazemos com a mulher amada. Fiz a leitura dos Lusíadas em uma rede na Praia de Pipa no ano de 1981; li a Divina Comédia de Dante numa cadeira de balanço, que ficava debaixo de um pé de jambo, no quintal da minha casa.

O livro e a leitura só nos causa prazer. O livro é o sal da terra que nos aproxima de uma sociedade melhorada; a tecnologia, ao contrário vem isolando as pessoas. Hoje é todo mundo plugado e só. Daí o poeta Gilberto Avelino aconselhar: “por onde passares, fale/ a palavra apascenta”. É preciso, pois, restaurar os valores perdidos por causa deste tempo que transforma tudo em mercadoria.

Por fim, Emil Cioran (1911-1995) filósofo romeno radicado na França e que ficou famoso ao dizer pérolas do pensar filosófico, por exemplo, que a vida é uma luta feroz que acaba em nada. Para ele “quando todas as pessoas nos abandonarem e quando a nossa solidão se transformar num abandono supremo (…) temos de ter escapado definitivamente da dialética de luz e trevas e caminharmos para a salvação pela única fonte de esperança: o amor!”

* Discurso de abertura da sétima edição do Encontro Potiguar de Escritores (EPE)

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Eduardo Gosson

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