Geral

Uma nuvem passa sobre os meus pensamentos

15049797_1512750252074631_1130106569_n

é hoje. uma nuvem passa sobre os meus pensamentos. tanto que te procurei para ouvir sua última canção. parece que o tapete do céu teimava em dizer sobre uma cor escura e reveladora: parece que foi hoje. foi hoje, sim, dizia meu coração chorando, como a querer lembrar do seu álbum, repleto de recados e revelações. um poeta se faz por cima de noites e abismos. um músico/poeta ele é feito basicamente da ilusão do tempo. somos todos provisórios e exemplarmente reais. assim eu escutava Cohen, por sobre a pálpebra do tempo que teimava em choramingar seus dias e atalhos. mas a nuvem que vejo hoje, ela silenciosa fica. como a mirar o que o vento fez com ela. como se fosse uma oração para o além. vestida do poema nu e talhado como se fosse uma pedra preta e folheada de miragens. um dos nossos maiores poetas, hoje se foi. o céu, abóbada que ele em terra sentiu, agora o vê como se fosse uma nova poesia. não esse céu que normalmente falamos e sentimos. mas um céu onde a boca do poeta se pronuncia, onde seu corpo baila um rock demoníaco, tão instigantemente vivo e eterno. Leonard olha para o espaço por onde agora sua poesia e música fervilham. ele sabe que o gosto e seu fervor, agora, são filhos de uma eternidade bendita. o céu, mais uma vez mira o poeta/músico. hoje, aqui pela terra, uma porção infinda de pétalas sorri para a humanidade. dizendo que devemos ser mais abissais e destituídos da maldade que cerra pescoços e a finitude de um sorriso. poesia serve para isso: contemplar a infinitude de Leonard Cohen e sair em despedida como se despedindo fosse, das avenidas, cavernas e defuntos. como se a terra estivesse a cada minuto morrendo de tanta dor. Cohen agora e para sempre te amamos. resta nossa saudade como um buquê eterno de lembranças, como um abraço que não te demos. como tudo passa e termina, quando você tão criatura e visceral, disse para todos os que te ouviam: vê que tudo se transforma com o um toque, repleto de dragões e rosas. vê que o tempo do dia se foi, como uma estrela redimida de clarões e tesouros da alma. como tudo que é belo e inaudível.

Share:
Carlos Gurgel

Comentários

1 comment

  1. Edilberto C.
    Edilberto Cleutom dos Santos 13 novembro, 2016 at 19:48

    Falsa autobiografia de um genuíno poeta:

    MILHARES

    Entre os milhares
    conhecidos,
    ou que querem ser conhecidos
    como poetas,
    talvez um ou dois
    sejam genuínos
    e os outros são falsos,
    rodeando os recintos sagrados
    tentando parecer verdadeiros.
    Nem preciso dizer
    Que sou um dos falsos,
    e esta é a minha história

    Leonard Cohen

Leave a reply