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Um dia como motorista de Uber em Natal

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Tendo em vista esta crise braba dos infernos de Dante, onde arrumar emprego tá mais difícil que convencer bode a tomar banho de chuva no topo do Pico do Cabugi, decidi dar uma de Travis Bickle às avessas: ao invés de táxi, estou motorista de Uber.

Há alguns dias venho desbravando medonhamente o território natalense, utilizando o mesmo GPS que lampião usou pra aportar em Mossoró (e o trajeto foi certeiro, viu?), passando “por ruas que têm cheiro de gasolina e óleo diesel, andando por ruas quase escuras”, entrando em becos onde elfos, magos, caixeiros viajantes e marinheiros jogam baralho tomando cana importada do Nepal.

Dia desses, um monge de Tenente Ananias me pediu para deixá-lo nos ‘Jardins Suspensos da Praça Cívica’, alegando que faria aulas de Tai Chi Chuan e, ao término, iria comer bauru com mangaba ao leite no Passaporte Lanches.

Já me ‘desembestei’ pra ponte nova, ali pros lados do Mercado da Redinha, pra buscar um carregamento de ginga e tapioca e levá-lo até o aeroporto pra ser enviado à Islândia e ser consumido nas tabernas pelos junkies; já levei violinistas ciganos que vieram do ponto mais alto da Serra de Martins pra tocar em frente ao Astral Sucos.

Certo dia, estava percorrendo as vielas do Conjunto Candelária, quando recebi uma solicitação que vinha de um ponto cego entre o Forte dos Reis Magos e o Oceano Atlântico: era Belchior. Aluguei uma balsa, coloquei o carro e fui até lá, mas o danado cancelou a corrida antes da minha chegada. Fiquei furioso.

Outra vez, um rapaz que trajava uma camisa de banda japonesa de Rock, me pediu pra deixá-lo na Rodoviária nova, pois ele ia pegar a plataforma nove três quartos pra entregar um Pen Drive a Harry Potter.

Meu carro possui um sistema de ar refrigerado fabricado em Caicó, que faz o ar entrar de vez no couro da pele e dos cabelos, elevando o nível de serotonina do passageiro, e ainda deixa a pessoa com um hálito super refrescante, como se tivesse consumido 10 caixas de Halls extra forte.

Minha mala dá até pra transportar elefante de circo; fazendo uma forcinha, acho que ainda cabe um Búfalo.

Eu sirvo balas de diversos sabores: pamonha, feijão verde, abacaxi com Hortelã, açaí, amendoim, espinafre etc.

Se quiser ouvir música, boto de tudo: desde música clássica a embolada com Heavy Metal. A água que eu disponibilizo, vem diretamente de uma fonte cristalina do Lago Ness.

Caso você ainda não tenha utilizado o app, deixo meu código pra que possa ganhar um desconto na primeira viagem ou fornecer a alguém que ainda não tenha feito nenhuma corrida com a Uber:

4n6qq68nue (é só anotar).
Espero ter a honra de encontrá-los durante a jornada.

Simbora!!!

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Lucas Galvão

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