Sobre ‘Falsários da literatura potiguar’

Manoel Onofre Jr.
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Escritor e pesquisador, Thiago Gonzaga tem sido um atento observador da cena literária natalense. Desde 2011, quando criou o blog “101 livros do RN que você precisa ler”, ele tem atuado, com grande entusiasmo, em prol da nossa literatura, de modo que se pode dizer, sem medo de errar, que ele conhece bem o terreno onde pisa.

Disto, aliás, nos deu prova, recentemente, ao publicar, neste “Substantivo Plural”, o artigo de sua autoria em que enfoca alguns pontos vulneráveis do mundo literário papa-jerimum. Coisas de província, em sua mira. Por exemplo, escrevinhadores medíocres que participam ativamente da nossa vida literária, e só por isto julgam-se verdadeiros gênios. Thiago, com a autoridade que lhe confere a condição de crítico literário, deu-lhes um tranco.

Imunes à crítica, por serem extremamente suscetíveis e narcisistas, esses “falsários da literatura”, passando suas bijuterias por joias, conseguem enganar muita gente, mas, o pior é que, não raro, enganam-se a si mesmos.

Atualmente, a produção literária, em nosso Estado, é um rio cheio de barreira a barreira; toda semana, são lançados dois, três livros, e haja noite de autógrafo, haja badalação. Como em toda enchente, vem a tona muito basculho, mas também algumas coisas boas. Pena que estas nem sempre sejam avaliadas com justeza.

Era preciso que alguém denunciasse tudo isto. A bem da literatura. Sem medo, sem cuidar de conveniências. Thiago Gonzaga botou a boca no trombone e o dedo na ferida, disse o que devia dizer, sem a menor motivação pessoal, mas, tão-somente, impulsionado pelo idealismo que lhe é peculiar.

Resultado: Thiago vem sofrendo comentários mordazes através das redes sociais, por parte daqueles que “vestem a carapuça”. Tal fato, aliás, não é de surpreender; nele se configura um dos pontos do problema denunciado pelo escritor: aquelas pessoas julgam-se acima da crítica, até mesmo quando os seus nomes não são mencionados.

Certa vez, faz tempo, me vi às voltas com um raro espécime dessa fauna. Vaidoso, arrogante. Ele ficara melindrado por causa de uma crítica que eu lhe fizera em minha coluna literária, num jornal de Natal. Encontrando-me, casualmente, com a figura, disse-lhe, sem meias palavras:

-Meu amigo, não há razão para você ter raiva de mim, pois nada tenho contra a sua pessoa, apenas não gosto do que você escreve.

Ficou trombudo, e até deixou de me cumprimentar, mas, algum tempo depois, voltou às boas.

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Manoel Onofre Jr.

Comentários

4 comments

  1. Marcos Silva 15 dezembro, 2016 at 04:48

    É bom deixar claro que não são criticadas pessoas e sim obras. Sinto falta de identificarmos as obras que são alvo das críticas.

  2. Ruben G Nunes 15 dezembro, 2016 at 21:47

    Onofre-velho-imortal! Brau!

    Gostei muito do artigo de Thiago Gonzaga e do teu artigo acima.
    Thiago é uma das gratas revelações de intelectual, pesquisador e crítico.
    Sua juventude é uma força já maturada pela seriedade, inteligência, ética e profunda dedicação à Literatura.

    Todo escritor é vaidoso. Mas há vaidades que fazem crescer o ego num altruismo de BoaEnergia. Como um abraço afetuoso .
    Como um vinho de boa cêpa bem degustado entre amigos.

    Mas há vãs-vaidades de BaixaEnergia que alimentam o fanatismo egocêntrico. E não saem de si.

    Sugiro uma mokeka-desagravo ao nosso Thiago Gonzaga!

    Um abraço do amigo e admirador
    Ruben G Nunes

  3. François Silvestre
    François Silvestre 16 dezembro, 2016 at 11:34

    Júnior de Maneco continua afiado. E Thiago fazendo um bem danado à literatura. Gostaria de receber os dois lá no Mirante Mãe-Guilé. Em Martins é que é bom pra gente falar da vida alheia… Abração aos dois!

  4. thiago gonzaga 16 dezembro, 2016 at 18:16

    Meu amigo, Manoel Onofre Jr.
    Só corrigindo: Os que não gostaram do texto foram apenas uns três ou quatro , no máximo, de um determinado grupo de poesia, que usa uma sigla, aqui de Natal, que se acham a elite da poesia potiguar. Gostaria que eles escrevessem um texto, fundamentado, provando que eu estou errado. Eu ficaria muito feliz.
    Se vc, Marcos Silva, Ruben G Nunes, e François Silvestre, gostaram, já fico por demais satisfeito, pq qualidade vale mais que quantidade.

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