Algumas notas, opiniões e impressões sobre 2016

Tácito Costa
Destaque

MINC

No plano nacional, a permanência do Ministério da Cultura, após a mobilização e luta dos artistas (Ocupa MinC), foi o fato mais importante (ou um dos) do ano para a cultura brasileira. A denúncia do golpe contra Dilma em Cannes pelo pessoal de Aquarius também me agradou muito. No Rio Grande do Norte, o marasmo oficial continuou, agravado pelo fechamento do Teatro Alberto Maranhão e da Biblioteca Câmara Cascudo, dois ícones culturais do estado.

LEITURAS
Foi mais um ano quase perdido. Se li muito li uns doze livros. Coisa que meu amigo Homero Costa faz em um mês. Trabalho que só a bexiga! E trabalho é inimigo do ócio. Entre eles, Liturgia do Fim, de Marilia Arnaud, O Caso Meursault, de Kamel Daoud, Traição e Morte na Fortaleza da Barra, Demétrio Diniz, As Pequenas Histórias, Osair Vasconcelos, O Homem que Amava os Cachorros, Leonardo Padura, Tudo que Tenho Levo Comigo, Herta Müller, O Incolor Tsukuru e seus anos de Peregrinação, Haruki Murakami, Um Presente de Natal, Marcius Cortez, O Fim do Homem Soviético, Svetlana Aleksievith (foto), e nos últimos dias A Mesma Fome, Marize Castro, Das Coisas que larguei na Calçada, Marina Rabelo, e Para eu Parar de Me Doer”, Thiago Medeiros, estes três últimos de poemas. Os demais, romances e contos.

HOMENAGEM
Somente ontem (21.12), quase duas semanas depois do lançamento, tive tempo abrir a fotobiografia do ex-prefeito de Natal Djalma Maranhão. Trabalho primoroso organizado pelo jornalista Adriano de Sousa e pelo fotógrafo Giovanni Sérgio. Sério candidato a figurar entre os melhores livros de 2016.

LANÇAMENTOS
Não fiz levantamento ou apurei, mas tenho a forte impressão de que a crise passou ao largo do setor livreiro de Natal. Editoras já consolidadas, como a Jovens Escribas, Caravelas, Sarau das Letras e Sebo Vermelho lançaram muita coisa boa este ano. Sem falar nas edições de autor, que foram muitas e diversificadas, pra todo gosto. Registro importante: as editoras citadas acima vem fazendo um trabalho fabuloso pela literatura potiguar.

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FLIN
Eu estou meio saturado desses festivais de literatura. Não fui ao de Pipa e só aceitei participar de uma mesa no Flin porque era com um cara daqui que eu queria conhecer (Marcius Cortez) e também em consideração a Dácio Galvão. São mais de 30 anos na plateia ou nas mesas. Tá bom, né! Nessa Flin, a maior parte do tempo fiquei no espaço destinado às livrarias, batendo papo com um e outro.

MÚSICA
Não acompanhei nenhuma mesa integralmente. Pedaços de uma e de outra. Mas assisti do começo ao fim, extasiado, o show de Virgínia Rodrigues, que elejo como a melhor coisa do Festival.

AUSÊNCIAS
Senti falta de velhos camaradas circulando pelo Flin, como Carlão de Souza, Nelson Patriota, Carlos Peixoto, Carlos Magno Araújo e Demétrio Diniz. Mas avistei por lá outros grandes figuras, Aldo Lopes, Thiago Gonzaga, Cellina Muniz, Oreny Júnior, Manoel Onofre, Woden Madruga, Carlos Fialho.

MUDANÇAS
Conversei com um velho amigo sobre esse modelo de festival literário. Concordamos que precisa ser revisto. É dispendioso e lega pouco à literatura.

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FILMES
A lista de filmes é maior que a de livros. Alguns que assisti em 2016 e que lembro agora, não anoto, vai tudo de memória mesmo: Juventude, de Paolo Sorrentino, Aquarius, de Kléber Mendonça, Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós, Macbeth – ambição e guerra, de Justin Kurzel, Boi Neon, de Gabriel Mascaro, Os Oito Odiados, Tarantino, A grande aposta, Adam McKay, Café Society, de Allen, O filho de Saul, de László Nemes, O Regresso, Iñárritu, O Clube,  Pablo Larraín, Ex Machina, de Alex Garland, documentários sobre Amy e Nina Simone…

SHOW
“A mulher do fim do mundo”, de Elza Soares. Não sou de shows, por isso a parcimônia, mas tenho notícias de outros bons que ocorreram na cidade. O espaço está aberto para complementos, não apenas nesse aspecto, mas nos demais também.

PROJETOS
Alguns que acompanhei. Sesi Big Band, Camerata de Natal, Som da Mata, Fest, Bossa & Jazz. Acrescento o espaço aberto pelo Bardallos para os artistas.

PERDAS
Umberto Eco, Ferreira Gullar, Cauby,  David Bowie, Babenco, Naná Vasconcelos…

PROMESSA DE ANO NOVO
Ler mais livros (artigos não contam) e assistir mais filmes, minhas duas paixões.

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Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. Aldo Lopes de Araújo 1 janeiro, 2017 at 15:48

    Tácito, você está coberto de razão. Os festivais literários de Natal precisam de uma sacudida. Já fui a vários, inclusive aos de Pipa, onde até cheguei a participar de uma mesa sobre um tema que abomino que é esse negócio de regionalismo, felizmente eu e Demétrio fomos salvos por você que desviou o assunto em sua providencial intermediação, abrindo outas frentes de bate-papo. Na última edição do FLIPIPA fui ver a palestra de Lira Neto sobre as biografias que andou produzindo, mas o público apenas tomou conhecimento de um episódio ocorrido com Getúlio, quando o tal era criança, e da sua carta-testamento que foi escrita por um assessor palaciano. Havia muita gente curiosa em saber detalhes da biografia do Padre Cícero, de Castrelo Branco, de Maysa Matarazzo. O tempo de fala é muito curto. O cara vem de avião, se hospeda num hotel, recebe cachê, a estrutura do festival investe na celebridade, a bem dizer para nada. Foi essa a impressão que tive quando a mocinha interrompeu para dizer que o jornalista tinha apenas três minutos para sua mensagem de despedida. O tempo tinha acabado. Fiquei pensando, qualquer dia desses falo com Dácio Galvão, para esse tempo ser aumentado, triplicado, quadruplicado. Não tive oportunidade de falar com ele no festival, e é possível que não tenha jamais, porque não vou à Secretaria nem ando nos lugares por onde ele circula. Aproveito para mandar o recado daqui.

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