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A esquadra de Ruy Gaspar

marco

Uma esquadra com suas caravelas anuncia sua chegada; ETA NAT 2017. Uma tentativa de registrar outra história da denominada descoberta. Um grupo de historiadores, mais um secretário de cultura, com banca de cientistas e pesquisadores, querem alterar o que foi escrito como história. Querem provar que Cabral chegou primeiro no Rio Grande do Norte, na região de Touros/RN (1501), antes de chegar em Porto Seguro/BA (1500). Baseados em pesquisas querem alterar o que já foi escrito e lavrado como verdade. Escrito a punho, com pena, tinta e papel, registrado em cartório, com autorização e reconhecimento pelo Papa.

Portugueses partiram de Portugal, pelos mares e oceanos, procurando lugares semelhantes ao que partiram. Procuravam esquinas de rios com o mar, para desembarcar e abrigar suas caravelas. Primeiro seguiram a costa da África. E assim encontravam mares abrigados, com águas calmas, conquistando conhecimentos de marinharia. Encontraram na costa brasileira, dois grandes rios fazendo esquina com o mar, um ao Norte e outro ao Sul, e surgiram o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul. O Rio de Janeiro, foi um suposto rio descoberto no mês de janeiro. Touros não oferecia abrigo para as caravelas, dificultando um desembarque. Salvador com abertura mais ampla, foi logo classificado como uma baía, a de Todos os Santos, abrigando agora todos os Orixás, depois de influências africanas.

Viajando pela costa africana, os portugueses conquistaram conhecimentos e criaram termos náuticos, como bombordo e boreste, referências ao lado da embarcação e o continente avistado. As caravelas tinham seus mastros em forma de cruz, e uma cruz estampada em suas velas. A se aproximarem/entrar no hemisfério Sul, avistaram a constelação do Cruzeiro do Sul, e como cristãos devem ter avaliado que estavam no caminho certo, havia uma informação contida nas estrelas. Uma mensagem do Céu.

E talvez com a esquadra de Ruy Gaspar, descubram que os brasileiros possuem origem francesa ou holandesa, quiçá americana, pela presença de Cristóvão Colombo, em solos potiguares. E outros países já chegaram novamente por estes mares (e ares), para pegarem as suas partes, no que lhes cabe nesta terra. Já chegam com investimentos e ideias, de que é bom para a região, viver de sal, turismo e vento. Impõem suas tecnologias e suas gastronomias, como estratégia de domínio.

Enquanto o povo se preocupa em viver de sal, turismo e vento, outros povos ou países, estão procurando e retirando o que lhes interessa. E quando encontrarem coisas valiosas, transformaram a Barreira do Inferno em uma base de mísseis, afirmando ser para nossa segurança, assim como fizeram com os índios. Um dia construíram um forte que foi cobiçado por outros povos.

O nome das caravelas da esquadra de Cabral não aprendemos na escola. Mas todos sabem os nomes das caravelas de Colombo. Existe uma intenção na história, que é tida como verdade e registrada como parte de um currículo de conhecimento. E são justificadas por um tempo cronológico, a partir de um ponto de vista. Conhecemos a história contada pelos portugueses, mas pouco sabemos sob o ponto de vista dos índios, que já ocupavam essas terras. Cabral poderia estar perdido, e ter sido resgatado pelos índios. E com a receptividade e cordialidade dos índios se sentiram donos da terra. Ao avistarem as caravelas no horizonte, poderiam se preparar para um combate, e não o fizeram.

A tudo reza um interesse e um critério. Comecemos pelo tratado de Tordesilhas (1494), assinado bem antes do denominado descobrimento. Ainda que navegadores primeiramente chegassem a Touros, resta saber o interesse de um desembarque e o registro do fato. A descoberta da América por Colombo (1492). Somente após a virada do século, o Brasil foi descoberto, com a demarcação das terras, divididas entre Portugal e Espanha. Teriam os portugueses a certeza de estar antes da linha divisória de Tordesilhas ao chegar em Touros? O mais correto seria retornar algumas milhas, contornando o continente, buscando um porto seguro. E então a chegada oficial, o marco para ficar na história. A data e o local, vale o que foi escrito pelo escrivão oficial da frota: PVC. Navegaram para o Sul a partir de um marco, até que encontrassem situação propícia. E fariam um reconhecimento da costa.

A história diz que os índios potiguares não eram muito amistosos. E uma região de dunas e areias não teria nenhum interesse comercial. Segundo consta eles procuravam e precisavam de especiarias. Somente encontrar uma madeira nobre, pedras preciosas e minerais valiosos, justificaria um desembarque e lavrar um documento de posse, que deveria logo ser reconhecido e registrado.

Os autodenominados descobridores de novas terras, já lavraram as cartas e documentos do que supunham ter descoberto com autorização e reconhecimento da Igreja. Não importam teorias de ventos e correntes marítimas, que não podem ser comprovadas, séculos após um evento. O regime de ventos muda com o tempo e a inclinação terrestre. O maior exemplo é o calçadão da praia de Ponta Negra, em Natal/RN, destruído pelas ondas depois de anos, quando já se julgava consolidado. E agora insistem em construir um enrocamento, sem estudar e analisar os antigos e novos parâmetros necessários. Algumas localidades do litoral potiguar vem sendo invadidas pelas areias. Um avanço do mar e mudança no regime de ventos.

Um outro detalhe ainda cabe ser analisado. A precisão das informações e a precisão das distâncias, que hoje podem ser mais precisas (inclusive com GPS), do que no tempo das caravelas, sem pontos de referência no desconhecido no litoral brasileiro. Era necessário estabelecer marcos. E as diversidades de medidas usadas, como milhas e léguas marítimas e milhas e léguas terrestres; braças e nós. Ainda hoje algumas medidas podem variar de acordo com o lugar. Além do comportamento das águas e dos mares, e dos ventos, na região equatorial, ser diferente da região tropical, a que estavam acostumados (.entre 30º e 45ºN)

Ainda há uma grande possibilidade do marco de Touros ser um marco cartográfico, e não um marco de posse ou desembarque. Em terras desconhecidas eram necessários inserir marcos que facilitasse uma cabotagem. Um marco para que outras caravelas pudessem se localizar. Marcos geográficos poderiam gerar incertezas, de acordo com as suas descrições. Marcos geográficos poderiam ser confundidos por uma descrição excessivamente técnica ou poética. E se existia um diário de bordo, este já deve estar destroçado, evitando embaraços no futuro.

A esquadra de Ruy Gaspar, com suas caravelas Rosana Mazaro e Aninha Costa, tenta mudar o rumo da história, atracando em Touros onde estava um marco chantado. Trocam o monte Pascal pelo pico do Cabugi. Querem contestar o que está escrito e lavrado.

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