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Fotógrafo monta exposição em que obras podem ser manipuladas pelo público

Expectador pode tocar, virar e mexer nas obras

Já experimentou aquela sensação quase incontrolável de tocar uma obra em exposição? Mas, geralmente, isso é terminantemente proibido.

Pois, na exposição fotográfica de Daniel Corcino, Estruturas Voláteis, aberta na Galeria do IFRN Cidade Alta, essa é principal condição para o expectador: tocar nas obras, interpretar como quiser, reinterpretar e até mesmo “desinterpretar” a imagem. “É possível ver que existe na fotografia muita mesmice, muitas vezes fotos que são inertes, fixas demais, ao dar muita atenção às regras, repetições, belezas e padrões”, diz Corcino, adiantando que sua intenção é subverter esses padrões vigentes.

Imagem Corcino

Imagens são manipuladas digitalmente

“O conceito dessa série foi construído num momento que estava em contato com ideias da Filosofia da Diferença (ou Esquizoanálise) e também com a poesia de Manoel de Barros. Acho que me prolongaria demais para explicar detalhadamente de que forma esse pessoal influencia o modo de eu ver minha arte. Em resumo, posso traduzir dizendo que não me interessa a mera reprodução da realidade, mas sim a potencialização e valorização de fluxos dissidentes e a ‘desinvenção’ de objetos através da arte”, conceitua o fotógrafo. Uma característica que deve ser mencionada também é o fato de que o artista manipula digitalmente as fotos que, segundo ele, é uma busca por “algo novo” a partir de editores de imagens. Ele também quer, a partir de suas fotografias expostas, conhecer mais pessoas da área, assim como também novas oportunidades de circulação de suas ideias e projetos.

Daniel Corcino tem 20 anos, é natalense e estudante de Psicologia na UFRN. A fotografia não lhe entrou por formação e sim por vocação, chamado.  “O que aprendi até o momento foi por curiosidade e iniciativa própria, através da internet ou livros. Mas, minha relação com a arte é mais longa do que com a fotografia em si. Já possuía interesse principalmente por arte do século XX na pintura, de modo que quando tive a oportunidade de ter uma câmera, comecei a conhecer dentro da fotografia a arte contemporânea, me identifiquei e, assim, quis não só apreciar arte, mas criar e experimentar a partir de algumas referências desse tipo de fotografia, que fui estudando e conhecendo”, explica, lembrando que “brinca” com fotos há cerca de um ano e meio e que ao conhecer trabalhos de pessoas como Magritte, Man Ray, André Kertész, Daniel Gordon, Georges Rousse e Pep Ventosa, dentre outros, os toma no momento como referência.

Estruturas Voláteis é composta por 20 fotografias interativas e mais quatro composições de aquarelas e espelhos, que foram construídas em parceria com Larissa Freire. A exposição foi escolhida através de edital público de ocupação da galeria do IFRN Cidade Alta. Todas as obras estão à venda, em negociação direta com o artista.

Permitir que os visitantes mexam com suas fotos expostas é, para Corcino, também um ato político, já que para ele a arte agrega essa função. Ele quer provocar uma “crítica à suposta passividade que existe entre o público e a arte numa galeria. Construir arte é um ato político, certo? E isso se intensifica mais ao estar ocupando um dos poucos espaços públicos de exposição da nossa cidade. Não pretendo que minha arte esteja num local exclusivo, nem que ela seja protagonista na exposição, ela não é feita para que apenas ‘pessoas inteligentes e cultas’ tenham acesso a uma interpretação complexa e difícil de obras de arte. Pelo contrário, Estruturas Voláteis só pede que o sujeito deixe seu corpo e sua mente livres para experimentar as fotografias”.

Imagem corcino3

Expectador pode mexer nas obras como quiser

 

Estruturas Voláteis – Exposição Fotográfica de Daniel Corcino

Onde? Galeria de Arte do IFRN Cidade Alta

Aberta ao público até dia 5 de maio.

Contatos com o artista:

Instagram: @corcinodaniel

Email: daniel_corcino@hotmail.com

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Sheyla Azevedo

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