A alegria e a tristeza de Tico

31 de agosto de 2009 às 13:23 - Comentar
Por Carlos Magno Araújo

tico

A besta fera que humilha e elimina é cega.

É pistoleira sem mira – cruel e injusta.

Não fosse assim teria atingido tantos outros antes de Tico da Costa. Por aí não há quem não mereça.

É dos artistas de quem se poderia dizer, sem medo de errar, como se disse um dia de Cascudo – genial e humilde.

A convite do meu amigo Roberto Homem de Siqueira estive na casa de Tico da Costa, na Cidade Verde. Deve fazer uns dois anos.

Estava também outro amigo nosso, Carlos Roberto Pereira, também jornalista.

Com Tico, os irmãos, entre os quais João Salinas, talento, bom humor, simpatia, tudo junto e misturado.

Era só uma noite normal de confraternização e amizade.

Tico se re-instalara em Natal havia pouco tempo e Roberto Homem, que fez a melhor entrevista já publicada sobre o artista, queria encontrá-lo.

Fomos noite adentro, entre vinhos, queijos, cervejas, conversas leves entremeadas pelo talento do anfitrião e dos irmãos.

Tico contou sua história desde Areia Branca, como a emoção na infância ao ver dois cantadores de rua tocando violão, num desafio. E lembrou como isso o inspirou.

Falou das andanças pelo mundo, da amizade com Phillip Glass e tocou tudo o que pedimos.

Tico era um mestre do violão. Tocava com o instrumento nas costas e até com os pés. No You Tube, procurando direitinho, dá para achar imagens dele manuseando seu brinquedo.

Era um grande cara que Natal e o Rio Grande do Norte não valorizaram à altura.

Saí daquele encontro cismado e encabulado com o fato de nós, da imprensa, também não termos conseguido apresentá-lo como merecia.

Ao final, Tico me deu um disco de presente – cantando músicas em italiano.

Pediu humilde uma resenha. Não precisava nem ser favorável. Queria apenas ver publicada num jornal local.

Dizia que tinha com ele, guardadas, matérias e análises de seus trabalhos publicados em grandes jornais dos EUA e da Europa, Itália especialmente.

Mas não escondia, dizia ele, certo constrangimento quando em ocasiões que precisava mostrar a repercussão de seu trabalho não aparecia sequer um jornal de sua terra.

Não havia mágoa nem nada – só uma certa tristeza, revelada apenas e certamente, por causa das taças de vinho.

Cheguei a pedir a alguns jornalistas especialistas em música – jornalistas e músicos há aos montes por aqui – que fizessem o texto, para dar a ele (o disco) a importância que eu, provavelmente, não conseguiria alcançar – eu achava que era importante o tal distanciamento crítico. Não consegui que fizessem.

Agora que Tico da Costa se foi me sinto um pouco devedor. Fica comigo, depois que a besta fera aprontou mais essa, o imenso sabor de algo incompleto, de um compromisso a que faltei, de um tipo de justiça que poderia ter feito e fracassei.

Mas Tico na sua grandeza e na sua humildade saberia entender.

Esta é uma segunda-feira, enfim, com gosto de melancolia. Há um belo dia de sol, tanta gente na rua, mas há um sentimento de vazio e perda.

Aí embaixo o link da entrevista que Roberto Homem fez com Tico da Costa – para ler e guardar.

aqui

E aqui, vídeo de Tico com Phillip Glass.

Comentários fechados.

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    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente