A ameaça

Tácito Costa
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Não estou entre os que subestimam ou folclorizam a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência da República. A história está aí para lembrar o quanto isso poderá custar caro. Eu ia escrever “ensinar” no lugar de “lembrar”. No entanto, dei-me conta de quanto é vã a ilusão de que as pessoas possam aprender algo com a história e não repitam erros fatais do passado. Como alerta o escritor Karl Kraus, em um dos seus famosos aforismos, “o diabo é um otimista se acha que pode melhorar as pessoas”.

Para não ir muito longe, meu pensamento se volta para a ascensão de Hitler, no século passado, e a de Trump neste. Não considerem exageradas as comparações. Reparem bem como idéias, propostas e atitudes são parecidas. E olhem que Bolsonaro não tem se mostrado por inteiro na campanha, nem o que realmente pretende fazer chegando à presidência, porque precisa de votos para se eleger e não pode, por uma questão de estratégia política, amedrontar uma parte dos eleitorado com propostas ainda mais extremadas e mirabolantes. Nesse momento é um “lobo em pele de cordeiro”.

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Com Bolsonaro no poder a Democracia estará ameaçada. É provável que não conclua o mandato ou tente um golpe de estado. Temo, sobretudo, pelos pobres e minorias e por bandeiras como a dos direitos humanos, do meio ambiente, da educação e da cultura, e pela hegemonia das pautas defendidas pela bancada BBB ( bala, boi e bíblia). Mas, seremos todos atingidos, de uma forma ou de outra.

Leio as últimas pesquisas de opinião, vejo o agressivo exército dele nas redes sociais e concluo: neste momento as chances dele ir ao segundo turno da eleição presidencial são reais. Considero, porém, mais factível ele chegar ao segundo turno do que ganhá-lo, seja lá contra quem for.

Por via das dúvidas, preparo-me de antemão para o pior. Não me surpreenderei se ele for eleito. Acreditem, caso isso ocorra, sentiremos saudades de Temer!

Neste momento as mulheres e os nordestinos são os principais diques ao crescimento do candidato nas pesquisas. Pois é, os nordestinos, quem diria! Tão enxovalhados pelos do Sul e Sudeste que os consideram alienados e ignorantes políticos.

Um dado me chamou a atenção na pesquisa do Datafolha divulgada recentemente. O militar é o preferido entre os que têm curso superior. Esse dado não me causou surpresa. Só desalento mesmo. Convivo com esse pessoal. Sei o que pensam e como se comportam no dia-a-dia.

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Vimos muitos desses santinhos em passado recente, vestidos de verde e amarelo nas ruas, marchando contra a corrupção, geralmente, ao lado de patos. Impossível saber quem era quem. Corrupção para essa turma varonil, bem entendido, é sempre a dos outros. Estão preocupados mesmo em manter seus status quo, seus privilégios e o resto que se exploda.

Acham, como o candidato que defendem, que tudo se resolverá com autoritarismo, balas e armas em punho, cadeia em massa e quicá a volta da escravidão. A desgraça é que, sob o fascismo, todos perdemos, independente de ter votado ou não no candidato que encarna os piores instintos dos brasileiros.

Sabe o que é fascismo quem viveu sob ele. Como a escritora Natalia Ginzburg, de quem li recentemente o magistral “Léxico Familiar”, que tem como pano de fundo o fascismo italiano, de onde copiei esse trechinho: – Alberto! Prenderam o Alberto! Mas Alberto nunca se meteu com política! – dizia minha mãe atordoada. Meu pai dizia: – Ele foi preso porque é irmão de Mario! Porque é meu filho” Não por ser ele!”

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Tácito Costa

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