A Casa do Chão Vermelho

Carlos Gurgel
Artes VisuaisMais

Arthur Ri é um jovem artista da cidade que vive a arte como um visceral escudeiro, que recria a rotina, o cotidiano da cidade, através de vultos e sombras; além de ser um músico, guitarrista genial; um artista natalense que a cidade necessita conhecer.

Carlos Gurgel_A Casa do Chão Vermelho_Arthur Ri essa 2

“Arthur se alimenta da seiva por onde os peixes andam. o mundo ao seu redor, parece uma interminável arapuca de imensas imersões da alma […] se alimenta da seiva por onde os peixes andam. o mundo ao seu redor, parece uma interminável arapuca de imensas imersões da alma”.

a mão desenha o que o instinto pede. o que o instituto do instinto pede. vísceras sem viseiras. o podre, o pobre do poder. tanta carnificina pela rua como oficinas de um perdão impossível.

o ímã de um assaz guindaste nos consome e por ele as células de uma evaporação do íntimo dos pássaros e de tudo que regurgita na aldeia banguela de ouro e da falácia das amizades que não carregam o pó do tempo nos seus ouvidos. sim cada vez mais é preciso impaciência e ansiedade.

por onde o perfume das locas estará ? de tantos pedregulhos, paralelepípedos e fisionomias ? disseca-se o não para se encontrar com a escuridão ? Arthur Ri é tudo isso e muito mais.

ele entra pelo íntimo da estrada que escolheu, e percorre como uma lâmina acesa, crua, vertiginosa e traiçoeira, a esteira de um tempo cru. bem ao gosto dos jantares assassinos e banguelos.

plenipotenciário é a vala escura da noite. morcegos e fisionomias estranhas balbuciam sem parar, como se fossem costumes alquebrados, correntes separadas e enferrujadas.

as estruturas visuais de Arthur são desastres, úmidos céus como epidemia de uma rua sem cor. percorrer com os olhos o que Arthur cria, simplesmente é despir-se da beleza sem hábitos e da cancela onde por trás dela, não existem calafrios e urros claustrofóbicos.

Arthur toma um café logo cedo, sabe que os animais pedem sua companhia. Arthur ri do mundo como uma facínora escapada noturna. sabe que os moluscos que encontra pelo caminho não passam de seus amigos.

Arthur adormece na casa com as janelas todas escancaradas para o sol. Arthur se alimenta da seiva por onde os peixes andam. o mundo ao seu redor, parece uma interminável arapuca de imensas imersões da alma.

o olhar desse artista cobre de cinza o corredor por onde as formigas fazem o seu ninho. saber que é preciso sobreviver na astúcia de um próximo passo regado à pintura, musica, como um perfeito peregrino de tantas asas, milhares de asas.

soube que seus desenhos cada vez mais revigoram nossos olhos e a tentação da rua que está abarrotada de loucuras desprezíveis.

fluir nos desenhos de Arthur é como dizer que esse nosso planetinha chora de tanto gozo. pois as faces, duendes, pergaminhos por onde Artur destila sua imbatível arte, sua de tanto resfolego, garimpo, sindicatos dos corações rebeldes.

Carlos Gurgel_A Casa do Chão Vermelho_Arthur Ri - desenhos

Sem Nome – 72 x 100 cm / Acrílico/Óleo/Tela – Fev 2017

veja, é possível fazer novamente a rota do regresso. ontem foi mais um dia, de tanta tormenta, de tantas obscuras coisas escuras. sentimos como uma aura boiando no mar. a aura sentia saudade de si e dos outros camaradas. uma pulsante aura, como uma pulseira dançando o som da meia noite. encharcada de tapetes lunares. de tantas rotas. inúmeras festas, no bamboleio das faces iluminadas de frases e transes.

quem disse que o esconderijo do escondido luar não existe, está coberto pelo pó do tempo, que fez dos teus olhos, uma sirene rústica de ontens e da freguesia do esquecimento e da tormenta de tanta coisa sem movimento.

a casa do chão vermelho de Arthur, Ilanna, agregados e convidados, grita, estremece, ultrapassa as paredes por onde as pessoas adormecem.

parece que foi ontem, mas já é manhã. manhã do amanhã que já vem. Arthur põe seus quadros debaixo dos braços, como se fosse sangue explodindo nessa terra de um sol terminal. acima do que a mente consegue entender e ir.

sim, estamos todos uniformizados de irmãos de Arthur. por ele, como uma ventania nova. como um arrecife que protege o mergulho da alma sem camisa, nua, andando pela avenidazinha descolirida de paisagens.

as telas de Arthur Ri são perfeitos seres que estão a cada dia nos acordando de um sono profundo, esses seres tem a magia exata de tudo que respira e sonha. e é exatamente na companhia desses seres que encontraremos o caminho da volta por onde o mundo se perdeu.

Ateliê Casa do Chão Vermelho (Arthur Ri e Ilanna Thalma ).

Rua Major Afonso Magalhães, 164 – Areia Preta – Telefone: (84) 98716-1595

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Carlos Gurgel

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