A literatura, por Vargas Llosa e Ricardo Piglia

Tácito Costa
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O período de férias para mim é sinônimo, principalmente, de ler e ver mais filmes. Antigamente, muito antigamente, eu viajava. Mas nos últimos tempos isso não foi mais possível. Se bem que o mergulho em livros e filmes não deixa de ser também uma “viagem”. Cada um faz a viagem que pode!

Esperava ler dois romances esse mês. Apostei em obras de autores nacionais, mas não passei em ambos da página 50. Como já conhecia os escritores, muito considerados no cenário literário brasileiro (de um li um livro e do outro dois), estava confiante de ter feito as escolhas certas. Mas enganei-me. Acontece algumas vezes, não é nada demais.

Cada livro tem suas especificidades. Escritores e leitores mudam. E acaba havendo certo desencontro. Lembro que adorei “Viagem ao Fim da Noite”, de Céline. Mas não cheguei ao fim de “Morte à Crédito”. Agora, tem autores que gosto de todos os livros. Para citar apenas um: García Márquez.

Como não deu certo o plano A, parti para o B. Ensaios sobre literatura. Estou lendo, simultaneamente, “Formas Breves”, de Ricardo Piglia (faleceu recentemente), e “A Verdade das Mentiras”, de Vargas Llosa.

Piglia reflete sobre alguns dos maiores escritores argentinos, como Macedonio Fernández, Borges e Roberto Arlt, sobre clássicos da modernidade como Joyce, Kafka e Gombrowicz, sobre as relações entre literatura e psicanálise, e sobre a natureza do conto, tema ao qual volta, com o ensaio “Novas teses sobre o conto”.

Vargas Llosa analisa as grandes obras de ficção do século XX – entre elas, “O coração das trevas”, “Morte em Veneza”, “Dublinenses”, “Mrs. Dalloway”, “Admirável Mundo Novo” e “Lolita”.

Puta merda, como esses caras escrevem bem!

Claro, se a gente conhece as obras e autores enfocados por Piglia e Llosa desfruta ainda mais das leituras. Mas, mesmo não conhecendo, no meu caso, por exemplo, Macedonio Fermandez, a leitura também vale muito a pena.

Isso porque as considerações gerais sobre literatura que emanam dos textos ultrapassam em muito as obras abordadas.

Na verdade, Piglia e Llosa servem-se desses escritores e livros para falar sobre literatura. Com conhecimento profundo, mas de formas simples e agradável. Bem próximo do bom texto jornalístico. Um deleite!

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Tácito Costa

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