A santa muerte

31 de maio de 2010 às 22:10 - 4 Comentários
Por Gustavo de Castro

Quis o destino que eu viesse ao Mexico. De mochilas e de sandálias fui procurar Juan Gelman. Poucas vezes um paìs me desconcertou tanto quanto o Mexico. Nem vinte e quatro horas aqui e eu ja havia sido nocauteado com catorze emocoes…

Os homens coletivamente se benzendo quando o aviao tomou pè na pista; A educacao e a gentileza do povo, simpàticos ao ponto do inacreditavel. Ao chegar compreendi logo que a santa padoreira deste povo è a Santa Muerte. Hà altares pra ela em todos os lugares. Caveiras sao artigos de lembranca do Mèxico, penso eu, turista aprendiz.

Os jornais aqui fafam dos 24 mil mexicanos que morreram em quatro anos na fronteira com os Estados Unidos. Aqui sò se fala do trafico de drogas. A campanha na midia è pesadìssima.

Pesadìssimo como a comida mexicana. Que coisa inacreditavel è o tanto que este povo gosta de comer. Foi dificil achar uma lan house aqui. Dificilimo. No entanto, lugares para o comer frugal, vc encontra em toda a parte. Atè agora provei pombazos, gorditos, campachanos, pachuquena, tecolotes, moletes, arrocheras, chilaquiles, cebiches… Náo me pergunte o que è isso.

No sitio arqueologico de Teotihuacan, dois mexicanos reconheceram pelo meu espanhol de quinta categoria que eu sou brasileiro. Como o Brasil è um paìs imenso, quiseram saber de onde eu era. Disse “Natal”, e eles ficaram ainda mais perdidos. Nao sabiam onde ficava. No parque, diante da piramide do Sol, pensei na terra do Sol. No alto da piramide vc pode se sentar bem no cocoruto dela e ficar ali se quiser o dia todo.

Fui tambèm ao local onde os Aztecas faziam sacrificios humanos. A diferenca dos antigos para nosotros com relacao aos sacrificios humanos, è a de que eles ritualizam e nòs nao. Assumimos que matamos por prazer. A cultura que governava este lugar a mais de dois mil anos atràs, era a Sociedade da Serpente Emplumada. Casta de sacerdotes, guerreiros, comerciantes e magos. Todos eles descendentes dos Atlantes.

As piramides sao fascinantes. Poder andar e contemplar o sitio arqueologico è algo divinamente sinistro. Hà uma outra cidade abaixo, com tuneis, cavernas, pequenos templos, moradias. Náo fossem os turistas e os vendedores de bugigangas, tudo seria muito silencioso. A calcada de 4 kilometros q segue por todo o sitio arqueologico è chamada calcada de la Muerte. Tirei muitas fotos mas nao sei postar, entao vou dar um jeito de aprender assim q voltar ao Brasil.

Uma coisa me deixou feliz. A certa altura, quando hablava o meu espanhol mal arrumado com um senhor, Eloi Moreno, guardei o seu nome, ele disse “Vocè do Brasil, nao è?” Disse que sim. Perguntei como ele tinha advinhado. Ele respondeu: “Todo brasileiro fala doce!”

Veja sò que maravilha! Viva o povo que adora a Santa Muerte!

4 Comentários

  1. Tânia Costa
    1 de junho de 2010

    Conte-nos todas suas descobertas e impressões. Viajei junto!Quisera eu estar peregrinando em sua companhia. Beijos,

  2. 1 de junho de 2010

    Viava o México,

    Viva a essa grande cultura.
    Viva a minha bela Frida Kahlo
    Se os americanos fumassem menos morreriam menos gente no México.
    É assustador a quantidade de gente que morre no México por conta do tráficos de drogas.
    Na fronteira.
    Quero conhecer. Vamos fazer uma viagem nós do SP

  3. Jarbas Martins
    1 de junho de 2010

    Para mim, caro Gustavo, Juan Gelman é o Che Guevara da poesia.Enterneceu-se sem esquecer as duras lições da vida e da arte.Se o encontrares dá um abraço de um angicano e recita, em meu nome, um desses versos:

    la vida involuntaria que borra ninños del cuaderno

    participa la llaga que se obstina

    los saberes que vagan escribiendo a los otros cuando gritan en su dolor natal

    dibuja su claro delirio con los ojos abiertos

    abran el sueño que no quiere dormir

    Abraços, irmão

  4. Jarbas Martins
    1 de junho de 2010

    Errata: o primeiro verso de Juan Gelman -

    la vida involuntaria que borra niños del cuaderno

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AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

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  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

    mais informações »

  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    Vento nordeste
    10-02-2012 às 7:14 - Comentar
    Por Oreny Junior

    sopra
    meu vento nordeste
    sou todo seu
    feito de sol e sal
    visto as velas
    desse cais cansado
    que tanto me espera
    levado pelas caiçaras
    nos lemes canguleiros
    sopra
    meu vento nordeste
    a amada me aguarda
    o rancho está vazio
    aproveita a baixa da maré
    e me atraca
    joga essa âncora
    onde o tempo
    por uns dias
    será meu amigo
    sopra
    meu vento nordeste
    sopra
    sopra
    ..

    COMENTÁRIOS

    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante
    • Marcos Silva: No diálogo de 2010 sobre esse tema aqui, SP, considerei o direito do feto como especialmente frágil, uma vez que é uma vida ainda sem voz. Prefiro que haja debate sobre esse e outros temas. Não procuro convencer ninguém. Apenas considero fundamental ocupar o espaço público com argumentos em confronto, evitar a política de cada macaco em seu galho. Sou homem, não engravido. Mas posso engravidar uma mulher. Para evitar isso, tomo as providências necessárias (camisinha, em especial). Se engravidasse alguém, defenderia o feto, sim - parte de mim, parte do direito ao meu corpo. Melhor conversar. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Marcos silva, discordo. O tema do aborto é tão absurdo que nem sequer deve ser debatido. Você não percebe que isso é exatamente o que os abortistas desejam? Eles desejam pôr em discussão um assunto que até então é evidente: a vida humana ganhou um valor intrínseco com o Cristianismo (todos são filhos de Deus, todos são irmãos), mas agora os que querem erradicar Cristo da sociedade estão querendo justamente questionar esse valor, "discuti-lo". Seria o mesmo que você propor que o tema da pedofilia é muito sério e precisa ser debatido, ou então que como alguns seres humanos têm tendência homicida, deveríamos debater o homicídio. A discussão em si já questiona o valor, e eu te asseguro que as pessoas que propõem isso sabem o que estão fazendo, porque eu estudei com essa gente que quer manipular a linguagem para mudar a sociedade. Elas nunca vão apresentar suas reais intenções, porque tais intenções não atrairiam ninguém, causariam repugnância. A propósito, desculpem-me: nos comentários anteriores errei o endereço. Querem ver se o aborto é algo a ser discutido? Assistam a esse vídeo: abort67.co.uk Abs - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Yuno Silva: Pelo visto dá para ver que o assunto é polêmico, cultural, um tabu histórico, e abordado com o lado emocional da racionalidade. Deixemos a cristandade de lado para um debate amadurecido. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Carmen Vasconcelos: Grata, Anchieta. - Avoengo
    • Marcos Silva: Walter: Entendo que o grande equívoco foi terem implantado uma ditadura no país. Objetivamente, os guerrilheiros do Araguaia e outros não tinham poder de fogo para o enfrentamento com um Exército regular e minimamente equipado, que sustentatava o regime. Mas a guerrilha anunciou, tragicamente (porque muita gente morreu e sofreu - e não só os guerrilheiros propriamente ditos), que nem tudo era ditadura. Não anunciou sozinha, claro. Parte da produção artística (música popular, artes visuais, teatro, cinema, literatura) também o fez. A mesma situação se observou nos movimentos sociais que foram se estruturando contra o regime. A "milicada" não precisava de treinamento, já era bem treinada e o demonstrou desde o começo do regime, oprimindo os adversários. É possível que a guerrilha tenha servido como álibi para o regime. Mas uma ditadura, quando não tem álibi, inventa, como o Nazismo o fez em relação aos judeus. - À sombra da ditadura
    • Clarissa Torres: Paiva, texto incrível! Que alma atormentada e corajosa. Realmente, a imagem é igualmente perturbadora e por isso belíssima. Me lembrou Ego Schiele. - Rita louca
    • Jarbas Martins: Seja apocalíptica, não, Paglia.Tenha medo não. De hora em hora Deus melhora. - Camille Paglia, em entrevista recente
    • Jarbas Martins: Sai dessa, M.Couto. - À sombra da ditadura
    • Jarbas Martins: Tô contigo, Alex. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”