Achismo?

7 de setembro de 2010 às 22:37 - 8 Comentários
Por Fábio Farias

François,

Pelo menos há gente que, ao invés de ficar sentado e reclamando de jornalistas e do quanto os nossos políticos são estúpidos e ignorantes, agem. O debate é uma ação, é uma semente que está sendo plantada para, daqui há alguns anos, mudar a triste realidade da cultura no RN.

Não adianta ficar sentado na poltrona, com ares de soberba e arrôgancia e vir aqui arrotar um texto dizendo que, primeiro, o debate não vai dar em nada e, segundo, acusando-nos de “paparicar políticos”.

Você tem todo o direito de não acreditar na ação e no discurso plastificado dos políticos, mas agir dessa forma mesquinha para desqualificar uma tentativa, mínima, de organizar a cena cultural da cidade e de gerar uma forma de pressionar o poder público sobre os anseios da cultura, é estupidez, para não dizer desonestidade.

Esse dabate nasceu como forma de acabar com um pacto de conformismo, de marasmo nessa cidade que existe em todas as áreas, principalmente na cultura. As pessoas aqui são acostumadas a, perdoe a sinceridade do termo, foderem-se e ficarem caladas. Elas não se movimentam, não agem. Fazem que nem você, François, arrotam reclamações sem sair da zona de conforto. E quando há algo diferente, são as primeiras a agir com mesquinharia. Aliás, reação típica de provincianos.

Engana-se você, caro François, que o debate foi feito para, “paparicar o poder”. Ele foi feito para mostrar que tem gente, mesmo nova, mesmo inexperiente, mas que está com a cara a tapa, preocupada em construir alguma coisa de futuro nessa cidade. Um futuro que a sua geração não construiu para gente. Pessoas que não são como você, caro François, que talvez pelo cansaço, contaminaram-se com o marasmo reinante em terras potiguares. Pessoas que, ao menos, tentam mudar alguma coisa.

A idéia do debate é para, antes de tudo, mostrar aos donos do poder que tem gente preocupada e tem gente que vai fiscalizar as ações deles quando eleitos. É bom aqui adicionar um fato: tudo o que for falado será gravado, compilado e, após as eleições, disponibilizado na internet como forma de pressionar as políticos falas que virão – claro – bonitinhas e plastificadas, para ver o que vai tornar ação real. E, uma vez na internet, arquivado, servirá como base para pressões políticas futuras. Muito melhor do que ficar com a bunda sentada na cadeira e reclamando da vida.

Críticas aceitamos de bom grado, a de Alex de Sousa, inclusive, pertinente, com conteúdo, vai ajudar essa equipe a nortear outros debates que virão, seja nas próximas eleições para prefeito, seja para governador. Esse debate é uma semente de algo a ser colhido no futuro, uma forma de mostrar que existe uma classe artística, que ela deve ser olhada e que reivindicamos ações em prol da cultura. É um início, caro François, que pode até ser utópico, mas início de algo que pode se tornar grande daqui há alguns anos.

8 Comentários

  1. françois silvestre
    8 de setembro de 2010

    Não respondo sobre avaliações negativas a meu respeito. É um direito de cada um. Se vou à chuva tenho de esperar ser molhado. Não chamei ninguém de estúpido
    ou ignorante. Chamo-os de desvinculados com a cultura e quem quiser que ponha a carapuça. Não acredito nos frutos desse ou de qualquer outro debate. Até porque conheço os envolvidos. Merecedores do meu respeito pessoal, mas não da minha confiança política. Pobre cultura. O futuro próximo dirá quem está com a razão. Torço para estar errado. Talvez você não acredite, mas eu torço. Também não acusei ninguém de paparicar políticos, mas de paparicar o poder. Não pessoas individualmente, mas instituições vinculadas à produção cultural. Se ofendi alguém, peço desculpas. O objeto da minha ira é a hipocrisia que cerca a atividade pública, no âmbito cultural. Quero que você cite alguém que tenha cobrado a continuação do trabalho que foi interrompido pela corrupção. Não.Só o escândalo interessou. É ou não verdade? Quero que negue o processo de democratização que deflagrei na Fundação. Abertura e ação. É isso.

  2. françois silvestre
    8 de setembro de 2010

    Tácito, se possível, por favor retire do meu texto a expressão “tudo um bando de canalhas”. Faço autocrítica e reconheço que generalizei burramente. Obrigado e abraço.

  3. françois silvestre
    8 de setembro de 2010

    Com exceção da expressão “tudo é um bando de canalhas”, que pedi para Tácito retirar, reafirmo tudo o que disse. E tenho certeza, pelos fatos, de que vc precisará comer ainda muito feijão com arroz pra fazer um décimo do que já fiz pela cultura e liberdade da minha terra. Terra, aliás, de cuja cultura você sente monotonia. Seu discurso é lamentavelmente inócuo. Exatamente igual a esse debate sem futuro.

  4. 8 de setembro de 2010

    Não te chamei de estúpido. Leia de novo. Chamei seu texto, sua insinuação que estamos “paparicando o poder” de estupidez e desonestinade.

    E a insinuação é estúpida, grosseira e desonesta porque você não conhece quem está organizando, não sabe das motivações que nos levaram a organizar esse debate o que invalida grande parte dessa sua tentativa de desconstrução.

    Isso daqui não é nenhuma competição para saber quem mais fez por cultura François, tenho a idade para ser o seu filho, mas é você quem age com infantilidade.

    O debate é uma ação, mas uma, que tem o claro objetivo de pressionar o poder público, de mostrar que tem gente preocupada com a cultura, de que tem gente que vai pressionar os políticos para melhorias na área.

    Você tem todo o direito de acreditar que essa ação não vai dar em nada. Não tem o direito de nos acusar, injustamente, de pedantismo ao poder, sem nem conhecer os envolvidos e as nossas motivações.

  5. François Silvestre
    8 de setembro de 2010

    Tudo bem. Não vamos exagerar nas discordâncias. Tentemos regar os pontos comuns. A sua frase de que tem idade para ser meu filho, me derrubou. Abraço e me desculpe.

  6. 8 de setembro de 2010

    François, perdoe a agressividade no argumento, entendo sim que estamos do mesmo lado.

    Me senti, apenas, muito agredido com o fato de vc ter classificado a nossa iniciativa como “paparicação ao poder”

  7. 8 de setembro de 2010

    Que bom, François, que você fez tanto pela cultura quanto você mesmo aponta. Mas, todos estamos de acordo que não foi o suficiente, não é? Nós estamos aqui para continuar. Como o Fábio disse, estamos do mesmo lado. Temos todo o direito de sentir monotonia (e eu sinto muita, aliás), nós somos outra geração. A gente não pode repetir o que você fez. Se nosso discurso é inócuo, a gente vai aprender fazendo e minha única esperança é de não me tornar tão amarga a ponto de desqualificar quem vem depois.

  8. 8 de setembro de 2010

    Quero acrescentar que entendo e respeito o que o François já fez (ou vem fazendo) pela cultura deste lugar. Mas, diante de tantas acusações injustas, é difícil ficar séria.

Postar Comentário

AGENDA

  • Pinacoteca está com Edital aberto para ocupação das Salas de Exposições

    Artistas plásticos e visuais ainda podem se inscrever no Edital de Ocupação das Salas de Exposição da Pinacoteca Potiguar para todo o ano de 2012.

    mais informações »

  • Rede Cinemark exibe direto de Londres a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House

    Espetáculos serão transmitidos em mais de 30 complexos espalhados pelo Brasil, sendo dois ao vivo. Natal-RN participa da programação e os ingressos já estão à venda

    A Rede Cinemark traz para o Brasil, com exclusividade, a temporada 2012 de óperas e balés do The Royal Opera House (ROH), de Londres, a partir do dia 25 de fevereiro.

    mais informações »

  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    No bar
    08-02-2012 às 22:17 - 7 Comentários
    Por Jairo Lima

    Chegaste a mim não como lume
    Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
    E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
    E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa

    Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas

    E eu te vi.
    Te vi como se vê mares e dunas
    Como coisas que são sem oráculos nem seitas
    Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
    Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
    E parecia que contigo aquela noite estava feita

    Te vi coxas, riso, ombros e mãos
    Perdidos entre afago e maldição

    Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
    Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce

    Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
    Se colam, se penetram, se invadem;
    Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
    Destruindo colheitas

    Aquela noite só prometia suores
    Conquistados a cada beijo
    Os latifúndios do desejo
    Eram cada vez maiores

    (———–)

    Vim de longe
    Em hora incerta
    Vim de lunas
    Vim de céus perfurados de estrelas
    Vim de amores submersos em dores e desfeitas
    Para que celebrasses a consagração bizarra
    Que faz a carne virar pão
    O sangue virar vinho
    E a cama virar mesa
    Onde a fome dispõe as suas facas
    Para cortar as carnes e sugar a seiva

    (—————–)

    ******

    Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
    1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
    Não sei
    2. E porque voltou a envia-los agora.
    Sei lá.

    COMENTÁRIOS

    • Marcos Silva: Anchieta: Obrigado, lerei e comentarei depois. - Ai Hay Hai
    • Fernando: Nossa, nunca li um artigo tão fraco como esse, nunca vi tantas falácias coligidas em um artigo de um abortista (não nos parece um jornalista, já que demonstra nada ter lido efetivamente sobre o aborto). Vejamo-las: 1) Aborto não é questão de controle populacional: mentira. Basta ver a origem da defesa do aborto nos EUA e basta ver quem financia o aborto ainda hoje. Para quem nada sabe do assunto, estudar a história das fundações Rockefeller, MacArthur e Ford pode ajudar. 2) Aborto é "direito reprodutivo". Direito??? Que absurdo! Além do absurdo, o termo maldosamente forjado para induzir a erro é incoerente: como pode um "direito reprodutivo" tirar uma vida? Ah, tem dúvida se é vida humana? Por favor, dá uma olhadinha aqui: abort67.com.uk 3) Ó loucura... "atendimento de qualidade" e "sem preconceito" do Estado para ajudar uma mulher a matar o próprio filho. Quanto amor, quanta bondade! Quer saber? Chega de ironia, falemos a verdade: que nojo, quanta hipocrisia! Por que não propor educação sexual para valorização da mulher, do corpo, do próprio sexo, ao invés de louvar o sexo irresponsável que gera vida e que deve terminar em assassinato "de qualidade" e "sem preconceito"? Repito, gritando: QUANTA HIPOCRISIA, QUANTA HIPOCRISIA ASSASSINA MENTIROSA travestida de luz. Típico de quem quer fazer o mal. 4) Ah, o velho conceito da luta de classes para transformar o assassinato de bebês em "questão de saúde pública": mulher rica aborta com segurança, mulher pobre aborta e morre. MENTIRA HORROROSA!! Uma simples consulta ao SUS desmistifica essa mentira. O aborto como causa de morte de mulheres está LONGE, MUITO LOOOOOOOOOOONGE de ser questão de saúde pública. Mas é claro que este abortista (jornalista? Não... já não resta dúvida) está mal informado, lendo pesquisas financiadas pelas ONGs abortistas que sabidamente MENTEM para jornalistas divulgando números falsos que eles irresponsavelmente repassam para pressionar a opinião pública. Deem uma olhadinha aqui (é só uma das evidências...): http://boletimfedf.blogspot.com/2011/03/os-controversos-numeros-do-aborto-e.html 5) Como é fácil ter opinião diferente sobre o feto quando você não foi abortado, né japonesinho? Que lindo que soa aos ouvidos menos instruídos "direito sobre o próprio corpo". Que sorte a sua que sua mamãe (e seu papai, coitado! Não o reduza a nada! Ele também quis que você viesse ao mundo... Como você pode tirar dele o direito de amar você?) - que sorte que ela não pensou como você!! Afinal, seu corpinho não era nada, não é? Era uma unha encravada da mamãe, não é? Se você tem dúvida sobre "que corpo" é mutilado, se o da mamãe ou o do bebê, recomendo novamente este videozinho instrutivo: abort67.com.uk 6) Ave, e o que dizer da tese - histérica - de que "religiosos estão se intrometendo na questão!!! O Estado é laico!!" Será que não existe um ateuzinho que não concorde com a matança de bebês? Acho que existem sim. Muitos. Mas é mais fácil ser ignorante (ou maldoso) e criar uma guerra religiosa. Abjeta, como aliás têm sido todos os supostos "argumentos" até aqui para defender a matança de bebês gerados irresponsavelmente. 7) E o autor - que por sinal demonstra ter um elevadíssimo autoconceito, um amor-próprio no mínimo... doentio, para usar um eufemismo - ainda tem o fingimento de se apresentar aos leitores como alguém que está preocupado com a dignidade alheia, quando se acha no direito de decidir quais dos mais novos membros da espécie humana devem ou não viver. Como é triste a cegueira humana! É surpreendente até que ponto alguém ensimesmado consegue perder a noção da realidade! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: É, Alex de Souza... "seus corpos" - abort67.com.uk - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • chico m guedes: coisas de Jairo eu sempre me pego lendo em voz alta; é quase táctil (quase?) - No bar
    • Daniel Menezes: Ótima reflexão. - Yoani Sánchez, a direita e a esquerda
    • Jairo Lima: Brigado, Nina, sou leitor atento e empolgado de tua poesia. - No bar
    • Anchieta Rolim: Marcos Silva, caso tenha interesse dê uma olhada nesse blog: araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com Um abraço! - Ai Hay Hai
    • Marcos Silva: Aprendi a sentir Anne como mais que irmã, pedaço de mim, essas coisas que uns e outros consideram sentimentais mas são apenas sentimentos que nos diferenciam dos computadores. Grande beijo. - Ai Hay Hai
    • Anchieta Rolim: Gostei muito da matéria. E pra quem interessar, segue o blog do meu amigo João Carlos Wisnesky que foi um dos guerrilheiros do Araguaia e que ainda continua sua luta para esclarecer esse fato histórico. araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com - À sombra da ditadura
    • Nina Rizzi: Gosto muito. E o meu gostar tem a pretensão dos desejos mais pungentes. Um beijo :) - No bar