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6 de março de 2010 às 9:27 - Envie para o twitter

Agripino: enfim, um escritor!

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

Cesse tudo o que a Musa antiga canta: nasce um escritor! O texto “O que faz o DEM ser diferente”, de José Agripino (FSP 5.3, p 3), revela o maior talento ficcional brasileiro (talvez mundial, só a Comissão do Nobel de Literatura poderá aquilatar essa faceta) das últimas décadas. Comentando o episódio brasiliense dos corrompidos panetones democráticos (Arruda & Cia.), Agripino consegue resgatar tradições clássicas da mais alta Literatura, que vão de Aristófanes a Swift, passando por Rabelais, Bocaccio e Bocage (os fesceninos), sem negligenciar os brasileiros Machado de Assis, Lima Barreto, Mário de Andrade (cf. a “Carta pras Icamiabas”) e Millôr Fernandes. José Agripino – this is the real guy! – associa a rica tradição do riso em Literatura a uma grande capacidade de trabalhar a fantasia sem limites, transitando desembaraçadamente entre o o melhor Lewis Caroll e o melhor Jorge Luís Borges, ameaçando ultrapassar até mesmo os mais refinados momentos de Isaac Asimov e Ray Bradbury, em diálogo metalingüístico com o cinema de Stanley Kubrick (2001 e A laranja mecânica, mais ecos intertextuais de Dr. Fantástico). É assim que, com extrema sutileza de estilo, os dólares nas cuecas alheias são destacados enquanto desaparecem os dólares nas meias dos dele, pura magia do verbo. E, evocando Kafka com transfusões de Santa Teresa de Ávila, observa-se a metamorfose metafísica de bandalheira em sacralidade e umas pitadas de sacanagem no nível de Carlos Zéfiro.

A Academia Brasileira de Letras está com uma vaga aberta (morte recente de José Mindlin). Convoco os pré-candidatos a reconhecerem a infinita superioridade da poética agripiniana, renunciarem a suas ambições e permitirem essa rara oportunidade de apoteose para a Literatura pátria – o ingresso, por aclamação, de Agripino. De quebra, a cultura potiguar alcançará uma visibilidade mundial nunca dantes navegada, apesar dos notórios esforços do grande Câmara Cascudo.

Enfim, o primeiro Nobel brasileiro se configura! E graças ao DEM…

Abraços a todos e a todas:

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