Ainda Ariano
10 de janeiro de 2010 às 22:08 - Comentar
Marcos:
A “pérola” arianística sobre José de Alencar ser “mais importante” do que James Joyce – na opinião de Suassuna – era expressa justamente nas aulas de Estética ministradas pelo autor do “Auto da Compadecida” na UFPE.
Ou seja, coisa de uma irresponsabilidade tremenda, uma vez que o Professor Ariano – como você bem detecta, Marcos – realmente a pronunciava mais ou menos com o Paulo Emílio Sales Gomes recomendava se “preferir” o pior filme brasileiro ao melhor estrangeiro (ou algo assim).
Sendo os dois homens bem diferentes (OPOSTOS, mesmo), conforme você ressaltou, acho que, se eu fosse irmão siamês ideólogico de Ariano ou gêmeo univitelino mental do afável Paulo Emílio, eu não conseguiria subscrever nenhuma das duas opiniões, não teria coragem, cara-de-pau etc, PELO DIANTE DE ALUNOS, isto é, de mentes em formação ainda, de jovens sob os quais eu fosse tentado a exercer algum “charme”, à direita ou à esquerda, ariano ou não-ariano, (nazistamente?) sobre pobres estudantes de Letras ao longo de pelo menos duas gerações…
Foi bom, Marcos, você lembrar a posição “parecida” do gentil, cavalheiresco e inteligentíssimo Paulo Emílio – foto (que descobriu Jean Vigo para os próprios franceses), ao menos para que se faça a diferenciação necessária: Paulo expunha a sua (proposição) como uma bandeira ideológica vermelho-berrante, da qual ele próprio ria um pouco, à socapa.
Suassuna, entretanto, com seu projetado nariz degaulliano, declarava a preferência pela “grande arte” alencariana (versus Joyce) “numa boa”, como um touro que entra numa loja de porcelana – e não se importa.
Enfim, até hoje ele acredita, seriamente, nas besteiras que continua a pronunciar, nas suas “aulas-espetáculos” e fora delas.


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