Ainda Salinger…
17 de julho de 2009 às 19:47 - ComentarAmigo Tácito,
Não vejo qualquer motivo pra constrangimento. Primeiro, como acho que ficou claro pelo menos nas entrelinhas do meu texto, se dependesse da tradução do The Catcher in the Rye que tive em mãos rapidamente, acho bem difícil que eu tivesse sequer lido o livro todo. É possível também que minha resposta mais forte ao romance tenha a ver com minha história pessoal, por ter passado uma parte da minha adolescência nos Estados Unidos, inclusive próximo do universo geográfico e cultural que aparece como pano de fundo no livro. Meu “irmão americano” mais velho, Jonathan, por exemplo, estudou em Choate, uma das prep schools citadas, de onde, aliás, também caiu fora antes de terminar o segundo grau.
Mas talvez o mais importante mesmo seja a força da liguagem oral com que Salinger faz Holden Caulfield desenrolar seu novelo desenfreado de memória e comentário social. É muito difícil traduzir isso sem matar muito do espírito original. Isso é um obstáculo importante, no meu entender, que não tem muita solução.
Como te falei no telefone outro dia, acho que no caso de livros como o “Catcher”, talvez a única maneira de transmitir o vigor do original seja a recriação num dialeto local e geracional brasileiro autêntico, o que implicaria numa adaptação, na criação de um novo livro, quase, mais do que numa “simples” tradução, propriamente falando. Um dia quero poder ver o que os húngaros fizeram com o romance de Salinger, que tradução foi essa que mexeu tanto com as letras magiares.
De uma coisa eu sei: tradicionalmente os tradutores húngaros de literatura eram e são eles mesmos escritores de reconhecida importância. Isso já faz muita diferença…
abraço,


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