Ainda sobre as cotas

12 de março de 2010 às 13:31 - Comentar
Por Tânia Costa

Li a entrevista de Fabio Konder Comparato publicada em 08-03-2010 na revista Carta Capital em que defende a constitucionalidade da adoção de cotas raciais para o ingresso em universidades públicas. Para comparato a ausência desta política se constitui em omissão se caracterizando, assim, como inconstitucional por ferir a Constituição de 1988 que em seu artigo 3º, inciso III, é elucidativa a esse respeito: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”.

No Instituto Federal onde trabalho (ex ETFRN, ex CEFET) desde 1995 são reservadas 50% das vagas para alunos oriundos da rede pública de ensino. São dois exames de seleção distintos. O primeiro exclusivo para os alunos que estudaram em escolas públicas e o segundo onde concorrem às vagas tanto alunos provenientes do sistema público de ensino quanto os da rede de ensino privado. Com isso garante-se um contingente acima de 50% de alunos que estudaram na rede pública de ensino.

No início da implantação dessa forma de acesso, exigia-se a comprovação do último ano (8ª série) cursado em escola pública. Ocorre que muitos alunos que estudavam em escolas particulares ao concluírem a 7ª série migravam para a escola pública para concorrer neste tipo de ingresso. Assim na reformulação do Projeto Político Pedagógico de 2005, passou-se a exigir no primeiro tipo de seleção que o aluno tivesse cursado 7ª e 8ª séries em escolas da rede pública e, assim, sucessivamente até chegar à exigência do ensino fundamental completo que permanece até o momento presente.

Um fator que merece registro é a preparação para o ingresso destes alunos que mediante inscrição, participam no último ano do ensino fundamental de uma preparação para o exame de seleção. Este consta de momentos presenciais e à distância com uma parte de formação geral e outra de cidadania e direitos sociais. Outro dado que merece registro são as políticas de assistência estudantil existentes na instituição que visam corroborar para a permanência do aluno economicamente carente na escola, tais como: bolsas de trabalho, passe estudantil, alimentação, fardamento, material didático dentre outras.

O principio meritocrático defendido pelos “Democratas” e demais liberais que defendem a avaliação das capacidades e talentos individuais dos alunos como único critério de seleção não se sustenta porque as pessoas não são economicamente nem socialmente iguais. Assim, as que tiveram as melhores oportunidades de formação, isto é, as que tiveram dinheiro para pagar a melhor escola é que irão se sobressair. Ao contrário dos pobres que estudam ou estudaram em escolas públicas deterioradas onde faltam desde professores a recursos de infra-estrutura e de materiais mínimos indispensáveis a uma boa formação. A igualdade de oportunidades, ou seja, a seleção que não considera a desigualdade social preconizada pelos liberais ou neoliberais, cuja defesa é circunscrita ao campo jurídico: “todos são iguais perante a lei”, considera iguais os historicamente desiguais.

As políticas afirmativas para índios, filhos da classe trabalhadora e negros. Estes últimos duplamente explorados, oprimidos e os que apresentam o menor grau de instrução por todo um histórico de escravidão a lhes pesar sobre os ombros não irá transformar o capitalismo, mas é preciso reconhecer a exclusão social e “racial” e lutar contra ela. O que me leva a concluir que sem as cotas, pobres, negros e índios continuarão a fazer parte do grande contingente excluído da condição de inclusão social.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - Comentar
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura