Alfarrábio

2 de março de 2010 às 10:35 - Comentar
Por João da Mata

Em Belo Horizonte fica o sebo Alfarrábio do meu querido amigo Eduardo. Durante muitos anos comprei livros no sebo sem conhecer o seu culto e simpático proprietário. Eduardo trabalhou muito tempo com sua irmã Amélia – igualmente amável – que resolveu montar o seu próprio sebo.

No Alfarrábio adquiri muitas raridades que não encontrava em qualquer sebo comum. Livros bem encadernados e cuidados. De bibliofilia, catálogos de bibliotecas e outros livros de referência. Muitos títulos da camoniona foram comprados no Alfarrábio. Eduardo precisou vender alguns livros e desfalcou sua valiosa biblioteca. É um buquinista que conhece a ama o livro. Sabedor durante tanto tempo dos meus gostos já separava alguns livros que dizia tinham o meu perfil.

Não conhecia o Eduardo pessoalmente, só pela internet e correspondência. Eduardo também não me imaginava assim. Pensava-me gordo e mais taciturno. Talvez pelos alfarrábios que comprei. Talvez pela linguagem. Nunca te vi sempre te amei é um título de um livro e filme de que gosto muito. Não pensava que poderia me tornar uma personagem de um filme assim. Assim como sem querer foi isso que aconteceu. Amei e continuo amando Eduardo e seu sebo.

No verão de 2010, em viagem pelas cidades históricas de Minas Gerais e sua capital Belo Horizonte eis que encontro o meu amigo virtual e cúmplice de tantos anos. A alegria foi imensa. Eduardo ficou sem fala e eu mais do que emocionado. Trocamos abraços e lembranças. Eduardo não me esperava. E eu não sabia daquele homem por traz de um cigarro apagado. Fiquei ainda mais apaixonado e sabedor de que o filme pode ser real. De volta a Natal a lembrança daquela viagem inesquecível.

Estou esperando um lote de livros que comprei depois em casa. Agora já sei um pouco mais do homem de cabelos brancos que sem me conhecer me proporcionou momentos de grande alegria. Sei também que Eduardo não ler jornal e assiste TV.

Minas deixou de ser um sebo virtual. Itabira também não é mais só um retrato na parede. Minas – agora, tem forma, cheiro, endereço e saudades de Natal.

Abraços fraternos meu querido amigo.

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    • Daniel Menezes: O direito autoral é a apropriação individual de conhecimento coletivo. Tipo assim, a sociedade trabalha para promover a cultura objetiva e depois, alguém, por um impulso social, produz algo. Afinal, uma sociedade sempre gera as questões que pode responder, já dizia o barbudo. Este "inventor" (expressão burguesa) não produz a "novidade" sozinho e nunca partindo do zero. Depois de feito, diz que aquilo é dele. Só muito aparato estatal para empurrar isso pela goela. - Pirataria
    • Ednar Andrade: Boa noite, Marcos, amigo, querido. Também acho maravilhoso reencontrá-lo. Já sentia a tua falta aqui neste espaço. Saudades. Eu sou, tu és, Rio corrente. Não demores. Beijos, querido. - Fio de luz
    • Regiane de Paiva: Não sei dizer o quanto este texto me emocionou. Aqui sinto a literatura e a vida. Cada metáfora ou descrição de um recorte da memória provoca uma sensação de nostalgia e de melancolia. Llosa afirma que nada ensina melhor que a literatura a ver a riqueza do patrimônio humano e a valorizá-la como uma manifestação da sua múltipla criatividade. Desta forma, entendo que este texto é literatura pura! Literariedade, primor e encanto! Beijos in..... marido! - Da solidão
    • Regiane de Paiva: O título é a extensão do texto. A fala pueril dentro de um contexto como a política remeteu a uma bela reflexão. À medida que eu ia lendo o texto, ouvia uma voz de menino atrás dos meus olhos, parece que o menino conversa fitando o leitor... Texto maravilhoso! - Política de menino
    • Jarbas Martins: UM HAI-CAI PARA FERNANDO MONTEIRO A noite, com gesto brusco,/ roubou um naco da tarde/ e se esgueira pelo subúrbio. - As asas da noite que surgem (1)
    • Jarbas Martins: Fernando Monteiro, sim. E o pouco que li de António Lobo Antunes. - As asas da noite que surgem (1)
    • Jarbas Martins: Juan Ramón Jiménez, sim. E a boa tradução de Antonio Cícero. - Juan Ramón Jiménez: "Soledad" / "Solidão"
    • Marcos Silva: Não assisti à montagem de Roda Viva, eu morava em Natal na época. Li o texto, vi fotografias, ouvi depoimentos (inclusive de Anna Maria Martinez Correa, historiadora e irmã de José Celso, que acompanhou os debates sobre a agressão aos atores da peça). A peça foi recuperada na auto-vitimização de Marília Pera como justificativa para seu apoio à candidatura de Fernando Collor... Na época da encenação, atribuía-se a agressividade da peça ao diretor José Celso. Chico Buarque, com muita dignidade, declarou que o texto era integralmente dele. É difícil dizer para um autor o que ele deve ou não autorizar fazer em relação a sua obra. Roda viva existe como memória. Talvez seja legal pensar, hoje, numa peça sobre Roda viva (que tal uma peça sobre a invasão do teatro pelos terroristas de direita, que contavam com apoio de estado?). En passant, discordo de Alonso sobre a peça criticar APENAS a Jovem Guarda. É claro que ela aborda toda a indústria cultural, que lançou inclusive... Chico Buarque de Hollanda! Nesse sentido, é preciso explorar em profundidade as ligações entre a peça e canções posteriores, como "Agora falando sério" e "Essa moça tá diferente". - Zé Celso questiona decisão de Chico de vetar encenação de 'Roda Viva'
    • carlos de souza: devia liberar a biografia, que não tem uma sequer revelação que já não tenha em sua discografia e reportagens jornalísticas. punir um escritor sério por pura babaquice diminui sua aura de "rei", isso sim. - Roberto Carlos autoriza relançamento de seu disco "proibido"