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29 de outubro de 2009 às 8:28 - Envie para o twitter

Ângela Rô Rô vive

Por Marcos Silva

Amigos:

Também assisti à entrevista de Ângela Rô Rô no programa de Marília Gabriela, citada no texto de Mário Bortolotto. Gosto muito de Ângela, como cantora e compositora. Lembro dela, no começo da carreira, junto com a grande Ângela Maria num programa de televisão, humilde diante da grande mestra, bonita, excelente intérprete. Ela aparece agora com o rosto enrugado precocemente e muito bonito, marcas de quem viveu – o excesso de plásticas dá a impressão de que não houve vida noutras pessoas. Não tenho ouvido gravações recentes dela mas quem compôs e cantou “Só nos resta viver” já prestou um grande serviço à humanidade. Entendi a alegria dela por ter cantado junto com Ivete Sangalo como felicidade por estar viva e fazendo o que sabe fazer bem: cantar. Ivete é uma cantora menor mas foi maior ao tornar possível a alegria de Ângela e de quem gosta dela.

Rô Rô foi preconceituada por expor publicamente sexualidade e ligação com álcool. Não vejo necessidade de fazer essa exposição mas também não penso que ela diminua a grandeza da cantora e compositora – “a alma humana é um abismo”, como nos ensinou Álvaro de Campos. Eu achava ruim vê-la bebendo em tão grande quantidade (como ocorria com Maysa, dentre outros e outras) mas ficava impressionado com a capacidade dela e de seus iguais no sentido de fazerem grande arte em condições físicas degradadas – grandeza anterior e superior à degradação, que demonstra como cada artista é igual a nós.

Ângela entorna poesia (v. Chico Buarque), merece nossa admiração e gratidão.

Abraços:

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