Crônicas e ArtigosPoesia

Antes da Safra

mangas

E foi assim, desacompanhada
pela primeira vez,
que a senhora chegou
naquela tarde ao consultório –
Coberta de luto
da cabeça aos pés.
O silêncio já se prolongava
além do habitual
como se cada um esperasse
do outro a iniciativa.
Rompido enfim o incômodo
pelo fio da sua voz:
É como o senhor está vendo,
se foi enquanto dormia.
Não deu um pio.
Pelo menos que eu tenha ouvido
E olha que tenho um sono de nada.
Conversamos até bem tarde,
nem sei quando adormeci.
Me dá pena que se tenha ido
às vésperas da safra
de que mais gostava,
a safra de manga.

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