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Arte como milagre de uma caça

burburinho 1

 

veja: lá vem eles. todos eles são implacavelmente impávidos. de uma coragem assustadora, pois colhem do tempo o que ele tem mais de precioso: a linguagem da arte.

como um artefato preciosíssimo, costurado pela loucura, de uma raríssima ousadia. a manufatura com a arte, faz dos seus criadores, uma permanente busca. noites mal dormidas. e que pérola! porque as noites mal dormidas, presenteiam à essas pessoas, uma inteiriça vontade de ousar.

esses dias, precisamente 3, por onde no parque das Mangueiras, um tempo desfilou seu encanto, por onde, entre tantas e inúmeras pessoas ávidas, todas elas no encalço da pólvora da poesia, e sem pausa, pelo arrebatamento sonoro, por tantas películas jovens e ancoradas pela permanente luz, vibração que constrói o nosso interior e transforma a paisagem em uma passarela de arrepios e paixões.

burburinho 3

sim, mais do que qualquer outra coisa, esses dias foram benditos. benditos da graça de serem bem vindos. como um refinado e inesquecível impacto de um auto, salto firme, tanto de audaz. como um tresloucado movimento em direção ao nosso mutante elemento do intelecto. como um propulsor de um dínamo que revoluciona o chão tatuado de clarões, aventuras, conquistas, e das sombras das árvores, filhas de uma anunciação sonhada por todos aqueles e aquelas que perseguem a delícia, a maravilhosa expressão de que a cultura alimenta a ponte por onde estão os princípios de uma vida mais criativa e permanentemente recheada de batismos e rupturas, como uma infindável promessa de quem realiza e descobre um sorriso escondido por sobre a face da lua, irmã de tudo que renasce e reina.

burburinho 2Carito e Natália e sua trupe, ofereceram a cidade dos Reis, a possibilidade do reencontro com ela própria. despida cidade, perfilada de nuances, inesquecível paisagem de um litoral agora renascido, povoado de saltimbancos e malucos geniais.

todas as bancas expostas ao sol e lua, oferecendo seus filhos, rebentos; como um colar de prata, artesanais catedrais. na plateia um público em alfa, como possuído por um termômetro abrasivo, receptivo, expansivo.o pulular dos sanduíches repletos de salivas e bis. luzes, sons, cores, amigos desfilando pelo parque. tantas vontades expostas, tantas faces fortes como uma fala que há muito não se ouvia. sim a cidade renasce entre a garra, o suor espalhado, como o poema de um trio de dias, como uma jornada campeã, dançante, entre personagens,protagonizando, conjugando a arte nas suas alturas.

não nos esqueçamos, é sim, pelo Burburinho que o novo sopro floresce. que a safra de novas boas sensações, alimente a geração de uma caixa de surpresas de uma agenda, sedenta pelo caminho por onde as pedras preciosas se encontram. não dúvida tenho: seguramente a cidade acordou. e afirmo: agora desperta, a cidade se encontrou. que a força que a Arte destila, reconstrua nossos corações, sedentos de estrepolias e incontida vastidão. bebamos pois, todos na celebração de um festival belo e pleno do seu compromisso com a sincronia da cidade. burburizar é mais do que se pensa: é a própria plateia por onde o encontro do encanto se deu.

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Carlos Gurgel

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