As donas do apito

8 de março de 2010 às 16:33 - Comentar

Por Felipe Voigt
Blog Questão de Ordem

Confesso que passei muitos anos da minha vida tentando entender as mulheres. E ainda estou tentando aprender um pouco mais sobre esses seres… não tem sido fácil, mas quem disse que seria?

Aprendi, nessa vã tentativa de compreender a alma feminina, que uma mulher não quer apenas ser compreendida: quer ser admirada e respeitada, ainda que nem ela mesma saiba o que pensar, sentir, fazer…

Não, isso não é puxa-saquismo devido a data de hoje. Quem me conhece, sabe o quanto sou encantado por essa divindade chamada mulher. Vou, inclusive, abusar de um clichê tão necessário neste dia: todo dia, de fato, é dia da mulher. Tolo daquele que acha que apenas hoje elas querem ser vistas, notadas, reconhecidas.

É mãe, irmã, amiga, filha, trabalhadora, forte, cruel, devassa, indiferente, doce, fascinante, sensual, instigante, amável, única, complicada, simples, forte e necessitada…

Ao conhecer uma mulher, vi que não podemos nos apegar à primeira impressão: ela sempre dará um jeito de te causar várias outras primeiras impressões. Uma mulher nunca expõe todos seus lados assim, facilmente. Leva-se anos, às vezes, para sabermos de todas as facetas de uma mulher. E mesmo assim, sempre tem uma de reserva.

Sim, toda mulher traz dentro de si outras 5, 6, 7 mulheres… e nem sempre uma vai com a cara da outra. E, certamente, não serão todas que irão com a SUA cara. Aquela que te procura hoje não será a mesma que te ignorará amanhã… tampouco será aquela insaciável que buscará, sedenta, seus braços na outra noite. Muito menos será aquela que usará esses mesmos braços apenas como um consolo para o dia difícil.

Por mais dura, fria e insensível que uma mulher tente aparentar, há sempre uma brecha escondida por detrás de tanta fuga. As que usam desse expediente são aquelas que mais sofreram nas mãos de outros homens, outras mulheres, outros amigos, outros familiares…

Fecharam-se para o mundo, na vã esperança de que isso fosse privá-las de novos sofrimentos. Mas o que querem, realmente, é que alguém não desista nas primeiras tentativas de adentrar tal fortaleza. Elas precisam que esse alguém seja merecedor de conhecer seus segredos, suas mágoas, suas fragilidades.

Aprender a ouvir o silêncio feminino é das tarefas mais árduas e cansativas que um homem pode ter. Nem por isso deixa de ser uma doce e alucinante sensação… especialmente quando o silêncio é quebrado pelo som de seu nome ecoado naquele momento em que ela mais precisa de alguém e você foi o ser clamado!

Por mais passionais que sejam, tudo o que esperam, às vezes, é de um simples “como foi seu dia?” para poder aliviar o peito…

Aprendi que as oscilações fazem parte do cotidiano feminino: ora querem tudo, ora querem nada. Hoje te amam, amanhã te ignoram… pra depois te amarem novamente! Por mais confuso que seja, temos de aceitar que tais nuances ocorrem, por vezes, graças à um cabelo que acordou “do contra”.

Sim, uma simples manhã de “bad hair day” pode ser fundamental na maneira como uma mulher irá te tratar. A culpa não é sua: é do cabelo e do tempo gasto na escova\chapinha… ou na procura daquele maldito lacinho pra prender as madeixas!

Entendi quando uma mulher te pergunta algo, na maioria das vezes, ela já sabe a resposta. Pergunta apenas para te testar e saber se ela ainda consegue te prever como imagina prever. Isso faz com que aquelas perguntas retóricas ou perguntas-pegadinhas sejam cada vez mais difíceis de identificar.

Aprendi que toda mulher se questiona ao menor sinal de não estar agradando… Seja na opinião emitida, seja na roupa vestida, seja na música dançada, seja no namoro engatado, seja no batom passado. Bastou um olhar alheio de dúvida sobre a escolha que lá vai ela se questionar se essa foi a melhor opção optada!

Descobri que o respeito à elas se faz não apenas com palavras educadas: se faz com pequenos gestos diários. Mesmo que você não perceba, fazem diferença. Respeitar o silêncio, entender as inconstâncias, aceitar os desaforos, zelar pelo bem-estar, respirar antes de falar, pensar antes de agir, engolir os sapos, digerir as ausências… tudo isso é obrigatório ao manter-se próximo de uma mulher.

Entendi que uma mulher precisa que tenhamos o discernimento necessário para saber quando agirmos como homem, quando agirmos como amigo, quando agirmos como companheiro. E, sim, ela precisara que sejamos os três: que a desejemos visceralmente à noite, que a compreendamos à tarde e que estejamos ao lado pela manhã.

Acredito, ainda, que a premissa do “sexo frágil” tenha sido alardeada por uma mulher. Assim, ela soube nos fazer crer numa falha certeza de sermos “superiores”. Nessa soberba supremacia, expomos nosso caráter e nossas mazelas. E quando pensamos estar por cima é que vem uma mulher e te dá uma rasteira certeira. Claro, ela esteve te observando “lá de baixo” e o atacou em seu pior ponto fraco. Quando caídos, passamos a admirá-las mais honestamente… tiramos nossa pseudo-máscara para assumirmos nosso papel de coadjuvante!

E, finalmente, descobri que, por mais que sejamos foda, sempre seremos uma peça em seus jogos. Elas irão brincar com você, pisar em você, trucidar sua mente, dilacerar seu peito, debulhar sua alma… apenas porque elas podem!

O pior de tudo é que sabemos disso… e, ainda assim, entramos em campo! Não para ganhar; mas apenas para participar do jogo.

À você, mulher, obrigado por apitar minha vida…

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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    Aconchego
    11-02-2012 às 14:37 - Comentar

    Por Suely Nobre Felipe

    Quando partires do meu tempo,
    Leva-me entrelaçada em teus braços,
    Dividas comigo o teu novo regaço,
    Deixe-me provar da leveza do teu céu,
    Onde ali, repousada entre nuvens,
    Desfiarei nossos melhores sonhos.
    E, por entre os fios dos nossos cabelos
    – Já não tão negros como a noite,
    Confundiremos deliciosos segredos.
    Pois, não tardará o tempo
    Em que haveremos de desfiar
    Capuchos de solidão.

    ACONCHEGO

    Suely Nobre Felipe

    __________

    Quando partires do meu tempo,

    Leva-me entrelaçada em teus braços,

    Dividas comigo o teu novo regaço,

    Deixe-me provar da leveza do teu céu,

    Onde ali, repousada entre nuvens,

    Desfiarei nossos melhores sonhos.

    E, por entre os fios dos nossos cabelos

    – Já não tão negros como a noite,

    Confundiremos deliciosos segredos.

    Pois, não tardará o tempo

    Em que haveremos de desfiar

    Capuchos de solidão

    COMENTÁRIOS

    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura
    • Marcos Silva: Certamente, existem ONGs sérias. Infelizmente, a desqualificação geral tende a se tornar corriqueira. Lembro que ela aparece com todas as letras no filme Tropa de elite (I). - Brado retumbante