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As mulheres de Bukowski (5)

“Tinha reparado numa, mais velha que as outras, com dentes protuberantes. Mas eles protuberavam perfeitamente, empurrando os lábios pra fora, como flor aberta de paixão. quis minha boca naquela boca. Ela usava saia curta e a meia-calça revelava belas pernas que ficavam se cruzando e descruzando enquanto ela ria e bebia e puxava a saia pra baixo, mas não tinha jeito de não subir de novo. Me sentei do lado dela.

– Eu sou… – comecei a dizer.

– Eu sei quem é você. Estava na sua leitura.

– Obrigado. Eu gostaria de chupar a sua buceta. Fiquei muito bom nisso. Vou te deixar maluca.

– Que é que você acha de Allen Guinsberg?

– Olha, não muda de assunto. Quero sua boca, suas pernas, seu rabo.

– Tudo bem – ela disse.

– Te vejo logo. Me botaram no quarto lá embaixo.

Levantei, fui pegar outro drinque. Um rapaz de quase dois metros chegou em mim.

– Olhe aqui, Chinaski, eu não acredito nessa conversa toda de você morar na boca e conhecer todos aqueles traficantes, cafetões, putas, viciados, turfistas, lutadores e bêbados…

– Em parte é verdade.

– Conversa – disse ele, e se afastou. Um crítico literário.

Daí, veio aquela loira, de uns dezenove anos, com óculos sem aro e um sorriso. O sorriso nunca se desfazia.

– Quero trepar com você – disse ela. – Sua cara…

– Que tem a minha cara?

– É espetacular. Quero destruir sua cara com a minha buceta.

– Pode acontecer o contrário.

– Não aposte nisso.

– Você tem razão. Bucetas são indestrutíveis.”

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