Novidades municipais
Sabe da nova? O prefeito recém-empossado resolveu pôr a culpa de todos os males da municipalidade na administração anterior.
Um ano depois, o alcaide creditará os problemas à crise institucional.
Ao fim do mandato, “mais experiente”, o “notável administrador” pedirá ao povo um voto de confiança para resolver todas as questões na sua próxima gestão.
E assim caminha a municipalidade.
Pílulas para o silêncio (Parte XII)
31 de janeiro de 2012 às 18:40 | ComentarNovidades descabidas
Sabe da última? O homem mata o homem, e põe a culpa no destino.
Sabe da novidade? O homem prevê o fim do mundo, e põe a culpa em Nostradamus.
Sabe da derradeira? O homem “adora” velhas novidades, e põe a culpa em… pobres de nós: “malditos poetas-prosadores”.
Pílulas para o Silêncio (Parte XI)
29 de janeiro de 2012 às 9:54 | ComentarEnquanto os homens continuarem a não investir na subterrânea fundação da ética, serão “surpreendidos” pelos escombros malcheirosos dos dias.
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Olhou para trás e não reconheceu a cria dos seus atos. Ao mirar à frente, não entendeu o porquê das nuvens pesadas no horizonte.
Seria ele um agnóstico?
Pílulas para o Silêncio (Parte X)
15 de janeiro de 2012 às 10:08 | 1 Comentário(PARTE X)
Obrigado, e forçado a crer, perdeu a fé nos outros e mergulhou para dentro de si mesmo.
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Ligou a tevê e assistiu, absorto, à novela das oito. No intervalo comercial, percebeu que seus olhos marejaram de bovino enfado.
Pílulas para o silêncio (Parte IX)
29 de dezembro de 2011 às 8:20 | ComentarAo banhar-se no rio caudaloso da esperança, perdeu o viço da luta presente… e morreu afogado no mar das ilusões.
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Espanou os móveis, arrumou as gavetas, varreu o quarto e sala, guardou todos os livros, e sentou no alpendre da casa.
A vida, segundo prognóstico do pastor da aldeia, estava um inferno; então, resolveu passar a noite toda, no sereno, esperando a morte e o Céu chegarem.
Pílulas para o Silêncio
22 de dezembro de 2011 às 16:28 | 2 Comentários(PARTE VIII)
Em cada poeta, a presunção da imortalidade. Em cada verso, a pretensão do mote perfeito.
Enfim, a perfeição é a utopia que tange o poema; mesmos aqueles mais ridículos e imperfeitos.
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Na esquina, um lote de mendigos. No sinal, crianças de colo, oferendas esquálidas das mães aos veículos e aos transeuntes. Por cima de todos, a propaganda gigante, em letras piscantes e garrafais: “Bem-vindo à terra das oportunidades. Aqui, o futuro é agora!”.
Pílulas para o silêncio
4 de dezembro de 2011 às 21:47 | 1 Comentário(PARTE VII)
Toda realização pessoal é uma obra do império do egoísmo.
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Quando caço estrelas, colho navegos. Quando navego, recolho as estrelas no mar e as escumas do dia.
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Se calo fosse sinal de luta eficaz, ao burro já seria destinado o trono dos animais.
Pílulas para o Silêncio (Parte VI)
17 de novembro de 2011 às 10:54 | 2 ComentáriosNa casca da esperança, o casulo da espera. No miolo da espera, a febre da apatia.
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Toda vez que acordares com sede de saber, podes estar certo, andaste deveras sobraçado com convívio-lixo.
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O destino ata e desata, mas só o homem livre é dono da corda.
Pílulas para o Silêncio (Parte V)
11 de novembro de 2011 às 9:24 | 2 ComentáriosPÍLULAS PARA O SILÊNCIO
(PARTE V)
De tanto crer no destino, ele construiu a tapera da espera no terraço dos seus dias.
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Nada substitui a preguiça para os adoradores da inapetência.
Poema do Sábado
30 de outubro de 2011 às 10:15 | 5 ComentáriosDESASSOSSEGO
Manhã:
A remela da insônia,
No gargalo da memória,
No empunho do chicote,
Na algibeira do remorso.
Tarde:
O cansaço do espantado,
No ir e vir da lembrança,
No cocuruto da pena,
No remascar desta herança.
Noite:
O antojo, desassossego
Nesses olhos embaçados,
Duas mãos senis, tremidas…
No ferro dos condenados.
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clauderarcanjo@gmail.com
Sagrado chão
13 de outubro de 2011 às 17:27 | ComentarHá um pouco de sagrado
No solo que nos fez gente.
Há um pouco de sagrado
Nesse chão que me fez crente.
Há um pouco de sagrado
Na terra que me fez lente.
(…)
Há muito, muito de sagrado
No torrão que nos fez irmãos.
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clauderarcanjo@gmail.com
Pílulas para o Silêncio – Parte IV
18 de setembro de 2011 às 9:37 | ComentarEscrever e (d)escrever é minha sina. Trágica, infinda e lírica sina.
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Onde houver um gole de tristeza existirá um naco de bom senso para observar, e não se deixar levar, pelo mar de pretensos esperançosos.
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Na noite passada, duas lágrimas furtivas fizeram com que os meus olhos aflitos e baços não assistissem à novela dos homens semivivos.
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Diálogo entre dois teólogos da província.
— Deus existe, sabia?
— Para você, irmão, qual a prova mais definitiva da existência d’Ele?
— Simples, muito simples. Deus existe porque eu existo.
— …
E, a partir de então, o Paraíso se distanciou um pouquinho mais do inferno dos homens.
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Clauder Arcanjo — Escritor
clauderarcanjo@gmail.com
Pílulas para o silêncio
1 de setembro de 2011 às 8:08 | 2 Comentários(PARTE III)
Do mar, hei de herdar o silêncio das profundezas. Dos rios, o silêncio agourento dos remansos. E, das cacimbas, rasas cacimbas, a turbidez da verdade nunca desvelada.
Pílulas para o silêncio
22 de agosto de 2011 às 11:32 | 3 ComentáriosPÍLULAS PARA O SILÊNCIO
(PARTE II)
Sua boca era tão túmulo, que todos os seus segredos apodreciam, a céu aberto, e a olhos vistos.
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Não suportava ouvir a voz interior. Quando, na única vez na vida, ficou sozinho perante a si mesmo, escapou-lhe dos lábios um berro desesperado, louco.
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Na cova da certeza, o enterro do aprendizado.
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Diálogo de dois pretensos filósofos da nossa província.
— Adorei a nova dialética de…
— Você já a interpretou?
— O necessário: li um artigo crítico, coisa de duas a três laudas.
— Faça, então, um pequeno resumo para mim. Tenho um encontro com alguns alunos de filosofia; hoje, final da tarde.
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clauderarcanjo@gmail.com
Clauder Arcanjo
20 de agosto de 2011 às 20:11 | ComentarParo…
Quando o tempo avança,
sem freio, nem contradança.
Quando a poesia cala,
sem público, nem sala.
Quando o real se diviniza,
sem sonho. E ninguém o anarquiza!?
Mossoró-RN, 20/08/2011
Pílulas para o silêncio (PARTE I)
16 de agosto de 2011 às 15:52 | 1 ComentárioPassou a ouvir tão bem que falava cada vez menos, e sentia cada vez mais.
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Certa noite, dirigiu os olhos para o espelho que luzia dentro de si. Quando menos percebeu (com êxtase e espanto), deu por conta que reescrevia as suas “inabaláveis” certezas.
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Acordou e sentiu um acre sabor na boca. Escovou os dentes, e o travo não se lhe abrandava. Mastigou chicles de menta e hortelã… nada, nada.
Quando chegou ao emprego, o bafo do chefe, a vomitar despachos e recalques sobre a sua mesa. “Eis a mais fiel tradução!”; arrematara.
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Diálogo de dois pretensos sábios da nossa província.
— Adorei o novo livro de…
— Você já o leu?
— O suficiente: a orelha e as duas primeiras páginas.
— Pois a ele tenho reservas: detestei-o só vendo-lhe a capa.
clauderarcanjo@gmail.com



