E assim a roda da vida vai centrifugando.
Esmagando no convés da nau do isolamento
Os outsiders, os chamados excêntricos.
Claro, dali eles foram apartados – e exilados.
Procuram vozes desaparecidas. Deliram
Arranjam casamentos com vestidos tecidos com o fio de Ariadne.
Inútil procurar aqui a pureza.
As parcas cochicham
E a solidão vai num vórtice que se afasta do centro
A arte primitiva e Sensual em Moacir Arte Bruta
21 de janeiro de 2012 às 9:23 | 3 ComentáriosVi ontem (revi) no Canal Brasil o monumental filme- documentário dirigido por Walter Carvalho. Moacir é um pintor primitivo que vive isolado no interior de Goiás numa região pertencente ao Parque Nacional da Chapada do Veadeiros.
Tu és fascinação, Elis
20 de janeiro de 2012 às 8:17 | ComentarAgora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.
Agora o braço é uma linha, um traço, / um rastro espelhado e brilhante.
E todas as figuras são assim: / desenhos de luz, agrupamentos de pontos,
de partículas, um quadro de impulsos, / um processamento de sinais.
E assim – dizem – recontam a vida. / Agora retiram de mim a cobertura de carne, escorrem todo o sangue, afinam os ossos / em fios luminosos e aí estou
pelo salão, pelas casas, pelas cidades, / parecida comigo. / Um rascunho,
uma forma nebulosa feita de luz e sombra / como uma estrela. Agora eu sou uma estrela. Elis Regina
Cresce o número de milionários no RN
16 de janeiro de 2012 às 8:39 | Comentarhttp://tribunadonorte.com.br/noticia/cresce-numero-de-milionarios-no-rn/209070
Breve Comentário:
Um RN com aptos de dez milhões de reais. Carros importados de centenas de milhares de reais, lanchas, iates, etc.
Publico alvo: investidores internacionais, médicos e advogados do estado do RN. Um dos mais pobres da federação. Um estado que não produz praticamente nada, para tanta riqueza, maior as perguntas.
A última dama do cabaré
14 de janeiro de 2012 às 12:32 | 5 ComentáriosBoate Arpege, na Ribeira. Prédio tombado pelo IPHAN está fechado e em escombros
Foto: Rodrigo Sena
Foi num cabaré na Lapa / Que eu conheci você / Fumando cigarro, /
Entornando champanhe no seu soirée. / Dançamos um samba, / Trocamos um
tango por uma palestra / Só saímos de lá meia hora / Depois de descer a
orquestra… Dama do Cabaré /Noel Rosa
O epicentro do amor em Natal é movente. Durante muito tempo esse epicentro
esteve na Ribeira onde hoje ainda resta o arpége em ruínas. Houve um
tempo que um desses templos ficava ali na quinze. Lugar de muitos bares,
sinucas e casas de mulheres da vida fácil. Em tempos não muito afastados
tinha o feijão verde para curar a ressaca. Confluência de várias ruas e
bairros a quinze era o point da época. Ainda rapaz saia da Escola Técnica
para os bares da região. Nesse lugar hoje habitam sebos, barbearias,
brechós, ateliês de arte e alguns bares que lembram os velhos tempos.
Gosto desses lugares e faço deles minha Lapa ou Montparnasse. É assim que
me sentia também na velha Tavares de Lira. Um boêmio no meio de buchudas,
gatos, pedintes, loucos boêmios e artistas. Prefiro esses lugares aos
shoppings. Na quinze ainda tem um bar que frequento. Não sei jogar sinuca,
mas aprecio e jogo, dependendo da ocasião. Como foi nessa tarde jogando
com a nova musa do bar. Errei de tocar duas bolas e perdi a partida.
Nesse bar também você pode cantar karaokê. Muitos jovens aparecem para
mostrar seus talentos. Eu gosto mesmo é de ficar observando. Ultimamente a
frequência do bar aumentou por causa de uma Lolita que pareceu por lá.
Linda. Tenta o vestibular. Trabalha lá para se manter. Como mora longe
muitas vezes dorme no próprio bar.
Enélio Petrovich e o Instituto Histórico e Geográfico
10 de janeiro de 2012 às 21:13 | 1 ComentárioNão pretendia escrever; mas os depoimentos últimos me levaram a: … Nem tanto ao mar nem tanto à terra onde reina a mesmice e o conformismo. Os grupos estão formados. Diógenes reina há muito tempo numa coisa chamada Academia Norte-Rio Grandense de Letras. Um anacronismo. Um ajuntamento de colegas mais ou menos letrados. Por que não falar de Enélio e seu filho e não (sim ) de outros clans? E aqui é diferente, não sabia! Os Robsons, os Aluízios, os Cascudos, os Galvões, Os Uh (ivos), os poetas (vige!). Melhor parar que hoje não vou terminar.
Henfil não aguentou os chatos de Natal
4 de janeiro de 2012 às 11:12 | 7 ComentáriosNo dia 04 de janeiro de 1988 Henfil falecia na flor da idade.
Ele foi um homem genial em sua curta e meteórica existência. Seu traço era
cortante e tinha a exigüidade e síntese da poesia. Criou muitos
personagens que tinham a cara e cacoetes dos brasileiros. Lutou
incansavelmente contra a ditadura e, junto com seus dois irmãos, formaram
um trio que dominou a cena brasileira nas décadas de exceção do regime
político brasileiro. Nos Estados Unidos seu desenho não fez sucesso.
Claro, o “tio Sam” era um dos seus alvos preferidos na destilação do
veneno. Veio morar em Natal e não foi feliz. Queria ouvir aboio e foi
ferido por outros cornos. Ubaldo veio a Natal em 78, e levou sua mulher e
alegria. Difícil colocar os pés novamente no chão e criar. Na criação ele
vivia e dava o troco. Ubaldo virou “o paranóico”. Difícil no trato e na
convivência, como os homens geniais. Berenice não sabia que ele gostava
tanto dela. E ele só soube que a amava tanto quando a perdeu.
O mágico Amós Oz
3 de janeiro de 2012 às 16:31 | ComentarPaz,
paz eu disse paz
Vivendo num mundo em conflito Amóz deseja paz. Entende que só com uma solução negociada acabará o conflito Palestino-Judeu. Com um estado binacional.
Clique aqui para ler mais »
Ode à Alegria de Friedrich von Schiller
31 de dezembro de 2011 às 19:41 | ComentarCaros amigos e amigas,
Estava ouvindo a Nona Sinfonia de Beethoven e lhes ofereço o poema a Ode à Alegria de Friedrich von Schiller Schiller ( 1759-1805 ), coral do ultimo movimento.
A Festa do Bom Jesus dos Navegantes em Touros-RN
31 de dezembro de 2011 às 13:04 | Comentar” Quando o índio viu um barco navegando em mar profundo era um bravo conduzindo o seu marco ao novo mundo … “ (Hino a Touros – Ivanildo Cortez de Souza )
Todo fim de ano a cidade de Touros -RN comemora a festa do Bom Jesus dos Navegantes. Grande número de romeiros da cidade de Touros e da sua cercania comemora o final do ano numa grande festa em louvor do orago da freguesia da bela cidade litorânea onde muitos acreditam foi visitada pelos primeiros navegantes que pisaram em solo brasileiro. O mais antigo e o mais importante equipamento histórico que lembra essa descoberta é o “Marco de Touros”, chantado em solo potiguar no dia 07 de agosto de 1501.
Epitáfio para o ano que finda
28 de dezembro de 2011 às 14:01 | ComentarDedico a todos os que se foram e a Montgomery Clift ( Robert E. Lee “Prew” Prewitt) do filme “A Uma passo da Eternidade” tocando o seu Clarim.
2011- Um ano de cinzas e grandes perdas culturais
27 de dezembro de 2011 às 8:20 | 1 Comentário“ tempo-será tudo bem o ano está findado. Separei , o caso está terminado, inútil esquecer que tudo passa”. JM
Meus amigos e amigos,
Eu não vim aqui prestar contas de inúmeros erros e alguns poucos acertos. O ano que começou pegando fogo no Sebo Cata Livros de Jácio (foto – de óculos) e Vera tenta ressurgir das cinzas. Uma perda bibliográfica e cultural inestimável. Ano que de tão fatídico quer recomeçar. Nada é tão ruim que não possa piorar, é uma das Leis de Murphy. Ainda perdemos grandes fazedores da nossa cultura. Lamento a morte do colega professor de química e escritor Bartolomeu Correia de Melo. Do amigo e poeta Bianor Paulino. E do grande Roosevelt Pimenta, na dança.
Um poeta volunté
22 de dezembro de 2011 às 10:30 | 24 ComentáriosFoto: Kamilo Marinho
O poeta peripateia nas vielas da urbe natalina que ele conhece com a planta dos pés. Pés para os quais um dia ele comprou um par de sandálias na Bahia e recebeu um embrulho com os mesmos destros e números distintos. Tem sido assim a vida do poeta. Difícil formar um par. E fulano? – Vige. E sicrano ? – Cansei! Assim é assim o poeta canguleiro: reticentioso. A caminho das estrelas de (cadentes) ele faz um poema para Renato Russo – o da colina: “Não tenho mais o tempo que passou nesse século manual”.
O ano internacional da química em noites de pirilampos
20 de dezembro de 2011 às 10:17 | 2 Comentários
para minha irmã Dra Marta Costa, professora do Departamento de Química da UFRN
A Química e Madame Curie
Maria Skłodowska (Marie Curie) polonesa nascida em Varsóvia no dia 07 de Novembro de 1867 e falecida em Sallanches, no dia 4 de Julho de 1934, foi uma das maiores cientistas de todos os tempos. Laureada duas vezes com o premio Nobel – um em Física e outro em Química. Em 1903 ela divide o Nobel de Física com o seu marido Pierre Curie e Becquerel, pelos estudos da radioatividade. O premio Nobel de Química ela recebeu em 1911, pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio (uma homenagem ao seu país nativo). Por esse grande feito o ano de 2011 foi escolhido o ano internacional da Química, em homenagem à grande cientista Madame Curie.
Um ano sem o imperador da Casqueira – Benito Barros
16 de dezembro de 2011 às 23:02 | Comentar“Dezembro chegando. / – Aleluias de pastoris, / Lapinhas e fandangos. / Alegres passos / De Bumba-meu-boi / Em noites de navegar:” BB
No Natal do ano passado ele falecia no hospital Promater. Tinha muito planos em andamento. Entre eles, deixar para Macau uma biblioteca de autores note-rio-grandense. Passado esse tempo, o projeto ainda engatinha. Alguns amigos tentam levar o seu plano adiante. Seria uma grande homenagem ao poeta que fez tanto por sua terra e cultura.
Seminário Nelson Werneck Sodré – História, Cultura, Jornalismo, Literatura
14 de dezembro de 2011 às 14:44 | ComentarCaros Colegas,
Recebo o convite da amiga Luitgarde para o lançamento da Revista Advir – No 27, que ocorrerá amanhã no RJ. Em 2011 comemoramos o centenário do grande historiador marxista Nelson Werneck Sodré, autor de uma dezena de livros fundamentais para compreender o Brasil e sua Cultura. Na ocasião será prestada uma homenagem à grande antropóloga e pesquisadora Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros que pesquisa a obra do grande historiador.
Claquete do 21º FestNatal – Seção Vidas na Tela
13 de dezembro de 2011 às 7:45 | 1 ComentárioO cinema Nacional a serviço da memória e da história. Alguns filmes documentários ajudam a enxergar o Brasil, país continental. Um povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la e ser dominado. Na 10ª Mostra Vidas na Tela exibido no cinema Moviecom como parte do 21º FestNatal, período de 06 a 11 de Dezembro de 2011, tivemos a oportunidade de ver excelentes documentários retratando a cultura e política brasileira.
O Dia D de Clarice
11 de dezembro de 2011 às 9:16 | Comentar“De manhã na cozinha sobre a mesa vejo o ovo. Olho o ovo com um só olhar. Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver o ovo nunca se mantêm no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto o ovo há três milênios. – No próprio instante de se ver o ovo ele é a lembrança de um ovo. – Só vê o ovo quem já o tiver visto. – Ao ver o ovo é tarde demais: ovo visto, ovo perdido. – Ver o ovo é a promessa de um dia chegar a ver o ovo. – Olhar curto e indivisível; se é que há pensamento; não há; há o ovo. – Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora. Ficarei com o ovo. – O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.” O Ovo e a Galinha. Clarice Lispector.
Sexta feira de quase-plenilúnio
9 de dezembro de 2011 às 18:27 | 13 ComentáriosSexta-feira véspera de Lua plena
Vou para a beira da praia jogar
preces ao mar para
você meu querer
Farei preces à Dindinha Lua
E pedirei para iluminar seus passos
num cone de luz
Do amanhecer
E se tudo não for certo
Farei uma mandinga
Com uma galinha de Angola
E uma garrafa de cana
Ligo uma vela e deixo um pedido
Para São Jorge matar o dragão que
Assusta você,
Coloco canela, sândalo, mirra e anis estrelado.
Almíscar, incenso com madeiras do oriente
Canela e bálsamo de ferrabrás
E se você não aceitar
Vou chupar um sorvete.
A mulher na ABL
9 de dezembro de 2011 às 14:35 | ComentarFico imensamente feliz com a eleição da escritora Ana Maria Machado (foto) para presidir a ABL. Essa casa já foi presidida por uma outra grande escritora. Uma das melhores do Brasil, Nélida Piñon. No centenário da ABL a escritora de origem galega proferiu um discurso que considero um primor. Um hino à nossa bela língua.














