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11 de março de 2010

Machadianas

Por João da Mata Costa

I – Ensaios

“ Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Machado de Assis

Em 2008 o Brasil comemorou o centenário do seu maior escritor, Machado de Assis. Com reedição de sua obra, biografias, debates e novos estudos. A fortuna crítica do nosso maior escritor não pára de crescer. Machado é quase uma unanimidade nacional. Digo quase, pois nem sempre a crítica lhe foi favorável. Nesse ensaio lembramos de algumas dessas críticas. Comentamos também da influencia de Cervantes na obra machadiana e a gralha tipográfica nas edições das poesias completas de Machado pela editora francesa Garnier, em 1902.

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11 de março de 2010

A história dela

Por João da Mata Costa

Todo dia é o dia dela. Ela é aparte essencial da vida e responsável pelo nascimento do mundo. No entanto, uma parte pouco comunicável e desconhecida de muitos. Para alguns povos a vagina tem um poder apotropaico. Ou seja, sua exposição impede que o mal aconteça. Afugenta os demônios. Diz um provérbio catalão: “o mar se acalma se vê a boceta de uma mulher”.

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10 de março de 2010

Viagem a Praha

Por João da Mata Costa

VI- Viajante Contumaz

Conhecer Praga (Praha), hoje República Checa , era uma obsessão. Por tudo que essa cidade significa para a história e cultura mundial. A placidez do rio Moldava (alemão Moldau, em checo Vltava) era ouvido muito antes na música de Rimsky Korsakov. Cidade medieval mantida quase intacta após as duas grandes guerras mundiais. A música está em toda parte e a cidade possui uma rica cultura. O Bairro Judeu e o Castelo onde Kafka escreveu parte de sua obra são visitas obrigatórias.

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10 de março de 2010

Máquina de Lavar-Louça

Por João da Mata Costa

O Papa falou a máquina
De lavar louça fez
Mais pela mulher que
Pílula anticoncepcional

Nunca se vendeu tanto
Esse eletrodoméstico
Acho que foi um plano
Arno – Multinacional.

Ponha sabão em vez de fazer
Converse. Feche e relaxe
Diz o sumo pontífice

Um cafezinho com as amigas
Namore bem de mansinho
E lave tudo na máquina.

Se engravidar não abortar
Diz o papa excomungando.
Trepar só para procriar
Em vez da pílula, lave louça.
E depois um cafezinho.

10 de março de 2010

Anacreonte (gr. Άνακρέων) ANAKPEONTOΣ

Por João da Mata Costa

Poeta grego nascido no século VI a,C. Escreveu muitas odes populares louvando o amor e o vinho. No ocidente a versão mais antiga que conhecemos é a de 1554, lançada pelo editor Henri Estienne, em Paris.

O primeiro livro de literatura bilíngüe grego-português lançado no Brasil foi “Odes de Anacreonte” na bela versão do prof. Almeida Cousin, em 1948. Desse famoso livro selecionei para vocês uma ode ao deus Baco.

Evoé!, Cantemos meus bons meninos e meninas…

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9 de março de 2010

Tom Zé – Um eterno maluco beleza

Por João da Mata Costa

Quando a tropicália completa 40 anos, um dos seus maiores epígonos dá mostras de uma brutal e poderosa vitalidade criadora. Tom Zé (TomZi ) para os gringos é um dos mais eruditos compositores da MPB. Cantou a paulicéia quando ela, menina, ainda tinha oito milhões de habitantes. Estudou o samba e o pagode em discos que deslumbraram o mundo com sua juventude criativa e viril. Teria mesmo que ser descoberto um dia, depois de tantos anos de um ostracismo criminoso. “Eles possuem tudo e são ricos, mas não possuem a minha música”, disse Tom Zé no excelente filme /documentário “Fabricando Tom Zé” (2007), dirigido por Décio Matos. Um filme que documenta os ensaios e apresentações do grande músico em viagem pela Europa em 2005. O público fica alucinado com a criatividade desse músico /filósofo genial. Numa overdose de Tom Zé, recebida por nós em menos de um ano, eis o que falou o filósofo do samba em show na Capitania das Artes. Ele também finalizou o II encontro natalense de escritores. Naquela ocasião Tom Zi dizia que aqui estava nascendo uma nova civilização. Que pena que foi só um ensaio.

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9 de março de 2010

Mulheres de Fibra

Por João da Mata Costa

A polaca Rosa Luxemburgo (foto) foi uma grande militante política e foi morta covardemente em 1919 com um tiro na cabeça. Seu corpo foi jogado fora e não se sabe exatamente onde estar. Não podemos nem velá-la.

A aquariana e judia Olga Benário nasceu em Munique em 1908, e foi morta num campo de concentração em 23 de abril de 1942. Companheira de Carlos Prestes, com que teve uma filha, foi entregue pela ditadura getulista para ser morta pelos nazistas.

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8 de março de 2010

Uma rosa para elas

Por João da Mata Costa

Os homens continuam bélicos e fingidos. Carregam sempre seus bacamartes, espadas e peixeiras para esconder seus fantasmas e solidões. Estão sempre lutando e, elas, continuam colocando flores por sobre os nossos corpos mortos e missas de galos com esporões cegos e murchos de tanto esporear e ciscar aos ventos.

Como não dizendo nada ELAS vão florindo nosso substantivo, elas – as poetas: Carmen, Denise, Anchella, Yerma, Tania, Edjane e tantas outras rosas desse jardim de nós todos. A todas elas: as leitoras, as que nos frequentam , as que estão por vir, as que nos visitam,as que nos aquecem, as que só sabem ouvir.

Meu muito Obrigado

8 de março de 2010

Cantoras do Rádio

Por João da Mata Costa

A todas as cantoras do rádio minha homenagem nesse dia que assume a forma de uma canção.

Muito obrigado Chiquinha Gonzaga, Dalva, Elizeth, Maysa (foto), Elis, Fafá, Nora Ney, Marisas, Nara leão, Maria Rita, Terezinha de Jesus, Kristal, Valéria Oliveira , Roberta Sá, Odete Amaral, Emilinha Borba, Angela Maria, Daúde, Billy Halliday, Ella e todas as cantoras que fazem a vida ser mais bela e vivida.

Nós somos as cantoras do rádio
levamos a vida a cantar
De noite embalamos teu sono
de manhã nós vamos te acordar
Nós somos as cantoras do rádio
nossas canções
cruzando o espaço azul
Vão reunindo num grande abraço
corações de Norte a Sul

João de Barros (Braguinha), A. Ribeiro e Lamartine Babo,

Uma canção de 1936. Estava nascendo a rádio Nacional que ia unir o Brasil de Norte-a-Sul. Um grande show com as cantoras do Rádio, desaguando no filme estrelado pelas grandes cantoras Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas, Ellen de Lima e Violeta Cavalcante , gravado em 2005 no teatro Rival- RJ.

Um show para homenagear as grandes divas da MPB. Carmen Miranda, Aurora Miranda, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Linda Batista, Dircinha Batista, Isaura Garcia e Nora Ney.

Um bom filme, principalmente para aqueles que não conhecem a grande música popular Brasileira e suas eternas cantoras. Cantoras que viveram a grande época de ouro da MPB e conviveram com as grandes divas.
O quarteto das cantoras que protagonizam o filme dão depoimentos sobre as outras cantoras e lembram da Rádio nacional, dos shows no Copacabana Palace, grandes templos para a MPB. Elas cantam ainda com grande alegria os grandes clássicos da nossa música.

No final do filme é emocionante ver os grandes cantores e compositores Miltinho e Tito Madi, cantando. Aparece a legenda com as datas de nascimento e morte de todas as cantoras apresentadas. De todas, menos uma, para o meu mais veemente protesto. Ademilde Fonseca aparece ao final cantando um lindo chorinho de Waldir Azevedo e não são dados os créditos. A nossa grande cantora norte-riograndense aparece un passant sem nenhum comentário das outras cantoras/ atrizes do filme.

Saibam elas e saiba o Brasil que Ademilde Fonseca foi uma das nossas maiores cantoras. Foi e é a maior cantora de chorinhos do Brasil. Merecia um maior destaque no filme.

Aparece também no filme os biógrafos e estudiosos da MPB, Ricardo Cravo Albim e Faour. Mais uma razão para não esquecer Ademilde. São fracos a maioria dos depoimentos sobre algumas cantoras. Depoimentos prosaicos das Cantoras do Rádio (filme): Conheci, convivi com, uma grande cantora, etc

8 de março de 2010

Safo – Σαπφώ “A Vênus de Lesbos”

Por João da Mata Costa

A todas as mulheres do mundo minha devoção e alegria nesse dia que só pode ser celebrado em forma de oração e poesia. Meu muito obrigado a todas voces que fazem a vida vida. Ofereço:

Safo – Σαπφώ “A Vênus de Lesbos”

Ela foi uma poeta grega que viveu na cidade lésbia de Mitilene, no século VII a. C.
De sua poesia pouco restou. Uma de suas poucas poesias (completas) que chegou até nós foi aquela dedicada à imortal Afrodite, filha de Zeus. Essa poesia faz parte da minha antologia pessoal e a tenho recitado nos últimos 40 anos. Recebeu inúmeras traduções no Brasil e no mundo. Entre nós a verteu para o português o nosso colega ítalo-natalense Franco Maria Jasiello. Antes que lhes ofereça a minha versão deixo vocês com essa deusa no trono incrustado de ouro, na tradução do grego por Giuliana Ragusa.

Hino de Safo a Afrodite

De flóreo manto furta-cor, ó imortal Afrodite,
filha de Zeus, tecelã de ardis, suplico-te:
não me domes com angústias e náuseas,
veneranda, o coração,
mas para cá vem, se já outrora -
a minha voz ouvindo de longe – me
atendeste, e de teu pai deixando a casa
áurea a carruagem
atrelando vieste. E belos te conduziram
velozes pardais em torno da terra negra -
rápidas asas turbilhoando céu abaixo e
pelo meio do éter.
De pronto chegaram. E tu, ó venturosa,
sorrindo em tua imortal face,
indagaste por que de novo sofro e por que
de novo te invoco,
e o que mais quero que me aconteça em meu
desvairado coração: “Quem de novo devo persuadir
ao teu amor? Quem, ó
Safo, te maltrata?
Pois se ela foge, logo perseguirá;
e se presentes não aceita, em troca os dará;
e se não ama, logo amará,
mesmo que não queira.”
Vem até mim também agora, e liberta-me dos
duros pesares, e tudo o que cumprir meu
coração deseja, cumpre; e tu mesma,
sê minha aliada de lutas.

(tradução do grego por Giuliana Ragusa)
Alexandra

7 de março de 2010

Viagem à Cidade-Luz

Por João da Mata Costa

V- Diário de Bordo de um Viajante Contumaz

O dia acordava e saíamos em direção à cidade de Fortaleza/CE. No carro um turbilhão de conversas e lembranças. Metade de Natal foi lembrada. Também pudera, a tripulação era formada por Homero, Abimael, Dom Inácio e DaMata. O caminho era o dos livros na VIII Bienal de Fortaleza

Cidade leste/oeste e Lusitana. Cidade Luz. A influencia religiosa é grande e se reflete até no nome das ruas. A avenida monsenhor Tabosa é uma das suas principais artérias. A praia de Iracema onde ficamos hospedados é boa para passear e tomar umas e outras. A Iracema da praia é insinuante e faz gestos ondulantes. A cerveja quando possível é Brahma para agradar ao amigo Abimael. Até mesmo o Dom Inácio e Homero tomaram um copo. A conversa é animada e o mote é a literatura, a música e o cinema. O centro cultural Dragão do Mar é lindo e por trás fica a biblioteca pública Governador Menezes Pimentel e seus muitos tesouros raros. Saudação ao professor Amorim Sobreira e o legado precioso que deixou para a biblioteca. E pensar na penúria que é a biblioteca pública de Natal. Dá um aperto no peito e vontade de chorar.

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6 de março de 2010

Viagem à Serra da Borborema

Por João da Mata Costa

IV- Diário de Bordo de um Viajante Contumaz

A estação já beirava a primavera. O dia era o da pátria “libertada” em 1822. Vou em busca das campinas verdejantes, as cidades e a serra. Nas pequenas cidades paraibanas , muitas comemorações e desfiles. O Brasil compra submarinos e helicópteros para se defender. Viajo em direção á serra da Borborema com destino à cidade de Campina Grande. Estrada em obras torna o trajeto difícil e perigoso. Cinco horas de duração Natal – Campina Grande numa noite de lua. Festa de aniversário de 15 anos do meu sobrinho Ângelo.

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6 de março de 2010

O Book-Shop de Pipa

Por João da Mata Costa

II- Histórias de Sebo
Pipa Flipa com DaMata

Manhã de sábado-primavera a praia, Pipa. Acorda. Escritores convidados pela Flipa e acompanhantes aproveitam para caminhar em suas ruas, areias e escadas. O poeta no hotel ler para palestrar. A Flipa muda o cenário. Em vez de gringos e pescadores vejo subindo a escada – vagarosamente – o escritor Ronaldo Correa de Brito. Assim também como um voyeur surpreendo as passadas lentas, claro – estamos na praia – envoltas numa cabeleira branca do escritor Raimundo Carrero. Da Danusa Leão só escuto ecos. A Flipa é uma festa, principalmente para os convidados e alguns jornalistas.

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5 de março de 2010

O Ronco da Abelha

Por João da Mata Costa

I – Coisas de Sebo

Ontem passando na tarde por entre gatos, gatas, gazes e buzinas eis que encontro um sebo que não sabia da existência. Revistas novas e usadas, livros didáticos, Nelsons Rodrigues e muitos livros de matemática. Inclusive o Dicionário de Termos Matemáticos do Edvaldo Rodrigues.

Como em tudo que nem parece pode existir eis que encontro um interessante livro em seu nascedouro. Um livro em capa dura, datilografado e com as correções originais do escritor. Muitas correções à mão. Uma maravilha para qualquer bibliófilo. Aí lembrei – não tem como, do Mindlin. O livro já foi editado, mas a versão que encontrei no sebo é única. “O Ronco da Abelha” escrito pelo professor paraibano Paulo Vieira. Do que li já gostei. Um livro que fala do nordestino e sua saga em contraponto com uma rica mitologia. Bem escrito e tendo como pano de cena A revolta paraibana do Ronco da Abelha, de 1854.

Um grande achado numa tarde cinza e aquarelada. Os céus de Ponta-Negra sempre a nos surpreender. Um livro muito rico para quem pretende fazer a crítica genética. Aí fico pensando. Como fazer crítica genética nos dias de hoje, com computador gugueando e a tudo apagando sem deixar as marcas do criador.

Evoé Sebo!

5 de março de 2010

Johnny Alf

Por João da Mata Costa

Um dos gênios da nossa Música.
Uma Brisa que se foi numa tarde
cinza de um dia triste como Eu

5 de março de 2010

Viagem à tromba do elefante

Por João da Mata Costa

III- Viajante Contumaz

Vou em busca de procurar cidades, tardes e brisas de lugares antes só apreciados nos mapas e nomes. Belos nomes os da minha aldeia. Tangará, Santo Antonio do Salto da Onça, Jandaíra, Santana dos Matos, etc. Atravesso o elefante rio-grandense do norte. A margem é verde e frondosa. Muitas cruzes nas estradas lembram do reino de lete. Garças suspensas no ar suspendem a manhã tropical. Em Lajes a primeira parada para tomar café. Bolos e canjicas pesadas ao peso. O café aquece o peito dos quatro viajantes e um destino: A Serra do Martins (foto). Terra do meu amigo Junior, que enriquece de lembranças, amizades e sentidos o que a cidade esconde para viajantes apressados. Por sob as cores, sombras e monumentos da cidade escoa um rio de lembranças.

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4 de março de 2010

Viagem à Vila Nova do Príncipe

Por João da Mata Costa

II- Viajante Contumaz

Meio século depois

Para Moacy e Edjane

Que fala da Festa do Rosário (foto), Bar do Ferreirinha, Personalidades, Amigos e outras matérias.

“Da Mata é o Físico João / Faz do Mister o Amor”.
(Lula Pneus)

Bar do Ferreirinha 50

Em cinqüenta anos a volta. Saí de Caicó/RN com um ano de idade numa festa do Rosário e volto cinqüenta anos depois. Uma volta para a mãe-terra. Para o útero. Tudo é envolto num mar de significados para além do que posso escrever.

Encontro sem combinar com o meu querido tio José Paulino – Zé Baixinho, irmão da minha querida mãe. Encontro Zé Romão nos seus mais de oitenta anos. Chapeleiro antigo e amigo íntimo de papai morto precocemente.

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3 de março de 2010

O Bode do Sampaio

Por João da Mata Costa

Meus Caros,

Tive a grande alegria de conhecer o Sérgio Sampaio. Gosto muito dos seus discos e tenho todos desde os primeiros compactos. No projeto da Patuléia Filmes gostaria de cantar o Velho Bode, uma composição arrebatadora que canto sempre em noites de lua só para ouvir os cães ganirem.

Velho Bode / Sérgio Sampaio

Bode…
Eu não quero esse bode
Esse bode é igual
Aquele Carnaval
Que eu passei sem você
Vê se pode…
Sustentar esse acorde
Acordar pra saber
Pra me reconhecer
No minuto final

Você foi um sucesso
Na minha vida
O meu lado do avesso
O começo da minha vertigem
A origem do meu velho nó

Você é um fracasso
Do meu lado esquerdo do peito
Uma corda de nylon de aço
Que arrebenta quando eu faço nó

3 de março de 2010

O menino Robinho

Por João da Mata Costa

Estadium lotado
O menino dança
Num verde-azulejo.
Espaço-mínimo para tanto
Feitiço por sobre a pelota
Que magnetizada
Fica Parada.

Robinho bicicleteia
Uma, duas, três vezes.
O adversário fica paralisado
E mais um drible com as pernas
Trançadas que assina um poema
Com o encanto da eternidade
Daquilo que um outro jogador
De canetas-tortas.
Mostrou para o mundo.

Num baile mágico.
O menino brinca
Escapa
Foge por uma fresta
Margeando um traçado branco
E de calcanhar
Dá um mais um passe
Que termina no fundo da rede

3 de março de 2010

A Brennand o que é… do Brennnand

Por João da Mata Costa

Caro Fernando,

Escrevo e dou fé que os Brennand são geniais. Só um país como nosso para tamanha disparidade e injustiça. Conheço relativamente bem o trabalho deles e tenho. Não tenho cerimônia de dizer: orgulho de tamanhos engenhos e arte. E aqui… , Pensem! Parede-meia com a gente. Maravilhosos.

E os babacas vão para a Disney e não conhecem os artistas brasileiros. E os babacas pensam que só no sul é que se faz arte. Artista nordestino não tem valor de mercado lá no sul-maravilha. Só alguns poucos que migraram para além do equador.

Que venham logo essas memórias que espero bem sacanas e suculentas para encher as ventas e veias. Estamos num momento da história cultural de valorização das biografias. O Brennand tem muito o que dizer e ensinar.

Está feito a minha assinatura de leitor das memórias. Mas também quero em papel para levar para o banheiro e guardar na biblioteca.

2 de março de 2010

Viagem ao Sertão do Conselheiro

Por João da Mata Costa

FOTOS: Evandro Teixeira (livro e exposição “Canudos”)

I – Viajante Contumaz

Daqui partimos em direção ao sertão do conselheiro. No mês que comemora a queda de Canudos, mais que uma viagem uma missão. Cinco tripulantes (João da Mata, D. Inácio Sena, Múcio Procópio, Abimael Silva e Homero Costa) em uma viagem pela caatinga e semi-árido nordestino. Com a certeza de que não é possível conhecer o sertão sem percorrer as suas glebas, estradas poeirentas e córregos secos, esperando a chuva chegar para poder novamente viver.

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2 de março de 2010

Museu Casa Guimarães Rosa

Por João da Mata Costa

Museu Casa Guimarães Rosa e Gruta de Maquine

“Amor vem de amor”. G.R.

Em Cordisburgo, Minas Gerais, fica situada uma casa colocada no mapa da geografia literária mundial. A casa em que passou a infância o escritor João Guimarães Rosa. Uma casa ampla com três amplos janelões e ao lado a antiga bodega que pertenceu ao pai do escritor. Bodega mantida original onde o escritor ouvia histórias e causos de sertanejos. Na casa-museu uma vista guiada pelos aposentos onde viveu e sonhou João nos anos luminosos de uma infância pacata na pequena cidade mineira Cordisburgo.

“No correr da vida embrulha tudo, a vida é assim esquenta e esfria, aperte e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Ao final da visita uma brilhante narração de histórias joãoguimarenses pelas competentes guias e contadoras de histórias. Longos trechos são ditos e interpretados com muita competência e desenvoltura pelas meninas formadas para divulgar a literatura do mais famoso morador da região.

No centro da cidadezinha pode-se adquirir na loja do colega cujo nome não consigo lembrar; camisetas, cachaças, discos e outros souvenirs alusivos ao burgo do coração e seu escritor famoso.

Em Cordisburgo também é visita obrigatória à Gruta de Maquine, tornada mundialmente famosa com os estudos de fósseis encontrados na caverna pelo naturalista dinamarquês Peter W. Lund. Maravilhosa visão por amplos salões, galerias, lagos que parecem profundos e formações calcárias ao longo de milhares de anos.

O preço da visita custa R$ 12,00 e percorre-se a famosa Gruta acompanhado por um guia mineiro que vai acendendo lâmpadas em galerias escuras e frias. Você pode ainda deixar uma moeda e fazer um pedido nos pequenos lagos no interior da gruta. A gruta de Maquine é uma das muitas da região de Cordisburgo e é a única que permite a visitação pública.

2 de março de 2010

Alfarrábio

Por João da Mata Costa

Em Belo Horizonte fica o sebo Alfarrábio do meu querido amigo Eduardo. Durante muitos anos comprei livros no sebo sem conhecer o seu culto e simpático proprietário. Eduardo trabalhou muito tempo com sua irmã Amélia – igualmente amável – que resolveu montar o seu próprio sebo.

No Alfarrábio adquiri muitas raridades que não encontrava em qualquer sebo comum. Livros bem encadernados e cuidados. De bibliofilia, catálogos de bibliotecas e outros livros de referência. Muitos títulos da camoniona foram comprados no Alfarrábio. Eduardo precisou vender alguns livros e desfalcou sua valiosa biblioteca. É um buquinista que conhece a ama o livro. Sabedor durante tanto tempo dos meus gostos já separava alguns livros que dizia tinham o meu perfil.

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1 de março de 2010

O Livro como eterno objeto do desejo

Por João da Mata Costa

A José Mindlin

“Somente eles, os poetas, são dos veros deuses a voz” – Pierre Ronsard
(1524- 1585)

Todas as formas de leitura são válidas. Os ebooks e audiobooks são bem vindos. O Livro continuará sendo a maior invenção da humanidade. Lê dá trabalho. Lê é difícil e as coisas boas costumam ser difíceis. No livro a maior fonte de sabedoria. O livro também pode ser uma obra de arte. O livro impresso jamais será substituído. Um livro bem encadernado em Velin e ou impresso em tipos Bodoni.

Nada se compara a um livro ou revista editado na prensa do editor italiano Franco Maria Ricci. De Florença são dois dos maiores artistas da humanidade: Botticelli e Dante. O pintor ilustrou uma edição da Divina Comédia numa bela conjunção de talento e primor de livro como obra de arte insubstituível. Objeto, mesmo, de desejo.

No Brasil temos pouca tradição na feitura de livros como obra de arte. São belos os livro editados no Recife pelo Gráfico Amador. Atualmente, a Confraria de Bibliófilos do Brasil tem editado livros muito bem acabados e ilustrados em papeis especiais.

Um outro belo livro editado no Brasil foi “O Rio”, do João Cabral de Melo Neto, com quatro serigrafias da artista plástica Fayga Ostrower.

Da França são alguns dos mais belos livros editados no mundo. Lê-se com grande prazer estético e literário ao Fausto do Goethe com as litografias do Dalacroix, edição de 1828.

Outro grande editor francês foi o Albert Skira. Um dos livros editados pelo Skira foi “Florilêge des Amours de Ronsard ilustrado pelo grande pintor Matisse, em 1948 ( reprodução em Anexo). O príncipe dos poetas teve a sensibilidade e o talento do traço Matissiano na feição de um livro que nenhum meio digital – eletrônico substituirá. A leitura de um livro é um dos maiores prazeres que ao homem foi permitido. E se for ilustrado por alguns desses gênios é um prazer para além dos sentidos. É uma dádiva dos deuses.

Mon Cher Ronsard par Matisse

“Voicy lê bois, que ma sainte Angelette
Sur le printemps enchante de son chant:
Voicy les fleurs que son pied va marchant,
Quand à soymesme elle pense seulette:”

1 de março de 2010

Mário de Andrade eu lembro

Por João da Mata Costa

Ontem Na história: Assim se faz. Assim lembramos

A Tarcísio Gurgel

A Missão de Pesquisas Folclórica

Em 1938, Mario de Andrade trabalhava no Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Sob a gestão de Mário foi enviada uma equipe para coletar a música folclórica do Brasil. Por questões políticas Mario foi afastado do cargo, mas o projeto foi retomado posteriormente pela grande pesquisadora e musicóloga Oneyda Alvarenga, que passou 30 anos organizando esse material coletado. O Xangô e outros cultos afros eram proibidos em vários estados. Mesmo assim eles conseguiram registrar cerimônia de Xangô, em Pernambuco, e macumba no Maranhão. Nessa missão foram recolhidos: Canto de Trabalho, músicas de rezar, cantar e dançar. Um rico material produzido e idealizado por esse grande brasileiro que sabia valorizar a nossa rica cultura. Não fosse essa missão muita coisa teria sido perdida. Ficamos conhecendo mais o Brasil e suas ricas manifestações culturais, graças a esse rico projeto que teve na pesquisadora Oneyda a sua materialização para a posteridade.

Obrigado Mario nos 65 anos de sua morte. Obrigado Oneyda