Centenário de nascimento de Marieta Lima. Nome emblemático na chamada geografia humana mossoroense. De quando em vez, uma ou outra figura pública tem o centenário de nascimento lembrado, mas, sem a presença física do homenageado. Com Marieta, graças a Deus, será diferente. Ela está presente. Seu corpo aparentemente frágil desafia estatísticas e alcança os três dígitos, contando com o carinho de amigos e familiares. E, talvez, o mais importante: a data faz reverberar uma inquietação em torno de sua obra artística.
Carta a Papai Noé
23 de dezembro de 2011 às 8:04 | 4 ComentáriosCARTA A PAPAI NOÉ
Luís Campos
Poeta mossoroense
Seu moço eu fui um garoto
Infeliz na minha infância
Que soube que fui criança
Mas pela boca dos outo.
Só brinquei com os gafanhoto
Que achava nos tabuleiro
Debaixo dos juazeiro
Com minhas vaca de osso
Essa catrevage, sêo moço
Que a gente arranja sem dinheiro.
RENACIMIENTO ( RENASCIMENTO )
21 de dezembro de 2011 às 15:00 | 2 ComentáriosPor Alfredo Pérez Alencart
El pecho arde cuando nace el Niño
que se calla un poco al andar deprisa
para que luego revele el duro reino
de vivir un mundo con toda su Cruz.
Así nació ya con hambre de lo justo
y murió pronto por hacerse Defensor.
Así resucita en todas las edades
donde claman los más necesitados.
Un Niño nace cuando el Hombre muere,
hasta que algún Hermano toca lo caído
y renace el Amor, que es lo que cuenta
cuando el Padre llega al corazón.
Nace y renace el Niño conocido
hoy mismo al pie de su Destino.
Hoy recomienza el trabajo empezado
de hacerse carne no sólo por la palabra
sino también por el mucho ejemplo.
(a Rubén Llanos)
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RENASCIMENTO
(Tradução de David Leite)
O peito arde quando nasce o Menino
que se cala um pouco ao andar depressa
para que logo revele o duro reino
de viver um mundo com toda sua cruz.
Assim nasceu já com fome do justo
e morreu cedo por fazer-se Defensor.
Assim ressuscita em todas as idades
onde clamam os mais necessitados.
Um Menino nasce quando o Homem morre,
até que algum Irmão toque o caído
e renasce o Amor, que é o que conta
quando o Pai chega ao coração.
Nasce e renasce o Menino conhecido
hoje mesmo ao pé de seu Destino.
Hoje recomeça o trabalho iniciado
de fazer-se carne não só pela palavra
como também pelo grande exemplo.
(a Rubén Llanos)
Tudo passa
30 de novembro de 2011 às 13:30 | 6 ComentáriosPela janela do trem, rápida a vida passa…
…
Uma triste jovem
passa.
Arando a terra, o homem
passa.
Uma flor, no humilde jardim,
passa.
Grávida, a mulher
passa.
Uma criança brincando
passa.
Descuidada, uma escola
passa.
Em um riacho que
passa
cantando, a lavadeira
passa.
…
Levando a vida,
um enterro também passa…
Salamanca de colores
16 de novembro de 2011 às 15:39 | 2 ComentáriosMonumentos
dourados
de história.
Tulipas
coloridas
de vida.
Em cantos e
sagrados
recantos
cintila
florida
primavera.
Incerto caminhar
31 de outubro de 2011 às 6:55 | ComentarNa mesma estrada longa e sinuosa,
seguindo por estorvos, descaminhos
– ao lado a companhia generosa –,
agruras transformadas em carinhos.
A estrada, que se faz ida e retorno,
transporta realidade e desvario.
Há vida no seu leito e em seu entorno,
assim como no curso de algum rio.
Também há o andarilho solitário,
disperso em seu mundo sempre errante,
sem data, sem agenda, sem horário.
A estrada é esta vontade de chegar…
E é o passo que transforma a todo instante
a vida num incerto caminhar.
Toponímia
7 de outubro de 2011 às 9:53 | 4 ComentáriosO Beco da Alegria
ficou triste.
Pedras restam
na Rua das Flores.
Vila do Sossego?
Arruaças, gritos e disputas.
Na Avenida Monte Alegre,
a depressão assusta.
O cemitério e a prisão,
na Rua da Liberdade, estão.
Panfleto
28 de setembro de 2011 às 22:21 | 2 ComentáriosJogado, molhado,
lido e desprezado.
Não é mais importante notícia…
Bola e rola,
vira e mexe.
Sofre a dor pungente do desprezo.
E acaba levando culpa
pelo entupimento do esgoto,
boca-de-lobo.
Mulheres do Rio do Fogo
19 de setembro de 2011 às 21:27 | 1 ComentárioExiste um encontro diário entre o mar
e as mulheres do Rio do Fogo.
O mar oferece algas marinhas,
as mulheres as buscam na praia.
Pela praia, elas seguem catando
as algas e cantando mágoas.
O mar responde
com o murmúrio das ondas.
A música delas fala da vida,
de seus problemas e dilemas.
A sinfonia do mar é acalanto.
As algas são importantes para as mulheres.
As mulheres são vitais para o mar.
Dia após dia, maré após maré,
o mar não descansa,
e as mulheres não cansam.
As mulheres tiram
das águas seus sustentos.
O mar recebe, em troca,
a companhia amiga.
Algumas esperam, na mesma praia,
que o mar devolva seus companheiros.
E eles voltam, crestados pelo sol,
com peixes e saudades.
Chamam-nas “marisqueiras”.
Marisqueiras da praia do Rio do Fogo.
Mas, em verdade, em verdade,
elas são mulheres! Mulheres valentes!
Mulheres do Mar, do Rio, do Fogo
Esmeralda e os Manuscritos
8 de setembro de 2011 às 8:22 | ComentarFrançois Silvestre de Alencar e Luis García Jambrina (foto). O que há em comum entre esses dois escritores? O primeiro, típico nordestino, nem viver na Capital deseja, por opção, pois prefere escrever contemplando, do alto da oestana Serra de Martins, o cinzento da planície sertaneja. E o segundo, professor de literatura espanhola, vive em Salamanca – Espanha, sob o açoite do frio implacável dos rigorosos invernos, brancos de neve.
Púrpuras tardes
6 de setembro de 2011 às 8:19 | 1 ComentárioNo silêncio turvo e gélido,
espelhos e sorrateiros passos melódicos,
fundem-se em enigmática noite.
Serenata indesejada à janela,
assobios de ventos são augúrios
a arrepiar a epiderme da madrugada.
Com gotas de claridade,
vaga-lumes,
sintagmas-luzes,
ponteiam o manto negro
do cio da escuridão.
E surgem
murmúrios de brisa
a balançar o escuro véu,
soprando vida,
despedaçando a solidão,
em tímidos veios de cor.
O dia avança,
com a liberdade de um condor,
sabendo que outra vez morrerá.
Púrpuras tardes,
prelúdios e presságios,
que outros passos e espelhos
urdirão de mistérios
outras noites sem estrelas…
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davidmleite@hotmail.com





