
Olhava com espanto… Que besouro é este? E lá ia ele subindo pela parede.
Faltava-lhe uma perna, que por certo perdera em um acidente ou numa briga? Ou quem sabe nascera assim; mas, resignado e insistente, seguia com a destreza do guerreiro, com a certeza do caminho, o vencedor seguia… Na direção do dia, entre pedras e espinhos, passava pela minha porta, atravessava a janela em direção da rua e seguia o seu destino; a natureza nos ensina a lição do dia.
BOM DIA!!!
(Ednar Andrade).
Silenciar
4 de setembro de 2011 às 9:16 | 2 Comentários
O que dizer “quando”?
Sentir o que no “instante”?
Nada a fazer, por que…
Nada preenche, “lacunas”
De espaços tão bruscos.
Silenciar precise, talvez, a boca.
Pra sentir o tamanho da dor
“E gemer apenas, sem mais”!
Mesmo sem querer,
Ou por não poder até…
Até que se morra,
Até que tudo derrame.
O que dizer “quando”?
Sentir o que no “instante”?
Silenciar precise, talvez, a boca…
(Ednar Andrade).
(19.04.1983).
A chave de tudo
31 de agosto de 2011 às 15:43 | 2 Comentários
Me aguças, me atiças,
Fico assim… Querendo, querer-te
Me enfeitiças…
Me levas ao inferno do teu céu…
*
Me queimas, incomodas…
Tens a chave do meu sossego… Do meu desatino,
Do meu des-tino
Verso que, com saudades,
Rimo
*
Tens, do compasso, o meu coração…
Do meu calendário, o tempo
Do meu amar, a certeza
Da vida, o tema (teorema)
*
O absurdo: paradoxal,
Contraditório,
Sem razão…
Contra-senso.
(Ednar Andrade).
Quase noite
27 de agosto de 2011 às 17:33 | 2 Comentários
Quase noite, cedo,
Ainda é tarde.
Quase dia – quase, noite…
São como ventos, os sonhos.
Brisa mansa bate na face,
O Sol se despede; é ,quase noite…
Um cheiro no ar…Aroma de flores
Jasmins ,cravos e rosas…
Saudade no peito,
Silêncio, sussuros, tudo se aninha;
Nesta hora plena,sagrado instante…
Faço uma prece, por ti rogo(…)
Encanto, magia,a vida descansa; Ave Maria*…
Suave presença… “Mãe -natureza,”
Quanta beleza ,quanta…
Luz de vaga-lume,
No céu “uma estrela,”
O amor anuncia,
Promessa, carinho,
Ave Maria… (Hora nona, hora de oração).
Ave Maria!!!!!
(23/08/2011).
(Ednar Andrade).

Uns beijos:
Uns meus;
Outros, da Lua.
Um abraço,
Um risco,
Um traço,
Um sorriso,
Teus olhos…
Ávida a noite, a vida
“É NOITE”
Saudades tuas.
(Ednar Andrade).
(12.08.2011).
Cor de flor (à flor…)
22 de agosto de 2011 às 8:34 | 2 Comentários
(Maurício Costa)
Sou para ti
Aquela, louca… (FELIZ)
E perguntar-te para que serve o juízo?
Aquela que brinca com nosso perigo
Ainda sou aquela menina
Que o tempo não apagou
Que a mágoa não fez mudar de cor…
Aquela – aquela cor – que com ela
Pintamos uma fugaz primavera
E depois dela, tudo que é lilás tem cor de FLOR
Rs….
Mora em mim um menina
Que brinca contigo de esconde-esconde…
E… SORRI QUANDO ME ENCONTRAS…
E quase choramos de saudades…
Brincando de brincar de AMOR…
Tudo muda de sentido,
Tudo ganha vida, toda a minha PELE FICA À FLOR
Todos os vazios perdem o espaço
AINDA
Meus olhos em raio-x
Fotografaram e guardam de ti a última lembrança do sorriso teu,
Quase cínico de tão safado… Rs…
Mais, que riso; devassidão…
De silêncio, ainda, é feito o meu melhor poema
Quase sempre, diz de amor
E de tudo que quero não dizer… Rs… Diz
Ai… Como brinca esta menina com a própria sina,
Mesmo depois de tanto frio, ainda abre a janela
Só para te ver de longe… Muito longe…
E escuta os pássaros e chora quando canta…
E canta para não chorar (“às vezes”).
(Ednar Andrade).

Então, sentindo o corpo cansado, esticou-se na velha poltrona verde e pôs-se a refletir… Olhando o nada, olhando através da displicente e torcida posição da veneziana deteve os olhos no balanço regular e ritmado da natural paisagem à sua frente, atenta aos chocalhos que pareciam instrumentos pendurados na folhagem densa .Sem remorso ou tristeza, pensava, em como há grande diferença entre, ESTAR ou SER SÓ.
Tolices
18 de agosto de 2011 às 8:13 | 2 Comentários
Eu dizia coisas que não sei mais dizer.
Acreditava em sentimentos
Que hoje chamo de tolices.
Amava com um jeito absurdo e inocente.
Chorava quando era pra cantar.
Algumas coisas duras,
Guarda-se na memória
De forma inevitável
E viva, como um vídeo-teipe.
Eu queria como quer uma criança,
O doce da vitrine ou a boneca mais linda,
A felicidade inexistente.
Chorava de emoção ao ouvir
Uma canção de amor
E pensava na vida como quem pensa
Num bosque…
Vivia a primavera como quem faz um poema
E beijava como um beija-flor,
Sugando da vida o néctar.
Um barquinho visto de longe,
Era como uma embarcação
Cheia de sonhos.
Aí, a vida chega, o tempo passa
E o que resta da festa
É o que a ninguém basta.
(Ednar Andrade).
(03.08.2011).
Tristeza doce
15 de agosto de 2011 às 17:14 | 2 Comentários
Me bateu uma tristeza,
Em volta olhei a mesa:
Bananas, canela e açúcar…
Eis aqui um poema doce.
Receita para não sofrer… Rs…
Corte as bananas,
Açúcar-”misturinelas”
Não esqueça: por canela.
Depois, leve ao fogo brando…
Vá fazendo da dor um verso,
Que a vida fica docinha…
…E O REVERSO UM VERSO…
(Ednar Andrade).
Palavra-muda
12 de agosto de 2011 às 18:21 | Comentar
Saltando de galho em galho no cajueiro,
Leve como um pensamento…
Anum é seu nome.
“Estranha ave”…
Distraída canta…
Pela folhagem,
Bailando… Bailando… Vai…
Tudo me invade,
Silêncio, música (sem saudade).
Nesta paisagem de verde tarde,
Descortinando o tempo.
No olhar tenho um riso;
Na boca “palavra – muda”.
Me desnuda, me interroga,
Me abriga,
Me abraça,
Me enlaça… Respiro a vida.
Estranha ave… Que, como eu,
Canta seu canto…
…Eu? Planto flores,
Eu verso…
E dela me encanto…
Me encanto…
(Ednar Andrade).
Quase vinte e quatro
5 de agosto de 2011 às 17:07 | 1 Comentário
Corre no meu sangue
Um cheiro de veneno.
Vinte e três segundos mais
Sinto um germe
No meu cérebro.
Inquieta, tola, pateticamente
Canhota.
Um tique-taque na boca
Ou no pé, uma mensagem idiota
Atravessando o ouvido
E… Como de tudo duvido,
Egoísmo, possessão, não sei.
Quem sabe é insegurança? …
Vinte e três e já não sei,
Talvez quem sabe na cama,
Essa coisa vai passar…
Seria bom dormir, sonhar…
Sonhar… Acho… Bom! (…)
Deixo escapar um flagrante
É o inconsciente safado.
Aqui todo enciumado…
Bobo, tolo, a mesma coisa.
Ai quanta besteira!
Ninguém tem nada,
Com nada.
Já é quase vinte e quatro,
Pra que essa confusão… (?)
(03.08.1984).
(Ednar Andrade).
Jaz
2 de agosto de 2011 às 17:07 | 6 Comentários
Os dias passam lentamente…
Na minha lente embaçada.
Neste muro de cal
Vejo a bandeira da interrogação
E a procissão dos mortos.
De vagar, caminham sombras
Tão lentamente que o que se move
Não tem vida.
Neste muro de cal, areia e sal.
De noite é dia, de manhã; ontem
E a tarde jaz.
(Ednar Andrade).

(William Blake – Fiery Pegasus).
Vem montado em um cavalo forte,
Vestindo surpresas, espalhando lendas…
Em redemoinhos, fazendo festa,
Vem, soprando a orquestra
Dos varridos sonhos,
Seresta nas frestas, nas noites longas
E uivantes lobos…
No chocalho das cobras… Esvoaçante crina.
Vem, em forma de azar, no jogo de amar,
No desencantar de um sonho errante…
Feliz cavalgar nas luas do luar,
No credo do medo, dos bruxos ou Lílites.
No amor dos amantes
Nas tardes molhadas, tu és ventania.
A primavera, tu vens anunciar,
Teu nome é encanto…Teu nome é sonhar
(Ednar Andrade).

Às vezes o amor
Me chega como uma tempestade;
Queima, arde, invade…
Faz alarde ou mudo;
Como um vulcão que desperta em chamas… Chega.
…E INDIFERENTE DEVASTA O “DENTRO”…
Do meu ser
Toma meus sentidos, desperta-me a euforia..
Depois de queimar tudo,
Ainda pisa nas cinzas,
Deste meu desabrigado coração…
Fico como uma ré detida,
Dispersa, deitada sobre a dor… Desta tortura
Como um ditador, ele vai e vem…
Em outas me chega sussurrando…
QUASE GEMENDO DE TANTO SENTIMENTO E SAUDADES…
Pede para entrar,
E faz morada,
Fica e demora… Como se para sempre fosse
Cedo, noite, já bem tarde…
(Ednar Andrade).

Estou morta:
Em mim…
Não escrevo,
Mas penso…
Penso tanto…
Não canto,
Nem me encanto,
Também não bebo pranto
Destilo alma,
E desencanto…
O que vem de mim é uma sombra
É um “sem riso”.
Estou mar, estou profundo…
Sinto-me fora do mundo
Mundo- IMUNDO,
Pano sem fundo, abismo sem fim,
Nem começo,
Mundo…
Apenas como uma pena, flutuo…
Não estou triste,
Estou – só – “comigo”.
Pisando areia…
Com pés descalços,
Sem pressa,
Eu.
Pele molhada,
Água & Sal..
Cabelos ao vento,
Sossego solto…
Liberdade,
liberdade…
A dor morreu.
Tarde azul
14 de julho de 2011 às 14:29 | 3 Comentários
Silêncio é uma palavra que pinto de verde
Para chamar de paz meu céu azul.
Paz é uma nuvem clara
Numa tarde cinza e fresca de inverno…
Inverno é uma estação aconchegante…
Pausa para pensar…
O vento é carícia e verso…
As mãos nos cabelos, um afago… Sorrio,
Uma taça de vinho
Ou uma xícara de chá,
Um café com leite…
Uma espreguiçadeira,
Um casaco de lã… “Lilás”
Envolta no edredom
Uma antiga canção, “um dia frio…”
Rever fotografias, tomar chocolate quente…
Silêncio, onde repouso o meu olhar
No balé colorido dos beija-flores e das borboletas…
Que dançam sobre as flores molhadas do campo
Numa dança sem igual, festejando a natureza
Mãe minha,
Meu eu em efusão,
Minha festa, minha rima;
Terra, poesia sossego e vida.
Silêncio…
Ouço a voz que vem dos rios…
O canto das aves é minha prece…
Minha eterna oração.
Tu
12 de julho de 2011 às 18:42 | 10 Comentários
Tu não me revelas quem és…
Sinto uma forte presença
Nas tuas palavras;
Pareces com o meu amado quando recitas,
Quando me abordas…
Mas… Não creio que sejas ele…
Ou que, ele seja tu…
De toda forma,
Tens uma poesia linda…
Que desfolha…
Como uma flor que o vento sopra e toca,
E sais, assim, dizendo versos…
Que encantam… Embalam e dão luz às vidas.
Numa feliz tarde soprada pela brisa
Que sai de todas as poesias,
Nascidas do amor,
Ou quem sabe da dor dos que amam,
Este dom divino de amar
Ou quem sabe sofrer
E viver de amar o amor*
Aos 103 anos, Dona Canô é internada em Salvador
9 de julho de 2011 às 18:26 | Comentar
Dona Canô, nome como é conhecida Claudionor Viana Teles Velloso, 103, foi internada na quinta-feira (7) no hospital São Rafael, em Salvador.
Mais: aqui
A vida
8 de julho de 2011 às 13:20 | 7 Comentários
Nada me é tanto, que eu não seja mais…
(Ednar Andrade).
A boca pro beijo,
Para o afago; as mãos…
Os olhos para falar,
O desejo do outro desejo
Para o silêncio; o segredo
Para os dentes; o riso
Teu porto, meu abrigo
Sussurro é gemido…
Da noite; o deserto
Remanso é sossego…
Do amor; o perigo
Do martelo; o prego.
A boca; as mãos,
Os olhos; o olhar
Desejo, silêncio e segredo…
Dentes sem riso,
Porto em desabrigo;
Desassossego; o deserto
…E o perigo? a vida,
O amor (…) O medo.
Para Anne Guimarães
1 de julho de 2011 às 22:22 | 4 ComentáriosMinha amiga lilás, como já sabes, como já ficou tão transparente, tão claro, pelo que digo, pelo que posto, pelo que escrevo e pela necessidade de sê-lo, pois tenho o que preciso: a natureza, a poesia, a família, de forma gratuita, a felicidade corre em minhas veias.






