Parabéns, Tácito, por reservar espaço próprio para a POESIA, na reforma gráfica do “Substantivo”, que está vindo por aí.
Em meio à prosa cuencosa (etc) que aí está, a poesia brasileira se apresenta não só mais vigorosa, porém tem mais interesse & relevância, e, com certeza, terá muito mais permanência, no futuro, do que os “romances” tupiniquins desta quadra de lero-lero flipense etc etc, que estamos atualmente vivendo, de Paraty ao Chuí…
Em deslouvor do Lero-lero
A quem interessar possa
“João Paulo Cuenca: ‘Tudo o que escrevo é por encomenda’” (SIC)
A QUEM INTERESSAR POSSA:
Realmente, não tenho eu nada que fazer em meio a escritores assim tão “profissionais”, “realistas” e empenhados em obras, pelo que se vê/lê, altruística e eminentemente tão “artísticas”…
Perdendo a mão
Esse texto de Hatoum – “Leitor intruso etc” – é tão óbvio e convencional (e velho, como imaginação etc etc) que chega a ser estúpido.
O escritor deve estar perdendo a mão…
Feliz é o autor…
Concordo em gênero, número e grau com a – sólida – argumentação em torno da Poesia (ver mais abaixo) feita pela inteligência de Marcos Silva.
Seu bisturi fino foi no miolo da questão -e deixou exposta a fratura que nos vitima na cultura e, dentro desta, especialmente no que diz respeito à(s) linguagem(ns) poética(s).
Em post imeditamente anterior, João da Mata evocou, com sensibilidade também delicada – conforme sempre o faz – tempos idos porém não sumidos, ainda, na bruma do esquecimento que, às vezes, apaga o melhor da vida…
Permitam que eu diga: feliz é o autor que, no meio da geral “penúria” etc, encontra poetas-escritores-leitores de tal calibre. Estou grato também ao Tácito, por ter generosamente posto o poema neste alto palco Substantivo…
“E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”
O poema, em sua diagramação original, em arquivo PDF, pode ser lido no link abaixo.
AQUI
Fernando Monteiro
“E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”
Insepulta jaz a pergunta acima
e bem acima do motivo
supostamente íntimo
visto no verso de um dos últimos poemas de Roberto Piva.
A inquirição, franca, fende a fina porcelana de cera dos ouvidos.
Sabemos da penúria,
porém não queremos saber dela.
Plantamos a flor carnívora,
mas desviamos a vista
quando o jardim do pecado
castiga com isso:
indiferença, acídia, tédio mortal
no peito de avestruzes
(os do estômago forte
para literatura feita
com lixo).
Além do que, poeta Jarbas…
Você não acha que Ferreira Gullar está cada vez mais parecido com uma velha lavadeira de brancos cabelos escorridos à beira de algum riacho das almas perdidas?…
[COM TODO O RESPEITO ÀS BOAS LAVADEIRAS, É CLARO!, Ó MARCOS SILVA...]
Sobre “A Tragicomédia de Apipucos”
É não menos que irretocável a análise de Gilberto Freyre que Benjamin Moser faz no texto “A Tragicomédia de Apipucos”.
O fundo de pensamento reacionário que que ali se examina não é novidade para ninguém que não seja “gilbertófilo” fanático (como os Edsons Nérys dos gatos e dos felinos Freyres etc), porém Moser – com legítima isenção norte-americana típica do intelectual independente que aqui raramente encontramos – vai mais fundo nas contradições gilberteanas que, mais do que simples “paradoxos” (já ouvi muito isso) de uma trajetória intelectual controvertida etc, são insuportáveis menoridades de um talento maior que se prestou até para ser “dedo-duro” político, na vida. E coisas assim nunca poderão ser perdoadas (digo-o, desde já, aos panegiristas de Freyre que, com certeza, irão ser ouvidos nos arraiais da próxima FLIP)…
Lembrança de Franco Maria Jasiello
A lembrança que Jarbas Martins acaba de fazer do nome do poeta, ensaísta e professor Franco M. Jasiello é pura justiça – inclusive na condição de “potiguar” (como poucos!) desse romano que amava sua Roma natal tanto quanto a Natal adotada, cidade da escolha franca dele, Jasiello, para viver, amar e morrer.
Quando de uma apuração, aqui no Substantivo, de listas dos “melhores poetas potiguares”, eu fui o único, se não me engano, a mencionar o nome de Franco, enquanto todos os outros “votantes” levaram em conta a pia batismal em solo riograndense como um requisito básico etc.
Seria?…
Mantenho a pergunta. E permaneço com Franco entre os meus eleitos poetas maiores do Estado a que ele entregou o seu destino, generosamente esquecido (quase) da Itália deixada para trás e na qual foi “partigiano” e poeta precoce, mal saído da adolescência. No Brasil (inicialmente em São Paulo e, depois, em Natal) foi poeta a vida toda, pesquisador do folclore, professor de história da arte, tradutor magistral dos líricos gregos e romanos etc etc. É impossível resumir tudo que foi Franco Maria Jasiello, sem encher laudas e mais laudas, ou telas e mais telas deste “SP” no qual ele teria sido, certamente, o mais culto e arguto de nós todos.
Ou seja; nada a ver – nunca – com Crispinianos, Rodrigues e outras “aparições” do crepúsculo cultural que desceu sobre a Fundação José Augusto e a Capitania das Artes, muito recentemente.
EM TEMPO: Franco foi um excelente presidente da FJA, conforme bem lembrou o poeta Jarbas Martins.
Daqui do Recife, assino embaixo do protesto de Jarbas
Poeta Jarbas Martins:
Além de “mau poeta” (eu confio inteiramente nos SEUS critérios de avaliação, Jarbas), esse tal de “Crispiniano Neto” deve ser também imbecil – se acaso pensa que poderá tentar “cancelar” a memória de uma obra magna como a do grande Luis Carlos Guimarães com a consentida interrupção da atribuição de um prêmio que leva o nome de um dos mais importantes poetas da nossa literatura, o brasileiro da brava Currais Novos, LCG.
Essas três iniciais, no território poético nacional, pertencem à grandeza de um Luis como aquele outro, o Cascudo: imenso, gigantesco, inalcançável pelos “Netos” anões semelhantes aos Crispinianos e aos Rodrigues que neste infeliz momento estão vitimando, seriamente, a Cultura do meu querido Rio Grande do Norte.
João & Jarbas
João, Jarbas:
Obrigado pela leitura. Leitores de Poesia como vocês dois são (além de Poetas), hoje se contam nos dedos, e, talvez, não encham duas mãos…
[PS: Também agradeço a todos que simplesmente leram os poemas, sem comentar etc. "Mais do que nunca" - conforme diria o horrível Faustão - é necessário ler e amar a Poesia.]
DOIS POEMAS DE VENEZA
Publicados no site Interpoética (aqui)
O torso de beleza afastando-se
Como se afasta um afogado
Das margens da praia
Também recuada para trás
De onde o Mediterrâneo
Vinha beijar os pés das sílfides,
Sob o sol silencioso.
Abandonados pelas crianças,
Os brinquedos da marina
Zunem de calor no metal
Aquecido como as águas.
O planeta está mais quente
E mais enlouquecido
Entre os pios nublados
Do pássaro escondido
Nas árvores molhadas
Da chuva ácida que se filtra
De um céu de tempestade.
Um tal de Ferrari
No “Substantivo Plural”, acabo de ler uma notícia transcrita da “Folha de São Paulo”…
“LEÓN FERRARI EXPÕE NO BRASIL
Por Fábio Cypriano
Na FSP
Foto: Roberto Ruiz/Clarin
O nome da exposição “O Alfabeto Enfurecido”, que é inaugurada hoje, na Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre), não trai a personalidade do argentino León Ferrari que, com a suíço-brasileira Mira Schendel, protagoniza a mostra. Em entrevista à Folha, na segunda, Ferrari, 89, não só chamou Jesus Cristo de fascista e ironizou o mercado de arte, como questionou o próprio local da exposição. “Eu não gostaria de entrar em um museu para um artista que matou alguém”, afirmou, referindo-se a Iberê Camargo que, em 1980, matou um homem após uma discussão na rua.”
… E fico simplesmente indignado.
Quem é “León FERRARI”?
Nunca ouvi falar. Vejo apenas que ele realmente corre com a boca mole que tem…
A Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre) está inaugurando hoje uma exposição desse senhor argentino que, na foto, mantém um globo terrestre povoado de baratas, na cabeça (vejam mais embaixo). Tal ridículo não inibiu o senhor Ferrari de se exibir assim, para o fotógrafo, aos 89 anos, pois os canalhas também envelhecem.
Nessa idade, na qual – supõe-se – todos devem ter acumulado, já, algum naco de mínimo conhecimento da vida etc, esse triste palhaço que a Fundação IC convidou para expor no seu espaço (projetado pelo talento de Álvaro Siza), chama Jesus Cristo de “fascista” e mais: ofende a própria instituição anfitriã das suas “obras” ao declarar, de forma intempestiva e bárbara: “Eu não gostaria de entrar em um museu para um artista que matou alguém”.
Então, señor Ferrari, o que o senhor veio fazer aqui?… Volte para o seu pampa, pequeno “clown” sem graça. E não avance grosserias sobre um triste acontecimento na vida de um dos maiores pintores brasileiros da segunda metade do século XX.
Ninguém…
Curioso, Tácito:
NINGUÉM comenta nada (ou quase ninguém – porque o Milton Ribeiro mandou um comentário, lá de Porto Alegre) no ícone “COMENTE”, recém implantado aqui no Substantivo.
Podem correr a página, que ninguém encontra ninguém “comentando” post algum.
Será porque o comentário não fica no “mainstream” da página, e, portanto, a vaidade despreza esse ícone que vosmicê providenciou, pensando que ia ter “comments”?…
Necas de pitibiriba.
Neguinho vê que o “comentário” não aparece logo de cara, na suposta face “nobre” (?) do SP… e cnc.
[[ Nem sequer vão comentar, aqui, perguntando o que diabo é "cnc". Porque ninguém comenta NADA, meu véio, una vez (nada más) que o tal comentário vai ficar "atrás" e não "na frente" etc. ]]
E assim caminha a humanidade, Tacitão. É melhor tirar esse “Comente”, porque todo mundo (ou quase todo mundo) vai… cncd.
“Kafkiano”/Kafkaniano
Nunca é demais lembrar (meu amigo Nelson Patriota) o mestre Otto Maria Carpeaux – emigrado que ajudou a civilizar o Brasil – e aque, na juventude, até teve a sorte de ser apresentado, em Praga, a um pálido homem chamado Franz Kafka (o próprio, evidentemente): pois Carpeaux, que veio para o Brasil e aqui viu crescer a inesperada celebridade mundial daquele “pálido homem tímido e triste” etc, não se cansava de dizer que “kafkiano” estava errado.
O certo, para ele, seria kafkaniano.
Bem vistas as coisas neologísticas etc etc, o mestre Otto tem lá sua razão… Falta qualquer coisa ao fácil “kafkiano” na boca de todo mundo (faltando, inclusive, a LEITURA de Kafka, que o Nelson abordou em boa hora).
PS:
Quanto à apresentação ao grande escritor tcheco – que escrevia em alemão (e, por isso, é Karel Capek que está no lugar do maior escritor tcheco da primeira metade do século XX), quanto à apresentação do então jovem Carpeaux à Kafka, o nosso Otto Maria ouviu “Kauka, Franz Kauka” – ou algo parecido – sair da boca daquele desconhecido homem triste que estava numa pequena festa num apartamento de Praga, com pessoas em torno de O. M. Carpeaux (ainda moço, mas já festejado pelo menos naquele círculo), enquanto “Kauka”, ao fundo, era um perfeito desconhecido que depois se retirou sem que ninguém o notasse. Carpeaux esqueceu completamente da figura, nos violentos anos pré-Guerra que sobrevieram, antes da sua fuga para o Brasil. E foi cá entre nós que ele viu surgir, pouco a pouco, a fama mundial daquele “Kauka” que não era Kauka, mas sim Kafka, um dos cinco mais importantes autores do vigésimo século. Otto, então, começou a se lembrar da mole mão do homem que lhe havia sido introduzido, naquela já distante Praga, num esquecida festinha qualquer da vida. E recordou o acontecimento, em artigo para a extinta revista MANCHETE, como um típico caso “kafkiano” (ôpa, leia-se KAFKANIANO) da oportunidade – perdida – que ele teve de conversar e até se tornar amigo daquele “Kauka”…
PS sobre Scorcese
Além do que, POR FAVOR, algum americano da CIA (ou do FBI) talhado no grosso etc, dê um jeito de impedir MS de escalar Leonardo di Caprio, mais uma vez, para o próximo “Scorcese”…
Ninguém aguenta mais o jovem ator com cara de boneco de baquelite (se é que alguém ainda sabe o que é isso).
Onde estiveram John Ford, Howard Hawks…

Cena de “Rastros de Ódio”, de John Ford
Bem, minha gente, na minha modesta opinião, esse rapaz, o Martin Scorcese, é um falso “grande” cineasta.
Toda a sua suposta Obra Magna (?) é caudatária dos mestres (americanos e estrangeiros) que ele admira – eu reconheço – com devoto e franciscano fervor, até porque eles lhe servem na hora de realizar as suas próprias películas interessantes, boas (“Touro Indomável” – visivelmente inspirado na obra-prima “Punhos de Campeão”, de Robert Wise), animadas de certo frenesi (“Os Bons Companheiros”) ou de quase alguma originalidade (“Taxi Driver”) – com o que acabo de citar os três filmes de MS que eu admiro.
O resto, não.
E esse novo, “A Ilha do Medo”, é um dos “Scorceses” (mas, ele é um AUTOR, para se falar em “Scorceses”??) mais fracos e desinspirados dos últimos anos, com a sua carga de psicologismo barato bem arrumada (também reconheço) atrás de uma narrativa eficiente e bom clima, conforme é de praxe nos trabalhos desse diretor que não pode aspirar à grande estatura alguma, LÁ onde estiveram John Ford, Howard Hawks, Orson Welles, George Stevens, Anthony Mann, John Huston, Samuel Fuller, Nicholas Ray, William Wyler, John Cassavetes, Delmer Daves e outros (para citar só cineastas americanos – que “ninguém é perfeito” – de nascimento & batismo sob a bandeira de estrelas manchadas de sangue)…
A correspondência FELLINI-SIMENON

Não poderiam ser mais diferentes – como pessoas e como artistas.
Amigos a partir de 1960 (quando George foi presidente do júri do Festival de Cannes que premiou “La dolce vita”), mantiveram assídua correspondência durante vinte anos, de 1969 a 1989 – apesar dos raros encontros pessoais. Nessas duas décadas (uma, de grande agitação cultural e, a outra, também
“perdida” na Europa), estiveram duas ou três vezes juntos, menos por culpa de Fellini do que do escritor belga – que não gostava de se afastar da refinada Lausanne.
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A fotogenia do vento
Michelangelo Antonioni tinha uma percepção naturalmente visual das coisas, como se pode perceber de uma pequena observação sua que parece simples, mas é, na verdade, daquela leveza complexa do vôo de uma pluma:
“Como é fotográfico o vento!”
A primeira reação é pensar no vazio que a curta frase abstratamente contempla, até que vemos, por exemplo, o vento agitando as copas das árvores (como no parque inglês da obra-prima de Antonioni, “Blow-up”).
Então, percebemos a sutileza do olhar do “poeta das imagens”, conforme Antonioni era chamado. Entretanto, não é preciso ser um poeta (das letras ou do cinema) para saber enxergar além da paisagem cotidiana. É preciso, apenas, ver com o olhar que “descansa” do foco exato, do centro da atenção geralmente desviada do lateral ou do periférico.
O diretor dizia que treinou o olhar em Ferrara, a cidade onde ele nasceu (em 1912), e que hoje tem um museu dedicado à sua vasta obra.
Lá, as imagens de alguns filmes memoráveis revelam as névoas da sua cidade natal, o vazio das avenidas de Milão – com os fios molhados dos postes, na chuva –, os jardins das mansões romanas, e (extremo cuidado), a grama que Michelangelo mandou pintar de verde!, a fim de realçá-la, durante as filmagens do mesmo Blow-up. O realizador explicou, mais tarde, que o fez pensando nas tomadas noturnas, quando a relva talvez fosse parecer “normalmente” mais cinzenta do que daquela cor bem nuançada na frase do pintor Paul Gauguin: “Um quilo de verde é mais verde do que meio quilo”.
O que vale para as outras cores, e também vale para incentivar uma atenção visual mais próxima de descobrir a beleza nas mais simples coisas. Na sua modéstia, elas não são vistas, mas apenas olhadas – como um carrinho de bebê, pungentemente vermelho, sobre a relva não-pintada.
Tenham certeza: ter o olhar intensificado para ver (realmente ver) coisas assim, é como respirar mais largamente, num mundo menos poluído pelo “feio”. Por preguiça ou pressa – ou, pior, pelas duas combinadas – nos afastamos da visão dos Michelangelos que existem dentro de nós. Sabe-se que nem todos são capazes de escrever belos poemas ou de realizar filmes importantes etc, porém todos são capazes, sim, de ver as coisas mais do que ao acaso, no pleno mistério do que acontece e do que não-acontece (justamente o tema de Blow-up, que – para quem não conhece o filme de 1966 -, eu recomendo, procurem nas locadoras de DVD, sob o estranho título brasileiro “Depois daquele beijo”).
Depois, tentem ver e rever tudo – se possível – com uma atenção que nada perca (ou nada deixe passar) do universo que muda a cada hora, sob a aparência dos minutos para sempre mergulhados no tempo que não retorna a fim de captarmos a “fotogenia do vento” e outras surpresas.
O primeiro faroeste “noir”
“Sua Única Saída” (PURSUED, 1946) é um famosíssimo western de mestre Raoul Walsh – um dos grandes nomes da chamada “Idade de Ouro” de Hollywood. O filme nunca foi lançado em VHS no Brasil, e agora se acha disponível em DVD da Versátil, em toda a glória da impecável fotografia em preto-e-branco de mestre James Wong Howe (alguma coisa de espetacularmente mais expressiva do que todos os recursos “avatarescos” de hoje em dia)…
Quem tiver olho – e souber VER – poderá conferir facilmente isso, logo a partir da abertura entre altos rochedos, com Teresa Wrigth cavalgando furiosamente para dar início à narrativa [de um então jovem Robert Mitchum], em “flashback”.
Eu já havia perdido a esperança de rever esse que é um dos mais célebres “faroestes psicológicos” pré-1950, quando o encontrei no excelente catálogo da http://www.russica.com.br/
O filme chegou hoje à tarde – e acabo de degustá-lo, como a um vinho raro. Algumas pequenas coisas ficaram um tanto datadas nele (é natural, desde 1946!), porém o “clima noir” permanece inspirado, e, eu diria, uma verdadeira lição de Cinema, assinada pelo brilho e o talento de Walsh.
Enfim, se não a “única”, é, sem dúvida, uma das grandes “saídas” para se ver (ou rever) um grande filme. Vão à RUSSICA, com muitos títulos que outros sites não têm, é a nossa “dica” para os (bons) cinéfilos…
Centenário de Kurosawa (terça-feira, 23)

“Eu estava nu na bacia. O local em volta era vagamente iluminado e enquanto eu me encharcava de água quente, balançava a bacia segurando-me nas bordas. Na parte mais baixa, a bacia balançava entre duas tábuas inclinadas. Eu ouvia o barulho da água que se chocava quando a bacia se movia de um lado para a outro. Aquilo devia estar muito interessante para mim. Balancei a bacia com toda a força. De repente, ela virou. Tenho uma lembrança viva do estranho sentimento de insegurança e surpresa que experimentei naquele instante, da sensação na pele causada pelas tábuas e escorregadias. Lembro-me de alguma coisa que brilhava intensamente, quando olhei para cima.”
Uma lacuna editorial brasileira (1)
INTRODUÇÃO
Não se compreende, não faz nenhum sentido que pelo menos uma parte das 1064 páginas (digitadas de um só lado, em três cadernos) do Diário do pintor Francisco Brennand permaneçam nadando no mar da indiferença dos editores brasileiros.
Essas páginas contêm observações sobre a vida, a pintura, a literatura etc – desde o dia 10 de janeiro de 1949, no Rio de Janeiro, quando Brennand estava à espera de embarcar no navio Alcântara, rumo à Paris. O conjunto total das anotações – de toda ordem – progride até 11 de junho ano de 1999, data de aniversário do pintor-escritor. Na época, ele achou conveniente “parar de escrever, pois naquela data completava 50 anos de “Diário”. Entretanto, dados os acontecimentos a partir de 2001 (entrada do terceiro milênio) percebi a necessidade de ainda esclarecer uma centena de coisas que me afligiam, bastante mais diretas e menos literárias, é verdade. Cheguei a optar pela ficção, para dar vazão àquilo que muito justamente me indignava. De certo modo, como você costuma fazer ─ na sua boa literatura ─, dando os nomes aos bois”…
Ninguém chegou mais perto
Intervenção de um leitor comentando a transcrição que Milton Ribeiro http://miltonribeiro.opsblog.org/ fez de “José Mindlin para as novas gerações iletradas”, resolveu lembrar uma das melhores sacações do bibliófilo: “Paulo Coelho está para a literatura assim como o bispo Edir Macedo está para a religião”.
Ninguém chegou mais perto da justa classificação zoomórfica de Coelho…
José Mindlin para as novas gerações iletradas
No momento em que tantos estão a escrever (?) tantas “generalidades” sobre o realmente admirável José Mindlin, eu gostaria de relatar uma historinha (real) a respeito de um livro.
Um dos mais raros livros que já passaram pela mesa do meu amigo Stefan Geyerhahn, sebista que… Não, esse nome precisa, antes de mais nada, ser trocado pelo de “antiquário de livros”, que melhor se adapta ao perfil de grande livreiro especialista em obras raras e antigas (título dignamente conquistado por Geyerhahn, um dos donos da Livraria Kosmos – “sebo” que ajudou a civilizar o Brasil).
Assino embaixo
Gustavo:
Assino seu Manifesto, com prazer – e humor, sempre necessário na vida! -, e até convido esses cariocas do “manifesto” besteirol (principalmente os que vosmecê conhece, o que é, já, uma espécie de garantia) para virem assiná-lo também, uam vez que eles gostam de manifestos e, suponho, chopp gelado etc. O encontro poderia ser em Natal ou em mesmo em Brasília (no aeroporto desta tem o maior copão de chopp que já vim em my life, sobre o que invoco o testemunho do poeta Marcus Accioly e do “famigerado” Jomard Muniz de Britto, que estavam presentes quando resolvi experimentar o copo de chopp do tamanho do chapéu do velho Ascenso Ferreira, juro-por-Deus)…
Os Famosos “Quem?”
Quem são Lucia Bettencourt, Angela Dutra de Menezes, Celina Portocarrero
Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, Thomaz Adour, Barbara Cassará, Halime Musser, Ana Cristina Mello e Marcela Ávila, autores do “manifesto” besteirol pela “popularização etc etc”?…
Nunca ouvi falar em nenhum deles, confesso, como bom ignorante que sou e que gosta de ficção “complicada” (aspas), normalmente odiada por gente desconhecida como Marcela Ávila, Ana Cristina Mello, Halime Musser, Thomaz Adour, Angela Dutra de Menezes, Celina Portocarrero, Luis Eduardo Matta, Felipe Pena e Barbara Cassará – ou não Cassará? – a Literatura Livre para Ser Feita como a Gente Preferir e Quiser!, Ôxe.
PS: Ô tchurma carioca aí do “Lebllon” que não tem o que fazer: DEIXA ESSA DECISÃO PARA O LEITOR, gente, e acabem logo seus chopps, senão fica morno…
