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2 de março de 2010

Uma lacuna editorial brasileira (1)

Por fernando monteiro

INTRODUÇÃO

Não se compreende, não faz nenhum sentido que pelo menos uma parte das 1064 páginas (digitadas de um só lado, em três cadernos) do Diário do pintor Francisco Brennand permaneçam nadando no mar da indiferença dos editores brasileiros.

Essas páginas contêm observações sobre a vida, a pintura, a literatura etc – desde o dia 10 de janeiro de 1949, no Rio de Janeiro, quando Brennand estava à espera de embarcar no navio Alcântara, rumo à Paris. O conjunto total das anotações – de toda ordem – progride até 11 de junho ano de 1999, data de aniversário do pintor-escritor. Na época, ele achou conveniente “parar de escrever, pois naquela data completava 50 anos de “Diário”. Entretanto, dados os acontecimentos a partir de 2001 (entrada do terceiro milênio) percebi a necessidade de ainda esclarecer uma centena de coisas que me afligiam, bastante mais diretas e menos literárias, é verdade. Cheguei a optar pela ficção, para dar vazão àquilo que muito justamente me indignava. De certo modo, como você costuma fazer  ─ na sua boa literatura ─, dando os nomes aos bois”…

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2 de março de 2010

Ninguém chegou mais perto

Por fernando monteiro

Intervenção de um leitor comentando a transcrição que Milton Ribeiro http://miltonribeiro.opsblog.org/ fez de “José Mindlin para as novas gerações iletradas”, resolveu lembrar uma das melhores sacações do bibliófilo: “Paulo Coelho está para a literatura assim como o bispo Edir Macedo está para a religião”.

Ninguém chegou mais perto da justa classificação zoomórfica de Coelho…

2 de março de 2010

José Mindlin para as novas gerações iletradas

Por fernando monteiro

No momento em que tantos estão a escrever (?) tantas “generalidades” sobre o realmente admirável José Mindlin, eu gostaria de relatar uma historinha (real) a respeito de um livro.

Um dos mais raros livros que já passaram pela mesa do meu amigo Stefan Geyerhahn, sebista que… Não, esse nome precisa, antes de mais nada, ser trocado pelo de “antiquário de livros”, que melhor se adapta ao perfil de grande livreiro especialista em obras raras e antigas (título dignamente conquistado por Geyerhahn, um dos donos da Livraria Kosmos – “sebo” que ajudou a civilizar o Brasil).

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28 de fevereiro de 2010

Assino embaixo

Por fernando monteiro

Gustavo:

Assino seu Manifesto, com prazer – e humor, sempre necessário na vida! -, e até convido esses cariocas do “manifesto” besteirol (principalmente os que vosmecê conhece, o que é, já, uma espécie de garantia) para virem assiná-lo também, uam vez que eles gostam de manifestos e, suponho, chopp gelado etc. O encontro poderia ser em Natal ou em mesmo em Brasília (no aeroporto desta tem o maior copão de chopp que já vim em my life, sobre o que invoco o testemunho do poeta Marcus Accioly e do “famigerado” Jomard Muniz de Britto, que estavam presentes quando resolvi experimentar o copo de chopp do tamanho do chapéu do velho Ascenso Ferreira, juro-por-Deus)…

28 de fevereiro de 2010

Os Famosos “Quem?”

Por fernando monteiro

Quem são Lucia Bettencourt, Angela Dutra de Menezes, Celina Portocarrero
Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, Thomaz Adour, Barbara Cassará, Halime Musser, Ana Cristina Mello e Marcela Ávila, autores do “manifesto” besteirol pela “popularização etc etc”?…

Nunca ouvi falar em nenhum deles, confesso, como bom ignorante que sou e que gosta de ficção “complicada” (aspas), normalmente odiada por gente desconhecida como Marcela Ávila, Ana Cristina Mello, Halime Musser, Thomaz Adour, Angela Dutra de Menezes, Celina Portocarrero, Luis Eduardo Matta, Felipe Pena e Barbara Cassará – ou não Cassará? – a Literatura Livre para Ser Feita como a Gente Preferir e Quiser!, Ôxe.

PS: Ô tchurma carioca aí do “Lebllon” que não tem o que fazer: DEIXA ESSA DECISÃO PARA O LEITOR, gente, e acabem logo seus chopps, senão fica morno…

25 de fevereiro de 2010

Ainda os trechos do Diário de Brennand

Por fernando monteiro

Gustavo:

Posso lhe garantir que algumas das 1064 páginas de anotações de Francisco Brennand – sobre a vida, a arte, a literatura etc – estão entre as melhores coisas produzidas pela memorialística brasileira, e, um tanto além, até mesmo no cotejo internacional de “Diários” (já publicados) de artistas como Eugene Delacroix e Edvard Munch.
PS:
Obrigado – em nome de Brennand – pelo seu interesse de poeta e leitor refinado.

25 de fevereiro de 2010

Ajuda ao ELE

Por fernando monteiro

Bem, ELE estará – numa telinha – no ELE.
O primeiro “ELE” é Saramago, José, o escritor mais chato de Portugal e, talvez, do mundo ibérico.
O segundo “ELE” é o Encontro Lusófono (?) de Escritores, idéia micarlense-lisboeta-ogral-radiofônica de substituição do Encontro NATALENSE de Escritores.
Onde se lia “Natelense”, agora se leia “lusófono” etc. E alguém, por favor, avise ao Rodrigues Neto que, se ele não conseguir arrastar o lento Saramago para uma “vídeo-conferência” (SIC), sempre será possível recorrer ao meio ectoplasmático (de “ectoplasma”, Neto), em sessão de incorporação mediúnica, no primeiríssimo ELE etc etc, porque – se Neto não desconfia – José Saramago já morreu e não sabe…

23 de fevereiro de 2010

Verdades e mentiras em torno de um Nobel (final)

Por fernando monteiro

Foto: Escultura “Lúcio Graumann em Pompeii” encostada a um canto da Oficina Brennand (Recife)

Era a época das marchas contra a guerra do Vietnam e pelos direitos civis, contra a discriminação racial e pró-Paz.

A palavra dançava acima dos cabelos longos, das cabeças na nuvem dos protestos clamando por mais Paz para a paz das “viagens” em comunidades de jovens sorrindo para tudo e para todos, e até para a polícia recebendo flores esmagadas por cassetetes e botas. Esse tempo agora está lá atrás, a cadeira de balanço de John Kennedy fora transformada em relíquia não só da falsa “Camelot” (na qual Nicolson trabalhou como jovem estagiário de cabelo à escovinha, prestes a penetrar no “rio perdido” do primeiro título do livro inacabado).
Com seus míopes olhos azuis, Nicolson faz um esforço para se lembrar de Lúcio como autor das “melhores paródias” daqueles que eram os autores da moda, os modelos pseudo-sofisticados que não eram mais que escritores da diluição-da-diluição (“Lúcio não parecia interessado, realmente, em literatura tanto quanto nas mulheres jovens e velhas, porque nem a Céspedes escapou do seu laço de gaútcho”). Carl deve ter sido o mais jovem punheteiro daquela turma de atormentados de revista. Alguém lhe pergunta: “De quem mais você se lembra, na Ledig?”

Resposta de Nicolson (empenhado em procurar a justa recordação de um míope sincero):

“Lembro da visita de Günter Grass, que Lúcio achou um homem inesperadamente medíocre. Discutiram em alemão, e todos acharam – mesmo sem entender metade do que haviam dito – que Grass pareceu encurtar a visita, depois da briga verbal com o brasileiro sobre qualquer coisa a respeito de intrujice literária da nova literatura germânica falsamente dividida entre consciências culpadas e limpas”.

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22 de fevereiro de 2010

2007-2010: O que deu errado???

Por fernando monteiro

Em 23 de novembro de 2007, viajei do Recife para Natal a fim de participar do II ENCONTRO NATALENSE DE ESCRITORES.
Muito bem. Quando a gente desembarca na capital potiguar, recebe, de imediato, aquela “lufada” de ar quente e claridade vinda de uma das cidades mais luminosas do planeta.

Ocorre que, naquele novembro iluminado, além do II ENE, com a presença de escritores e convidados de todo o País (nenhum versado em coisas SÓ “lusófonas” – com todo respeito ao portugueses que estão no nosso romance “Aspades, ETs, etc”, lançado em Portugal, em 1997, pela forte Campo das Letras Editores), a boa revista “Brouhaha” circulava todos os meses e havia a Livraria Kriterion, de Jairo Lima – que não mora mais na cidade – um “Sebo” de portas abertas, no Mercado de Petrópolis, para encontros lítero-filosóficos-musicais (geralmente aos sábados), e também promovendo lançamentos como o do romance “Roliúde”, de Homero Fonseca, assim como, em área de preservação estratégica – ecologicamente falando – se encontrava em fase de construção o Parque da Cidade (inaugurado em 2008), um projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, com a finalidade de resgatar 411 anos de história (e também funcionar como um ativo centro cultural da contemporaneidade natalense), enquanto a Capitania das Artes não tinha nenhum “ogro” no seu comando, e patrocinava, dentre outras iniciativas, o ótimo Guaiamum Audiovisual do cinema de todas as “tribos” etc, e este “Substantivo Cultural” estava esplendorosamente começando, sob a luz da inteligência de Tácito, conforme continua (sem nenhum puxa-saquismo, parabéns, “meu véio”, pelo aniversário)… E, bem, Natal fervia, enfim, como sempre ferveu culturalmente, A-T-É A-G-O-R-A, até este presente “momento” de Micarla, me fecha, me prende, me restringe, me limita e me corta.

Sem maiores comentários, uma única pergunta eu venho modestamente colocar para os amigos natalenses: desde 2007, O QUE FOI QUE DEU ERRADO???

PS: Outras coisas, ainda, estavam acontecendo aí, na área cultural, que eu não lembrei ou tive que omitir, para não ficar um “post” muito longo. Mas estavam acontecendo, e, principalmente, o “astral” não era o de hoje, micarlático-ogrense-”losófico”-folclórico-claustrofóbico…

6 de fevereiro de 2010

E “LIMITE”, Moacy???

Por fernando monteiro

E “Limite” (1931), cadê que eu não vi o radical filme de Mário Peixoto, na lista de “filmes inaugurais” etc?
Talvez alguém venha com a pergunta:
“E o que foi que ‘Limite’ inaugurou, ó Fernando?”
Aqui, eu já respondo:
“LIMITE é um limite (conforme diria o Marcos Silva de “cada escritor é um escritor”).
LIMITE inaugurou a sua própria tradição – e se tornou o limite de Limite. LIMITE é o Alpha e o Ômega do cinema, está no seu início e estará no fim,
depois de todos os filmes.
Ou, mais uma vez me filiando àquela poderosa, complexa e prolixa linha de argumentação marcosilviana, enfim,
“Limité é Limite”.
Então, cadê ele – “Limite” – na sua lista, ó Moacy Cirne?

4 de fevereiro de 2010

Tácito, pelamordeDeus…

Por fernando monteiro

VOCÊ QUE É JORNALISTA, por favor, pelamordeDeus investigue quem é essa menina lindíssima que aparece atrás de Zé Celso, na foto aí embaixo!!!!
[PS: Isso é tarefa digna do "Sedutor de Natal"... ]

*********

Fique tranquilo, meu caro Monteiro, que botarei para investigar esse caso a equipe de detetives do SP, que tem a frente o famoso Carlos de Souza, não a toda conhecido como Carlão. Este sim, é perigoso.

31 de janeiro de 2010

A Cruz do Caminho

Por fernando monteiro

“Os cristãos têm só um crucifixo, ao passo que nós temos a medula da cruz”, diziam os sufistas discípulos da Rosa de Bagdá.

De novo, um nó górdio – agora de linho do pano de um “sudário” sanguinolento, atado ao espelho de cobre no qual ainda esperamos enxergar a névoa do futuro, no remate do desenho (vá a palavra teilhardechardinesca!) cristocêntrico. Ou o futuro que se determina – para tantos – pelo sacrifício de um rabi de poucos discípulos, pregando para a gente pobre daquela paupérrima província do império que nos deu a boa ordem…

Jesus de Nazaré vai se fazer crucificar entre o Antigo e o Novo, na medular distância iniciática entre os caminhos do Mar Morto e o desdobramento do helenismo reelaborado por visões de gosto semítico – quando a clara herança do Logos aparecer temperada com aquela “gordura espiritual” que já está nos textos bíblicos do Vale dos Penhascos (Q’uram, um dos cenários mais desolados da Terra)…

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31 de janeiro de 2010

Os “deslumbramentos” não param

Por fernando monteiro

Amigo e Tradutor Marcos Silva:

Agora, você melhorou Baudelaire! Sua tradução é melhor do que o poema dele. Estou deslumbrado, de novo.
Os “deslumbramentos” não param, neste sábado. Aliás, são, já, as primeiras horas do Domingo. Neste longo dia de descanso, por favor “carregue pedra”, traduza Dante e melhore o Florentino também!

Você sabe, o palhaço Tiririca tentou, e, infelizmente, não foi mais além da produção daqueles versos: “Florentina, Florentina, Florentina de Jesus”…

30 de janeiro de 2010

Ainda Moisés e o Atonismo – para Laurence

Por fernando monteiro

O profeta Moisés, para chegar à visão da Sarça luminosa, tivera (Freud apontou, no seu ensaio também luminoso) uma iniciação “na sabedoria egípcia” naquela mesma velha cidade de Om que não é outra senão a Heliópolis do culto solar antigo, renovado por Amenófis IV e, mais tarde, ampliado no primeiro monoteísmo (quando o rei ergue a nova capital e adota o nome de Akhenaton). Foi esse o culto que o rei egípcio primeiramente “reafirmou”, numa espécie de preparação da “revelação” que irá fazer – à sua maneira – aos egípcios. Será a religião de Aton, o Deus Único “expresso” pelo Disco Solar (um Princípio, e não mais uma divindade pagã, panteista etc).

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30 de janeiro de 2010

Deslumbramentos

Por fernando monteiro

Marcos Silva:

Agora, creia que eu fiquei deslumbrado com o fato de você deslumbrar-se com o meu “deslumbramento” (ou, ainda, alumbramento – conforme certamente preferiria o meu conterrâneo dentuço, poeta Manuel Bandeira).

30 de janeiro de 2010

“Cada escritor…”

Por fernando monteiro

“Cada escritor é um escritor”.
Fiquei deslumbrado com essa descoberta do Marcos Silva, neste sábado, dia 30 de janeiro de 2010.

30 de janeiro de 2010

Resposta a um notável intelectual natalense

Por fernando monteiro

Caro amigo Laurence Bittencourt:

Logo após a morte do rei Akhenaton – e durante aqueles três reinados que puseram fim à dinastia – realmente não temos motivos para crer que a cidade de Aton, construída pelo “faraó herétido” para ser a capital do primeiro monoteísmo da História, teria sido completamente abandonada.

Não se descarta uma capital – mesmo breve – como se fosse a pele de um peixe imprestável.

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29 de janeiro de 2010

Franco Maria Jasiello e Jairo Lima

Por fernando monteiro

Os que me conhecem, sabem que considero Natal uma “pátria adotiva” (a pátria é a língua – mas também o lugar dos afetos, das boas lembranças e das chegadas & partidas etc).

Em Natal, o primeiro dos meus amigos – cronologicamente falando – foi o italiano mais natalense do mundo, o poeta Franco Maria Jasiello.

Franco foi um grande poeta, de dicção ungarettiana, e, através dele, eu conheci a Natal boa e a Natal ruim.

A boa, a de Cascudo, atravessa corações & mentes dos muitos amigos que AÍ também tive (e ainda tenho!), e a “ruim” foi aquela Natal que, entre outras faltas cometidas contra outros, não soube apreciar devidamente – permitam-me que fale com franqueza – o alto intelecto do poeta Jasiello, seu senso de fidelidade e sua integridade moral à toda prova.

Não entrarei em mais detalhes (até porque os que foram desleais a Franco – ou que não foram retos e francos com ele – sabem BEM o que lhe fizeram)…

Essa Natal-R – de “ruim” – certamente superada, em número e grau, pela Natal-B – de “boa” – agora também está vendo outro poeta “pelas costas”, afastando-se no rumo de Pernambuco.

Refiro-me, é claro, a Jairo Lima (foto), que aí, na cidade de Cascudo, tentou de tudo para dar contribuição cultural a mais desinteressada possível, como livreiro-sebista, animador cultural, dono de “pub” de cachaças finas e outras veredas trilhadas, por Jairo, para se entender com as Natais todas.

Não foi possível. A Natal que não é boa às vezes é mais forte do que a verdadeira cidade das antigas margens douradas do Potengi.

Que há de se fazer? Lamentar-se tal fato, eu diria, sempre que se puder.

E lamentar também a falta que Jairo Lima fará, na cidade superlativa deste “Substantivo”, por estar indo embora (de volta para o Recife), poeta, teatrólogo e amante da Grande Música, ainda vivo-e-bolindo, graças a Deus, enquanto o poeta Franco Maria Jasiello se foi, de vez, para a Itália celeste onde se encontram Dante e Leopardi, Foscolo e Ungaretti, Montale, Salvatore Quasimodo e outros que talvez lhe fizeram esquecer tudo que a Natal-”R” lhe fez.

Essa, caro Jairo, vosmicê também esqueça, e se lembre, somente, da Natal boa e luminosa, de dunas suaves como o corpo de uma bela mulher, ou seja, a Natal que ninguém cala e se “sorta”, mesmo apesar da atual “Alcaidessa” Micarla fazendo o que pode pela outra Natal que tenta calar os talentos e, como me disse, recentemente, um natalense da gema, “PREFERE GASTAR CEM PARA O OUTRO NÃO GANHAR DEZ”…

27 de janeiro de 2010

Mais importante do que Stálin

Por fernando monteiro

Tácito:

Se Stálin esteve – incógnito – aí em Natral, para apoiar o “levante de 1935″, eu não sei, nunca ouvi falar, mas uma coisa é certa: há evidências da passagem da maior figura da História, por Natal, e isso deveria ser levado ao conhecimento do Pesquisador/Arqueólogo Rodriges Neto, u-r-g-e-n-t-e-m-e-n-t-e…
SEGUÍN:
Ainda não era “Natal”, nem mesmo “Rio Grande do Norte”, nem “Terra de Santa Cruz” nem e muito menos Brasil, but, naqueles famosos “30 anos” citados no Novo Testamento, tudo faz crer (segundo o poeta Diógenes da Cunha Lima), que ELE conseguiu chegar da Judéia antiga até o Egito e o Tibet, e, daí, até a costa riograndense, mais ou menos na altura de Touros, onde permaneceu por tempo ainda indeterminado.

Então, Rodrigues Indiana Neto Jones poderia pesquisar mais (ou levar Micarla, de chapéu de cortiça, para escavar todo o litoral potiguar), estendendo, assim, o seu interesse para além de Evita Perón e Saint-Exupéry (que é, aliás, é propriedade exclusiva de Diógenes – como o baobá mais célebre de Natal), a fim de revelar ao mundo onde veio meditar ninguém menos que ELE!!!

Convenhamos, Tácito: essa Visitação, tão antiga, é muito mais importante do que a de Stálin, incógnito, “em 1935″.

Arte: Jesus desembarca em Touros.

27 de janeiro de 2010

Do crepúsculo do formato “livraria”

Por fernando monteiro

Gostaria de aproveitar esse assunto do livro de Samarone Lima (“Viagem ao Crepúsculo”) nas livrarias de Natal – segundo o próprio, em diálogo com S. Vilar -, “só se houvesse procura nas livrarias que provocasse a solicitação” etc etc, para abordar uma mudança no ramo livreiro, aqui no Brasil, que talvez ainda passe despercebida de muita gente, neste momento.
Trata-se do seguinte: a maior parte das livrarias brasileiras, hoje em dia, só querem o “bem-bom” do RISCO ZERO.
Ou seja, nenhuma margem de apostas. Isto é, elas só se interessam em vender aquilo que naturalmente já está
“vendido”. Quer dizer, os livros que estejam “na mídia”, por ser de autoria de Chico Buarque, por exemplo, ou por algum personagem da “novela das oito” (da Globo, é claro) ter aparecido, num capítulo, lendo o dito cujo etc. Qualquer coisa desse tipo.
Ou, então, por ser um livro que se proponha a fazer a revelação “final” sobre o acidente que matou Lady Diana, ou que contenha a confissão palpitante do homem dos dólares na cueca (ou nas meias), essas coisas.
Se não for algo assim – ou então um bestseller americano tipo “Código da Vinci” (melhor ainda, pra eles) que virou filme -, um livro só estará nas estantes das livrarias (na maioria) de “shoppings”, se se der esse caso referido pela informação do Samarone ao Vilar: caso haja “procura nas livrarias” que provoque “a solicitação da remessa”.

Uai, mas como é que as pessoas vão procurar, e ler e informar ao outro (no popular “boca-a-boca”) que o livro “X” ou “Y” é um livro bom, se a tal obra não se encontra presente nas estantes das casas comerciais livreiras, para você topar com ela???????????
Respostas das [atuais] livrarias:
Sei lá!
Não quero saber.
Só vendemos o que já está garantido que será vendido. Simples assim.
“E o que ainda precisa de ser conhecido para poder ser vendido?”
Livrarias:
“A gente num quer saber, não. Virem-se. O aluguel dos espaços dos shoppings é caro, os livros são caros, as editoras não fazem mais consignação, e, enfim, gente tá se lixando para o leitor que vem em busca de algum livro pra ler, sem saber, ainda, qual livro vai ser”..
Bom, pessoal: é assim que está funcionando a coisa, atualmente. Se você quiser um determinado livro, tem que ir lá e “e-n-c-o-m-e-n-d-a-r”. Talvez chegue. Talvez não chegue.
E muita gente, muitíssima gente a encomendar um livro, todo santo dia, aí então é possível que as livrarias “moderníssimas” façam a encomendazinha de um título que esteja sendo bastante (e bota “bastante” nisso!) PROCURADO…
Isso – me dizem – é o Mercado (hoje em dia). Tudo é “sob demanda”, sacaram?
EM TEMPO:
Por favor, quem tiver uma passagem em máquina-do-tempo sobrando (contanto que seja para o século XIX ou XVIII), me diga que eu compro.
Quero sair, urgente, do século da “sob demandice”: este 21, que só se consegue suportar com a “51″ (não é, Lulinha?)…

19 de janeiro de 2010

A Acrópole ameaçada

Por fernando monteiro

No verão grego do ano passado, o termômetro marcava quase quarenta graus à sombra (bem pouca, aliás), no caminho que sobe, tortuosamente, do bairro da Plaka para o cimo do conjunto portentoso da Acrópole.

Estava apenas no meio da manhã de 17 de junho último, e, por puro acaso, eu subia para rever uma das obras arquitetônicas mais impressionantes do mundo antigo, ao lado de um velho americano debaixo de uma sombrinha de papel lilás sobre a calva cabeça.

Eu também havia comprado uma, na mesma hora, dos jovens coreanos que oferecem o objeto frágil, em variadas cores – e, com a minha sombrinha amarela (vale qualquer coisa debaixo do sol grego de junho), passei a prestar atenção na conversa que ele iniciou, depois de perguntar se eu falava inglês. O velho disse que visitara aquelas grandiosas ruínas do século Quinto (o de Péricles), em 1949:

– Isso aqui era completamente diferente, em 1949. Eu tinha dezenove anos, e quase não havia ninguém subindo por este acesso que só tem a novidade do calçamento. No mais, continua tão escarpado como sempre…

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10 de janeiro de 2010

Ainda Ariano

Por fernando monteiro

Marcos:

A “pérola” arianística sobre José de Alencar ser “mais importante” do que James Joyce – na opinião de Suassuna – era expressa justamente nas aulas de Estética ministradas pelo autor do “Auto da Compadecida” na UFPE.

Ou seja, coisa de uma irresponsabilidade tremenda, uma vez que o Professor Ariano – como você bem detecta, Marcos – realmente a pronunciava mais ou menos com o Paulo Emílio Sales Gomes recomendava se “preferir” o pior filme brasileiro ao melhor estrangeiro (ou algo assim).

Sendo os dois homens bem diferentes (OPOSTOS, mesmo), conforme você ressaltou, acho que, se eu fosse irmão siamês ideólogico de Ariano ou gêmeo univitelino mental do afável Paulo Emílio, eu não conseguiria subscrever nenhuma das duas opiniões, não teria coragem, cara-de-pau etc, PELO DIANTE DE ALUNOS, isto é, de mentes em formação ainda, de jovens sob os quais eu fosse tentado a exercer algum “charme”, à direita ou à esquerda, ariano ou não-ariano, (nazistamente?) sobre pobres estudantes de Letras ao longo de pelo menos duas gerações…

Foi bom, Marcos, você lembrar a posição “parecida” do gentil, cavalheiresco e inteligentíssimo Paulo Emílio – foto (que descobriu Jean Vigo para os próprios franceses), ao menos para que se faça a diferenciação necessária: Paulo expunha a sua (proposição) como uma bandeira ideológica vermelho-berrante, da qual ele próprio ria um pouco, à socapa.
Suassuna, entretanto, com seu projetado nariz degaulliano, declarava a preferência pela “grande arte” alencariana (versus Joyce) “numa boa”, como um touro que entra numa loja de porcelana – e não se importa.

Enfim, até hoje ele acredita, seriamente, nas besteiras que continua a pronunciar, nas suas “aulas-espetáculos” e fora delas.

10 de janeiro de 2010

Só lembrando…

Por fernando monteiro

Esse velhinho bonzinho e engraçadinho aí debaixo (vídeo do “youtube”), à vontade com as platéias conservadoras do tipo que ele gosta (senhoras e senhores delirando com as mesmas piadas de sempre) acha que…

1. O romancista José de Alencar (“Iracema” e outros etc) é MUITO MAIS IMPORTANTE DO QUE O ROMANCISTA ESTRANGEIRO JAMES JOYCE;

2. Considera Tom Jobim um “compositor menor”;

3. Para ele, Elvis Presley – e o rock, por extensão – é apenas “lixo cultural” etc etc;

4. Já foi monarquista e partidário fervoroso da “candidatura” do general Euler Bentes à Presidência da República;

5. Na mesma época desse entusiasmo político (tubo bem, isso não é o pior, todo mundo erra etc etc etc), ele partiu para a agressão física contra o jornalista Celso Marconi no Teatro Popular do Nordeste (e o pacífico e “zen” Marconi sofreu tapas também destinados – segundo o agressor Suassuna – a Jomard Muniz de Brito);

Tem mais, mais por ora, estas cinco “lembranças” já estão (eu acho) de bom tamanho…

7 de janeiro de 2010

VERDADES E MENTIRAS EM TORNO DE UM NOBEL (II)

Por fernando monteiro

Há um conto “romano” de Lúcio Graumann sobre a relação de um estudante brasiliano com uma jornalista italiana, “filha de um diplomata cubano”. Tudo indica que o relato é autobiográfico (o título é Fugue, e não Funghi – conforme já vi citado), embora a “jornalista” venha a morrer atropelada, ao se atirar na frente do pontual carro que o autor aluga com a moeda do convencionalismo, para por fim à angústia da perda do amante mais jovem etc. Alba talvez não fosse capaz de tais arroubos e, de qualquer modo, morreu em casa, de doenças da idade avançada. A narrativa curta não faz parte dos Contos Reunidos, escolhidos pelo próprio Graumann. Contos à parte, Lúcio e a “escritora feminista” – conforme é sempre rotulada – iriam se rever na Ledig, uns dez anos depois (quando se mostrava mais nítida, talvez, a diferença de idades), e parece que houve, ali, um renascer das esperanças da jornalista-escritora, até tudo terminar apenas alguns meses depois do acidente com a vizinha “daltônica” – que possui um pequeno arquivo LG, no seu bem montado estúdio com vista para um parque onde há esquilos que comem ração das mãos dos passantes (todos se conhecem, todos são vizinhos, em Hudson, e todos amam os animais – que nunca apresentaram sintomas de qualquer doença gástrica).

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4 de janeiro de 2010

De Laura em Laura

Por fernando monteiro

De Laura em Laura, a galinha enche o papo

O nome “Laura” é o famoso título de uma novela policial de Vera Caspary, que Otto Preminger levou para o cinema como um dos primeiros filmes do gênero (“noir”) que pertence ao imaginário do século 20 tanto quanto um outro nome próprio feminino – “Lolita” – faz evocar uma ninfeta da pedofilia recuperada pela indústria (“que recupera tudo”, segundo G. Deleuze citado por Glauber Rocha, sem aspear).

Agora, entretanto, quando os preguiçosos do atual século 21 forem “puxar” Laura como literatura (atenção, estudantes: voltem a LER os livros e não os resumos dos livros, na Internet!), hão de vir pelo menos duas Lauras literárias, com duas auras diferentes e ambas aulas de diversas faces, estilos e épocas: a Laura de Vera e a não muito “vera” Laura de um mago da literatura que usou tantas máscaras quanto o faraó Tuta no seu sarcófago devassado como uma cama des câmaras do Big Brother.

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