{DO EDITOR: REPUBLICADO COM CORREÇÕES}
Ele foi um dos mais importantes e influentes poetas do século 20, na opinião unânine da crítica e no acolhimento por parte dos leitores de poesia (que já foram muitos).
Wystan Hugh Auden nasceu em 1907, em York, e foi aluno em Oxford, universidade na qual se tornou a principal figura daquele grupo de poetas – todos jovens e idealistas – que professavam pungente fé no pensamento marxista, nos anos de 1930. E se é para recordar uma generosa cabeça pensando no que fazer – mais do que encher páginas e páginas de versos comovidos pela situação dos humilhados e ofendidos, e contra a opressão das classes abastadas apoiadas pelos poderes sem poesia –, andemos sete anos, desde 30, e procuremos, nas ambulâncias republicanas conduzindo corpos despedaçados na dramática Guerra Civil espanhola, um jovem inglês de vasta cabeleira, arriscando a vida por entre tiros e bombas (e amando rapazes que iriam morrer, talvez, no dia seguinte). É ele, Auden.
Assim falou o poeta Auden
18 de maio de 2011 às 8:37 | 5 ComentáriosEle foi um dos mais importantes e influentes poetas do século 20, na opinião unânine da crítica e no acolhimento por parte dos leitores de poesia (que já foram muitos).
Wystan Hugh Auden nasceu em 1907, em York, e foi aluno em Oxford, universidade na qual se tornou a principal figura daquele grupo de poetas – todos jovens e idealistas – que professavam pungente fé no pensamento marxista, nos anos de 1930. E se é para recordar uma generosa cabeça pensando no que fazer – mais do que encher páginas e páginas de versos comovidos pela situação dos humilhados e ofendidos, e contra a opressão das classes abastadas apoiadas pelos poderes sem poesia –, andemos sete anos, desde 30, e procuremos, nas ambulâncias republicanas conduzindo corpos despedaçados na dramática Guerra Civil espanhola, um jovem inglês de vasta cabeleira, arriscando a vida por entre tiros e bombas (e amando rapazes que iriam morrer, talvez, no dia seguinte). É ele, Auden.
GEODÉSICA DO OLIMPO
9 de maio de 2011 às 16:25 | 5 ComentáriosFernando Monteiro
Olhar que o sol não confundiu,
o vento não mordeu e a chuva
fez nublar só de lágrimas emprestadas,
ontem sonhei com a sombra revelada
da estátua de um titã,
as órbitas vazadas
enquanto contemplava
o perfeito abismo a boiar
na branca ausência de espanto
de um mármore tombado.
Sob o céu sem prega de suavidade,
a mesma indiferença de cariátide,
feita de beleza extrema e cálculo
para uma arquitrave.
Não, não servia já para isso
e para mais nada de útil
neste século de inutilidades;
apenas naufragava no sonho,
o rosto cinzelado na piscina
do espaço que devolvia
o mirar de ruína
com a pura vaga de mormaço.
“Odeio a Prepotência”
7 de maio de 2011 às 16:17 | 1 Comentário[Por Paloma Jorge Amado*]
Era 1998, estavamos em Paris, papai já bem doente participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz.
De repente, uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o aviao da Varig (que saudades) para Salvador.
A manchete de uma morte
3 de maio de 2011 às 9:14 | 3 ComentáriosMANCHETE DO “DIÁRIO DE PERNAMBUCO”:
http://www.diariodepernambuco.com.br/capa_diario.asp?editoria=Diario&dia=02&mes=05&ano=2011
“O MUNDO ACORDA LIVRE DE BIN LADEN”
A manchete do Diário de Pernambuco desta segunda-feira (02/05/2011) não transmitiu uma NOTÍCIA propriamente, isto é, dois pontos: “Bin Laden está morto”, ou “Bin Laden foi assassinado por americanos” ou até “Bin Laden se fodeu” – caso o jornal “mais antigo da América Latina” pudesse conjugar verbos como ”foder” etc. Porém,
“O MUNDO ACORDA LIVRE DE BIN LADEN” é phoda.
Significa que o Diário supõe que o mundo inteiro (“Pernambuco falando [pelo e] para o mundo”?] queria “acordar livre” do terrorista yemenita.
Mais: de certo modo, o jornal, com base nessa suposição, de alguma maneira se regojiza, exulta, sorri com todos os dentes de Osama, digo, de Obama.
Não é jornalismo. É uma suposição provinciana - e alegria deslocada num senhor de quase 200 anos que, aparentemente, não sabe mais escrever a manchete de uma morte. Algo como: “Morreu Bin Laden”. Só isso. Meu amigo Antonio Camelo, antigo diretor de redação do Diário, teria consertado a tal manchete, com os seus óculos na ponta do nariz, antes de irem para as máquinas os antigos clichês dos bons tempos de jornalismo sem lapsos freudianos (?)…
Cego e escrotinho
2 de maio de 2011 às 16:12 | ComentarO artigo publicado ontem, pelo escritor argentino Jorge Fernández Díaz, no jornal espanhol “El País”, a propósito das sacanagens cometidas, à direita e à esquerda, contra Ernesto Sabato e sua obra, talvez vá começar a puxar a pontinha do tapete sobre o quão Jorge Luís Borges podia ser escrotinho.
Às vezes, um cara fica cego porque merecia ficar mesmo…
CEM MIL civis mortos
2 de maio de 2011 às 14:16 | ComentarLógica irrespondível do gaúcho Igor Natush, no FacebooK:
“Bin Laden foi punido pela morte de milhares de civis no 11 de setembro. Agora, estou aguardando o julgamento de Bush e Obama pelos mais de 100 mil civis que mataram para encontrá-lo.”
Roberto Carlos não morreu
17 de abril de 2011 às 15:30 | 4 ComentáriosRoberto Carlos morreu?
É o que estão dizendo, a notícia circulando, parece, desde a manhã, muito cedo, se é verdade, não sei: Roberto Carlos parece que sofreu um acidente, ontem de noite, e morreu hoje, de madrugada, no hospital de Santos, foi na estrada, justo na estrada das curvas que ele cantava: preciso de ajuda/ por favor me acuda/ eu vivo muito só sempre vivi cercado dessas canções, dessas baladas, como todo mundo da minha geração e de mais adiante, ao longo de trinta anos, não é pouco, nunca deixou de se escutar RC, o “Rei” (esse negócio de “Rei” consegue me irritar: rei de quê?, da Jovem Guarda, da vendagem de discos de “Jeesus Cristo, Jeeesus Cristo, Jeeeesus Cristo!, estou aqui”…??, pois então está mesmo, acabou chamando a atenção de JC: morreu, é incrível, a noticia surpreende, faz a gente parar – será que é verdade? – embora eu esteja me lixando, na verdade é o que eu estou, me l-i-x-a-n-d-o mesmo, a caminho do trabalho, mais uma vez atrasado e abalado, mas não porque Roberto Carlos morreu, ora bolas, todos têm de morrer, os cantores e os fãs dos cantores, se Frank Sinatra cantava parecendo que não iria morrer – olhava firme para algum ponto obscuro da platéia fascinada, erguia o braço direito com um anel de pedra no dedo mínimo, os olhos faíscando daquele azul de alumínio lixado – e eu me lixei quando, também, quando o velho mafioso morreu, meus abalos são mais fundos, são pessoais, mais íntimos, não posso ficar abalado porque Roberto Carlos morreu, sem faísca nos olhos apagados, beijando a santinha de Aparecida com seus cabelos pintados de “rei” ancião da jovem guarda que não quer morrer.
Letra de “April in Paris”
31 de março de 2011 às 17:04 | 2 ComentáriosAPRIL IN PARIS
Vernon Duke – E. Y. Harburg
April in Paris
Chestnuts in blossom
Holidays tables
Under the trees
April in Paris
This is a feeling
That no one
Can never reprise
I never knew
The charm of spring
I never met it face to face
I never knew
My heart could sing
Never missed a warm embrace till
April in Paris
Whom can I run to
What have you done
To my heart?
April in Paris
This is the feeling
That no one
Can never reprise
I never knew
The charm of spring
I never met it face to face
I never knew
My heart could sing
Never missed a warm embrace till
April in Paris
Whom can I run to
What have you done
To my heart?
“April in Paris” (a canção)
31 de março de 2011 às 16:41 | 1 ComentárioGravada por muitos (alguns, monstros sagrados como Frank Sinatra), para mim a melhor gravação da canção de Vernon Duke e E. Y [“Yip”] Harburg é de “Dame” Shirley Bassey – a filha de nigeriano com inglesa que emprestou sua poderosa voz aos bondianos temas de
“Goldfinger” e “Diamonds are forever”.
Shirley, hoje retirada em Montecarlo,
gravou “April in Paris” na juventude, mas nada se compara à essa interpretação da maturidade, acompanhada apenas por um piano que nos faz lembrar o virtuosismo de Vernon Duke (russo de nascimento) também como pianista:
PS:
Depois de tão sutil em “April in Paris”, La Bassey ataca – nesse mesmo clip – de “New York, New York” apenas medianamente inspirada.
“Abril em Paris” (I)
30 de março de 2011 às 9:58 | 14 ComentáriosTexto que sairá no jornal Rascunho, com circulação prevista para sexta-feira em Curitiba, com exclusivade para o SP. TC
Não a percebi. Eu simplesmente não a percebi – ao entrar na sala às escuras.
Entrei, e só depois de acender a luz é que vi Luiza sentada no sofá, pernas – ainda bonitas – estendidas sobre a mesa de centro onde uma garrafa se apoiava sobre um daqueles livros decorativos que todos folheiam, mas ninguém lê.
Bem, ela os lia. Luiza os lia, comprava a maioria em Paris – sobre a própria Paris ou sobre arte de algum modo relacionado com a “Cidade-Luz” (o chavão que não era vulgaridade na sua boca bem desenhada). Gostava de livros assim não só para folhear; a vida para ela não fora um olhar distraído para páginas de fotos coloridas de pontes e mármores esculpidos. Ela saíra da pobreza da classe média baixa para casar com meu pai, um homem mais velho, dono de uma rede de lojas que ela administrava desde a sua morte. Isso pudera lhe financiar as viagens, os cursos de línguas, o cultivo de gostos caros, nada de muito sofisticado – mas o bastante para transformar Luiza Mattos em Luiza M. Brentano, viúva relativamente rica, que nunca voltara a se casar. Havia ficado viúva com 22 anos e um filho na barriga: eu.
Meu comentário à pergunta de Grimaldi:
28 de março de 2011 às 22:10 | 9 Comentários“Olha, gente, eu estou propondo uma coisa:
VAMO P-E-R-D-E-R A PACIÊNCIA COM CAETANO VELOSO, UMBORA? DE VEZ? Vocês topam?
Com todo respeito à produção musical dele e às interpretações musicais da sua irmã, vamo dizer CHEGA!, a esse camarada?…
GRIMA GRIMALDI no Facebook:
28 de março de 2011 às 22:09 | Comentar“Porque o Caetano pode usar o PIG para chamar Lula, o presidente mais popular do Brasil, de ingnorante e analfabeto como ele fez e depois fica fazendo biquinho quando é com ele, seus amigos e sua família. Ingnorante é quem se acha o rei da cocada prêta. Se liga meu rei.”
ATENÇÃO: “Viciados”…
28 de março de 2011 às 22:08 | ComentarOs adoradores fanáticos de Maria Bethania, “Cae” e outros membros Circo da Bróduêi Tupiniquim de pires – largo – na mão, leiam abaixo o artigo de Sérgio Martins intitulado “Viciados na bondade de estranhos”.
Poesia gratuita
23 de março de 2011 às 21:45 | 2 Comentários
O livro “Sonho de Benta Aguiar (seguido de “Fragmentos de Hipocrene”), do poeta português Xavier Zarco, será lançado no dia 26, sábado, às 16 horas, na Galeria Art Place, na rua Marquês de Itu, 243, próximo à Praça da República, na capital paulista. Xavier Zarco tem 27 livros publicados em Portugal, muitos deles distinguidos com prêmios dos mais importantes da poesia lusa.
Maria Bethania não irá. Motivo: o livro do poeta de Coimbra será distribuído gratuitamente aos presentes, que ainda assistirão a uma leitura de poemas – também de graça – com a participação de Celso de Alencar, Ronaldo Cagiano, Beth Brait, Lílian Gattaz e Álvaro Alves de Faria.
Suponho que ninguém, por outro lado, iria sentir falta de Bethania aspirando todo o ar da sala – conforme ela aspira, com aquele super-nariz de Cleópatra de Santo Amaro da Purificação.
********
Dica do SP
Mais informações sobre o poeta: aqui
Quase tivemos Liz AQUI – como Primeira-Dama
23 de março de 2011 às 14:53 | 4 ComentáriosA história é verdadeira (e vou relatá-la também para atender o pedido do Lívio, sobre um texto mais extenso a respeito da linda Elizabeth Taylor):
Em novembro de 1960, para descansar antes de tomar posse, Jânio Quadros pegou um navio rumo à sua adorada Inglaterra.
Em Londres, o presidente eleito do Brasil, mal desembarcou, contraiu uma gripe que estava “vassourando” a capital inglesa, e teve até que ser hospitalizado. Jânio havia viajado sem Dona Eloá, e, na cama de doente, se tomou de entusiasmos ao saber que Liz Taylor também se encontrava em Londres, para filmagens.
Não teve dúvidas: chamou um assessor direto e disse que o sujeito convocasse o embaixador brasileiro…
Que seguiu, de imediato, para o hospital. Lá, o diplomata ouviu do nosso maior maluco da presidência (depois do chato Collor):
- Desejo que o senhor se dirija à atrizElizabeth Taylor para que essa senhora venha visitar-me nesta casa de saúde.
Desejo muito conhecê-la.
O homem gripadamente fanhoso, porém sem dar margens à duvida sobre o caráter quase imperial do “pedido”. Era uma ordem – e “peremptória” (como Jânio teria dito).
O embaixador saiu de perto do doente ilustre, e começou a pensar em como conseguiria convencer a estrela a visitar o bigodudo. Teve uma grata surpresa: assim que conseguiu acesso à Liz (através de hábeis amigos ingleses), a recém-falecida beldade do cinema se mostrou receptiva e disse que iria no dia seguinte visitar o acamado (e aclamado) Presidente do Brasil.
E foi mesmo. Apareceu no hospital, foi apresentada – de luva – ao fã também ilustre, e este, no seu inglês de Oxford de Mangabeira Ünger, convidou-a para visitar o nosso país.
Ficou combinado que a visita aconteceria em novembro de 1961, e – pasmem – Jânio teve uma melhora surpreendente, voltou para o Brasil, assumiu e… só falava em Liz Taylor, para os assessores mais íntimos, entre decretos sobre brigas de galos e outros assuntos mais “urgentes”. Doido de plantão, ninguém se espantou quando o presidente passou a pensar SERIAMENTE numa operação “sedução de Elizabeth Taylor” – conforme contava o senador Ney Braga:
“Ele quase não conseguia falar de mais nada. Eu era governador do Paraná, naquela época, e só tratamos dos problemas do estado por uns dez minutos. O resto do tempo foi para falar da Elizabeth Taylor”…
Bem, ela nunca veio. Na tarde de 25 de agosto de 1961, Jânio da Silva Quadros renunciou à Presidência do Brasil e à chance (segundo imaginava, talvez) de seduzir a mulher mais bonita do mundo, com seu “charme” de vassoura na mão, óculos de grau e bigode de professor aloprado.
Groucho Marx teria mais chances…
Senhora da Beleza
23 de março de 2011 às 11:53 | 2 ComentáriosSenhora da Beleza (ou seja, o oposto de Bethania, a Feia), acaba de falecer Liz Taylor, aos 79 anos.
Sabemos que, nas telas, ela continuará linda para sempre, bela e nervosa, com a voz um pouco gasguenta e o violeta estranhos nos olhos… Mas a sensação de perda é maior do que a ilusão – talvez – de algum futuro avatarmente inexistente.
Senhora de Engenho
23 de março de 2011 às 11:17 | Comentar“Maria Bethania, tu és para mim/a Senhora de Engenho”…
Os versos da bela valsa de Capiba talvez expliquem (mais poeticamente do que ela merece), a síndrome que acometeu a irmã de Caetano, e que também contagia muitos dos “famosos” atualmente em busca das benesses da ex-Lei Sarney).
A filha de Dona Canô com certeza se sentia acima do bem e do mal, adorada em altares da cidade e da mata, por esse Brasilzão espoliado a fora.
Agora (sem rima), pelo menos um banco já cancelou o show que havia acertado com ela, porque ninguém – na verdade – se encontra acima do bem e do mal, conforme agora sabe, igualmente, o ex-presidente israelense Moshe Katsav, ontem condenado a sete anos de prisão por estupro, assédio sexual e obstrução da justiça.
A polêmica
21 de março de 2011 às 11:32 | 5 ComentáriosA polêmica levantada em torno do quase milhão e meio “rouanetianos” para o blog da Bethania, meu caro Carlão, não é só referente ao milionário projeto da ex-doce baiana. Envolve a chamada “Lei Rouanet” – que já foi “Lei Sarney” -, nas suas sarnas e piolhos, perebas e fraturas (bem) expostas pelo respeitado jornalista Ricardo Noblat, no seu blog (OGLOBO) desta segunda-feira.
Quem quiser ficar melhor informado, na mata, no rio e no mar, sobre o assunto, pode dar uma lida no que Noblat claramente explica, hoje, para informados e desinformados.
[PS: Valeria a pena transcrever aqui no SP, Tácito.]
*******
Dica do SP
Leia o artigo de Noblat: aqui
“Monteiro:
(…) Se você vier com catilinárias [???] e com ironias baratas [??????] terá o troco salvaguardando o meu direito de resposta.”
Da Matando:
Se a pele da sua opinião ‘tá fininha assim, aqui no SP, então é melhor todo mundo lhe dar, desde logo, razão absoluta em TODAS as suas opiniões presentes e futuras, sobre Maria Bethania, Maria Batalhão (foi uma dona de puteiro, muito famosa) ou sobre quem mais for, e a respeito de QUALQUER assunto, seja cultural ou não.
Então, você, Da Mata, Do Rio e Do Mar, você tem e s-e-m-p-r-e terá uma Amazônia, um Nilo e um Oceano de Razão, em tudo o que está dizendo agora ou que vier a dizer, aqui no “Plural Singular Damatesco”.
´Tá bom assim, bem?…








