Sobre o “caso Bethania”, eu li dois comentários equivocados no mesmo ponto. No “Feicebuque” – para usar suassunês legítimo -, escreveu o jornalista Celso Marconi, 80 anos, nosso crítico de cinema maior [aqui no Recife), tropicalista de primeira hora e amigo pessoal de Caetano e Jomar Muniz de Britto, e, aqui, tão equivocadamente quanto Celso, veio João da Mata dar a sua opinião sobre a celeuma em torno do milionário projeto de blog da cantora.
MARCONI:
“Me desculpem, pessoal, mas não acredito que Bethânia, conscientemente, está participando de uma maracutaia; sei, contudo, que as leis de incentivo estão totalmente erradas; em todos os níveis; a coisa fica nas mãos dos picaretas; que se aproveitam inclusive dos artistas; no emaranhado do capitalismo duvido, mesmo duvidado, que alguém conserte.”
AO QUE EU RESPONDI (servindo também para contestar o da Mata, alguns posts abaixo, neste SP):
“Respeito sua opinião, Celso. Porém, não sendo mais uma mocinha etc, Bethânia teria de saber com quem está se metendo e tudo o mais, nesses esquemas de leis de incentivo que estão, em grande parte, de fato “totalmente erradas”.
Em princípio …(mas só em princípio), um blog para divulgar poesia, seria uma idéia que já me atrairia, é lógico, e que eu estaria disposto a defender, se eu não parasse para pensar no peso descompensador de um projeto cultural de Maria Bethânia disputando, em Brasília, com um projeto cultural de Celso Marconi, Lucila Nogueira ou qualquer um de nós, “comuns mortais”. É por aí que a coisa pega, Celso. Se eu fosse Bethânia, cairia fora dessas tais “leis” e iria buscar um patrocínio totalmente privado para a idéia (boa) de divulgar poetas & poesia. Lá no terraço da casa dela, espichada numa rede como o “Painho” de Chico Anísio, e oferecendo quitutes preparados por Dona Canô, ela, Maria Bethânia, teria imensas chances de aliciar, no bom sentido, algum empresário para patrocinar o projeto com o dinheiro do bolso dele, sem “renúncias fiscais” por parte do Estado brasileiro. Nesse caso, ninguém estaria protestando e, sim, aplaudindo. Bethânia foi mal (muito mal!) nessa.
PS:
Agora deu para entender do que se trata, Da Matíssima?
Não li – e gostei de não ter lido
17 de março de 2011 às 21:41 | 1 ComentárioA aparentemente ardente defesa (pelo título, é o que se deduz) do futuro blog milionário de Maria Bethânia, feita por Jorge Furtando [alguns posts abaixo], parece que gente não consegue abrir, Tácito.
EU, pelo menos, não consegui. Assim, não li, não pude ler, e gostei de não ter lido, de não ter podido ler o que esse sujeito escreveu…
Justiça às vésperas dos 84 anos
15 de março de 2011 às 12:21 | Comentar
Às vésperas dos 84 anos, Francisco Brennand está pintando como o rapaz que ele foi, na Paris do final da [trágica] década de 1940.
Brennand estava, então, na companhia da jovem esposa Deborah, o casal era inquilino da viúva Picabia, e Francisco frequentava Fernand Léger, André Lhote (aulas ouvidas, aqui e ali), Cícero Dias – que o apresentou a Balthus – e, às vezes na companhia de Aloísio Magalhães, visitava museus de manhã e de tarde, com a obsessão que os que conhecem bem esse pintor sabem que faz parte do seu temperamento formado na velha escola etc.
“Pintor”?
Haverá, talvez, quem se espante e se engane ao ponto de chamar Brennand de “ceramista” ou outra designação (quase) equivocada qualquer.
Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand, nascido em 11 de junho de 1927, é também escultor cerâmico, gravador, desenhista e até fez tapetes magníficos, porém ele é, essencial e fundamentalmente, PINTOR.
Aliás, o maior pintor brasileiro vivo neste 2011 no qual completará 84 gloriosos anos com pincéis inquietos nas mãos, e criando quadros novos (“”Lobos” em estranhos jardins, muito recentemente) com a paixão do jovem artista na Paris dos seus anos de aprendizado com mestres do século XX.
POEMA SÍRIO
6 de março de 2011 às 22:29 | ComentarZenobia, Berenice, Belkiss.
Seus nomes de mulheres
- altissonantes e tristes -
estavam ainda inscritos
no rumor da areia
e no leve siflo
dos antigos canais de água
correndo debaixo dos anos
e dos séculos e milênios
de nada nas saqueadas tumbas,
ao tempo em que havia memória,
ainda, da tepidez do colo
alvíssimo de Berenice,
da flor carnívora do sexo
de Belkiss, Deusa-Mãe,
e do lápis-lázuli dos olhos
para sempre consumidos
de Zenobia, rainha de Palmyra.
“REVOLUÇÃO, REVOLUÇÕES”
2 de março de 2011 às 13:45 | 10 ComentáriosTexto que sairá na revista Continente, que chega às bancas ainda esta semana, mas que Fernando Monteiro antecipa com exclusividade para o SP, “comemorando, inclusive, o retorno de Marcos Silva”, conforme salientou por e-mail:
Por Fernando Monteiro
Neste começo de ano, veio o velho Egito exibir a sua face de revolta, afinal, contra o presidente Mubarak, um governante tão longevo quanto detestado. O noticiário sobre os distúrbios vitoriosos ao pé da esfinge – logo após a “revolução dos jasmins” na Tunísia – fez pensar no estopim aceso aos pés da Sierra Madre, há um século precisamente, quando também a China se levantou em armas contra o mandarinato.
A mexicana foi uma revolução que ainda hoje evoca o clima de um western cheio de som e fúria – despontando em novembro de 1910 para, três meses depois, consolidar-se com a tomada da importante cidade de Juárez, decisiva na derrubada do ditador Porfírio Díaz. Logo em seguida, o movimento libertário promoveria a ascensão ao poder de Francisco Madero, rico proprietário que empunhava bandeiras de justiça social no incendiado país dos astecas.
Lívioidéia
23 de fevereiro de 2011 às 11:49 | 9 ComentáriosA sua idéia do “Sebo Virtual do SPlural” seria não menos que genial, Lívio, caso não tivesse vindo maculada pela excessiva modéstia que o caracteriza:
ora, possuindo você próprio, o “Teorema da FEIRA”, é infinitamente mais indicada essa banca (ou barraca) virtual de negócios sebísticos lá mesmo no fundo do teu teorema pasoliniano até à medula. Parabéns – ao Tácito – por ter o jardim do Oliveira aqui despejando tantas idéias, sugestões, comentários, indicações, observações, iluminações, enfim, “liviocolaborações” das quais nunca desista (conforme já lhe ocorreu tantas vezes). Esteja sempre porraqui,
que o Tácito adora.
A fotogenia do vento
21 de fevereiro de 2011 às 11:19 | 1 ComentárioO grande cineasta italiano Michelangelo Antonioni – falecido em 2007 – tinha uma percepção inteiramente visual das coisas, como se pode perceber de uma observação que parece simples, mas é, na verdade, daquela leveza complexa do vôo de uma pluma:
“COMO É FOTOGRÁFICO O VENTO!”
A primeira reação é pensar no vazio que a curta frase abstratamente contempla, até que vemos, por exemplo, o vento agitando as copas das árvores (como no parque inglês da obra-prima de Antonioni, Blow-up, produção de 1966). Então, percebemos a sutileza do olhar do “poeta das imagens”, conforme Antonioni era chamado.
Imediata doação de uma alta raridade cascudiana
16 de fevereiro de 2011 às 21:46 | 6 ComentáriosTácito:
Vosmicê tem já consigo, aí em Natal, o raríssimo exemplar de À PROCURA DO ABSOLUTO, de Balzac, em muito velha edição da brava “Casa A. Moura” – vinda da juventude de Cascudo para as nossas mãos, no começo desta segunda década do século 21.
Um-livro fantasma (benfazejo) das primeiras admirações de um grande escritor brasileiro, pois traz a sua dedicatória, na primeira folha de rosto, para Orlando Monteiro (telegrafista, irmão de Mário Monteiro, sócio-fundador [NÚMERO 31] do América), datada de 11 de julho de 1916. Cascudo tinha menos de vinte anos!
Burrice do jornalismo cultural por toda parte
12 de fevereiro de 2011 às 15:18 | Comentar
É impressionante como a imprensa -internacional, inclusive – anda em maré de burrice, principalmente na área do chamado “jornalismo cultural”. Exemplo:
“Bravura Indômita”, o novo filme dos irmãos Cohen.
NINGUÉM está informando que Charles Portis, autor da obra original, é tido nos EUA como o “novo Mark Twain”. Assim, os Cohen, mais que refilmar o “True Grit” de 1969, dirigido por mestre Henry Hathaway, foram buscar um livro que já nasceu clássico, para fazer uma nova versão dele. Foi isso o que aconteceu.
PS: Aliás, para mim é um grande mistério que nunca o público leitor brasileiro tenha podido ler os bons autores de westerns americanos. ..
Refiro-me aos escritores dos romances originais nos quais se basearem sucessos de bilheteria (e algumas obras-primas) como “Rastros de Ódio”, “Shane/Os brutos também amam”,”Consciências Mortas”, “Crepúsculo de uma Raça”, “A Árvore dos Enforcados” e outros filmes que não animaram – mais que estranhamente – nenhum editor brasileiro a traduzir as novelas originais, algumas do nível de “True Grit” (publicado em 1968).
Eu consegui que pelo menos a Rocco aceitasse publicar o excelente “Hombre”, de Elmore Leonard (foto), no qual se baseou Martin Ritt para realizar o ótimo western com o mesmo título (estrelando Paul Newman, Frederic March, Richard Boone, Diane Cilento etc). A tradução – que é nossa, assim como o prefácio – foi lançada em 2006.
“La Bohemia” encontra La Buika
31 de janeiro de 2011 às 8:02 | Comentar“La Bohemia” na lunar recriação de La Concha: afinal, pôde renascer das cinzas da interpretação algo melodramática do próprio autor (ou seja, foi preciso chegar em 2008, para a linda canção encontrar a voz de desespero da Bruxa Buika). AQUI
Novo número misterioso
30 de janeiro de 2011 às 21:34 | 1 ComentárioDepois que o pintor Luiz Jasmin se abalou lá do seu paraíso de Vila Velha – Itamaracá – para me comunicar as estranhezas do “111″ neste ano (ver alguns posts abaixo), foi a vez de Lívio Oliveira trazer uma nova notícia algo inquietante: em todo o Rio Grande do Norte, houve uma única exceção (que ele saiba), até agora, ao matemático resultado de 111 para todo mundo que fez os cálculos aí na terra de Cascudo.
Isso aconteceu quando o “Sedutor de Natal”, foi tacitamente somar os dois últimos números da (recuada) data do seu nascimento com mais a idade que irá completar neste 2011.
O resultado NÃO foi cento e onze, gente!
Diz Lívio que a soma ficou marcando, nesse caso, o excepcional número 69, 69, 69…
“As estranhezas de 2011′”
30 de janeiro de 2011 às 9:38 | 2 ComentáriosFantasma numerológico que o pintor Luiz Jasmin acaba de me comunicar, lá do seu refúgio de Vila Velha, na ilha de Itamaracá:
“AS ESTRANHEZAS DE 2011
Este ano temos 4 datas muito fora do comum:
1/1/11,
1/11/11,
11/1/11,
11/11/11…
AGORA tente entender isto: separe os 2 últimos números do ano em que você nasceu e some com o número da idade que você fará este ano. O TOTAL SERÁ 111, S-E-M-P-R-E !
Por exemplo: quem nasceu em 1956, fará 55 anos este ano. Então: 56 + 55 = 111
Faça a conta você também, é incrível!
Abraço, Luiz Jasmin”
PS:
Sem falar no “11 de setembro” completando uma decáda redonda em
2011…
VOZ AFRICANA
28 de janeiro de 2011 às 14:50 | 1 ComentárioBuika negra vinda do fundo
das Áfricas todas do tango
que dança sobre o tablao.
Concha, caixa de ressonância
redonda, cor de lava negra
vomitada dos estômagos da alma.
Mulher lâmina de obsidiana,
disse Adão à essa Lilith
de antes de todas as mulheres
brancas que já foram pretas
como o luto (ainda) em Málaga
e noutras cidades
da Espanha profunda
que, em nós todos,
sempre duele.
Concha Buika, eu te ouvi
e nunca mais serei o mesmo.
BUIKA: lâmina de obsidiana
28 de janeiro de 2011 às 14:03 | ComentarA extraordinária Concha Buika pegou o gardeliano “Nostalgias” e transformou esse tango clássico num grito andaluz, meio de flamenco e meio de jazz. Misturas criativamente explosivas, dominadas pela sua voz de vento e areia, vinda da Guiné para Palma de Mallorca (os pais). Quem postou no YT este BUIKA NOSTALIGAS ou involuntariamente trocou a posição das letras ou fez como Rosa: chamou de “Nostaligas” as colas magníficas — todas – dessa linda copla ressurgida das cinzas pela voz da Concha…
PS: E tem ainda uma guitarra discípula de Paco de Lucia, nessa gravação que já nasceu imortal, ó Buika Lâmina de Obsidiana. AQUI:
SINTETIZAR…
27 de janeiro de 2011 às 18:20 | 1 Comentário…melhor do que sintetizou o Lívio Oliveira, impossível: “ROMÂNCER”!
ISTAMBUL
17 de janeiro de 2011 às 22:53 | 7 ComentáriosFernando Monteiro
Por longos mil anos,
círios apagando
ouro, esmalte e safiras
sob a fumaça.
O tempo todo
não passa de um instante
para a pedra de Bizâncio.
Os nomes
Constantinopla, Istambul,
a coleção de enganos,
tudo a cidade ignora,
a decair com a nobreza
de uma imagem pagã
tornada em santo católico
hesitante na sombra
do antigo Hipódromo.
Pessoas e palácios
perdem-se assim:
sob perdigotos dos cais
de Scutari,
ao ar livre ou nos asilos
de velhos turcos recordando
um peixe fisgado numa tarde
velha como a morte dos sinos
nas cúpulas geladas.
Longeva capital
de gregos, romanos, árabes
e os descendentes dos seldjúcidas
em langores de divã de almofadas:
de década para década,
de ano para ano,
de mês para mês,
tudo que resta da glória
se rende aos pés do turismo
sempre apressado.
(Istambul, 28 de junho de 2008)
POEMA PER ANTONIONI
10 de janeiro de 2011 às 9:00 | 5 ComentáriosSobre a tal lista canadense dos “100 melhores filmes de todos os tempos”
28 de dezembro de 2010 às 11:53 | ComentarCena de Eva, de Joseph Losey, com Jeanne Moreau
Uma lista de 100 “filmes essenciais” que não traz NENHUM filme de Joseph Losey (para citar somente um dos grandes excluídos – ??? – de uma centena de obras entre as quais listaram até
“Cidade de Deus”), para mim não merece o mínimo respeito…
“À Procura do Absoluto” em Natal
17 de dezembro de 2010 às 10:20 | 7 ComentáriosNarrativa das mais estimadas de Honoré de Balzac, À PROCURA DO ABSOLUTO teve edição brasileira pela carioca “Casa A. Moura” – naquele Brasil do começo do século XX, de léguas preguiçosas entre as capitais das regiões da jovem República.
Um exemplar da obra foi certamente encomendado, em Natal, para a leitura do menino Luís da Câmara Cascudo. O precoce potiguar, oriundo de família de posses naquele Rio Grande do Norte ainda inocente e sonhoso (não havia Micarlas, naquela altura!), despertava para as leituras sérias, seletivas, circunspectas mesmo, na companhia de poucos da sua geração natalense.
Entre esses poucos, estava Orlando Monteiro – telegrafista, irmão de Mário Monteiro, o sócio-fundador número 31 do bravo AMÉRICA -, a quem um entusiasmado Luiz presenteou o livro no dia 11 de julho de 1916.
Cascudo tinha menos de 20 anos, e estava, então, na fase de admiração fervorosa da literatura francesa e, em particular, do Balzac de “À Procura do Absoluto”.
[OBS: O raríssimo exemplar ainda existe. E quem estiver à procura dessa relíquia da juventude de LCC - em encantador formato pequeno da época - irá encontrá-lo de volta à Natal, nos próximos dias...]
Mais romancistas continuam a aparecer de todos os lados
14 de dezembro de 2010 às 15:12 | 2 Comentários
Pois é. O Brasil nunca viu tantos romancistas aparecendo por toda parte. E a mais nova autora de romances acaba de surgir no Rio de Janeiro: trata-se da (ainda) bela Vera Fischer, ex-miss Brasil. Ela está vindo com gosto de gás e franqueza de fornos crematórios etc. Pois acabou de avisar, em alto e bom som (segundo a coluna “Escrita”, de Schneider Carpeggiani, no Jornal do Commercio desta terça-feira, dia 14):
“Eu não sei escrever pra gente pobre”. Foi numa entrevista para o jornal que tem acompanhado com mais paixão a nova safra de romancistas tupiniquins (a Folha de S.Paulo), a quem Verinha explicou, de lambuja, que todos os seus romances têm viagens para o exterior e que, nesse diapasão, escreveu 10 (dez) deles em um só ano…











