Num desses canais por assinatura, o Fox Live, flagrei um rápido diálogo em que alguém explicava a um grupo de amigos que as pessoas têm que ser como o batman, brigando quando fantasiadas e fazendo coisas chatas como ir a jantares e museus quando investido de sua verdadeira personalidade.
Definição
16 de novembro de 2011 às 16:00 | 2 ComentáriosO balé é o compromisso possível entre a metafísica e um quilo de alcatra.
Faço um negócio: vocês descriminalizam a coca, a maconha, o aborto, o craque; mas, por favor, CRIMINALIZEM o som! Cadeia para quem fabricar, vender, traficar, ou consumir som, pena de morte – só e unicamente nestes casos – para os que presentearem, venderem ou induzirem os agroboys a comprar sons muito potentes para instalar em seus veículos.
As nuvens da tua hora
14 de novembro de 2011 às 9:20 | 13 Comentáriose seguiu-se um relato de chuvas e de nuvens antigas
e de suas sombras erguidas sobre as torres dos sinos
dia imenso
ontem
ventos maciços empunhavam a lâmpada sobre mastros oscilantes
era assim
e assim os Olhos inundados de brilhos diziam sim ao aço
a Loba fincava as garras no limiar das horas
era assim
aí então já se podia ver a Dama Antiga e o Cavalheiro Antigo
em gesto clássico de gaivota
no baile daquelas lunas tardias
os marinheiros sopravam as mãos
gementes dias
era assim
assim se ia ao mar
as mãos inda vazias
esplêndida luna exata
exata luna esplêndida
daqueles dias
As vestes da tua hora
10 de novembro de 2011 às 7:47 | 12 Comentárioseras limo
torturado em ardente (junho)
as sílabas concêntricas do teu verde
diziam vestígios azuis
torre fincada em prata – o teu navio
se banhava em algas e corais vadios cantavam um ditirambo
ao que reluz (inventário das águas)
a Loba desaba a pata sobre o rastro da Luna
e só nos deixa o poema como pátria sem lagos
ou porta sem quintais ou árvore sem ar
……………………ou, ainda, éramos ontem
Por que com azuis, vermelhos, verdes, amarelos, roxos, incendiamos as águas da retina?
sabe, então, que a palavra que te rima se perdeu entre ventos e jamais encontrou a ilha que mirava nos mapas de tuas veias
ensina este naufrágio ao teu mar
O Bolero dançou
7 de novembro de 2011 às 9:04 | 14 ComentáriosPoucos compositores eruditos tiveram a má estrela de ter uma de suas obras tão derespeitada quanto o coitado do Ravel – foto (mais do que ele só o desinfeliz do Vila-Lobos, que deve girar interminavelmente em sua sepultura enquanto a mundiça faz e desfaz do seu trabalho).
As veias da tua hora
4 de novembro de 2011 às 15:07 | 2 Comentáriosdo Pouso o Pássaro relata:
águas conflagradas se miram entre trovões
e o vinho morto e o grão do vento leste
adiam a sombra da Efígie sobre a pedra quente
os Olhos em rota de colisão
estás
entre flores de nervos a mandíbula da Loba se escancara
e dilacera o sim que vestes sobre tuas vestes
o pano adia a luz da tua pele até que o não
até que o não anule o Teu prodígio que se diz:
floradas. Lentíssimas águas. Vapores oblíquos esplendores Sobre Ti
mas
rebanhos se perdem nos longes da mirada
luna amarga invade o Pátio em Teu nome e fere o vértice do telhado
eras em mar
calada luna inunda as veias da Palavra
exato agora é o Não
em Ti uma nuvem se rompe exato Não
talvez inda queiras vir, lâmpada de sal, lâmina florada
Com o livro digital, as viúvas e as traças perderam a condição de celebridades no ranking da devastação.
A catedral da tua hora
1 de novembro de 2011 às 13:42 | 2 Comentários(em junho)
-águas desenluaradas
-norte em sangue
-espelho em luz vitral
-ventoArdente
-cajado cravado no ventre da ovelha
…………solo
luna ausente
pandeiros frios
ressoa uma luz polar ali onde
então se vê os lábios da pedra
dulcíssimo harpejo
crava o teu medo na Fera
(junho)
já são dias os punhais
a navalha está ferida na retina
beija os teus mansos panos
e vai buscar o rastro da montanha
em (dezembro) o eclipse elide a luz
a partir de então o (junho) desse ano será somente teu como palavra sussurrada num útero sem Luna
a Loba está atenta
à dicção dos cristais
Conservadorismo terminal
1 de novembro de 2011 às 13:39 | ComentarQuanto tempo vai levar para eu não pensar que AGENDA é o nome de um poema? Saco!
As margens da tua hora
27 de outubro de 2011 às 18:41 | 4 Comentáriosinicia-se o pássaro na geografia do teu exílio
varandas lentas lentas ampulhetas transferem ao sol o mormaço
de tuas colunas brancas (nuvens) ainda inescritas
a que o mar intercala um parágrafo
(um cálice vertical recolhe os despojos de tua sombra)
Adagio molto e mesto da tua hora
23 de outubro de 2011 às 11:25 | 2 Comentárioslástima
a ampulheta já calou a voz que declinava o teu nome
os nervos crispados da infanta madrugada fazem tremer a terra isenta
da tua sombra
o halo de tua pele, interdito às retinas, alcança-o um verbo no pretérito
uma pedra na praia observa calada … lentamente do verso desprende-se
uma rima
violoncelomar decanta o sal das águas e incrusta a esmeralda no ostensório desse dia
(a tarde) (a noite) (a madrugada) ———– o dia———– teu verso
ENFIM
já se vê, além do espelho, os músculos da montanha retesados
em mesa de nuvem o tempo devora Partículas de luz
não venhas mais que é hoje
é plena madrugada
é plena Luna
terra minguante deserto última palavra acorde verdescuro sangue transfigurado réstia revogada
não venhas mais que é hoje
os dentes da Luna cravaram-se no teu pelo
adagas navegam na órbita do teu sangue – o tema ergue o punhal sobre
o teu nome
leva teu pássaro ao aprisco de trevas onde pastoreia o ontem
se és em deslembrada luz enreda-te nos fios de tua carne até que o sim te sangre e imponha à lâmpada passante uma fronteira guardada por lobas assassinas
que se lançam à presa,espumantes de fúria, e gritam:HORAS, este é o nosso nome
Os cavaleiros da tua hora
19 de outubro de 2011 às 8:41 | 7 Comentárioshá-de vir o primeiro em esporas de prata dizer-te o sal
em seu elmo o trigo acena de sua haste e o seu tropel é medonho
ondas e corais se despedaçam sob os trovões do seu cavalo
o outro há-de vir incerto de sua fúria
este traz flautas em sua aljava e um ramo de algas no cabelo
hás-de vê-lo à tarde se interpondo entre ti e o teu medo
o terceiro, em vestes talares, te entregará um templo de mármore
onde um sacrário vela um espelho
atenta aos sinais dos teus cavaleiros verás em teu corpo um signo de horas
e mecanismos roldanas de carne e brilho sem teto
hoje será agora em ossos e nervos pois já se pronunciou
jaz pronunciada
a derradeira palavra que te salva do indizível
árvore porta epístola janela madrugada silenciam na memória das eras
uma tocha de sangue arde no preto preto do seu lago fumegante
a mordaça já se estende sobre o acorde da cantata
dizer infame de pedra areia e estampido
outras são agora o sentir ser víscera nas entranhas do universo
estás acordada
vê, antes que o sol te arrebente os tímpanos, as notas em sua inelutável cadeia
estenderem-te os braços
o cobre o bronze estão exaustos
tudo pára a espera do teu gesto
já te preparas
a roupa o mote a ceia
ainda depois se ouvirá o clamor dos pássaros
antes que asas sejam labirintos
lembra-te
ainda
o verso?
o soneto, a sonata, o quarteto?
desde que baixaste pela madrugada a água te dedilha os cabelos
azulejos e rochas se desvanecem para que o ar recite os seus mistérios
que agora se ouvem
(há uma pausa entre o sim e o não)
o sol em ouro arrebata todas as auroras, assassina todas as manhãs
e impõe seu facho à noite e ao gelo da noite
Silêncio. Mataram as Horas. AGORA É SÓ.
Seja agora.
a liturgia se esqueceu do pão
Quando o fumo acre se dissipe haverá novamente o não
e os claustros cultivarão a rosa dos ventos – dia – tarde – noite – madrugada
não mais terão olhos e sim pétalas de prata em órbitas agitadas
pétalas de prata girando desgovernadas em suas órbitas de então
o olho
vê
o não
quatro cavaleiros invadiram o teu reino e rasgaram as velas do teu navio e romperam os silos dos teus grãos e beberam os vinhos guardados em tua mais secreta metáfora e te expulsaram os rios
Agora é não.
chora a morte da tua hora mais sagrada
os ponteiros retorcidos agonizam
agora é não
Sonata da tua hora
16 de outubro de 2011 às 9:27 | 6 Comentáriosseja agora
longe ao norte te vê um claustro de margaridas em pétalas
aqui te vê uma semínima na tangente de um compasso
largas calmarias se intercalam entre colunas de alísios
os violinos em larga calmaria se despedaçam na luz
fagotes trêmulos recitam poemas sem carne ainda
e o coro dos metais sidéreos desenha melismas entre o cristal e a retina
o olho respira a luz e vê -
vê sem cuidados a sombra que, ao norte, se estende além do claustro
e a flauta afiada que rasga um vocalise nos músculos do poema
para que a água, que te faz olhos, se faça tema
um oboé impede o pouso do pássaro
a tarde, suspensa, modela a mesma hora
até que o dia lembre da noite como uma antiga narrativa
a que se cravaram ferros em cada sílaba
- o ontem, imóvel, esquece o gesto que faz passar a vida
Soneto da tua hora
29 de setembro de 2011 às 13:58 | 3 Comentáriosbrancas tuas horas se intercalam
entre notas de cravo cindindo a melodia
do é que em ti se abisma e se declara
imponente fachada de impossível alvenaria
brandem brancas brisas e te consagram
o sangue
um veio de lava escorre da montanha e se faz rio
teu é este vento rude e a desolação de trompas soterradas
teu é este estar em ti luzeiro sem alvorada
e este leão que se mata diante do sol
teu é o estandarte em grinaldas
agora repõe teus átomos
em ordem clássica
em tempo de sonata – eis a tua hora (agora e sempre)
Os gatos
26 de setembro de 2011 às 8:13 | 5 Comentáriosharpejam-se dorsos
à imponente cerimônia do tato
órbitas de líquida luz esculpem ogiva no espaço
tímbales poderosos marcam a cadência solene do passo
contraindo os seus músculos siderais gira a esfera azul sob o gato
que espreita os ponteiros – o tempo é sua caça
e com garras de jade se incrusta no dia
em si mesmo ídolo altar e pedra isenta-se da sombra
e se proclama na nudez calada que antecede o seu nome
as luas contemplam absortas a graça de sua luz
e suspendem suas marés e ventanias enquanto ele passa
depois do último luzeiro fica o seu rastro
dança em aço assim diz a canção que descreve o seu nome
plenos de si como sóis imersos em sangue
alongam o gesto que os faz ser gatos
aos seus pés o tempo geme, dominado
não são jardins nem mirantes nem alegres cercanias
são pedras que rompem e desviam o leito das horas
são o desvio
o olhar que os encontra enche-se de sabedoria ao ler sua escritura profana
A cor da luz
19 de setembro de 2011 às 8:03 | 3 Comentáriosa cor da luz em indulgente liturgia acende prismas de cristal e alumia a porta
entreaberta
que introduz aos prados do vento
lá dentro um ídolo ancestral habita
jejuno de sol sua face se faz descolorida
reconta-se o mito em vagas incessantes de memória aflita
e se reconstrói a história de quem habita entre ontem e ontem uma manhã benigna
assim o tempo lavra o seu campo de plantio
a água em carne viva em suntuoso arquejo respira delirante e devora partículas consagradas ao medo
e uma voz de sal enclausurada em diamante recita versos minerais
ao ouvido das sombras prolongadas sobre a pele da terra envidraçada em marrom silêncio
há uma Voz que prescreve andamento e canção à coreografia dos nervos
{SEM TÍTULO}
15 de setembro de 2011 às 18:08 | 3 Comentáriosácida fonte bebe gota a gota a luz do dia
eras quando palmeiras virgens de postais diziam coisas de ver e seguir-se
eras quando coisas de ver
via-se então além das cercanias do ser que és
varrendo
da memória
a retina
que fixa e amplia o és
mesmo que o seja sejam rajadas e o som
mesmo quem és em ser
não saber a que vem o suor da brasa que crepita
ao som da flauta ímpia jornada de pedras e urzes em brasa
e eram casas ante casas e casas anátema de casa
a distância azulejava o cume que no horizonte era linha divisória de água e água em terra firme e velada nostalgia de pintassilgos e pardais
eras como se é não sendo eras guia eras astro eras mãos vazias que se estendiam sobre
na cidade talhadas grossas de aço
erguiam o universo ofuscante de lâmpadas que incandesciam e espoucavam
de quando em quando
de vez em vez
menos se era dia quando só brilhos emplastrados de fulgurações acordavam quando
ventanias de chuva e água e água e água
como para que os peixes sem sombra tanto
de um pérfido sentir azedado infame e infamado
corte o caule do templo e exponha as raízes profanas
até que de noite seja o dia da ira
infernal
e não mais saber que eras é apartar-me do teu és
vem de longe a mancha que anuncia
a luna traz um crime em seu branco nome
vem te ver se és e traze o lume verde em fagulhas de verde em fulgor de verde
vem te ver antes que os montes desabem sobre o teu nome que é
és em nome
para que em teu nome se possa dizer ainda
és
mesmo que sejas no eclipse da sílaba mais clara que te pronuncia.
anda ainda a ver a varanda generosa do sim
nela podes ser pois a ela não importa que sejas em carne ou em som de sílabas
há um acorde suspenso sobre a tua sombra
sete notas de uma escala em ordem insana dizem sim ao teu nome
agora o tempo se enrosca em teu cabelo e te arrebata o nome
és sim
agora sei o teu nome e sei da gruta onde tremente pende o teu nome
o teu nome é sim
sim és em teu nome
as nuvens suspendem suas águas sobre a sílaba mais clara do teu nome
não sabe ainda te dizer a montanha nem o rio que desce e contorna a montanha
mas a luz, a luz te diz o nome sim
agora te sei és sim
o olho que te vê benigna retina dourada
cordas retesadas em salto de felino
tu és vista em és em clave exata
sonata
ou fuga insolente das pedras martirizadas
tudo te sabes ser em és e em sim.
Em lento marulho
12 de setembro de 2011 às 21:19 | 2 Comentáriosem lento marulho a espuma se enrodilha e arde no seu mormaço de prata
claras visões são mastros à espreita do mais leve sinal de cansaço no dorso das ondas
e desta forma se sabe mar o mar força e arco
em parágrafo azul se escreve onda e mar fogo e navio
marulhos se inscrevem em verdes parágrafos
com ventos sem nome e sem ninfas a noite faz e refaz o seu traço
altas e majestosas eram as damas do azul marinho
incertas entre o destino de ser mar e de ser astro
horas assim são torres de mármore ou capitéis de vidro ou arcos crucificados no azul claro
de repente a varanda do dia consorcia minutos e vigílias e vácuo e ébano e carvalho
lentas e luminosas fontes sal da quilha se despedem
vão e vão atrás do sinal que se esconde atrás da lanterna que se esconde atrás da popa
o navio surge impetuoso em vigas de ferro e aço
e o crime se proclama em longitudes e latitudes como se fora um peixe sem sombra
denso mormaço
vagarosos turbilhões de estrelas estalam em suas roldanas de puro cansaço
é noite ainda e assim – noite – é o dia
que inventa os aviões e os carros entre as casas gementes
e a água que se infiltra nos rebocos é água em maresia
verdejante alfombra de cerâmica fria se fecha em planos horizontais entre mormaço e mormaço
ácida fonte bebe gota a gota a luz do dia
O elefantinho e a formigona
12 de setembro de 2011 às 8:24 | ComentarOra, um dia no shopping uma formiga falou dessa maneira para o Elefante.
- Chefia, dá para se retirar do recinto? O lugar que você ocupa serviria para uma colônia de esforçadas formiguinhas.
- Em que tanto vocês se esforçam?
- Ora, a gente procura alimento, leva para o formigueiro que fica num cantinho do muro do shopping, come, dá comida à Rainha, retira os elefantes da área e phode a rainha que gera mais formiguinhas. Já você vive de lembranças, pensamentos e mitos, ocupando o espaço dos mais produtivos. Chega de tirar onda de animal superior, genial, capacitado a perceber a psique e os surtos comportamentais.
- Tem razão, falou o Elefante. E se retirou tão cabisbaixo e pensativo que, sem sentir, esmagou cento e vinte e nove formiguinhas, inclusive a que tinha acabado de falar com ele.
Moral da história: Formigas podem ser predadoras de elefantes. Mas, há sempre o formicida.







