Caro Tácito, descobri Wilson Martins e a sua maior obra, quando era estudante em São Paulo, na Faculdade Metodista em São Bernardo do Campo. Wilson escreveu a “História da Inteligência Brasileira” quando o país estava imerso na ditadura militar de 1964. Foi com essa obra que aprendi mais sobre o Brasil do que quase todos os livros que já tinha lido. O fato de sermos “palco morto” em relação ao Renascimento que explodia na Europa, o que nos atravancou para o Humanismo, foi um desses achados que Wilson nos ensinou. A natureza e raiz de um país autoritário (quem tem o mínimo de conhecimento sobre a nossa historia sabe disso) são explicadas didaticamente por Wilson nessa obra monumental. E como critico literário foi singular e brilhante quase que permanentemente.
Sobre Wilson Martins
Tácito, soube da morte do escritor Wilson Martins através de uma colega professora.
Morre o escritor Wilson Martins
Caro Tácito acabo de saber que morreu um dos maiores intelectuais deste país: o escritor e critico literário, Wilson Martins. Sua “Historia da Inteligência Brasileira” em 12 volumes, é desses livros que qualquer pessoa cultivada não pode deixar de ter e ler. Além de “História…”, Wilson é autor de “A idéia modernista”, “Crítica literária no Brasil”, entre outros. Uma perda inestimável.
Textos do crítico aqui
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Pesquisei no Google. Somente dois blogs registraram a morte do crítico. O de Lívio Oliveira (aqui) e o Nilnews (aqui). Os portais de notícias ainda não noticiaram, o que achei muito estranho. Quem informou a Lívio foi o escritor Miguel Sanches Neto, por e-mail. O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, onde morava o escritor, traz curto texto sobre a morte (aqui).
A qualidade do produto
Caro Marcos, me desculpe mas sua resposta me pareceu um escape. Postular que o problema de Paulo é a qualidade do produto depois de dizer que “não devemos discriminar ninguém pelo fato de vender muito”, perceba, me parece um contrasenso. Se não devemos discriminar, então que se tenha a fila. E de fato é bom que os escritores vivam do seu oficio. Não foi esse o caso de Lima Barreta, Cruz e Souza, Clarisse (foto) e tantos outros. Se tivéssemos menos preconceitos para com o que é nosso, e principalmente para o fato do escritor vender, talvez estivéssemos discutindo de uma forma mais livre.
Uma outra coisa
Caro Marcos, você tenta relativizar as cosias onde eu busco outro caminho. Mas leia a sua conclusão: se você mesmo disse que “não devemos recriminar ninguém pelo fato de vender muito”, qual o problema de entrar na fila do Paulo? Nesse caso, onde estaria o relativismo? Ou seria uma outra coisa? Sabe quantos escritores no Brasil vivem desse oficio?
Para refletir
Com o lançamento de “O apanhador no campo de centeio” em 1951, Salinger vendeu 15 milhões de cópias. Hoje já ultrapassam os 40 milhões. Por ano, mesmo recluso, e sem sair de casa, o livro vende uma média de 250 mil cópias ano. Não precisou de nenhum organismo estatal para bancá-lo. Enquanto isso…
Moisés e o monoteísmo – para Monteiro
Caro Monteiro estou relendo sei lá já por quantas vezes “Moisés e o monoteísmo” desse gigante do século XX e imbatível a meu ver séculos afora, chamado Sigmund Freud. A capacidade de manusear um denso material articulando-o com suas premissas psicológicas é qualquer coisa de espantoso neste ensaio memorável.
Lembrei de você, Monteiro, claro, porque Freud trata brilhantemente no referido ensaio, do Faraó egípcio da XVIII dinastia, Akhenaton ou Amenófis IV, que no dizer de Brestead foi “o primeiro individuo da história humana”. Freud, como Judeu, percebe e atribui a Akhenaton o real e verdadeiro instituidor do primeiro monoteísmo na face da terra e não aos judeus.
Salinger, influência e seguidores
Interessante que esse sentimento de Tácito também reflete em mim, hoje. Na verdade o grande segredo de Salinger em “O apanhador no campo de centeio”, penso eu, foi ter usado o palavreado da juventude americana que começava a se rebelar no inicio dos anos 50 através do personagem adolescente Holden Caufield.
Nessa mesma década começava a explodir o rock e toda a rebeldia e que terminou resultando em Woodstock. Fazendo uso de gírias e expressões típicas da juventude americana “O apanhador” é sem duvida um grande livro contracultural.
Viver é muito perigoso
Caro Tácito, participo de um blog em Mato Grosso www.prosaepolitica.com em que sua proprietária, Adriana Curvo, jornalista das mais competentes e de fibra, e que por pensar de forma diferente do atual governo de Mato Grosso, está sendo processada pelo atual diretor do DNIT Luiz Pagot, indicado pelo governador Blairo Maggi (foto), ambos do mesmo Partido o PR. O blog dela já sofreu censura e agora o dito, Luiz Pagot, entrou com uma queixa-criem pedindo a prisão de Adriana por não aceitar a “forma” como ela escreve. Mesmo de longe (embora já tenha prestado minha solidariedade e repúdio no blog dela, ao tipo de atitude absurda, autoritária, ditatorial e anti constitucional) presto mais uma vez minha solidariedade a blogueira aqui de longe. Sinceramente a cada dia e diante da atitude tomada por Luiz Pagot fico me perguntando que país é este. Pode ser que eu esteja enganado, mas não penso que seja um país com fundas raízes democráticas. Nem rasas, como diria certo escritor.
Cito uma das postagens dela, Adriana, onde ela fala sobre o processo e agora a queixa crime:
“A juíza Flávia Catarina Amorim aceitou a queixa-crime feita por Luis Pagot, diretor do Dnit (aquele citado ontem pela Folha na Operação Castelo de Areia), contra mim. Pagot pede minha prisão, alegando difamação e injúria. Mais ou menos 3 anos e meio.
Em julho do ano passado houve a audiência de conciliação. Foram quase três horas onde Pagot tentou, em vão, me convencer de não ser processada por ele. Lá o promotor de Justiça, esqueci o nome dele, só sei que é DJ também, queria discutir comigo a “forma” de da minha escrita. Veja bem: o ministério público estadual queria interferir na forma da escrita. Não aceitei, como também não aceitei a proposta feita pela justiça, de que tudo que eu escrevesse sobre Pagot, antes de publicar enviasse a ele para ser aprovado ou não. Agora a juíza recebeu a queixa. Eu terei 10 dias, a partir da notificação, para apresentar minha defesa. Estou aguardando o oficial de justiça.
Esta será uma loooonga novela, talvez comece a andar mesmo já no tempo em Pagot diretor geral do Dnit, será apenas uma triste lembrança”.
A dívida
Era noite. Jonas atravessou a Estação Paraíso a passos rápidos. Sua ânsia de chegar ao bar “X” era contrastada apenas pelo silêncio e calmaria que a Avenida do Contorno apresentava. Já passava das 23 horas quando finalmente ele chegou ao local avidamente buscado.
O local apesar de pequeno, dava a impressão pela distribuição interna, de ser maior do que realmente era. Dentro, ao todo havia apenas um balcão e oito mesas muito bem distribuídas. Três delas estavam vazias. O local, era arejado e limpo. Além do proprietário que ficava por trás do balcão, havia apenas um garçom que ficava circulando e levando os pedidos além de ficar limpando e retirando o que já havia sido consumido nas mesas. No canto esquerdo do salão, numa quase penumbra, ficavam instalados dois banheiros, com um desenho que indicava os nomes em letras garrafais por cima: HOMEM e MULHER.
Entrevista com o escritor Fernando Monteiro
Na visão do mais importante crítico literário da atualidade, o americano Harold Bloom, o mundo de massas, moderno, destruiu o gosto pela alta cultural, provocando um definhamento na prática e cultivo do mundo culto. Hoje cultivamos o pastiche. É uma opinião dura, mas nem por isso totalmente inverdadeira. O escritor pernambucano, Fernando Monteiro, autor de diversos livros lançados, entre eles, romances como Aspades Ets, Etc, Cabeça no Fundo do Entulho, A múmia do rosto dourado, poemas como Memória do mar sublevado e Eu vi uma foto de Anna Akhmatova e biografias de Thomas Edward Lawrence (Lawrence da Arábia) e do faraó Akhenaton certamente que concordaria com o crítico. Nessa longa entrevista Monteiro mostra não só sua vasta cultura, como discorre sobre sua produção passada, presente (e futura), além de tecer comentários sobre a literatura feita no Brasil e no mundo. Provocado sobre suas discordâncias em relação a Ariano Suassuna e Paulo Coelho, Monteiro mostra porque não segue modismos literários muito menos baixa a guarda a patrulhamentos literários, que não tenham um crivo maior com consistência na escrita. A entrevista é um misto de erudição, inteligência e contundência crítica, e, em vários momentos de grande autocrítica. Divirtam-se e aproveitem.
Laurence Bittencourt – Monteiro uma leitura atenta de “Vi uma foto de Anna Akhmatova” transmite a idéia de que você é um dos últimos representantes de um Humanismo perdido. É correta essa análise?
Fernando Monteiro – Se o poema transmite essa idéia, certamente que ele está fazendo mais por mim do que eu mereço, Laurence. Não quero ser o moedeiro falso da modéstia empostada dos dias que correm, mas raciocino: é que a larga palavra usada na pergunta – Humanismo – se encontra inevitavelmente poluída em todos os corações & mentes (incluindo a deste escriba, é claro) da desolada época de “homens ocos” em que caímos, com o sentido de grandeza – meramente humana etc – reduzida à sombra de uma sombra vista no escuro, entre “lágrimas na chuva”. Não é mais necessário o Homem (e, em conseqüência, o Humanismo)? E a Poesia – para um não só chocado como vitimado Walter Benjamim – não será ma is possível, de fato, “depois de Auschwitz”? Seja como for, fomos longe demais no “adeus a uma idéia” (aquele título do poema fúnebre do grande Wallace Stevens), na longa despedida a um modelo de cultura que se originou das peãs pagãs, cantadas em torno da fogueira grega de guerreiros sentados para ouvir o Poeta entre eles. Naquela época primaveril – de sangue, tempestade e alguns antecipados dias de vinhos e rosas –, cantava-se o fragor da batalha, um choque entre surdas nuvens fazendo cair uma folha amarela do outono grego sobre o branco colo de Ariadne. Onde está ela, agora? E onde ficou a visão de Beatriz, Margarida, Miracelli e Anna Akhmátova? Todas as vozes estão se reduzindo a um murmúrio – e não se ouve mais o Tordo, com o seu piar nublado pelo céu que chora nos olhos vazados de estátuas cegas por ácido. O falcão não atende mais ao falcoeiro – já denunciava Yeats, no seu sombrio poema de 1926 (“The Second Advent”). Desde então, entramos no Terceiro Milênio com a horrível sensação de que tudo está mais morto assim (vivo?), do que se o fogo já houvesse consumido o que a água poupou, no antigo dilúvio transformado numa espécie de filme-catástrofe (mal) dirigido por um James-Cameron-qualquer da vida. Enfim, “vôte!”, como se dizia antigamente…
Terremoto no bom senso
Apesar de o nosso presidente ter pedido para adotar o Haiti, até agora não mandou ninguém (a não ser os soldados que já estavam a serviço da ONU, portanto ele não mandou, deixou lá). O Rio Grande do Norte não se fez de rogado e mandou HUM soldado da força nacional de segurança. Mas mandou. Isso mostra o nível da nossa preparação para uma guerra. Nossa governadora realmente merece o titulo de guerreira…da paz. Enquanto isso os americanos enviaram 10 mil soldados e 800 médicos (evidentemente deve ter sido do SUS americano). Este número, 10 mil soldados, é maior do que todo o contingente das forças armadas no RN. Lula-Alá, ainda não se conscientizou da nossa insignificância. O nosso presidente na ânsia de aparecer para o mundo, aceita até sair vestido de baiana.
O Pai do mundo e o Haiti
O pai do mundo perdeu a voz e ficou rouco de tanto ouvir (como dizia Benedito Valadares, interventor de Minas Gerais no tempo da ditadura de Vargas) durante a tragédia de Angra dos Reis. Agora, com o terremoto no Haiti, o pai do mundo recuperou a voz e resolveu adotar o país vitimado. Doou, em nome dos brasileiros (lembrar que o pessoal do Bolsa família ficou de fora), 15 milhões de dólares para as vitimas. A Comunidade Econômica Européia, da qual fazem parte os países atrasados e pobres, Alemanha, Áustria, França, Holanda, Portugal, Itália, doaram apenas 3 milhões de euro. Alguma coisa está errada. Não é pai do mundo?
Zilda Arns, uma dama especial
Zilda Arns só conviveu com os pobres, aliás miseráveis, mas só andava elegantemente trajada. Nenhum traço de demagogia. Ela não era uma guerreira, era uma dama, mas seu legado é o que foi importante. Ela executava, não falava. Ela não prometia, fazia.
O que dizer?
Considerado um dos países mais pobres do planeta, o Haiti vive imerso e atolado em guerras tribais, falta comida, falta água, falta tudo. Falta civilização. Uma miséria completa. Agora vem o terremoto. O que dizer? O que dizer? Solidariedade basta?
Ingênuo ou mal intencionado?
Caro Tácito, o meu texto “Para que servem os vereadores?” publicado aqui no SP no dia 08/01/10, foi transcrito pela jornalista Eliana Lima em um de seus espaços na Tribuna do Norte on line, o que muito me honrou e me deixou feliz e penso ser uma mudança positiva na forma de tratar a coisa pública. O texto transcrito pela jornalista recebeu (até onde eu vi) 25 comentários, e quase totalidade concordando com as idéias escritas no artigo.
O curioso foi o fato do vereador Ney Lopes Jr. (foto ) e do Sr. Jean Paul Prates terem se manifestado contra o que ali estava escrito. Ney Jr., além de não concordar com o “o conteúdo” do texto fez um convite para que eu acompanhasse um dia de trabalho de um vereador. Já o Sr. Paul Prates chamou o texto de “pueril”. Da minha parte me senti honrado com a classificação de pueril (apesar dos mais de 22 comentários a meu favor), pois é algo próprio das pessoas de espírito jovem e que tem ideal e amor pelo país.
Uma boa tradução para pueril seria “ingênuo”. Gostei, pois reafirmou em mim a convicção de que na Câmara não tem vaga para ingênuo.
Ainda sobre música popular e erudita
Caro Marcos, é claro amigo velho que o alto nível se encontra em você também. Talvez mais do que em todos nós. Fique certo. A admiração pela sua cultura eu já disse em email pessoal e aqui idem. E agora novamente. Mas olhe aqui, tomando como base sua própria declaração: “É possível que a experiência do sensorial seja anterior à lógica, o que não as opõe nem elimina uma das duas necessariamente”. Sem dúvida que não elimina e é claro que é anterior. O próprio Freud (foto) como bom burguês tinha lá sua neurose com música, logo ele que foi o descobridor do principio inconsciente da sexualidade, porque a música nos pega pela sensualidade. Isso é sensório. A minha idéia foi mostrar que a música erudita quase que aprisiona a sensualidade que é algo sensório construindo-a pelo aspecto abstrato, quase diria espiritual, lógico (que foi o termo que usei), intelectual. Nesse sentido ela é superior a popular, tanto que não atinge as massas que ainda estão no nível do sensório, do primitivo. Ora, a meu ver isso é claro, há essas separações. O que não significa que haja exclusão, tanto que o quem faz sucesso é a musica popular e não a erudita. O que você pleiteia, legitimamente é o espaço para as duas, e há. O que eu tentei mostrar foi outra coisa. O que eu tentei mostrar, é que a musica erudita é superior a popular. O que não significa invalidar a popular ou que não haja espaço para ela. O espaço para a música erudita é que é pouco, restrito (que você mesmo cobra como acesso maior para as massas), mas que eu, particularmente não acho que ela desça até as massas, porque a massa é sensório puro. Era isso, meu querido. E claro que você é um dos nossos mestres, sempre.
Música, PF e SP
Caro Marcos tudo que você escreveu cabe. Mas meu viés foi outro. Perceba. O sensorial é muito anterior ao nascimento da lógica. Há elitismo nisso? Sem dúvida. Há exclusão? Sim. Mas não do lado da música erudita. Pego um trecho do seu post: “A Música dita Popular obedece a regras de duração, audição e reprodução muito diferentes da Música dita Erudita (frequentemente não segue leitura de pauta, valoriza variações e improvisos)”. Foi esse o meu caminho. Por falar nisso, gostei muito de você ter acentuado o alto nível de debate com Jairo, porque considero o espaço criado por ele, o hoje intitulado “Papo Furado” um dos melhores locais para se discutir altas arte e mesmo a não alta arte. Jairo como todo sujeito civilizado é democrático. Sempre que posso tenho ido lá, mas sinto falta de mais freqüentadores. Assim como o Substantivo o Papo Furado pode ser sim um lugar alternativo aos bares das chamadas colunas sociais e futricagens. Concordas?
P.S. Espero que ninguém me diga que há outros bons locais além do Papo Furado (foto). O Canto do Mangue citado outro dia pelo nosso João da Mata, é um exemplo. Essa ausência de frenquentadores (toc, toc, toc) já fez Jairo me confidenciar seu desejo de voltar a Recife. Insisto: assim como o SP espero que o PF se consolide.
Sobre o comentário de Demétrio
Concordo inteiramente com as palavras de Demétrio sobre o talento de Charles. E também faço coro pelo romance. Mas o texto de Demétrio, sugere outras coisas mais, por viés, que me fez pensar em como o SP e Tácito (não só por ser o timoneiro) estão fazendo história. Por que digo isso? Além de um espaço alternativo de alto quilate para discutir tudo, ele (o espaço) tem propiciado abertura para receber textos literários, de criação literária, de forma acolhedora, coisa que rarissimamente, e bote rarissimamente nisso, os nossos chamados jornais diários, tradicionais e até diria revistas (algumas) também, não dão ou não querem propiciar esse espaço. Torço muito para a consolidação do SP e todos os níveis, para inclusive no futuro, quem sabe, termos lançamentos de livros dos melhores textos, ou mesmo dos textos literários publicados aqui. Um segmento poderia ser “os melhores contos”. Essa abertura e esse espaço (como local alternativo aos outros meios) vieram em boa hora. Parabéns.
O poeta e eu
Tácito mandei esse post para Jairo que publicou no blog dele seguido de um post scriptum. O PS dele está em negrito, como não soube colocar aqui, faça isso, por gentileza. Remeto agora os dois para o SP. Segue:
O poeta, escritor e publicitário pernambucano, residente em Natal, Jairo Lima, assim como eu, acredita que o trabalho intelectual é algo superior ao uso do trabalho sensório per si. Vou tentar explicar, antes que me acusem de alguma obscenidade, mesmo que quem o faça não saiba que está ofendendo mais a si do que a mim. Aliás, foi Freud quem disse certa vez que quando Pedro fala de João, está falando mais de Pedro do que de João. Deu para entender? Não? Então, deixa pra lá, paciência. Na verdade, isso é outra história. Deixemos Freud, e voltemos a Jairo.
O escritor
Caro Tácito, eu não me engano, a primeira vez que eu coloquei os olhos em um texto de Phelan senti que ali era um escritor diferenciado, ou como disse Tânia Costa, um perito, alguém que sabe escolher as palavras com o cuidado e acuidade. De um profissional. Charles não é só um contador de história (algo que define um escritor) mas usa a criatividade ao contar a história. Isso é dificílimo. Sabe criar cenas, gerar tensão, provocar o leitor e conduzi-lo através de um enredo intricado. Com um final sempre surpreendente. E isso dentro de um ritmo como quem está montando um quebra-cabeça, com cadencia e escolhendo ou buscando escolher as palavras certas. Isso é profissionalismo. Isso é ser escritor. Do mais alto nível. Da melhor estirpe.
Para que servem os vereadores?
Ainda sobre a questão dos vereadores. Pode ser excessivo o que vou dizer, mas é a mais pura verdade. Qualquer pessoa de bom senso (e que não precise dessa escumalha) sabe disso e fala disso em reuniões no social. Eu considero os vereadores de Natal uns gângsteres. Estou falando por mim, obviamente.
Ontem, por exemplo, eu estava em um restaurante da cidade, quando chegaram dois deles. Em seus carrões, super-carrões, hiper-carrões. Imensos. Vereador tem salário para comprar um carro daqueles? É claro que não. Qualquer pessoa de bom senso sabe disso. Mas então como é que compram? De onde vem a grana? E no entanto eles dizem representar a população. Falta agulha nos postos de saúde. Eles representam? Claro, o povo pagando a conta de todos os lados e com direito a nada.
Já sei, o povo não é vítima e os escolhem. O problema é que o povo é obrigado a votar. E ai já viu. Por que eles não retiram a obrigação do voto? Não é uma democracia? Então o voto não deveria ser obrigatório. Mas, não, aqui se fala em democracia com voto obrigatório. O contra-senso do contra-senso. Ninguém precisa me dizer que não são os vereadores diretamente que decidem se o voto continua a ser ou não obrigatório.
A besteirada de sempre. Mas façam uma enquete entre eles, nenhum deles quer perder a “boquinha” de comprar os votos, de pegar cargos nas estatais para terem suas eleições, em suma de fazer o proselitismo qualquer, que é o que toda eleição representa nesse país. Enquanto a população continuar miserável e dependente dessa gente, teremos o saque nas contas públicas, leia-se bem entendido, contas do povo. Eles vão para os restaurantes e depois sai publicado nas “colunas sociais” que estavam discutindo política e os rumos da política natalense. Pode isso? E o povo pagando a conta.
Para que serve mesmo um vereador? Para quê, em Marcos Silva? Quanto custa um vereador a sociedade? Sem eles não tem democracia, dizem alguns. Ué, eles são quem impedem a democracia e ainda por cima “usam” a tal da democracia para se beneficiarem. Isso definitivamente não é democracia. É outra coisa, menos democracia. Eles desonestamente sabem disso, e continuam explorando. Isso pode continuar? Enquanto isso pessoas trabalhadoras na labuta do dia-a-dia, suando para ganhar um salário mínimo. E mais: eles, os chamados vereadores são tidos como os “homens” da lei, os legisladores. Quá, quá, quá. Na verdade, são os primeiros a violarem todas as leis. Que moral essa gente tem?
É por isso que a nossa segurança vai tão mal. E o povo pagando a conta. O incrível é que eles continuam circulando nas colunas sociais. O que podemos deduzir dessas colunas sociais? E ainda enchem o peito para dizer que são os representantes da sociedade, que “trabalham” na Casa do Povo. Trabalham? Enquanto não houver uma reforma política profunda nesse país eles estarão sempre ai. E ainda querem aumentar ainda mais o número deles. Dizem que isso é representar a sociedade. Até quando?
Tórrido verão
Tácito abri agora o Substantivo e encontro um post de João da Mata convidando para um encontro no Canto do Mangue. Houve o tal encontro? Ainda está de pé? E quem vai partir? Fiquei sem entender
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Amigo, acho que não ocorreu. Gustavo de Castro já retornou ao Distrito Federal e à tarde, horário sugerido por João, eu não posso porque estou no trabalho.