Estava pensando em escrever alguma coisa sobre esse mundinho escroto dos encontros sociais literários e aí minha amiga Tetê Bezerra me mandou este e-mail aí embaixo. Realmente não quero fazer parte deste jogo de puxasaquismo que depois joga a gente no mais cruel ostracismo.
Literatur
Engraçado como as pessoas ficaram chateadas com meu comentário sobre Dostoiévski. Ali só estão umas dicas de leitura, não há nenhuma tentativa de análise profunda do mestre porque aquele foi um dia particularmente escroto em minha vida. Ainda vou falar de Dostoiésvki enquanto tiver saco de atualizar essa merda.
Dostoiévski
Ainda não encontrei uma biografia satisfatória do mestre de São Petersburgo. Tenho alguns esboços, mas nada ainda que me satisfaça. Então comprei na Estante Virtual o livro homônimo de Coetzee sobre Dostoiévski e comecei a ler ontem.
Blogosfera
Sérgio Vilar tem razão. É preciso ter muita paciência com esse negócio de atualizar blog. Eu descobri esse troço nos intervalos de tédio entre um texto e outro de uma campanha política, entre um cafezinho e outro, alguns preferem entre um cigarro e outro.
Poesia e literatura estilo bicho grilo
Esse meu amigo Demétrio é um doido mesmo. Quando ninguém mais topa escrever esse negócio de poemas, ele vai e lança mais um livro. Beleza Distante, de Demétrio Diniz, Editora Barriguda, 83 páginas, sem preço definido é um daqueles livros que vem no mesmo ritmo da poesia que Demétrio vem fazendo e presenteando a todos, sai ano entra ano. É um cara incorrigível, boa prosa, boa praça, andarilho do mundo, amante das mulheres belas, bom copo e etecétera e tal.
Escritores, bah!
Outra coisa que está enchendo meu saco é ler autor local, puta que pariu, não aguento mais. Mas não digam a eles, porque eu quero lançar um livro ainda este ano e eles vão cair de pau, eu sei.
História do mundo e gnosticismo
Dois livros vêm tomando o meu tempo nos últimos dias, mas juro que isso não está sendo nada penoso. O primeiro é A Grande História – Do Big Bang aos Dias de Hoje, de Cyntia Stokes Brown, Civilização Brasileira, 420 páginas R$54,90 (no site da Livraria Cultura sai 10 paus mais barato). Parece que o livro faz parte de um gênero que vem chamando muita a atenção dos leitores nos últimos tempos. Primeiro foi Marcelo Gleiser explicando a não simetria do universo. Navegando pela Web, vi um tal Do Big Bang ao Universo Eterno, de Mario Novello, Jorge Zahar, 132 páginas, R$28,00 (no site da Cultura sai por 22 pilas). Isso está virando moda, cara.
Um romance que surgiu na repartição
A um mês de sua oitava edição, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip, que vai de 4 a 8 de agosto) já está vendendo bem os ingressos para este ano. Das 21 atividades da programação principal da Flip – 19 mesas, conferência e show de abertura -, 18 tiveram todos os ingressos da Tenda dos Autores comprados pelo público. Até agora, já foram mais de 24 mil entradas vendidas, via internet, telefone e pontos de venda. O fluxo de compras foi tão intenso que, em menos de 30 minutos de vendas, já estavam esgotados os ingressos na Tenda dos Autores para as mesas do Lou Reed (o músico, que ia lançar seu livro Atravessar o Fogo, pela Companhia das Letras, cancelou sua participação), Isabel Allende, Robert Crumb e Salman Rushdie. Além das estrelas internacionais, os brasileiros também tiveram sucesso de público, com destaque especial para o poeta Ferreira Gullar que teve todos os ingressos de sua mesa, na Tenda dos Autores, comprados no primeiro dia de vendas.
Estado moderno
O Brasil já viveu situação idêntica ao que está acontecendo hoje em Cuba. Brasil, ame-o ou deixo-o, lembram? Alguns dissidentes cubanos libertados pelo regime querem ficar em Cuba, onde estão as pessoas que eles amam. Mas o governo ditatorial do irmão de Fidel não permite. Cuba, ame-a ou deixe-a. Pois bem. Leia o resto desse post »
Crítica
É por essas e outras, caro Nelson, que eu sempre ressalvo em minhas resenhas que não sou crítico literário coisa nenhuma. Aqui em Natal quem critica ganha inimigos.
Uns livros de Bakhtin
Isso aqui não é crítica literária, longe de mim essa pretensão. Não sou crítico de coisa nenhuma. Sou um leitor insaciável, apenas isso. Então o que vou escrever aqui vai ser mais como uma conversa de botequim sobre um livro que eu li. Os 100 Primeiros Anos de Mikhail Bakhtin, de Caryl Emerson, Difel, 350 páginas, 2003, é um desses livros para a gente guardar, ter sempre ali à mão na estante para qualquer dúvida. Meu primeiro contato com Bakhtin (foto) foi na universidade, por ocasião de meu mestrado em Letras. Leia o resto desse post »
Literatura contemporânea
Tem épocas nas nossas vidas em que sentimos a necessidade de uma depuração. Tempo de fazer um auto-de-fé, de eliminar o que é excessivo, o que não faz mais sentido. Quase sempre começo fazendo isso eliminando parte de minha biblioteca. Não quero envelhecer ostentando leituras na estante. Minha estante fica dentro de meu cérebro, no pergaminho de minha alma. Ficam apenas os livros que ainda servem para uma releitura ou servem de base para minha escritura. Por isso, periodicamente, passo a peneira na minha biblioteca. Foi assim que localizei o livro Altas Literaturas, de Leyla Perrone-Moisés (foto), Companhia das Letras, 238 páginas, 1998. Prestem bem atenção na data. É um livro que tem mais de 10 anos e mesmo assim não perdeu sua atualidade e pertinência. Primeiro o que me chamou a atenção de imediato foi o tema do livro. O costume de se fazer lista de melhores autores (muito comum aos meus colegas aqui do Substantivo Plural). Leia o resto desse post »
Cinema
Se tiverem a oportunidade (está no Canal Brasil), não deixem de ver o documentário Santiago, de João Moreira Salles. É de arrepiar.
A força da literatura na terra de Poti
Recebi o seguinte e-mail:
“Prezado Carlos. Como leitor assíduo e apreciador da sua coluna, tenho a satisfação de convidá-lo para a posse dos novos integrantes do Conselho Administrativo da Cooperativa Cultural/UFRN, recentemente eleitos. Trata-se de um evento simples que será realizado na segunda-feira, 19/4/10, às 18:00, na Galeria do NAC/UFRN. Na ocasião será lançado o livro Cultura e Pensamento Complexo, de Maria da Conceição de Almeida e Edgard Carvalho e haverá uma apresentação do Quarteto de Clarinetes, da Escola de Música/UFRN.
Gostaria de salientar que, uma das nossas primeiras providências foi autorizar a assinatura da Tribuna do Norte, por conta do Caderno Viver, em particular da sua coluna de livros. Não tenho dúvida de que você educa e forma leitores. Por isso, foi feita uma recomendação expressa aos vendedores da loja da Cooperativa para que fizessem a leitura semanal da sua importante coluna.
Cordialmente,
Willington Germano, Presidente eleito”.
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Pois é, mas tem gente que não dá o devido valor.
Isso é uma regra geral na província, portanto vejamos. Esmeralda – Crime no Santuário do Lima, de François Silvestre, Editora Casa de Bakunin, 249 páginas, sem preço definido. Logo ao olhar para a orelha do livro, o leitor atento vai notar algo curioso. Não há uma sinopse do livro com uma breve biografia do autor e foto no final. Não. Há um poema em que o autor destila uma explícita mágoa com os chamados “poetas e gênios da cidade”. Ele diz, “eu não sou nada” e pede leitores para seu livro. Isso soa bastante irônico, porque este livro coloca definitivamente François Silvestre entre os grandes romancistas deste pobre rincão tão longe do eixo Rio-São Paulo. Para rivalizar com ele só mesmo Nei Leandro de Castro.
Kinema
Estava sem vontade escrever. Achando tudo uma chatice sem fim, uma mesmice de lascar. Mas ontem o Canal Brasil exibiu uma cópia novinha de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Um arrepio passou pelo meu corpo como uma descarga elétrica, e a vontade de escrever voltou com força total. De repente retomei todos os meus textos que estavam parados a meio do caminho, esperando por um olhar carinhoso de seu autor. Toda obra de arte tem essa capacidade redentora.
Diário de bordo
Que prazer imenso ver Jarbas Martins aqui no SP. Eu vi Jarbas repetindo o nome de Nina Rizzi como quem repete um mantra. Lá no Beco da Lama. Puxa, como eu tenho saudade de Natal quando estou fora. Quando chegar aí a primeira coisa que eu vou fazer é tomar cinco cervejas no bar de Nazaré. Sampa é linda e feia. No final da tarde chove, ontem foi um temporal mesmo, com raios e trovões, hoje não. Eu vejo pessoas passando na rua e ninguém olha direto nos olhos, cara. São ilhas de solidão. Algumas parecem cópias de pessoas que eu já vi e amei. Ontem vi Niza atravessando uma faixa de pedestres. Porra, que saudade! O que nos resta é um pouco de música. E este site maluco que abre espaço pra todo tipo de coisa boa e besteira também. Pois é.
Politikon
O que ninguém quer discutir é que se Rosalba Ciarlini for a grande vitoriosa, como ela e seus apaniguados pensam, esse estado vai virar um imenso semi-árido, no pior sentido. Existe opção melhor, eu sei. Não vou dizer o nome para não ser fariseu. Até a abelhinha com seus frufrus sabe disso. Rosalba posa de governadora em férias. Eu já vi esse filme. Pois bem. Deixa pra lá. Nevermind. Ouvir Fagner em Ave Noturna é como ouvir Lirinha do Cordel do Fogo Encantado. Turbinado. Ouvir Gil nos velhos discos dos anos 80 e 90 é entrar de cara na modernidade, contemporaneidade. Shakespeare é matriz copiadora. Kafka é o sorriso no canto dos lábios. Esses bostas de Natal não ultrapassam as lagoas de Parnamirim e Macaiba. Tá bom.
Viagem
Estou em Sampa. Quintana disse que viajar é mudar a paisagem do tédio. Ele tinha razão. Tem razão. Ontem bebi num bar aqui na esquina do apartamento de minha amiga Verônica, namorada de meu querido amigo e irmão Dião. Ser amigo não é só dizer que é. É um jeito de ser. No taxi, nas ruas, nas bancas de jornais, só se fala na menina Nardoni. Eu não digo nada. Mas meu olhar fica turvo. Criança é coisa frágil. Penso em meu neto Vinicius, filho de Constância, tomando banho numa piscininha de plástico no quintal lá de casa em Pium. Criança é coisa para se cuidar. Penso na hipocrisia das pessoas. Penso na maldade. Pessoas matam por ciúme, cara. Pessoas matam por qualquer coisa. Na madrugada, sem sono, liguei a TV e lá estava mais um filme sobre o genocídio em Ruanda. Não aguento mais ver corpos boiando em rios. Não suporto a companhia de seres humanos em geral. Só consigo viver com pessoas boas como Tácito, Jairo, Dião. Adorei ter conhecido Samarone, menino bom, honesto, verdadeiro. Detesto esses comunistas de merda. Fidel e os amigos dele são ditadores, porra! Chineses do partido comunista chinês são ditadores, porra! da Coréia, da Venezuela, da puta que os pariu! São ditadores, Porra! Não tenho mais paciência. Só escuto Chico Buarque porque é gênio. Se não eu parava de ouvir por causa da hipocrisia dele. Quem compactua com ditadores fica parecido com eles. Dilma Roussef é estalinista, seus merdas. Zé Serra é filhote da ditadura, seus merdas. Para onde vamos? Para o PV de minha querida Marina Silva, que tem como aliados Micarlinha e Zé Agripino? Minha simpatia pelo PV morreu com Gabeira e a linda bandeira da cannabis sativa. Não acredito em quem quer acabar com a diversidade brasileira, nossa mania de miscigenar, não aceitar patrões, ser livres, como dizia o mestre pernambucano. Amo pessoas como Gilberto Freire e Darcy Ribeiro. Detesto pessoas boçais como… Detesto 90% dos jornalistas. São boçais, metidos, bajuladores. Políticos são pagos para ser como são. Não precisamos ser como eles. Fagner canta Ave Noturna e eu já estou aqui morrendo de saudade de Pium, de meu amigo Mossoró, de Aninha Guimarães, de Márcia Pinheiro, de Abimael. Saudade de Alex, lá em João Pessoa. São Paulo é feia e barulhenta, todos nós sabemos, por causa de Tom Zé. Mas tente ficar uma tarde nesta esquina… Às seis a igreja da Consolação toca sinos. Melancolia igual a essa só na calçada da igreja de Areia Branca. Ai, Caetano cantando numa esquina ali na frente, entre a São Luiz e a Ipiranga… êêêê São Paulo… O centro cultural Julio Prestes é a constatação de que somos pequenos. Meu Deus! Connheci uma pessoa que disse, Carlão vá ver o Parque Inhotim, em Minas Gerais. Eu disse, sim, porque já havia visto na internet e monumentalidade. Arte contemporânea numa área imensa de preservação. Obras numa escala só conhecida por Guaraci Gabriel. Onde estão nossos artistas plásticos? Em telas pregadas na parede? sonhando em fazer vanguarda em 2010 quando Duchamp fez em 1920?
Poeta
Nina Rizzi além de linda, poeta de encher os olhos, é poeta de mão cheia e tradutora talentosa. Eu a conheci no Beco da Lama, rodeada de poetas.
Nazismo
A retirada de uma filha dos braços da mãe, só porque ela é cigana e estava lendo mãos no centro de uma grande cidade, é um ato nazista e de grande preconceito. Não podemos aceitar isso.
Mulheres
Tácito, meu querido, as mulheres estão dando show de bola neste sítio. Um bom exemplo é este texto maravilhoso de Tânia e a participação de Edjane.
Intolerância
Ditadura é ditadura. Não importa se é de direita ou de esquerda. O fato é que ditadores não suportam oposição, dissidência, pensamentos contrários, liberdade.
Abaixo a ditadura!
Uma viagem pela Cuba de Fidel Castro

Na semana passada eu disse o seguinte: “A primeira indicação de leitura de hoje é Viagem ao Crepúsculo, de Samarone Lima, Editora Casa das Musas, 231 páginas, R$30,00. Interessante livro de viagem que tem o sabor picante da reportagem. O autor é um jornalista e escritor cearense que vive em Recife com passagem por vários jornais e revistas de Pernambuco e São Paulo. Aqui ele embarca em uma viagem por uma Cuba que vive o apagar das luzes do governo de Fidel Castro e a triste continuação desta ditadura através do irmão Raúl Castro. É o tipo do livro que você começa a ler assim despretenciosamente numa parada de ônibus e não consegue mais parar. Aí você descobre que perdeu o ônibus e vai ficar na parada por uma boa hora inteira com medo de perder o próximo. Então você deixa para ler em casa e não dorme enquanto não termina. Olha, aqui está um relato corajoso sobre Cuba. Tudo que um cuecão comunista jamais vai gostar de ler. Aqui todas as mazelas da utopia comunista são mostradas sem piedade. Não se trata de chutar carrocho morto, mas de uma extrema piedade pelo valente povo cubano, que de tão entorpecido com a miséria e a violência do bloqueio econômico imposto pelos americanos, já não consegue vislumbrar uma saída. Quanto mais você lê, mais desolado vai ficando com a tragédia cubana. Não vou adiantar mais nada aqui. Quero que vocês leiam este danado de livro bom e pronto”.
Evoé Baco!
Acabo de ler na internet um texto saborosíssimo do escritor Carneiro da Cunha para quem detesta carnaval. Ele dá até dicas de livros que você pode reservar para ler no período momesco. Achei muito engraçado o texto, pois eu também não sou muito carnavalesco agora. Já gostei muito, mas agora… Carnaval para mim é abrir umas cervejas de vez quando, no intervalo de TV, filmes e livros e, claro, sempre uma viajadinha na web.
Assim encontro coisas interessantes como uma cantora-mirim chamada Malu Magalhães, que, estranhamente, muita gente detesta. A moça tem uma vozinha de criança, canta em inglês, gosta de Bob Dylan e sonha em ter filhos. Vi uma entrevista dela em que, claramente, sofria com o resultado de seu sucesso instantâneo.
Logo em seguida vi uma matéria sobre um sítio na internet que tem teatro ao vivo. Chama-se Teatro Para Alguém e é uma maravilha, meus amigos! Meu computador é lento, mas mesmo assim dá para ter um gostinho da experiência. Preciso comprar um mais turbinado para poder ver essas coisas em tempo real. À noite vi A Dama de Shangai, de Orson Welles e corri para a biografia do homem para saber por que o filme ficou tão ruim. Ah, lá estavam as explicações: o estúdio cortou 20% do filme e trocou a trilha sonora original. Tá explicado. Mesmo assim tem momentos de gênio.
Agora, como diz o velho e bom Chaves, sem querer querendo, vou esnobar o grande Jairo Lima. Reservei para o carnaval uma leitura do Fausto de Goethe, acompanhando cada capítulo com os comentários do livro Deus e o Diabo no Fausto de Goethe, de Haroldo de Campos. Mas sei que ele vai dizer que está reservando algo do mesmo naipe no original, puxa, Jairo, abre uma cerveja aí meu compadre.
Termino esse bate papo torcendo por todos os meus orixás que este pilantra, ladrão de galinhas e consumado mau caráter José Roberto Arruda, passe, pelo menos, o carnaval no xilindró. Axé, meu rei!
Cuba
O livro de Samarone Lima é tão bom que estou preparando um comentário mais extenso para minha coluna da Tribuna do Norte, da quarta-feira de cinzas. Leiam este livro, meus caros esquerdistas e direitistas.
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Carlão, também li e escrevi um post (“Viagem ao Inferno” – aqui) sobre o livro de Samarone. Na semana passada recebi e-mail dele informando que virá lançar Viagem ao Crepúsculo em Natal. Estou aguardando novo contato com mais detalhes sobre o lançamento.
