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	<title>Substantivo Plural &#187; Carlos de Souza</title>
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	<description>Cultura, Idéias e Informação</description>
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		<title>Marginal</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 17:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava pensando em escrever alguma coisa sobre esse mundinho escroto dos encontros sociais literários e aí minha amiga Tetê Bezerra me mandou este e-mail aí embaixo. Realmente não quero fazer parte deste jogo de puxasaquismo que depois joga a gente no mais cruel ostracismo.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava pensando em escrever alguma coisa sobre esse mundinho escroto dos encontros sociais literários e aí minha amiga Tetê Bezerra me mandou este e-mail aí embaixo. Realmente não quero fazer parte deste jogo de puxasaquismo que depois joga a gente no mais cruel ostracismo.</p>
<p><a href="http://feriasnoinferno.wordpress.com/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Literatur</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 18:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Engraçado como as pessoas ficaram chateadas com meu comentário sobre Dostoiévski. Ali só estão umas dicas de leitura, não há nenhuma tentativa de análise profunda do mestre porque aquele foi um dia particularmente escroto em minha vida. Ainda vou falar de Dostoiésvki enquanto tiver saco de atualizar essa merda.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Engraçado como as pessoas ficaram chateadas com meu comentário sobre Dostoiévski. Ali só estão umas dicas de leitura, não há nenhuma tentativa de análise profunda do mestre porque aquele foi um dia particularmente escroto em minha vida. Ainda vou falar de Dostoiésvki enquanto tiver saco de atualizar essa merda.</p>
<p><a href="http://feriasnoinferno.wordpress.com/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Dostoiévski</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 22:22:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Dostoievski]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda não encontrei uma biografia satisfatória do mestre de São  Petersburgo. Tenho alguns esboços, mas nada ainda que me satisfaça.  Então comprei na Estante Virtual o livro homônimo de Coetzee sobre  Dostoiévski e comecei a ler ontem.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda não encontrei uma biografia satisfatória do mestre de São  Petersburgo. Tenho alguns esboços, mas nada ainda que me satisfaça.  Então comprei na Estante Virtual o livro homônimo de Coetzee sobre  Dostoiévski e comecei a ler ontem.</p>
<p><a href="http://feriasnoinferno.wordpress.com/2010/08/11/dostoievski/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Blogosfera</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 17:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Vilar tem razão. É preciso ter muita paciência com esse negócio de atualizar blog. Eu descobri esse troço nos intervalos de tédio entre um texto e outro de uma campanha política, entre um cafezinho e outro, alguns preferem entre um cigarro e outro.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Vilar tem razão. É preciso ter muita paciência com esse negócio de atualizar blog. Eu descobri esse troço nos intervalos de tédio entre um texto e outro de uma campanha política, entre um cafezinho e outro, alguns preferem entre um cigarro e outro.</p>
<p><a href="http://feriasnoinferno.wordpress.com/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>Poesia e literatura estilo bicho grilo</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 11:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Demétrio Diniz]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse meu amigo Demétrio é um doido mesmo. Quando ninguém mais topa escrever esse negócio de poemas, ele vai e lança mais um livro. Beleza Distante, de Demétrio Diniz, Editora Barriguda, 83 páginas, sem preço definido é um daqueles livros que vem no mesmo ritmo da poesia que Demétrio vem fazendo e presenteando a todos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse meu amigo Demétrio é um doido mesmo. Quando ninguém mais topa escrever esse negócio de poemas, ele vai e lança mais um livro. Beleza Distante, de Demétrio Diniz, Editora Barriguda, 83 páginas, sem preço definido é um daqueles livros que vem no mesmo ritmo da poesia que Demétrio vem fazendo e presenteando a todos, sai ano entra ano. É um cara incorrigível, boa prosa, boa praça, andarilho do mundo, amante das mulheres belas, bom copo e etecétera e tal.</p>
<p><span id="more-20434"></span>Mas Demétrio escreve gostoso, com sabor de sertão e mato molhado. Agora ele vem eivado de lembranças, “rangidos de dobradiça” assustando sua alma. Cabra bom, apreciador da beleza feminina: “Em Alexandria havia uma prostituta tão bonita”. Ê poeta, quantas vezes não me veio uma frase como essa no meio de um copo de cerveja bem gelada. Só fazia trocar o nome da cidade, Areia Branca, pronto, e as lembranças da puberdade vão chegando com força. Gosto de ler Demétrio por isso. E olha que hoje em dia só me ocupo de ler poetas antigos, clássicos, mortos.</p>
<p>Então lá vai Demétrio lembrando as brincadeiras de criança que não podia ver: “Nunca pude ver o bumba-meu-boi”. O poeta às vezes é bem singelo e fala de imagens que ficaram na memória, “não vi Francisquinha”. Nem eu meu poeta. Vou folheando essa Beleza Distante e colho versos como quem colhe flores para compor um ramo. “Nenhum navio ocupou por muito tempo o meu deserto”. Fico lembrando a imagem daquele navio ancorado na praia no filme Terra Estrangeira.</p>
<p>No mais, a poesia de Demétrio é esse mergulhar nas lembranças. Tem sempre aqui e ali um verso que nos abre os olhos para o passado. É um passado que só pertence a ele, mas que nos apropriamos ao ler suas páginas. Tem gente que às vezes me pergunta, para que serve a poesia? E eu respondo na bucha, para nada. Mas como é bom viver com ela. Como essa coisa estranha adoça nossos dias e nos faz esquecer a dureza do cotidiano e a certeza da velha morte, rilhando os dentes para nós o tempo todo. “Teria evitado as pequenas úlceras que me roubam o sono?”</p>
<p>Às vezes, o poeta nos pega com um verso a queima roupa: “Meu pai tinha 83 anos quando lhe dei de presente um chapéu de massa”. E aí a gente sabe o que vem pela frente. Nossa difícil, e ao mesmo tempo maravilhosa, relação com este homem que vai nos amar a vida inteira e também nos assustar com sua inteireza. Demétrio sabe falar bem dessa coisa misteriosa e assustadora que é a velhice nossa e dos outros. “Preciso de uma fotografia para me reconhecer”. Pois bem, deixo vocês com Demétrio, ele conversa melhor do que eu.</p>
<p>Outro livro que vou comentar hoje é um livro-objeto que Abimael Silva está lançando. Trata-se de Quase Nada para Escrever, de Walter Won Berbe, Edição Sebo Vermelho, (não tem o número de páginas nem eu vou contar página por página), sem preço definido. É um livro póstumo e, como o autor já faleceu, vou me dar o direito de não fazer qualquer juízo crítico. Só sei que é um livro impresso da mesma forma como foi escrito: na máquina de escrever, à mão e com muitas colagens de coisas que o escritor foi juntando no decorrer da escritura. É também um livro datado, bem no estilo geração anos 60, hippie, esotérico e coisa e tal. Encontrei uma porrada de erros de revisão, mas era assim que o autor queria que fosse e o velho e bom Abimael obedeceu.</p>
<p>Tenho certeza que este livro vai fazer a delícia de todos os amigos, parentes e todas as pessoas que conviveram com o cara, não tenho dúvida. Algumas páginas parecem obras de artes plásticas, pois o autor pintou sobre as letras e não dá para ler o que tem embaixo. Para vocês terem uma ideia do que estou tentando falar, vou transcrever aqui um trecho do livro que vem logo após uma página com uma folha de papel higiênico colado e dobrado em que se lê: “My song is far way…”. Então lá vai. “A tarde turva, tudo turvo. Se pelo menos um disco valesse? Mas de que vale tudo? Esse dinheiro que nos escraviza? Vale algo? Volto a escrever hoje, num dia triste e sem brilho, um dia sem dia.”</p>
<p>Pois bem. Ontem li um cara que tentava mostrar o quanto é inútil o ofício de escrever. Escritor não é profissão. Ninguém vive disso, só Paulo Coelho e uns três ou quatro mais. As pessoas escrevem para poder botar fora suas dores. Aí escrevem diários, blogs, livros de memórias, livros de poesia, livros, livros, livros. Se soubessem tocar algum instrumento musical, era o que fariam. Mas não sabem, então escrevem. Pouca gente vai atingir o patamar de um João Guimarães Rosa ou Carlos Drummond de Andrade. Pouca gente vai chegar perto de um Mozart ou Miles Davis. Mas… Quem se importa?</p>
<p><em>Publicado na Tribuna do Norte.</em></p>
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		<title>Escritores, bah!</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 20:10:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Outra coisa que está enchendo meu saco é ler autor local, puta que pariu, não aguento mais. Mas não digam a eles, porque eu quero lançar um livro ainda este ano e eles vão cair de pau, eu sei.
aqui
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Outra coisa que está enchendo meu saco é ler autor local, puta que pariu, não aguento mais. Mas não digam a eles, porque eu quero lançar um livro ainda este ano e eles vão cair de pau, eu sei.</p>
<p><a href="http://feriasnoinferno.wordpress.com/" target="_blank">aqui</a></p>
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		<title>História do mundo e gnosticismo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 12:36:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Carlos de Sousa]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois livros vêm tomando o meu tempo nos últimos dias, mas juro que isso não está sendo nada penoso. O primeiro é A Grande História – Do Big Bang aos Dias de Hoje, de Cyntia Stokes Brown, Civilização Brasileira, 420 páginas R$54,90 (no site da Livraria Cultura sai 10 paus mais barato). Parece que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dois livros vêm tomando o meu tempo nos últimos dias, mas juro que isso não está sendo nada penoso. O primeiro é A Grande História – Do Big Bang aos Dias de Hoje, de Cyntia Stokes Brown, Civilização Brasileira, 420 páginas R$54,90 (no site da Livraria Cultura sai 10 paus mais barato). Parece que o livro faz parte de um gênero que vem chamando muita a atenção dos leitores nos últimos tempos. Primeiro foi Marcelo Gleiser explicando a não simetria do universo. Navegando pela Web, vi um tal Do Big Bang ao Universo Eterno, de Mario Novello, Jorge Zahar, 132 páginas, R$28,00 (no site da Cultura sai por 22 pilas). Isso está virando moda, cara.</p>
<p><span id="more-20250"></span>Mas vamos ao livro. A proposta, como está bem claro no título, é contar a história, não apenas da humanidade, mas a partir do nascimento do universo. A ciência chegou ao ponto de poder explicar um monte de coisas sobre o assunto, mesmo não tendo respostas definitivas para tudo. Na semana passada um satélite fotografou todo o céu visível. Sabe lá o que é isso? Eu digo. É meio assustador, e para quem não tem uma boa religião para se segurar, é vertiginoso, meu irmão. O livro de Cyntia Stokes vai ao ponto e conta o nascimento do nosso universo e avisa, pode existir mais outros universos. Marcelo Gleiser fala de multiversos. Depois ela se debruça sobre a história do planeta Terra, a vida e depois a chegada do homem.</p>
<p>É fascinante ler sobre isso. Estamos por aqui há pelo menos alguns 7 milhões de anos. Beleza, né? Mas as grandes religiões só surgiram, todas quase ao mesmo tempo, há uns meros dois mil anos, com o surgimento das grandes aglomerações humanas, as cidades. O livro vai percorrendo pacientemente nossa trajetória até que começamos a andar e a fazer guerra. Stokes Brown diz que civilização não é sinônimo de felicidade. Pelo contrário, é sinônimo de guerra e atrocidades e Israel, Afeganistão, Irã e Iraque, com a bênção dos EUA estão aí para provar.</p>
<p>Ela só escorrega um pouco na maionese quando se detém na história mais próxima. Por exemplo, acredita piamente que Cabral chegou aqui por acaso. Aliás, ela cuida muito pouco do Brasil. Sua maior preocupação é África e Eurásia. Depois pula para a América Latina de língua espanhola e América do Norte. Nós não temos história, ao que parece.</p>
<p>O outro livro é Um Obscuro Encanto – Gnose, Gnosticismo e Poesia, de Claudio Willer, Civilização Brasileira, 462 páginas, R$59,90 (dez reais a menos na Cultura). Este é o tipo do livro para quem gosta de poesia. Principalmente a poesia dos malditos Blake, Novalis, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont e dos mais bonzinhos Pessoa, Goethe e Victor Hugo. O autor defende que estes mestres da literatura tinham grande afinidade com o gnosticismo, que é um “movimento de caráter filosófico-religioso, iniciado em meados do primeiro século de nossa era. Seu nome deriva do termo grego gnôsis, que significa saber, conhecimento. Podemos compreender o gnosticismo como um conjunto de doutrinas que pretende alcançar a redenção através de um conhecimento de Deus, do universo e da finalidade da vida humana. Tal conhecimento, contudo, passa eminentemente pela via da revelação mística e extática, antes de possuir caráter especulativo. Os maiores representantes do gnosticismo são Simão Mago, Menandro, Saturnilo, Marcião, Valentim, Basílides, Carpócrates e Bandesanes”.</p>
<p>O capítulo que mais me prendeu à leitura deste livro foi o que fala sobre o poeta William Blake, considerado louco por seus contemporâneos, o homem estava longe de merecer um hospício. Muito pelo contrário, era lúcido demais para sua época e, realmente, muito do que ele escreve e parece obscuro na primeira leitura, pode ser bem explicado quando se conhece textos gnósticos. Blake criou uma mitologia própria e seus versos sem rima são de tirar o fôlego.</p>
<p>Outra coisa que me chamou bastante a atenção neste livro foi que muita coisa que a gente ouve de Raul Seixas, e talvez os livros de Paulo Coelho, estão lá nos textos gnósticos. Principalmente em músicas como Gitã ou aquela do trem. Raul Seixas, com certeza, leu essas coisas. Nunca li Paulo Coelho, mas algo me diz que ele segue o mesmo caminho e aí estaria a razão de seu sucesso estrondoso no mundo inteiro.</p>
<p>Para compensar essa não leitura do Mago, resolvi ler o resto do livro ao som do grande Raul e olha que isso me deu um prazer imenso, compadre. Toca Raul! O livro de Claudio Willer é fruto de um cuidadoso estudo acadêmico, e pode ter certeza, não tem aquele ranço de teses acadêmicas. É muito bem escrito e a leitura flui como a de um bom romance. De quebra, o leitor tem uma farta informação sobre religião e escritos apócrifos. Vocês sabem, né? Escritos apócrifos são aqueles que não foram aceitos pela Igreja Católica no decorrer dos tempos. Coisas que podiam ameaçar seu poder e hegemonia. O escritor argentino Jorge Luís Borges adorava ler apócrifos.</p>
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		<title>Um romance que surgiu na repartição</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 18:05:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[flip]]></category>

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		<description><![CDATA[A um mês de sua oitava edição, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip, que vai de 4 a 8 de agosto) já está vendendo bem os ingressos para este ano. Das 21 atividades da programação principal da Flip – 19 mesas, conferência e show de abertura -, 18 tiveram todos os ingressos da Tenda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Salman_Rushdie.jpg"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-20101" title="Salman_Rushdie" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Salman_Rushdie-97x150.jpg" alt="" width="97" height="150" /></a>A um mês de sua oitava edição, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip, que vai de 4 a 8 de agosto) já está vendendo bem os ingressos para este ano. Das 21 atividades da programação principal da Flip – 19 mesas, conferência e show de abertura -, 18 tiveram todos os ingressos da Tenda dos Autores comprados pelo público. Até agora, já foram mais de 24 mil entradas vendidas, via internet, telefone e pontos de venda. O fluxo de compras foi tão intenso que, em menos de 30 minutos de vendas, já estavam esgotados os ingressos na Tenda dos Autores para as mesas do Lou Reed (o músico, que ia lançar seu livro Atravessar o Fogo, pela Companhia das Letras, cancelou sua participação), Isabel Allende, Robert Crumb e Salman Rushdie. Além das estrelas internacionais, os brasileiros também tiveram sucesso de público, com destaque especial para o poeta Ferreira Gullar que teve todos os ingressos de sua mesa, na Tenda dos Autores, comprados no primeiro dia de vendas.</p>
<p><span id="more-20100"></span>As entradas para a palestra de Lou Reed (o músico vai ser substituído) e da escritora chilena Isabel Allende já estavam todas vendidas, também para a Tenda do Telão. Esgotaram-se, também, os convites para a mesa do Robert Crumb e Gilbert Shelton, na Tenda do Telão. E ainda dizem que livro não é rentável no Brasil. Aqui na nossa querida e ensolarada Natal ninguém quer investir em livros. Pois bem, vamos em frente. Vou comentar hoje o livro A Senhora 2 e o Senhor 2, de Tião Carneiro, Editora Livro Novo, 539 páginas, sem preço definido. À primeira vista o livro espanta, é um tijolaço, capa preta, de autor local. O leitor vai entrando aos poucos no jogo proposto pelo autor. Primeiro fica sabendo de sua motivação para levar a cabo tal empreitada: uma colega de trabalho lia suas crônicas e o incentivou a escrever um romance. Em seguida vem um prefácio do jornalista Vicente Serejo, que com sua costumeira erudição, analisa o gênero romance a partir das premissas do crítico Georg Lukács.</p>
<p>Depois o leitor respira fundo e aponta a proa de sua navegação para o mar de palavras que se inicia. O livro é escrito em forma de diário e seu enredo é simples e confuso ao mesmo tempo. Um sedutor, universitário, cambista do jogo de bicho, passa os dias a filosofar sobre o comportamento humano e assegura que tudo tem o lado “dois”, embora os eventos aconteçam entre as extremidades. Ele é convidado a participar de uma campanha política em que acontece um crime. Então é criada uma CPI para investigar a questão do “dois”. Na presidência, o senador Rui Ramos e na relatoria, o senador Graciliano Barbosa.</p>
<p>O leitor arguto já notou as homenagens ao jurista Rui Barbosa e ao escritor Graciliano Ramos. E Tião Barbosa é generoso em suas pistas literárias. Estranhamente navegando ao contrário da maré literária do momento, que privilegia o texto curto, ele prefere as caudalosas águas da literatura nos moldes do romance clássico. Não vou dar juízo de valor aqui, não me interessa dizer se seu romance é bom ou ruim. Interessa mais dizer que ele é audacioso e tem uma grande ânsia de falar, de se comunicar. O fato é que o autor dá preferência ao coloquial, deixando quase sempre de lado a forma culta do idioma, a não ser quando sai dos diálogos e se interna no universo do narrador.</p>
<p>Mas como eu ia dizendo, a tendência do romance hoje no mundo é a síntese. Stendhal e Dostoievski já não são modelos nos tamanhos dos textos, mas apenas nos temas. Vejam o exemplo do escritor sul-africano J. M. Coetzee, Nobel de Literatura. Outro dia li o livro Ficção Brasileira Contemporânea, de Karl Erik Schollhammer, em que ele destaca essa tendência ao mini-conto, ao texto ligeiro, curto, objetivo. Curiosamente, em sua pesquisa não aparece nenhum ficcionista potiguar. Nordestinos, somente Ronaldo Correia de Brito, Francisco Dantas e Marcelino Freire.</p>
<p>Acho a iniciativa de Tião Car neiro das mais positivas. Todas as pessoas que sentem vontade de escrever um romance deveriam escrever um e tentar publicá-lo. Não há vergonha no erro e sim na covardia. Percorri páginas e páginas do romance de Tião Carneiro, pulando aqui e ali passagens que me foram enfadonhas, até chegar ao seu final, com o desenrolar da CPI. Como bem avisa Serejo no prefácio, o autor não quis escrever uma história, mas várias histórias dentro de uma. Este livro é assim, você vai acompanhando o desenrolar da trama e vai encontrando novas histórias no meio do caminho. Não estou fazendo comparações, mas lembra bem o leitor que Dom Quixote, de Cervantes, também é assim. São várias histórias dentro de uma.</p>
<p>No final, Tião Carneiro pede desculpas ao leitor pela “prosa xaropenta”, segundo ele, e diz ter lido Fortaleza dos Vencidos, de Nei Leandro de Castro. Natural de Estremoz, funcionário da Receita Federal, o autor decidiu escrever depois de incentivos de colegas de trabalho. Não creio que ele teve a intenção de fazer diferença na literatura potiguar ou de firmar seu nome para a Academia Norte-riograndense de Letras. Acredito mais que fez um jogo, uma brincadeira com as palavras, com o objetivo de divertir os amigos e seus prováveis leitores. Quer uma dica? Seja conciso, escreva sobre sua aldeia (Natal ou Estremoz) e seja universal. Vá em frente Tião!</p>
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		<title>Estado moderno</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:10:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil já viveu situação idêntica ao que está acontecendo hoje em Cuba. Brasil, ame-o ou deixo-o, lembram? Alguns dissidentes cubanos libertados pelo regime querem ficar em Cuba, onde estão as pessoas que eles amam. Mas o governo ditatorial do irmão de Fidel não permite. Cuba, ame-a ou deixe-a. Pois bem. No Irã não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil já viveu situação idêntica ao que está acontecendo hoje em Cuba. Brasil, ame-o ou deixo-o, lembram? Alguns dissidentes cubanos libertados pelo regime querem ficar em Cuba, onde estão as pessoas que eles amam. Mas o governo ditatorial do irmão de Fidel não permite. Cuba, ame-a ou deixe-a. Pois bem. <span id="more-19877"></span>No Irã não é permitido corte de cabelos moderninhos. Na França, mulheres muçulmanas não podem usar véus. No Brasil, o Governo quer uma lei para impedir palmadas nos filhos. Nunca o Estado invadiu tanto a vida privada dos cidadãos. Uma escola do Sul do país instalou câmeras nos banheiros. Ei, gente boa, vamos ler George Orwell de novo. O cenário geral é lúgubre, mas a argentina já permite casamento entre pessoas do mesmo sexo e cientistas já falam em liberalização da maconha, não apenas para doentes. Quem planta um pé de maconha em seu quintal quebra as pernas do traficante. Mas isso não interessa à máquina policial que ganha muito dinheiro no contato diário com traficantes e seu produto altamente rentável. A candidata Marina Silva disse que, se eleita (não será dessa vez), vai querer plebiscitos para decidir questões como essas e outras com o aborto. Se o país tiver cabeça para discutir essas coisas sem religião no meio e preconceito, a vida pode melhorar, meus caros. Enquanto isso, vamos tocando nossas vidinhas pacatas e de olho aberto para o perigo de um Estado totalitário em nossa porta. O projeto de Lula é ficar 50 anos no poder. Dilma Roussef é só um patamar para a realização deste projeto. Não está errado. Partido que se preza luta pelo poder. Não é o caso do PMDB, que é apenas um balcão de negócios para garantir cargos. Eleger José Serra é garantir a volta do neo-liberalismo e antipatia pelo Nordeste. Então, estamos ferrados. Mas sempre resta a esperança. Nos tempos de pós-ditadura eu e meus amigos chorávamos nos bares a cada vez que Lula perdia um debate. A gente queria mudança e conseguimos. Agora estamos feito boi na multidão. Eu tenho minha escolha e sei que é um bom caminho, mas não vou dar conselhos a ninguém. Cada um que escolha o seu rumo.  O Brasil vai conseguir dinheiro para construir belos estádios de futebol para a Copa, mas não tem dinheiro para escolas, hospitais e presídios eficientes. O Brasil vai construir um trem-bala para Rio e São Paulo, mas não cuida de uma rede ferroviária eficiente que resolveria o problema das estradas sobrecarregadas de caminhões e esburacadas. Este é o nosso Brasil. Vivemos nele e vamos deixá-lo para nossos filhos e netos. Se desmatarmos a Amazônia no ritmo atual, teremos o mesmo destino que civilizações como a dos incas, astecas e maias. Se continuarmos poluindo o Rio Potengi neste ritmo, fechando os olhos para a indústria do camarão, teremos uma resposta rápida da natureza com o fim do pescado e de uma iguaria como um caranguejo. Se dermos as costas para o Instituto de Neurociências, vamos pagar caro com o atraso e a ignorância. Tudo isso é política, meus caros, e como todos sabem o homem é um ser político.</p>
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		<title>Crítica</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É por essas e outras, caro Nelson, que eu sempre ressalvo em minhas resenhas que não sou crítico literário coisa nenhuma. Aqui em Natal quem critica ganha inimigos.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É por essas e outras, caro Nelson, que eu sempre ressalvo em minhas resenhas que não sou crítico literário coisa nenhuma. Aqui em Natal quem critica ganha inimigos.</p>
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		<title>Uns livros de Bakhtin</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 14:09:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crítica literária]]></category>

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		<description><![CDATA[Isso aqui não é crítica literária, longe de mim essa pretensão. Não sou crítico de coisa nenhuma. Sou um leitor insaciável, apenas isso. Então o que vou escrever aqui vai ser mais como uma conversa de botequim sobre um livro que eu li. Os 100 Primeiros Anos de Mikhail Bakhtin, de Caryl Emerson, Difel, 350 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Bakhtin.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-18981" title="Bakhtin" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Bakhtin.jpg" alt="" width="135" height="174" /></a>Isso aqui não é crítica literária, longe de mim essa pretensão. Não sou crítico de coisa nenhuma. Sou um leitor insaciável, apenas isso. Então o que vou escrever aqui vai ser mais como uma conversa de botequim sobre um livro que eu li. Os 100 Primeiros Anos de Mikhail Bakhtin, de Caryl Emerson, Difel, 350 páginas, 2003, é um desses livros para a gente guardar, ter sempre ali à mão na estante para qualquer dúvida.  Meu primeiro contato com Bakhtin (<em>foto</em>) foi na universidade, por ocasião de meu mestrado em Letras. <span id="more-18979"></span>A professora Ilza Matias indicou a leitura de Problemas na Poética de Dostoievski, de Bakhtin. Comprei o livro no dia seguinte na Cooperativa Cultural do Campus e comecei a ler o danado do livro. Primeiro levei para uma fila de banco para matar o tempo. Foi horrível. O livro era uma touceira de espinhos verbais. Saí todo arranhado daquele emaranhando de palavras e conceitos.  O tempo passou e eu voltei a ler o livro, desta vez sem a obrigação de produzir textos acadêmicos. Achei chato e repetitivo. Quando eu li o comentário de Caryl Emerson sobre a obra de maior sucesso de Bakhtin entre estudantes de Letras entendi por que não gostei tanto do livro. A teoria principal, a polifonia na obra de Dostoievski, não se sustenta. O discurso é uma visão filosófica e bastante pessoal de Bakhtin sobre um livro do mestre de São Petersburgo e não reflete necessariamente toda a poética de sua obra. Ah, agora sim. O livro da professora Caryl Emerson é um bálsamo para quem se propõe a ler a obra de Bakhtin. Aqui o homem aparece sob o peso da fama de seus livros. Um homem frágil, doente, com um eterno cigarro entre os dedos, muito criticado e incompreendido por seus pares. Um gênio obrigado a ser mero professor de província por causa da truculência do regime stalinista.  Coincidência ou não consegui, após algum tempo, adquirir um exemplar de Gargântua e Pantagruel, de Rabelais que li de um fôlego só numas férias que passei em Zumbi. Imediatamente procurei ler A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, de Bakhtin, em que ele trata da carnavalização na obra de Rabelais. Que livro fantástico! Cheio de informações, bem humorado e muito gostoso de ler. Sempre que quero ler algo sobre o assunto volto à sua leitura. Para encerrar quero deixar uma frase de Bakhtin: “O autor, quando está criando sua obra, não o faz pensando num literato e não pressupõe um entendimento acadêmico específico, ele não tem por objetivo criar um coletivo de literatos. Não está convidando os literatos para sua mesa”. Bem, era isso que eu queria falar sobre uns livros que li. Pede aí mais uma cerveja, camarada, e vamos falar de outra coisa.</p>
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		<title>Literatura contemporânea</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 17:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Leyla Perrone-Moisés]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem épocas nas nossas vidas em que sentimos a necessidade de uma depuração. Tempo de fazer um auto-de-fé, de eliminar o que é excessivo, o que não faz mais sentido. Quase sempre começo fazendo isso eliminando parte de minha biblioteca. Não quero envelhecer ostentando leituras na estante. Minha estante fica dentro de meu cérebro, no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/leyla-perrone.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-17900" title="leyla perrone" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/05/leyla-perrone-200x300.jpg" alt="" width="150" height="225" /></a>Tem épocas nas nossas vidas em que sentimos a necessidade de uma depuração. Tempo de fazer um auto-de-fé, de eliminar o que é excessivo, o que não faz mais sentido. Quase sempre começo fazendo isso eliminando parte de minha biblioteca. Não quero envelhecer ostentando leituras na estante. Minha estante fica dentro de meu cérebro, no pergaminho de minha alma.  Ficam apenas os livros que ainda servem para uma releitura ou servem de base para minha escritura. Por isso, periodicamente, passo a peneira na minha biblioteca. Foi assim que localizei o livro Altas Literaturas, de Leyla Perrone-Moisés (<em>foto</em>), Companhia das Letras, 238 páginas, 1998. Prestem bem atenção na data. É um livro que tem mais de 10 anos e mesmo assim não perdeu sua atualidade e pertinência. Primeiro o que me chamou a atenção de imediato foi o tema do livro. O costume de se fazer lista de melhores autores (muito comum aos meus colegas aqui do Substantivo Plural). <span id="more-17898"></span>A pertinência do livro é que essas listas destacadas pela professora Perrone-Moisés foram feitas por grandes nomes da literatura universal: Ezra Pound, T. S. Eliot, Jorge Luis Borges, Octavio Paz, Italo Calvino, Michel Butor, Haroldo de Campos e Philippe Sollers. Note que nem mesmo a lista da professora vai agradar a todos. Quem conhece Michel Butor e Philippe Sollers se não for da academia e fizer parte dos estudos universitários? Não importa, vamos adiante. Outra coisa curiosa que o livro oferece é uma tabela com os cânones dos escritores escolhidos por ela. E lá estão os autores consagrados de sempre, com poucas variações: Homero, Virgílio, Shakespeare, Dante e Cervantes formam a base do dream team da literatura. Chegando aos tempos modernos destacam-se Poe, Proust, Kafka, Joyce e Dostoiévski e alguns dos próprios autores das listas passam a figurar nelas, indicados pelos colegas, claro. O que podemos inferir disso? E os escritores que são mais caros a uns que a outros? Butor, Campos e Sollers destacam Baudelaire, Sousândrade e Rimbaud. Borges, Paz e Calvino destacam Sagas Nórdicas, Gôngora e Quevedo. E assim por diante, cada um chamando a atenção para seus gostos pessoais e suas culturas. Então não existe cânone universal, meus amigos. Existem cânones pessoais. Cada um lê o que quer. Se o camarada gosta de Paulo Coelho ou qualquer best seller, que seja assim. Cada um com seu prazer de leitura, ora bolas.  Mas deixando de lado as listas, outra coisa me impressionou na capacidade de análise de Perrone-Moisés. Primeiro, o puxão de orelhas que ela me deu por causa dos chamados estudos pós-colonialistas. Quase que eu mesmo embarco nessa canoa ao analisar o poeta caribenho Derek Walcott. O que me salvou, acho, foi que eu não deixei escapar o elo entre Walcott e Homero. Também não embarquei no canto da sereia do pós-modernismo, embora meu amigo Tácito Costa tenha avaliado meu livro Cachorro Magro como pós-moderno. Talvez ele tenha um pouco de razão, mas não era essa minha intenção. Tampouco considero Cachorro Magro um livro de poesia. Está mais para prosa em versos. Acho que consegui enganar um bocado de gente.  Para finalizar, fiquei bastante impressionado com a análise que Perrone-Moisés faz da literatura contemporânea. Desculpe, mas terei que citar:  “A literatura, que durante séculos ocupara um papel relevante na vida social, tornou-se cada vez menos importante. Na ‘sociedade do espetáculo’ (Guy Desbord), a escrita literária fica confinada a um espaço restrito na mídia, pelo fato de prestar pouco à espetacularização”. Em seguida, ela compara as grandes exposições de pintores e escultores do passado às exposições de obras dos escritores mortos. As primeiras, ricas e espetaculares e as segundas tímidas e sem público. Eu acrescentaria que obras de artes plásticas do passado custam fortunas, enquanto pintores vivos mal sobrevivem do que criam. Levando isso para o campo da literatura, teremos um quadro mais sombrio ainda e a professora não deixa isso passar. “Os novos escritores, afinados com os hábitos alimentícios deste fim de século, publicam livros light, para serem consumidos rapidamente. Na falta de idéias novas, muitos deles voltam a um classicismo acadêmico; glosam, citam , pasticham textos de escritores do passado; outros imitam  as formas da mídia, adotam temas de impacto e um estilo rápido e seco, concorrendo com as páginas policiais dos jornais ou, melhor, com os noticiários  ‘aqui e agora’; outros ainda, se comprazem na contemplação narcísica do ‘pequeno eu’ , sem pretender ou conseguir dar o salto proustiano para o universal”. Mais adiante ela conclui: “A literatura tornou-se um estado difícil, estreito, mortal”. Então fica a pergunta: Por que se escreve e se publica tanto no mundo inteiro? O que move essas pessoas, inclusive eu? Não tenho uma resposta pronta. Deixo a vocês essa responsabilidade. Quem vai vestir a carapuça. Quem vai dar uma resposta à altura? Não sei. Só sei que vou continuar escrevendo até morrer. Escrevendo e apagando grande parte do que escrevo. Mas escrevendo sempre.   Só não vou fazer parte de igrejinhas para agradar a um grupo. Não quero pertencer a clubes de escritores, academias de letras ou similares. Prefiro meu velho caminho à margem, mesmo sofrendo as dores do descaso, do menosprezo, do ostracismo. Isso traz também um tantinho de gozo, alegria e satisfação pessoal, não se enganem. Leio cada vez mais seletivamente e desprezo grande parte da tralha que surge todos os dias nas livrarias.  O livro da professora Perrone-Moisés foi um alerta importante para esses dias esfumaçados de ilusões fuleiras. Que se dane a glória provinciana. Que se dane o reconhecimento. Melhor seguir em frente, em paz com a minha consciência. Como disse recentemente em Natal o grande João Ubaldo Ribeiro, “quero ser lembrado como uma pessoa honesta”.</p>
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		<title>Cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 19:02:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se tiverem a oportunidade (está no Canal Brasil), não deixem de ver o documentário Santiago, de João Moreira Salles. É de arrepiar.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Se tiverem a oportunidade (está no Canal Brasil), não deixem de ver o documentário Santiago, de João Moreira Salles. É de arrepiar.</p>
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		<title>A força da literatura na terra de Poti</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 18:50:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recebi o seguinte e-mail:
“Prezado Carlos. Como leitor assíduo e apreciador da sua coluna, tenho a satisfação de convidá-lo para a posse dos novos integrantes do Conselho Administrativo da Cooperativa Cultural/UFRN, recentemente eleitos. Trata-se de um evento simples que será realizado na segunda-feira, 19/4/10, às 18:00, na Galeria do NAC/UFRN. Na ocasião será lançado o livro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi o seguinte e-mail:</p>
<p>“Prezado Carlos. Como leitor assíduo e apreciador da sua coluna, tenho a satisfação de convidá-lo para a posse dos novos integrantes do Conselho Administrativo da Cooperativa Cultural/UFRN, recentemente eleitos. Trata-se de um evento simples que será realizado na segunda-feira, 19/4/10, às 18:00, na Galeria do NAC/UFRN. Na ocasião será lançado o livro Cultura e Pensamento Complexo, de Maria da Conceição de Almeida e Edgard Carvalho e haverá uma apresentação do Quarteto de Clarinetes, da Escola de Música/UFRN.</p>
<p>Gostaria de salientar que, uma das nossas primeiras providências foi autorizar a assinatura da Tribuna do Norte, por conta do Caderno Viver, em particular da sua coluna de livros. Não tenho dúvida de que você educa e forma leitores. Por isso, foi feita uma recomendação expressa aos vendedores da loja da Cooperativa para que fizessem a leitura semanal da sua importante coluna.</p>
<p>Cordialmente,</p>
<p>Willington Germano, Presidente eleito”.</p>
<p>**********</p>
<p>Pois é, mas tem gente que não dá o devido valor.</p>
<p>Isso é uma regra geral na província, portanto vejamos. Esmeralda – Crime no Santuário do Lima, de François Silvestre, Editora Casa de Bakunin, 249 páginas, sem preço definido. Logo ao olhar para a orelha do livro, o leitor atento vai notar algo curioso. Não há uma sinopse do livro com uma breve biografia do autor e foto no final. Não. Há um poema em que o autor destila uma explícita mágoa com os chamados “poetas e gênios da cidade”. Ele diz, “eu não sou nada” e pede leitores para seu livro. Isso soa bastante irônico, porque este livro coloca definitivamente François Silvestre entre os grandes romancistas deste pobre rincão tão longe do eixo Rio-São Paulo. Para rivalizar com ele só mesmo Nei Leandro de Castro.</p>
<p><span id="more-16832"></span>Quando abri as primeiras páginas do livro e li, já na apresentação, aquela dedicatória a uma mãe adotiva, aquele exemplar típico e raro de babá de antigamente, senti que estava voltando ao meu próprio passado. Primeiro o leitor tem uma informação histórica sobre o surgimento do santuário. Depois, ao ler as primeiras palavras, sua descrição dos costumes ciganos, não vai mais parar de ler.</p>
<p>O romance conta a história de um crime, mas também é a história da religiosidade nordestina, sua gente e seus costumes. Qual o sertanejo que já não sonhou fazer ou fez a peregrinação ao Santuário da Serra do Lima? O leitor vai percorrendo a trajetória desta cigana Esmeralda como se estivesse em transe. Terra em transe. Pelas tantas, vemos uma homenagem de um grande escritor a outros grandes. “Se o Poeta Lula Capeta a visse, diria certamente: ‘Você é simpática’. Já Nei Escriba Maior, com certeza lhe abufelaria os peitos”. Um leitor do centro-sul passaria batido, com certeza.</p>
<p>A partir daqui o leitor será apresentado aos mais pitorescos personagens que nossa literatura já viu, só alcançado nas alturas de Ariano Suassuna e seu olhar atento aos terreiros e feiras do Nordeste brasileiro. Não, meus amigos, François Silvestre não é este “Escritor pequeno – de insignificante literatura” – que ele descreveu na orelha do livro. Aqui estamos com um mestre sabedor de seu ofício.</p>
<p>Tomé Imburana é introduzido ao tablado das letras. Depois Juvenal Faquista; padre Orico, de origem alemã; Isaurinha e Tião Bindá; todos os personagens vão sendo perfilados ao redor da tragédia. Então ocorre o crime e o leitor vai ficando cada vez mais enredado na leitura, querendo desvendar o mistério, que é devendado senão no final, e eu não vou contar aqui, quando somos apresentados a mais um personagem, um sinistro personagem que você só vai conhecer se ler o livro, visse?</p>
<p>François Silvestre não deixa de seguir uma tradição na literatura potiguar, que é a de misturar personagens fictícios com pessoas reais, lugares reais, acontecimentos reais. Isso entontece o leitor e o deixa mais curioso ainda. Será que foi verdade mesmo? Este é o grande trunfo dos que sabem manejar as palavras escritas. Acho que as grandes editoras do sul do país estão dando um monumental cochilo ao não perceberem a existência de um escritor de tal naipe.</p>
<p>Posso até tentar explicar. Com o avanço da tecnologia, hoje, qualquer Zé Mané lança um livro. Em Natal, tem lançamento de livro quase toda semana do ano. Ao ponto de um amigo meu comentar que seu orçamento já não agüenta mais para ele ir a tanto lançamento.</p>
<p>Como separar o joio do trigo? Acho que as pessoas devem continuar escrevendo e lançando o maior número possível de livros. Os que são ruins, vão desaparecer na poeira dos dias, mas os realmente bons permanecerão. Alguns até vão galgar as alturas do Olimpo literário nacional, quem sabe. A vida continua e ninguém morre por isso. Agora, que François tem razão em seus versos, tem: “Vento cruel, apagador de vaidades./Ao soprar nos becos os restos mortais dos/poetas e gênios da Cidade”.</p>
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		<title>Kinema</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Apr 2010 14:24:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Glauber]]></category>

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Estava sem vontade escrever. Achando tudo uma chatice sem fim, uma mesmice de lascar. Mas ontem o Canal Brasil exibiu uma cópia novinha de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Um arrepio passou pelo meu corpo como uma descarga elétrica, e a vontade de escrever voltou com força total. De [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/deus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16728" title="deus" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/deus.jpg" alt="" width="397" height="288" /></a></p>
<p>Estava sem vontade escrever. Achando tudo uma chatice sem fim, uma mesmice de lascar. Mas ontem o Canal Brasil exibiu uma cópia novinha de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Um arrepio passou pelo meu corpo como uma descarga elétrica, e a vontade de escrever voltou com força total. De repente retomei todos os meus textos que estavam parados a meio do caminho, esperando por um olhar carinhoso de seu autor. Toda obra de arte tem essa capacidade redentora.</p>
<p><span id="more-16726"></span>Fui no site Tempo Glauber e li lá: “O argumento de Deus e o Diabo na Terra do Sol é uma síntese de fatos e personagens históricos concretos (o cangaço e o mandonismo local dos coronéis no Nordeste, o beatismo ou misticismo de base milenarista, a literatura de Cordel, Lampião e Corisco, Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, Antônio Conselheiro e Antônio Pernambucano (jagunço ou assassino de encomenda de Vitória da Conquista).”</p>
<p>É sim, é tudo isso aí, mas é também Pedra Bonita, de Zé Lins do Rego. É neo-realismo italiano, é faroeste espaguete, de Sérgio Leoni. E principalmente Pasolini, de Teorema, na cena final em que Manoel e Rosa correm pelo sertão, pelo deserto da caatinga.</p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/deus-3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-16730" title="deus 3" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/deus-3-194x300.jpg" alt="" width="149" height="231" /></a>Deus e o Diabo na Terra do Sol é também a mistura do misticismo caboclo de Glauber Rocha, misto de protestantismo e catolicismo. É a linguagem do barroco baiano, dos sermões de Padre Vieira, da poética do próprio Glauber. Fundamentalmente é alegoria como a explica Walter Benjamin no Origem do Drama Barroco Alemão, ou Octavio Paz sobre Soror Juana Inez de La Cruz. Principalmente é cordel das feiras do Nordeste.</p>
<p>Assistir a Deus e o Diabo é uma experiência artística única. Tudo é estetizado a partir da realidade. No mundo de Glauber tudo é real e ao mesmo tempo é imaginário. As cenas de violência são claramente falseadas. Você vê que o ator apenas simula o gesto. Não há compromisso com o realismo do cinema. Tudo é teatralizado. Aliás, desconfio que as marcações para a movimentação dos atores tem muito de Brecht. No entanto é tudo tão real!</p>
<p>Quem vê Deus e o Diabo pela primeira vez, acha que nada tem pé nem cabeça. Há essa sensação de que o diretor foi criando as cenas no próprio set de filmagens, sem o auxílio de um roteiro forte. Ledo engano: o roteiro está ali o tempo todo determinando as linhas gerais do enredo. Mas não se pode descartar a criatividade no momento da feitura das cenas. Tem muito caco ali, mas caco de qualidade, toques de gênio.</p>
<p>Vejam o que diz o próprio Glauber:  &#8220;Eu parti do texto poético. A origem de Deus e o diabo é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história que é de verdade e de imaginação, ou então que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente.”</p>
<p>O filme de Glauber Rocha é arte pura, instigante, inquietante. Nunca  mais se fez algo igual no Brasil e nem precisa. O cinema brasileiro aprendeu muito nos últimos tempos e fez coisas como Baile Perfumado ou Cinema, Aspirina e Urubus.</p>
<p>Agradeço a Glauber por mais uma vez abrir meus olhos para a vida.</p>
<p><a href="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/deus-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-16729" title="deus 2" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/deus-2-510x387.jpg" alt="" width="438" height="331" /></a></p>
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		<title>Diário de bordo</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Mar 2010 19:22:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que prazer imenso ver Jarbas Martins aqui no SP. Eu vi Jarbas repetindo o nome de Nina Rizzi como quem repete um mantra.  Lá no Beco da Lama. Puxa, como eu tenho saudade de Natal quando estou fora. Quando chegar aí a primeira coisa que eu vou fazer é tomar cinco cervejas no bar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que prazer imenso ver Jarbas Martins aqui no SP. Eu vi Jarbas repetindo o nome de Nina Rizzi como quem repete um mantra.  Lá no Beco da Lama. Puxa, como eu tenho saudade de Natal quando estou fora. Quando chegar aí a primeira coisa que eu vou fazer é tomar cinco cervejas no bar de Nazaré. Sampa é linda e feia. No final da tarde chove, ontem foi um temporal mesmo, com raios e trovões, hoje não. Eu vejo pessoas passando na rua e ninguém olha direto nos olhos, cara. São ilhas de solidão. Algumas parecem cópias de pessoas que eu já vi e amei. Ontem vi Niza atravessando uma faixa de pedestres. Porra, que saudade! O que nos resta é um pouco de música. E este site maluco que abre espaço pra todo tipo de coisa boa e besteira também. Pois é.</p>
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		<title>Politikon</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 20:31:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[O que ninguém quer discutir é que se Rosalba Ciarlini for a grande vitoriosa, como ela e seus apaniguados pensam, esse estado vai virar um imenso semi-árido, no pior sentido.  Existe opção melhor, eu sei. Não vou dizer o nome para não ser fariseu. Até a abelhinha com seus frufrus sabe disso. Rosalba posa de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-15848" title="rosalba" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/rosalba-218x300.jpg" alt="" width="116" height="160" />O que ninguém quer discutir é que se Rosalba Ciarlini for a grande vitoriosa, como ela e seus apaniguados pensam, esse estado vai virar um imenso semi-árido, no pior sentido.  Existe opção melhor, eu sei. Não vou dizer o nome para não ser fariseu. Até a abelhinha com seus frufrus sabe disso. Rosalba posa de governadora em férias. Eu já vi esse filme. Pois bem. Deixa pra lá. Nevermind. Ouvir Fagner em Ave Noturna é como ouvir Lirinha do Cordel do Fogo Encantado.  Turbinado. Ouvir Gil nos velhos discos dos anos 80 e 90 é entrar de cara na modernidade, contemporaneidade. Shakespeare é matriz copiadora. Kafka é o sorriso no canto dos lábios. Esses bostas de Natal não ultrapassam as lagoas de Parnamirim e Macaiba. Tá bom.</p>
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		<title>Viagem</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 14:47:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<category><![CDATA[são paulo]]></category>
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		<description><![CDATA[Estou em Sampa. Quintana disse que viajar é mudar a paisagem do tédio. Ele tinha razão. Tem razão. Ontem bebi num bar aqui na esquina do apartamento de minha amiga Verônica, namorada de meu querido amigo e irmão Dião.  Ser amigo não é só dizer que é. É um jeito de ser.  No taxi, nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-15834" title="consolação -sp - bairro" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/consolação-sp-bairro-228x300.jpg" alt="" width="228" height="300" />Estou em Sampa. Quintana disse que viajar é mudar a paisagem do tédio. Ele tinha razão. Tem razão. Ontem bebi num bar aqui na esquina do apartamento de minha amiga Verônica, namorada de meu querido amigo e irmão Dião.  Ser amigo não é só dizer que é. É um jeito de ser.  No taxi, nas ruas, nas bancas de jornais, só se fala na menina Nardoni. Eu não digo nada. Mas meu olhar fica turvo. Criança é coisa frágil. Penso em  meu neto Vinicius, filho de Constância, tomando banho numa piscininha de plástico no quintal lá de casa em Pium. Criança é coisa para se cuidar. Penso na hipocrisia das pessoas. Penso na maldade. Pessoas matam por ciúme, cara. Pessoas matam por qualquer coisa. Na madrugada, sem sono, liguei a TV e lá estava mais um filme sobre o genocídio em Ruanda. Não aguento  mais ver corpos boiando em rios. Não suporto a companhia de seres humanos em geral. Só consigo viver com pessoas boas como Tácito, Jairo, Dião. Adorei ter conhecido Samarone, menino bom, honesto, verdadeiro. Detesto esses comunistas de merda. Fidel e os amigos dele são ditadores, porra! Chineses do partido comunista chinês são ditadores, porra! da Coréia, da Venezuela, da puta que os pariu! São ditadores, Porra! Não tenho mais paciência. Só escuto Chico Buarque porque é gênio. Se não eu parava de ouvir por causa da hipocrisia dele.  Quem compactua com ditadores fica parecido com eles. Dilma Roussef é estalinista, seus merdas. Zé Serra é filhote da ditadura, seus merdas. Para onde vamos? Para o PV de minha querida Marina Silva, que tem como aliados Micarlinha e Zé Agripino? Minha simpatia pelo PV morreu com Gabeira e a linda bandeira da cannabis sativa. Não acredito em quem quer acabar com a diversidade brasileira, nossa mania de miscigenar, não aceitar patrões, ser livres, como dizia o mestre pernambucano. Amo pessoas como Gilberto Freire e Darcy Ribeiro. Detesto pessoas boçais como&#8230;  Detesto 90% dos jornalistas. São boçais, metidos, bajuladores. Políticos são pagos para ser como são. Não precisamos ser como eles. Fagner canta Ave Noturna e eu já estou aqui morrendo de saudade de Pium, de  meu amigo Mossoró, de Aninha Guimarães, de Márcia Pinheiro, de Abimael. Saudade de Alex, lá em João Pessoa. São Paulo é feia e barulhenta, todos nós sabemos, por causa de Tom Zé. Mas tente ficar uma tarde nesta esquina&#8230; Às seis a igreja da Consolação toca sinos.  Melancolia igual a essa só na calçada da igreja de Areia Branca.   Ai, Caetano cantando numa esquina ali na frente, entre a São Luiz e a Ipiranga&#8230; êêêê São Paulo&#8230; O centro cultural Julio Prestes é a constatação de que somos pequenos. Meu Deus! Connheci uma pessoa que disse, Carlão vá ver o Parque Inhotim, em Minas Gerais.  Eu disse, sim, porque já havia visto na internet e monumentalidade. Arte contemporânea numa área imensa de preservação. Obras numa escala só conhecida por Guaraci Gabriel. Onde estão nossos artistas plásticos? Em telas pregadas na parede? sonhando em fazer vanguarda em 2010 quando Duchamp fez em 1920?</p>
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		<title>Poeta</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 12:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nina Rizzi além de linda, poeta de encher os olhos, é poeta de mão cheia e tradutora talentosa. Eu a conheci no Beco da Lama, rodeada de poetas.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nina Rizzi além de linda, poeta de encher os olhos, é poeta de mão cheia e tradutora talentosa. Eu a conheci no Beco da Lama, rodeada de poetas.</p>
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		<title>Nazismo</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 14:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A retirada de uma filha dos braços da mãe, só porque ela é cigana e estava lendo mãos no centro de uma grande cidade, é um ato nazista e de grande preconceito. Não podemos aceitar isso.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A retirada de uma filha dos braços da mãe, só porque ela é cigana e estava lendo mãos no centro de uma grande cidade, é um ato nazista e de grande preconceito. Não podemos aceitar isso.</p>
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		<title>Mulheres</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 13:13:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tácito, meu querido, as mulheres estão dando show de bola neste sítio. Um bom exemplo é este texto maravilhoso de Tânia e a participação de Edjane.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Tácito, meu querido, as mulheres estão dando show de bola neste sítio. Um bom exemplo é este texto maravilhoso de Tânia e a participação de Edjane.</p>
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		<title>Intolerância</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 13:07:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ditadura é ditadura. Não importa se é de direita ou de esquerda. O fato é que ditadores não suportam oposição, dissidência, pensamentos contrários, liberdade.
Abaixo a ditadura!
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ditadura é ditadura. Não importa se é de direita ou de esquerda. O fato é que ditadores não suportam oposição, dissidência, pensamentos contrários, liberdade.</p>
<p>Abaixo a ditadura!</p>
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		<title>Uma viagem pela Cuba de Fidel Castro</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 01:01:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Na semana passada eu disse o seguinte: “A primeira indicação de leitura de hoje é Viagem ao Crepúsculo, de Samarone Lima, Editora Casa das Musas, 231 páginas, R$30,00. Interessante livro de viagem que tem o sabor picante da reportagem. O autor é um jornalista e escritor cearense que vive em Recife com passagem por vários [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-14371" title="cuba - malecon" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/02/cuba-malecon.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Na semana passada eu disse o seguinte: “A primeira indicação de leitura de hoje é Viagem ao Crepúsculo, de Samarone Lima, Editora Casa das Musas, 231 páginas, R$30,00. Interessante livro de viagem que tem o sabor picante da reportagem. O autor é um jornalista e escritor cearense que vive em Recife com passagem por vários jornais e revistas de Pernambuco e São Paulo. Aqui ele embarca em uma viagem por uma Cuba que vive o apagar das luzes do governo de Fidel Castro e a triste continuação desta ditadura através do irmão Raúl Castro. É o tipo do livro que você começa a ler assim despretenciosamente numa parada de ônibus e não consegue mais parar. Aí você descobre que perdeu o ônibus e vai ficar na parada por uma boa hora inteira com medo de perder o próximo. Então você deixa para ler em casa e não dorme enquanto não termina. Olha, aqui está um relato corajoso sobre Cuba. Tudo que um cuecão comunista jamais vai gostar de ler. Aqui todas as mazelas da utopia comunista são mostradas sem piedade. Não se trata de chutar carrocho morto, mas de uma extrema piedade pelo valente povo cubano, que de tão entorpecido com a miséria e a violência do bloqueio econômico imposto pelos americanos, já não consegue vislumbrar uma saída. Quanto mais você lê, mais desolado vai ficando com a tragédia cubana. Não vou adiantar mais nada aqui. Quero que vocês leiam este danado de livro bom e pronto”.</p>
<p><span id="more-14370"></span>Tudo isso é verdade, mas este livro merece um comentário mais extenso. Samarone Lima viajou a Cuba como mochileiro. Ele queria ver o povo cubno de perto, o que jamais conseguiria se embarcasse naqueles roteiros turísticos programadinhos, com ônibus para passear e coisa e tal. Não, ele preferiu ficar na casa de um casal homossexual que hospeda pessoas para reforçar o magro orçamento. Depois de uns dias andando pelas ruas de Havana, ouvindo as pessoas e levando calote por causa de sua cara de estrangeiro, decidiu procurar outro lugar para ficar, porque o casal tentou aumentar o preço de sua diária.</p>
<p>A partir daí, quando ele se hospeda na casa de uma cubana amiga de estudantes brasileiros, é que começa a mergulhar fundo no cotidiano da ilha de Fidel. O povo cubano vive na miséria total. Essa história de que lá tem educação e saúde de qualidade é mentira, pura propaganda que o governo cubano consegue passar para admiradores do regime, como Frei Betto, que voltou de lá com um livro contando maravilhas do socialismo cubano.</p>
<p>O povo cubano vive sem liberdade de expressão (se você viveu os dias da ditadura militar no Brasil sabe um pouco do que estou falando), sem comida, sem o mínimo para uma vida decente, sem liberdade. É um povo corajoso, alegre, mas que não consegue se rebelar, porque Fidel Castro montou um sistema de vigilância e delação que ultrapassa qualquer noção de paranóia que você tenha conhecimento. Enfim, viver em Cuba é uma merda, menos para a elite que apóia o governo. O livro de Samarone mostra isso com uma leveza, uma clareza, um senso de humor que encanta o leitor. Sua opção de apenas ouvir e depois anotar, deixou seus interlocutores completamente à vontade para falar. Ele diz que não pretendeu fazer jornalismo, apenas um livro de viagem, mas é jornalismo puro, na sua forma mais inteligente.</p>
<p>Um dos momentos mais emocionantes do livro é quando ele conta que, um dia, estava andando pelas ruas de um bairro pobre, quando viu um ônibus de turistas parado. Os caras bem vestidos, com suas máquinas fotográficas de luxo, fotografavam as pessoas que, tristemente, procuravam esconder suas faces. Quando eu li isso, tive a certeza de que não quero ir a Cuba de jeito nenhum. Não vou viajar para ver a miséria alheia. O livro de Samarone para mim já é a viagem que não fiz. E olha que já li outros livros sobre Cuba e vi um documentário sensacional, não autorizado (acho que na GNT), que dá uma idéia do que é dito neste livro.</p>
<p>Eu tenho amigos que defendem com ardor o regime cubano. Eles sonham com uma revolução que prometeu felicidade ao povo. Outro dia li uma biografia do revolucionário francês Robespierre e fiquei muito ciente das boas intenções dos revolucionários. Robespierre sonhava com uma república perfeita, em que o povo seria o soberano e sua felicidade era a meta maior. O período em que ele liderou a revolução foi o mais sangrento. Houve dias em que mais de 60 pessoas passaram pela guilhotina. O livro conta também o saldo sangrento da passagem de Che Guevara pelos distritos sob seu comando. Olha, revolucionários são como religiosos fanáticos. Eles matam sem remorso em nome de suas causas. Não se enganem com pessoas puras demais. As revoluções nascem cheias de boas intenções, prometendo um futuro de leite e mel para os pobres, mas nunca dizem quanto tempo os sacrifícios irão durar.</p>
<p>O tormento cubano se arrasta em meio à corrupção generalizada, repressão e fome. Mesmo depois que Fidel Castro morrer, ninguém garante que as coisas possam mudar por lá. Em certos momentos do livro de Samarone não deixei de lembrar o livro 1984, de George Orwell. A imprensa cubana lembra muito a mídia do Big Brother do livro. Quem lê um jornal cubano acha que está na Bélgica. Outro detalhe curioso: Hugo Chávez é um herói por lá. Imagine se os radicais do MST, PT, PSTU ou PSOL conseguem implantar um regime desses no Brasil&#8230; É de gelar o coração.</p>
<p>O livro foi rejeitado por várias editoras, antes de ser editado pela Casa das Musas. Isso dá uma idéia do estado de quase demência que ataca o mercado editorial brasileiro. Encontrei alguns erros de revisão, mas nada que não possa ser solucionado numa próxima reedição. Fiquei sabendo que Samarone Lima vai lançar seu livro em Natal nos próximos dias. Vou aguardar com ansiedade para lhe dar os parabéns.</p>
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		<title>Evoé  Baco!</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 14:43:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acabo de ler na internet um texto saborosíssimo do escritor Carneiro da Cunha para quem detesta carnaval. Ele dá até dicas de livros que você pode reservar para ler no período momesco. Achei muito engraçado o texto, pois eu também não sou muito carnavalesco agora. Já gostei muito, mas agora&#8230; Carnaval para mim é abrir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ler na internet um texto saborosíssimo do escritor Carneiro da Cunha para quem detesta carnaval. Ele dá até dicas de livros que você pode reservar para ler no período momesco. Achei muito engraçado o texto, pois eu também não sou muito carnavalesco agora. Já gostei muito, mas agora&#8230; Carnaval para mim é abrir umas cervejas de vez quando, no intervalo de TV, filmes e livros e, claro, sempre uma viajadinha na web.</p>
<p>Assim encontro coisas interessantes como uma cantora-mirim chamada Malu Magalhães, que, estranhamente, muita gente detesta. A moça tem uma vozinha de criança, canta em inglês, gosta de Bob Dylan e sonha em ter filhos. Vi uma entrevista dela em que, claramente, sofria com o resultado de seu sucesso instantâneo.</p>
<p>Logo em seguida vi uma matéria sobre um sítio na internet que tem teatro ao vivo. Chama-se Teatro Para Alguém e é uma maravilha, meus amigos! Meu computador é lento, mas mesmo assim dá para ter um gostinho da experiência. Preciso comprar um mais turbinado para poder ver essas coisas em tempo real. À noite vi A Dama de Shangai, de Orson Welles e corri para a biografia do homem para saber por que o filme ficou tão ruim. Ah, lá estavam as explicações: o estúdio cortou 20% do filme e trocou a trilha sonora original. Tá explicado. Mesmo assim tem momentos de gênio.</p>
<p>Agora, como diz o velho e bom Chaves, sem querer querendo, vou esnobar o grande Jairo Lima. Reservei para o carnaval uma leitura do Fausto de Goethe, acompanhando cada capítulo com os comentários do livro Deus e o Diabo no Fausto de Goethe, de Haroldo de Campos. Mas sei que ele vai dizer que está reservando algo do mesmo naipe no original, puxa, Jairo, abre uma cerveja aí meu compadre.</p>
<p>Termino esse bate papo torcendo por todos os meus orixás que este pilantra, ladrão de galinhas e consumado mau caráter José Roberto Arruda, passe, pelo menos, o carnaval no xilindró. Axé, meu rei!</p>
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		<title>Cuba</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 18:32:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos de Souza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O livro de Samarone Lima é tão bom que estou preparando um comentário mais extenso para minha coluna da Tribuna do Norte, da quarta-feira de cinzas. Leiam este livro, meus caros esquerdistas e direitistas.
*********
Carlão, também li e escrevi um post (&#8220;Viagem ao Inferno&#8221; &#8211; aqui) sobre o livro de Samarone. Na semana passada recebi e-mail [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro de Samarone Lima é tão bom que estou preparando um comentário mais extenso para minha coluna da Tribuna do Norte, da quarta-feira de cinzas. Leiam este livro, meus caros esquerdistas e direitistas.</p>
<p>*********</p>
<p><em>Carlão, também li e escrevi um post (&#8220;Viagem ao Inferno&#8221; &#8211; <a href="http://www.substantivoplural.com.br/viagem-ao-inferno/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>) sobre o livro de Samarone. Na semana passada recebi e-mail dele informando que virá lançar Viagem ao Crepúsculo em Natal. Estou aguardando novo contato com mais detalhes sobre o lançamento.</em></p>
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