Acordei com esse poema hoje em minha cabeça. È um trecho do Poema Sujo, de Ferreira Gullar, musicado por Milton Nascimento:
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta
Para Tetê Bezerra
31 de janeiro de 2012 às 10:51 | 1 ComentárioTetê, que coisa mais linda esse texto de Mário Bortolotto (foto) que você me enviou. Conheço Bivar (não pessoalmente) desde garoto na faculdade. Lia tudo que ele escrevia. Mas adorei principalmente Os Verdes Vales do Fim do Mundo. Só que segui um caminho às avessas do dele. Apostei em ter coisas, carro, casa, família e aí não deu para sair viajando pelo mundo como eu sonhava. Mas ainda guardo um certo desleixo, um desprezo pela necessidade de acumular dinheiro. Só quero o que der para viver com decência. Isso basta. Grande lição de vida a de Antonio Bivar. Beijos. Aguardo ligação sua para a gente passar uma tarde conversando e rindo, viu?
Meus amigos, alguém aí já viu o filme turco Ulak, do diretor Çagan Irmak, intitulado no ocidente The Messenger (O Mensageiro), o que causou confusão com o filme americano de título idêntico? Queria mais informações sobre este filme. É de uma beleza insuportável.
tem post novo no feriasnoinferno’s blog, macacada!!!!
Chatos
30 de dezembro de 2011 às 10:28 | 17 ComentáriosCaro amigo Tácito Costa. Quero lhe parabenizar pelo título de Chato do Ano, do Novo Jornal, mas sei que o prêmio não foi para você e sim para uma parcela de frequentadores deste divertido portal, hospedeiro de toda qualidade de seres humanos, que vão dos mais chatos aos mais divinos. Você eu tenho certeza que não é chato, mas tem cada vivente aqui que é de dar dor de barriga, meu irmão.
Escritores
13 de dezembro de 2011 às 9:57 | 12 ComentáriosAí vai um trecho de Beatriz, do escritor Cristovão Tezza. Quero compartilhar isso com vocês, porque gostaria muito de ter escrito isso. Quem quiser pode vestir a carapuça que melhor lhe servir.
“-Escritores não são pessoas boas. O que me intriga é que os milhares de leitores que ainda restam no mundo, como vocês, essas almas bem-intencionadas aí na platéia me ouvindo, não se apercebam dessa verdade simples e universal. Não satisfeitos em apenas ler os livros que escrevemos, querem também nos ouvir falar, fazem filas atrás de autógrafos, e alguns nos escutam com adoração que se tem aos santos e aos sábios. Felizes, sorridentes, suportam palestras e mesas-redondas em que os escritores costumam desfiar aquele rosário de besteiras e mentiras, sempre as mesmas, teorias estapafúrdias que inventaram de ressaca 15 minutos antes de sentar à mesa ou então que arrastam pela vida afora como uma tábua de mandamentos que não tem nenhuma relação com o que escrevem (ou, muito pior ainda, teorias que desgraçadamente têm relação com o que escrevem), piadas sem graça (escritores são quase sempre – é um paradoxo – seres desprovidos de humor), patéticos ataques de narcisos ou simplesmente babaquices sobre o ‘método de escrever’, o valor da ‘inspiração’, a importância da leitura no mundo moderno – daqui a pouco ainda sai alguma coisa do tipo ‘como fazer amigos escrevendo livros’. O poeta iniciante e o vetusto prêmio Nobel, todos se expõem patetas ao ridículo de falar em público, e suas bobagens de equivalem. Deve haver exceções, é claro – mas eu não as conheço. O leitor é crédulo – acredita no que está escrito e acredita nos que escrevem. Os que escrevem têm ‘o dom’. É aí que fazemos a festa. Ninguém percebe que a matéria-prima da literatura é o desprezo. O que me irrita, ao olhar para mim mesmo, é essa dependência gosmenta das outras pessoas, não para sobreviver, o que até seria justo, mas para me alimentar delas, porque sem a estupidez em torno eu restaria sem assunto e morreria por completamente inútil. Se os escritores ainda ficassem sozinhos, em paz – mas não, a maior parte vive em grupos e bandos aguerridos, disputam a tapa cada centímetro da imprensa, puxam o saco do cronista social, lutam desesperados por uma entrevista de cinco minutos no rádio e matam a mãe por dois segundos na televisão, refugiam-se em panelas, igrejas e dissidências, protegem-se em uma gama infinita de lobbies, o lobby gay, o heterossexual, o feminista, o judeu, o árabe, o comunista, a bancada lésbica, o liberal-comunista, os regionais, os neomachos, o hippie-naturalista, o poeta de bar, o gênio, o assinador de abaixo-assinados que se justifica pela defesa da ‘causa’, qualquer uma, e mais o – maldito seja! – enviador de e-mails contra o qual não há antivírus que funcione, e todos se odeiam com uma intensidade que não tem paralelo em nenhum outro exemplo da espécie humana, porque a palavra, o tal dom que eles têm, multiplica tudo até a paranóia, dando uma impressão assustadora de realidade. Ao mesmo tempo, para tornar tudo pior, são seres irrelevantes, produzem encalhes invencíveis, praticamente nada do que escrevem tem importância e cada vez menos há pessoas interessadas neles, em geral apenas os também candidatos a escritor, seres intrinsecamente chatos, o que faz desta minúscula arena letrada um sufocamento infernal de pesadelos, frustrações e vinganças. Esse é o miolo em comum – na aparência, são seres bem diferentes, é claro, enganam bem, são até convidados para eventos como esse, e um Lineu teria dificuldade para classificá-los exaustivamente, tamanha a riqueza da fauna. Eles têm uma incrível capacidade de disfarce. Um pai entregaria a filha a um escritor, feliz da vida, sem saber o que a espera. Há os escritores gentis, os grotescos, as grandes promessas, os mal-educados, os sindicalistas, os ganhadores de concurso, os presidentes de associações, os pornógrafos, os perdedores de concurso, os francamente ruins, os autistas, os imitadores, os que mandam cartas para a redação, os não escritores (que são diferentes dos maus escritores) e por aí vai. É uma coisa óbvia: se escritores fossem boas pessoas, exerceriam alguma atividade decente da sociedade humana, algo que de fato fosse solicitado pela vizinhança da espécie; seriam seres normais, capazes da convivência e de todos esses valores humanistas que eles às vezes cantam de dedo em riste, incapazes de aplicar na própria vida. Escrever é sempre a expressão de um fracasso, com o qual não se aprende nada – ao contrário da vida real, em que o erro nos melhora. Na literatura acontece o contrário: a presunção doentia que nos leva a escrever e que eventualmente encontra aquela mínima ressonância – o prato de resto de comida do cão faminto, ao qual nos lançamos com a língua de fora – acaba por nos corromper a alma por inteiro de maneira que em poucos anos não servimos para mais nada senão medir a própria incompetência, linha a linha.”
Peguei o livro A Felicidade é Fácil, de Edney Silvestre para ler e não consegui passar da primeira página. Sério, deu vontade de vomitar. Peguei o livro Beatriz, de Cristovão Tezza e na primeira frase já estava irremediavelmente conquistado. Dá para entender esses hábitos de leitura? Sei não…
Folhetim
9 de dezembro de 2011 às 14:36 | 1 ComentárioQuem quiser se divertir um pouco pode fazer uma visitinha ao fériasnoinferno’s blog. O ciberfolhetim continua.
Gigante
7 de dezembro de 2011 às 13:44 | 5 Comentários“Gigante, de Adrián Biniez, cineasta de origem argentina que fez seu filme no Uruguai, ganhou o Urso de Prata em Berlim e o Kikito de melhor roteiro em Gramado. Mas Gigante recebeu também o Kikito de melhor filme da crítica. É melhor, realmente.” Assim começa a crítica de Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo e eu não deveria dizer mais nada sobre este filme simplesmente soberbo. Eu o assisti outro dia no canal Cult e não consigo parar de pensar neste filme. Por que o cinema brasileiro não faz um filme assim? Apenas uma boa e simples história para contar. História de seres humanos reais, comuns, que você encontra todos os dias na rua, no supermercado, na para de ônibus.
Folhetim
1 de dezembro de 2011 às 11:07 | 2 Comentáriosa quem interessar possa: tem textos novos no feriasnoinferno’s blog.
A salmoura dos guardados do tempo
30 de novembro de 2011 às 10:18 | 4 ComentáriosEstou com este livro Novenário de Espinhos, de Clauder Arcanjo, Sarau das Letras, 144 páginas, sem preço definido, há já alguns dias e só agora tive tempo de comentar. Trata-se de uma edição de luxo, em papel couché, fotografias de Fred Veras e ilustrações de Augusto Paiva, Lourenço, João Helder Alves Arcanjo. Meu primeiro espanto foi dizer; como alguém tem coragem de editar um livro de poesia com tamanho luxo? A luxúria visual não atrapalharia a fruição dos poemas? Não sei dizer.
Literatura potiguar
17 de novembro de 2011 às 10:53 | 10 ComentáriosSérgio Vilar me perguntou se existia literatura potiguar. Como não vi minha resposta na matéria que ele fez, (ele disse que não deu para entrar a retranca, tudo bem, o Diário de Natal anda mesmo meio esquisito) publico aqui com alguns acréscimos:
Amor proibido na China moderna
9 de novembro de 2011 às 9:47 | ComentarAssisti ontem, entre comovido e triste, ao filme As Filhas do Botânico, de Dai Sijie, produção francesa-canadense, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi a fotografia. É como se a fotografia fosse um personagem à parte. O enredo se passa na China dos anos 1980 e conta a história de uma jovem órfã, mestiça de russo com chinesa, que sai de seu orfanato para fazer um curso de medicina natural na casa de um botânico de renome. Lá ela conhece a filha do botânico e o que nasce daí só pode ser descrito como “amor de perdição”.
Ciberfolhetim
21 de outubro de 2011 às 11:42 | ComentarTem post novo no http://feriasnoinferno.wordpress.com/
Tem post novo no meu blog, mais um capítulo de meu ciberfolhetim http://feriasnoinferno.wordpress.com/
Poesia
19 de outubro de 2011 às 10:38 | 8 ComentáriosMeus caros amigos poetas do Substantivo Plural. Lendo esses poemas (aí vai o link: aqui ) do poeta Raymond Carver, surgiu-me um dúvida. Isso é poesia mesmo? Acho que não.
A Visão Romântica
11 de outubro de 2011 às 14:35 | 6 ComentáriosTzvetan Todorov
“Em 1927, Tsetaeva escreve uma carta a Máximo Gorki, que vivia então em Capri. Ela não consegue deixar de lhe falar de um livro que acaba de ler. Trata-se do volume de Stefan Zweig O Combate com o Demônio, lançado em 1925 e dedicado a três figuras da loucura poética, Kleist, Hölderlin e Nietzsche. Tsetaeva sentiu-se de tal modo movida por essa leitura que quis enviar a obra a Gorki: é um “livro espantoso” e, no que concerne a Hölderlin, “o que se escreveu de melhor sobre ele”. Podemos entender esse interesse: o ensaio de Zweig condensa em algumas páginas a concepção romântica do poeta e da vida dele, o que sempre fascinou Tsetaeva. Sua admiração é, portanto, reveladora de suas próprias escolhas e independentemente do valor que se poderia atribuir à interpretação de Hölderlin proposta por Zweig.
A arte salva mesmo?
27 de setembro de 2011 às 15:13 | 1 ComentárioQuero compartilhar com vocês aqui trechos de uma introdução ao livro A Beleza Salvará o Mundo, de Tzvetan Todorov, 352 páginas, R$ 45,00. São dicas importantes para quem vive nesse mundo literário tão cheio de vaidades. No livro, Todorov mostra sua visão da vida de três grandes escritores: Wilde, Rilke e Tsvetaeva, três verdadeiros “aventureiros do absoluto”.
A Beleza Salvará o Mundo
Tzvetan Todorov
“A aspiração à plenitude e à realização interior se encontra no espírito de todo ser humano, e isso desde os tempos mais remotos; se temos dificuldade para nomeá-la, é porque ela assume as formas mais extraordinariamente diversas. É a uma delas que gostaria de me dedicar aqui, pois ela exerce sobre nós um fascínio particular que orienta hoje nossa busca pessoal. Nem sempre foi assim. Durante séculos, de fato, a necessidade de plenitude foi interpretada e orientada para o contexto da experiência religiosa”.
Ciberfolhetim
21 de setembro de 2011 às 15:06 | 3 ComentáriosOlhaí, moçada boa do SP. Tem post novo no feriasnoinferno’s blog.
Mia Couto
15 de setembro de 2011 às 16:15 | 6 ComentáriosAlguém precisa me indicar um livro pauleira de Mia Couto. O que estou lendo,Venenos de Deus, Remédios do Diabo parece uma cocada de leite. Na metade já estou enjoado.









